Quem somos?



De onde viemos?

Para onde iremos?

Qual a razão de se estar aqui?

São tantas as perguntas, e tão poucas as respostas. Questionamos o tempo todo. Observamos o mundo em que vivemos em busca de respostas que expliquem nossa existência. Estamos rodeados pelos mistérios mais profundos da vida, e nossa missão, que aceitamos desde pequenos, é de desvendá-los.

Um dos segredos que mais me intriga é sobre a realidade. Afinal, o que é real? Será tudo aquilo que podemos tocar? Mas já não fora dito que não tocamos de fato alguma coisa? Então será aquilo que vemos? Mas não há estudos que afirmam que não processamos toda a informação que captamos? Então o que será real? O que nos torna real? O que de fato nos torna quem somos?

Como dito antes, são inúmeras as perguntas, mas pouquíssimas as respostas. Não sou nenhum físico, não sou psicólogo, sou apenas mais um humano dentre os bilhões. Não possuo as respostas para essas perguntas, e nem creio que um dia possuirei. Porém, sem que a vida perca o ar do mistério, gosto de pensar que tudo aquilo que sinto é o que me torna real. Posso até não tocar de fato, mas sinto quando me aproximo. Posso não processar tudo o que está ao meu redor, mas sinto quando vejo.

Para o sentir não há existência material. Não podemos ver o sentimento, não podemos tocá-lo, apenas senti-lo. E talvez isso que o faça ser tão real para mim. Sou quem sou porque sinto. Sou feito de paixão, de tristeza, de felicidade, de amor, de esperança, de êxtase, de decepção. Sou feito de sentimentos, e eles deixarei quando partir. 

Sentir talvez seja um eterno mistério pra mim, mas para esse não desejo respostas. Afinal, qual a graça da vida, se não houver um bom caso para algum Sherlock Homes da vida real tentar resolver?

Serei, serás, seremos


Talvez certezas científicas falhem e nem as milhares de teorias genéticas sejam suficientes para explicar o que faz alguém ser humano. O que nos faz sorrir, amar, chorar e ter medo? O que nos faz ser quem somos? Buscando respostas, o fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand viajou durante três anos para registrar 191 minutos, 2.020 entrevistas, 63 idiomas e 70 países para compor seu projeto “Human”.

Entre depoimentos envolventes e paisagens paradisíacas, o filme mostra relatos de pessoas com culturas e classes sociais variadas; ricos e pobres, negros e brancos, cristãos e muçulmanos, etc. Ao responder questões sobre amor, resiliência e gratidão, percebemos que, mesmo distantes e com visões de mundo completamente diferentes, existem em nós sentimentos intrínsecos que compartilhamos uns com os outros, e talvez isso seja "ser humano".

"Se perguntar a alguém hoje qual a pior coisa que já lhe aconteceu na vida e que lição aprendeu dessa experiência, será sempre algo difícil de explicar e certamente vai chorar. Mas por vezes surgem coisas bonitas, belas palavras sobre essa experiência. Penso que crescemos com as experiências dos outros. Não crescemos sozinhos", disse numa Arthus-Bertrand entrevista à Reuters.

O documentário, lançado em 2015, é uma verdadeira experiência sobre conhecimento e empatia, e está disponível no YouTube em seis línguas: inglês, francês, português, espanhol, russo e árabe. Confira o trailer:

Estranhos para quem?

      o tão esperado, 2008. Parte da exposição ComCiência, no CCBB Belo Horizonte. De 12/10 a 09/01.

O que é o bizarro? E se ele se tornar normal? E se o futuro perder a humanidade que conhecemos e der lugar a algo inominável e, ainda assim, deslumbrante?

Com o desenvolvimento tecnológico e as diversas pesquisas no campo da genética, não sabemos para onde caminhamos. O futuro da humanidade é incerto e possivelmente assustador. Mas essa incerteza é mesmo aterrorizante?

O ser humano tem a estranha capacidade de não só adaptar-se a diferentes realidades como de aprender a amá-las. Quando uma novidade surge, beiramos entre o fascínio e o receio, e um dos dois eventualmente ganha. Normalmente, o fascínio, cuja singularidade torna-se, em algum momento, apenas um outro aspecto da realidade.

