Desculpe o incômodo, mas precisamos falar sobre empatia



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“Capacidade psicológica para sentir o que sentiria outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

         Provavelmente, em algum momento de sua vida, você se deparou ou ouviu alguém falar sobre empatia. É verdade que ter empatia é ter a capacidade de se colocar no lugar do outro. Claro, não conseguimos com precisão, visto que cada um é único à sua maneira, e por isso não conseguimos experimentar com extrema perfeição os sentimentos alheios. Contudo, isso não significa que a empatia é falha, ou que não devemos trabalha-la. 

         Imagine a seguinte cena: você sente sua cabeça doer com tamanha força, como se ela fosse explodir. Seus pensamentos não param, seu peito começa a doer. Você começa a ficar sem ar, e de repente se pega chorando. Seja embaixo do chuveiro, ou abraçada com o travesseiro. Você não sabe como tudo começou, apenas sabe que tudo está de fato acontecendo. Você está chorando, e nesse momento você se sente sozinha. Você pensa em como seria bom ter alguém que te abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem. Esse alguém não identificado que você sente falta, ou necessidade, só poderia lhe ajudar se tivesse empatia. Enquanto te abraça, ele se coloca em seu lugar para tentar compreender o máximo possível o que está acontecendo, para só então te dizer “tudo ficará bem”.

         Mas empatia não é somente tentar sentir o que o outro sente. Empatia é também reconhecer os momentos em que o outro não precisa de palavras de conforto, mas apenas de um abraço. Um longo, confortável e silencioso abraço. Ou talvez ele só precise que você puxe assuntos aleatórios para distraí-lo. Empatia é também reconhecer quando o outro precisa de um tempinho só para ele. Longe de tudo, mesmo que isso signifique estar longe de você por algumas horas. 

         Empatia, acima de tudo, é reconhecer que existem mais de sete bilhões de seres humanos no mundo, e que cada um deles é diferente de alguma forma. Empatia é reconhecer que existem mais de sete bilhões de maneiras distintas de se ver, encarar e sentir o mundo. Empatia é aceitar cada uma dessas maneiras, e sempre deixar um espacinho para cada uma delas te completar. Empatia não é só dizer que tudo ficará bem, mas também acreditar no outro e na melhora que ele tem. Mas acima de tudo, empatia é reconhecer quando se está errado, e deixar o orgulho de lado quando o outro grita por ajuda, ou simplesmente tenta te mostrar que nem todas as realidades são exatamente iguais.

Robôs, revólveres e questões existenciais

Anunciada como a nova “Game of Thrones”, “Westworld” faz parte da nova safra de séries que estrearam em 2016, porém essa comparação é injusta e superficial. Na verdade, a única coisa em comum com a série dos zumbis de gelo e dragões é o fato de que ambas são produzidas pela HBO, o que já garante uma qualidade de produção acima do normal.
Livremente baseada e inspirada no filme homônimo de 1973, escrito e dirigido por Michael Crichton (o mesmo dos livros de Jurassic Park), “Westworld” se passa em um futuro indefinido, mas não espere carros flutuantes, máquinas de teletransporte ou outros clichês do gênero de ficção-científica. A principal ambientação da série são o deserto e vilarejos do velho oeste americano.
O Westworld que dá nome ao seriado é um parque de diversão para adultos que simula a época de glória do faroeste americano. Como visitante, você se traveste com roupas de época, escolhe um arma, recebe instruções de garantia de segurança para então enfim ser lançado em uma experiência completamente imersiva de como seria ser um herói (ou vilão, se quiser) do velho oeste. Todo o mundo de Westworld é populado por andróides que, na maioria das situações, acabam sendo mais humanos que os próprios humanos, se tornando objetos que buscam satisfazer os desejos do visitante por glória, sangue ou prazer.
Mas aí que está a questão: os robôs não sabem que são robôs, e acreditam piamente que o teatro criado pelos diretores do parque é sua vida real. Não imprevisivelmente, o desenrolar da série mostra justamente o que acontece quando alguns robôs começam a questionar sua realidade.
Não é nada novo o embate homem versus máquina, mas são poucos os exemplos que nos colocam do lado dos robôs e contra os humanos, e de maneira tão eficaz. Em Westworld, a fim de tornar a experiência mais real para os visitantes, objetiva-se que os robôs sejam o mais humanos quanto possível, com traços de improvisação, memória e empatia, porém ainda assim são tratados como objetos descartáveis e manipuláveis. A série traz questões sobre livre arbítrio e identidade, e também sobre os limites da natureza humana: os robôs não são vivos (ou são?), mas a crueldade com que são tratados é mais do que real, o que suscita a questão: fazemos o que fazemos porque queremos ou porque podemos?
“Westworld” apresenta mistérios e perguntas que se avolumam a cada episódio. Claro, é impossível que numa série com tantos personagens (entre robôs e humanos temos mais de dez personagens dignos de nota) nos sintamos investidos igualmente em todos os mistérios, mas o centro do enredo é bem definido, carismático e intrigante. A história é complexa e equilibra muitos segredos, mas o melhor de tudo: ela não tem medo de ser complexa, sendo um prato cheio para teorias e especulações por parte dos fãs.