Nós nos acostumamos com as máquinas; de fato, não vivemos sem elas. Alteramos alimentos geneticamente sem saber as consequências disso para nosso corpo. Brincamos de arquitetos da natureza ao criar animais e vegetais híbridos. Basicamente, nós não nos contentamos com a ordem natural do planeta. Temos a necessidade de explorar, de criar, de fecundar. Gostamos de manipular a vida. No fim, procuramos pelo bizarro. Ele está à espreita e nós olhamos de esguelha.

Patricia Piccinini reflete sobre isso na exposição ComCiência, na qual exibe criaturas estranhíssimas – desde flores-botas a seres humanos com mutações genéticas – interagindo normalmente com figuras humanas "comuns".

Mais que tudo, a exposição é sobre a transformação do olhar. Percorremos as salas com o cinismo dos adultos para, então, nos tornarmos crianças novamente com a presença do desconhecido. Não sabemos bem o que sentir: Repulsa? Admiração? Medo? Angústia?

Assim, nos resta encarar as obras com o olhar da indagação e permitir que elas transformem nossa percepção da anormalidade. Afinal, o bizarro pode também ser poético. Especialmente quando nos mostra que as interações entre os seres vivos ultrapassam os limites do lugar comum.

Do You Want To Know A Secret?


Em certo ponto da vida, todo mundo já foi definido por alguma característica. Mas onde como ficam os vários outros aspectos de alguém quando se é definido por poucos ou até mesmo por um único adjetivo?

Os Beatles revolucionaram a música no século XX, sendo considerados por muitos o maior conjunto musical de todos os tempos. Deixaram um grande legado nas mais diversas áreas, sendo tema de mais 8.000 livros, um curso superior na Universidade Hope de Liverpool, diversos filmes e ainda marcam gerações mesmo mais de 40 anos após o fim do conjunto. Mesmo com toda a beatlemania, George Harrison, John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr são comumente atrelados à uma imagem única e genérica. Prepare-se para redescobrir (ou avivar suas memórias sobre) os Garotos de Liverpool.

Com o perdão do trocadilho, imaginem John Lennon, músico genial, polêmico, ativista em diversas causas, pacifista. Quando jovem, John era um um garoto briguento, chegando a admitir em sua biografia escrita por Philip Norman que era agressivo porque queria ser popular na época do segundo grau. Apesar de ter sido um aluno problemático, era apaixonado por literatura e longe da obrigatoriedade da sala de aula, John era um frequentador assíduo da biblioteca, com grande interesse por literatura britânica.

Mesmo morando com sua conservadora Tia Mimi, o rapaz assumiu uma postura rebelde e voltada para a música, fundando uma banda de skiffle - estilo musical influenciado pelo folk que usava instrumentos improvisados, como tábuas e garrafas - com seu amigo Pete Shotton em 1957. Embora fosse descrito pelos colegas como "quase cego", John se recusava a usar óculos até boa parte dos anos 60, por acreditar que as lentes atrapalhavam sua atitude rockeira. Gostava também de "fantasiar" suas histórias com o objetivo de torná-las mais interessantes. No começo da carreira, por exemplo, não assumia seu casamento com Cynthia Lennon e chegou a declarar posteriormente em algumas entrevistas que se apaixonou por Yoko Ono, sua segunda esposa, à primeira vista, quando, na verdade, ela o perseguira por meses antes do envolvimento.

John foi acusado por diversas atitudes condenáveis, como agressões à sua primeira esposa, Cynthia, e abuso emocional e abandono do filho Julian. A fase final como beatle e sua carreira solo foram de grande ativismo político. Ao lado da parceira Yoko Ono, John protagonizou diversas ações e lutou por causas como o fim da guerra no Vietnã, contra o racismo e o sexismo. Apesar de sua morte precoce devido à insanidade de seu assassino, Mark David Chapman, John viveu intensamente e foi capaz de balançar estruturas de instituições poderosas, chegando até a ser investigado pelo FBI.