Por sua estrutura e ritmo, “Westworld” é uma ótima candidata a uma sessão de binge-watch. Com apenas um episódio faltando para o final da primeira temporada, já pode colocar a série na sua lista de maratonas.

Texto por: Guilherme Drummond

Minha série, ninguém sai!


Todo viciado em séries sabe que, ao terminar uma série, vai se deparar com a difícil decisão de escolher outro título para dedicar seu tempo (porque ninguém vai querer passar um dia sem sofrer os dramas do mundo dos seriadinhos, né?). Mas e quando os episódios acabam, mas o limbo emocional parece não ter fim? Você está simplesmente conectado demais à história, aos personagens, ao vocabulário característico e até mesmo ao cenário para riscar mais essa da sua watchlist e partir para a próxima. Você tentou não se apegar, mas daí a trilha sonora também mexeu com você e as favoritas já estão na sua playlist diária. No plano de fundo do celular e do desktop, na foto de capa das redes sociais, lá está ela: seja uma imagem do seu ship favorito ou algo misterioso e icônico que só quem assiste reconhece. Você prometeu para si mesmo que não iria pesquisar demais sobre os bastidores pra facilitar a despedida, mas quando se deu conta já seguia todos os artistas no Instagram e sabia o nome de seus filhos e animais de estimação. É, você falhou na missão de seguir em frente. Então você tenta perpetuar o universo da série em outra pessoa, indicando-a para aquele amigo em que você confia o suficiente para compartilhar dessa experiência com você. Agora você tem alguém para trocar figurinhas sobre o assunto, por quanto tempo quiser! Mas ainda não é o suficiente. Nem todas as fanfics do mundo cobrem o buraco que aquele casal OTP deixou. Então você toma medidas drásticas: assiste tudo de novo. E novamente, avaliando episódio por episódio. E mais uma vez, anotando todas as referências. Por fim, você já sabe de cor e salteado a sequência dos fatos, os easter eggs e até algumas falas. No fundo, tudo o que você queria era ter o gostinho de assistir um episódio inédito novamente...

A série que você terminou era Gilmore Girls, exibida originalmente entre 2000 e 2007. Estamos em 2016, mas poderia muito bem ser 2006 para o universo televisivo, pois, quase dez anos depois, um revival produzido pela Netflix está a poucos dias de ir ao ar. A pergunta que não quer calar é: O que queremos encontrar quando buscamos algo para assistir? Será realmente “algo novo”? “Algo diferente, nunca visto antes”? Gilmore Girls é apenas uma entre várias outras histórias que recebeu ou está cotada a receber uma continuação nos próximos meses. Vários fãs se mostram completamente empolgados com a notícia, mas alguns vêem a tentativa de trazer a série de volta como algo fadado ao fracasso. É aquele ditado: “Em time que está ganhando, não se mexe”. Acontece que a onda de revivals que vem crescendo de uns anos pra cá já se mostrou mal sucedida em algumas investidas, como em “Heroes Reborn”, de 2015. Ainda assim, a memória dos fãs continua imersa no laço tão carinhoso que criaram com a série original, fazendo com que qualquer oportunidade de reviver a sensação de ter um novo episódio para assistir pareça surpreendentemente excitante. A galera fã de “Full House” já ficou dividida quando a sitcom clássica dos anos 80 ganhou um spin-off também produzido pela Netflix este ano. A Fox também aderiu à nova moda e decidiu trazer Michael Scofield de volta às telinhas em 2017, com um revival de “Prison Break”. Além disso, a emissora está trabalhando num spin-off de “24”, intitulado “24: Legacy”. Bem aí já nasceu um conflito com os rumores de que o icônico protagonista Jack Bauer seria substituído por um personagem mais jovem... É, não dá pra agradar a todos.

Bem, ficar carente de séries é possivelmente o pior que pode acontecer pra quem mergulha de cabeça no mundinho criado por elas. Mas, ao mesmo tempo, esse nível de envolvimento com história nos deixa enciumado quando alguém vem querer mudar algo que já estava bom, ótimo, perfeito. E aí, o que você acha dessa onda de revivals e spin-offs tomando conta da TV? Enaltece ou empobrece a memória das nossas séries queridinhas?


Texto por: Larissa Costa

Madrugada




Sempre tive a impressão que tudo acontece durante as madrugadas. Nesse período frio e silencioso, em que a maior parte das pessoas dorme, é que se dão grandes mudanças: já parou para pensar o tanto de coisas que acontecem de madrugada, e a gente não vê?
Foi assim com a gente. Enquanto todo mundo dormia, a gente se conhecia. Foi durante aquela madrugada inteirinha que começou o que até hoje me dá paz.

      - Cor favorita?
       - Azul. A sua?
      - Preto.
      - Destino?
      - Acredito. Tudo que acontece é porque tinha que acontecer.  
      - Não sei. Talvez. Acaso?  

Existe algo de muito secreto nas madrugadas. Aquele momento era tão nosso, mas tão nosso, que teve que esperar todo mundo dormir para se revelar.  

     - Seus olhos são lindos.
     - Mas eles são castanhos, normais.
     - É que cê me olha com muita sinceridade. É isso. Sinceridade.

É o momento em que a gente é mais a gente mesmo. Quando não tem ninguém pra ver, não tem convenção social, não tem rótulos. Vulnerabilidade pura, exposta. Eu sou isso. E você?

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?


Ela: Eu não pertenço a você.
Ele: Tua tristeza é tão exata.
Ela: Há tempos o encanto está ausente.
Ele: Lembra que o plano era ficarmos bem?
Ela: O futuro não é mais como era antigamente.
(Silêncio, seguido pelo barulho de um trovão.)
Ele: A tempestade que chega é da cor dos teus olhos… Castanhos.
Ela: Não tenho medo do escuro.
Ele: Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
Ela: Não quero lembrar que eu minto também.
(Ela tenta ir embora, mas ele gentilmente a puxa pelo braço, pedindo para que espere.)
Ele: Mas não, não vá agora, quero honras e promessas.
Ela: Não é me dominando assim que você vai me entender.
Ele: Vai ser difícil sem você.
Ela: Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.
Ele: Ficaremos acordados imaginando alguma solução.
Ela: Você tem medo.
Ele: Quem tem medo é você.
(Ela vira pra trás, dá alguns passos e involuntariamente as lágrimas começam a sair. E então ela volta, soluçando.)
Ela: Então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo.
Ele: Aonde está você agora além de aqui dentro de mim?
(Eles se beijam.)
Ela: A lágrima é verdadeira.
Ele: Eu sei. Tentei chorar e não consegui.
Ela: Me disseram que você estava chorando.
Ele: Queria sempre achar explicação pro que eu sentia.
Ela: Eu sei que você sabe.
Ele: Uma menina me ensinou quase tudo que eu sei.
(Silêncio)
Ele: Olha só o que eu achei.. Cavalos-marinhos.
Ela: Lá vem, lá vem, lá vem de novo!
Ele: Só que agora é diferente.
Ela: Já não me preocupo se eu não sei porquê.
(Eles começam a andar juntos, saindo daquele lugar que parecia ser um bar abandonado.)
Ela: Estamos indo de volta pra casa?
Ele: Ainda estou confuso.
Ela: Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa.
Ele: Agora tanto faz...