Richard Starkey, ou Ringo Starr, como ficou conhecido, foi o último Beatle a entrar no conjunto, substituindo o baterista Pete Best no ano de 1962. O apelido "Ringo" vem dos anéis que costumava usar em todos os dedos. De todos os Beatles, Ringo teve, certamente, a infância mais complicada, tendo sérias complicações de saúde que o obrigaram a viver dois anos em um sanatório. Paul McCartney certa vez resumiu o sofrimento de Ringo: “Todos nós, exceto George, perdemos alguém. Perdi minha mãe aos 14 anos, John perdeu a dele, mas com Ringo foi pior. O pai dele sumiu; ele era tão doente que falaram para a mãe dele que não viveria. Imagine criar sua vida a partir disso, naquele ambiente. Sem família, sem escola. Ele teve de se reinventar. Todos tivemos de formar um escudo, mas Ringo formou o mais forte".

Ringo foi quem menos compôs canções dentre os quatro, sendo responsável por duas autorias e quatro co-autorias. Sua participação no conjunto é lembrada pelo vocal principal em Yellow Submarine e With a Little Help From My Friends, Considerado muitas vezes o integrante menos relevante e menos talentoso dos Beatles, Ringo manteve o grupo unido após diversas brigas e teve sua habilidade como instrumentistas exaltada por ex-colegas e especialistas na área musical.

Hoje, o artista mantém hábitos saudáveis, é vegetariano e está sóbrio há mais de 25 anos após uma luta ferrenha contra o alcoolismo. Por fim, se você encontrar Ringo em algum momento, seja na rua ou em algum sonho, lembre-se: ele não distribui mais autógrafos e nem dá apertos de mão, cumprimente-o usando os cotovelos.

Sir James Paul McCartney, o único integrante a receber o título britânico, teve o berço mais humilde entre os Fab Four. Quando criança, colecionava maços de cigarros usados, que encontrava na parada final de ônibus perto de sua casa, "como figurinhas" para apostar e trocar com seus amigos. Hoje, é considerado um dos músicos mais ricos de todos os tempos. Com onze anos, começou a estudar no Liverpool Institute, e no caminho de ônibus para a escola foi onde que ele conheceu George Harrison. Aos 14, perdeu sua mãe, Mary, que lutava conta um câncer de mama, dor que posteriormente foi importante na aproximação com John Lennon, que também perdeu sua mãe com 17.

Um dos maiores boatos da música contemporânea foi a suposta morte de Paul, em 1966, após um acidente de moto. É, certamente, o beatle que teve a carreira solo de maior sucesso. Após superar uma depressão com o fim do conjunto e amparado por sua então esposa, Linda McCartney, lançou diversos hits. Entrou para o Livro Guinness dos Recordes como o compositor musical de maior sucesso da história da música pop, com 29 composições no topo das paradas de sucessos dos EUA. Em 2012, prestes a completar 70 anos, Paul afirmou ter parado de fumar maconha por senso de responsabilidade para cuidar de sua filha mais nova, Beatrice.

Completando o quarteto, George Harrison, o Quiet Beatle, não era bem o que se pode chamar de quieto. A alcunha se deve à forma discreta com que George se portava e acabava por passar tal impressão, principalmente perto de personalidades mais extravagantes, como as de Lennon e McCartney. Caçula de quatro filhos, Harrison sempre foi muito confiante, sendo comumente descrito como uma criança arrogante devido a esse traço.

Apesar de ter demorado a conquistar seu espaço como compositor no grupo, foi co-autor de "In Spite of All the Danger", uma das duas primeiras músicas gravadas pela banda The Quarrymen, que mudaria seu nome mais tarde para The Beatles, em 1958. Durante a famosa turnê em Hamburgo, em 1960, George, membro mais novo da banda, tinha 17 anos. O rapaz foi deportado quando as autoridades locais descobriram sua idade, já que devido ao toque de recolher, toda música tocada por ele depois das 22h era ilegal.