Ps: Diálogo criado inteiramente com trechos das músicas da banda Legião Urbana. Descobri que podemos criar histórias a partir de outras histórias, a sensação é incrível ;)

(Movi)mente-se



Dança é mágica. É dizer sem dizer; é o mostrar dos mais profundos dos sentimentos, que, fragilmente, vêm à tona sem receios ou retoques. É clássica, é moderna, é de rua - é, puramente, dança. 

No anos 60 nasceu a mais expressiva delas: a dança contemporânea. Com a ideia de quebrar a rigidez da dança proposta pela abordagem mais clássica, a dança contemporânea se faz de movimentos livres, que podem deixar de se preocupar até mesmo com a estética. Isso acontece, pois o propósito do estilo é exatamente a transmissão teatral de sentimentos, sonhos, fantasias e pensamentos de quem dança - é a crença de que o corpo e seus movimentos podem tornar visível o invisível. 

A dança contemporânea não parece ter pressa em se expressar e, muito menos, medo de fazê-lo. Os dançarinos vivem em um mundo a parte, onde se comunicam com movimentos que se fazem quase que de uma não-coreografia, de tão simbióticos e naturais que se dão. Em uma linguagem própria, ela nos conta histórias das mais simples às mais labirínticas e a beleza de tudo, ao meu ver, está justamente nesse ponto: por ser tão livre em si, os atos se fazem livres para todo tipo de interpretação. A mesma peça de arte pode despertar sentimentos e leituras tão diversos quanto quem as observa. 

Pensando nisso, o Sem Pauta essa semana trouxe sete vídeos de dança contemporânea, que mostram um pouco de como esse estilo consegue incorporar tantos outros de um jeito lindo de se ver e sentir. Vem conhecer um pouco mais dessa vertente da dança moderna: 



5 documentários para te fazer pensar



Os documentários têm uma estranha reputação: a de serem chatos, tediosos, desses que a gente vê na aula de história e dorme na carteira. Injustiçados que só, pouca gente pára pra pensar no potencial transformador que um documentário tem - e que podem te fazer pensar à beça.

É por isso que o Sem Pauta hoje traz uma lista de documentários (todos disponíveis no Netflix) pra você sentar no sofá com uma pipoquinha e aproveitar!

  • Cowspiracy

Conhecido por fazer muitas pessoas se tornarem vegetarianas, “Cowspiracy: o segredo da sustentabilidade” examina os impactos da pecuária e da pesca na natureza, revelando aspectos sombrios dessa indústria que move bilhões. Prepare-se para nunca mais encarar o mundo (ou um prato de bife) da mesma maneira.

  • Zeitgeist

Zeitgeist é um filme, de certa maneira, chocante. O documentário traz teorias da conspiração e trata da possível manipulação que todos nós sofremos pela mídia, pelo governo e por grandes instituições econômicas.O filme, apesar de ter sido lançado em 2007, continua real.

  • Bridegroom

Bridegroom é um documentário que conta a história real de Bitney Cone e Bridegroom, casal que foi atingido pela tragédia de não ter seu amor aceito e respeitado pela sociedade. Nos faz refletir sobre como estamos matando o amor.

  • Awake - a vida de Yogananda

Awake trata da vida de Yogananda, iogue e guru indiano que popularizou a cultura do bem estar espiritual no ocidente. O filme conta com a participação de grupos ao redor do mundo para demonstrar a importância deste homem para a humanidade. Mesmo pra quem não se liga muito em yoga, o filme é importantíssimo para entender como um ícone é formado e inspira milhões de pessoas ao redor do mundo.

  • Blackfish

Blackfish é um documentário realizado em 2013 que conta a história de Tilkum, uma orca, mantida em cativeiro, que foi responsável pela morte de três pessoas. O filme vai além e discute o aprisionamento desses enormes animais para entretenimento humano, como no famoso parque da Disney, SeaWorld. Blackfish nos faz refletir sobre o limite do uso de animais em benefício próprio e sobre o quão cruel é essa indústria.