Influenciado pela esposa Pattie Boyd, Ringo se interessou pela cultura e espiritualidade indiana, e foi quem introduziu a cítara, instrumento de cordas símbolo da música da Índia, na cultura pop ocidental através do disco Rubber Soul. Pouco antes do fim dos Beatles, já em 1970, George comprou o Friar Park, uma mansão vitoriana de 120 quartos nos arredores de Londres, principalmente por causa de seus imensos jardins. Ele foi o primeiro beatle a lançar um trabalho solo após a dissolução do conjunto. O álbum triplo “All Things Must Pass” continha todo o material criativo que fora “inibido” por John e Paul durante os anos de Beatles. Desde o auge do sucesso nos anos 60 até o fim de sua vida, George não fez questão de toda a fama que ganhara, chegando a dizer que foi algo que buscou, mas logo se cansou. Ao longo de sua vida pós-beatles, dedicou a maior parte de seu tempo à meditação e jardinagem, chegando a passar 12 horas por dia cuidando dos imensos jardins de sua mansão. Financiou também o filme “Life of Brian”, do grupo de humor britânico Monty Python.


Texto por: Flávio Andrade 

Nos cinemas: O bebê de Bridget Jones

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Bridget Jones é uma personagem de longa data, amada pelos britânicos. Inspirados em uma série de livros escritos por Helen Fielding, os filmes "O diário de Bridget Jones" (2001) e "Bridget Jones: No limite da razão" (2004) ganharam uma atualização. "O bebê de Bridget Jones" chega aos cinemas trazendo consigo um roteiro super original, cômico e intrigante. 

Após 12 anos desde o lançamento do último filme, "O bebê de Bridget Jones" busca por uma ambientação contemporânea, brincando com um certo deslocamento do tempo. Bridget envelheceu, mas não deixou de se divertir. Isso é evidenciado por um dos momentos mais divertidos do filme, quando a personagem participa de um festival de música estilo Tomorrowland sem saber ao certo como lidar com esse tipo de evento.

Se tratando de uma boa comédia romântica, os conflitos amorosos não poderiam ficar de lado. Bridget engravida e não sabe se o pai é Jack, com quem ela ficou no festival ou Marcy, seu amor do passado. Nesse contexto, o longa se rende a todos os clichês que o gênero pode oferecer, o que acaba funcionando muito bem, uma vez que a comédia e a leveza da trama conquistam o espectador.

Um fato curioso refere-se à capacidade do filme de encantar tanto o público que já tem um conhecimento prévio sobre os outros títulos da série, quanto os novos fãs. Estes, por mais que não possuam um envolvimento dramático com as personagens, se veem entretidos pela história e se divertem com as cenas cômicas no decorrer do longa. 

Uma sala lotada de pessoas rindo constantemente, se identificando com certas cenas ou vendo suas perguntas serem respondidas resume bem a experiência de assistir ao longa. Engraçado, simples e contagiante, "O bebê de Bridget Jones" ganhou espaço na minha lista de comédias românticas que valem a pena serem revistas. 

Impronunciável


Algumas coisas sobre o amor ninguém vai te explicar, talvez seja porque aprender sozinho é mais valioso. 
Ninguém no mundo vai saber descrever a exata sensação do coração pulando feito louco no peito e depois caindo nas mãos de um outro alguém. 
Ninguém vai saber te dizer o quão bem você pode se sentir com isso. 
Não sei se o coração pesa, mas amar é flutuar de peito aberto - aparentemente pela segurança de que sempre vai ter alguém para te segurar. 
Sempre. 
Sempre!
Sempre? 
Talvez alguns significados mudem. 
Talvez a noção de "para sempre" não seja a mesma em todos os pontos de vista. 
Talvez nenhum escritor ou roteirista consiga passar a sensação de ter tudo o que precisa para ser "sempre" feliz - não é culpa deles, sentimentos são complicados. 
Uma das coisas mais difíceis de ser explicada é aquela que ninguém se atreve a dizer: o amor não é o ponto final e nem sempre é o suficiente para fazer alguém ficar. 
Amar. 
Ser amado. 
Tudo igual? Não, intensidades diferentes. 
Estranho é não conseguir dizer a verdade nem para si mesmo, palavras impronunciáveis que machucam mais que um caminhão de sentimentos ruins. 
Acontece que nem sempre você é o amor da vida do amor da sua. 
Até a leitura desse pequeno conjunto de palavras é difícil. 
A garganta seca. 
Os olhos se enchem. 
O coração? Talvez esteja nas mão de alguém que não merece, ou que não aceita nem quer essa responsabilidade. 
Mesmo assim, aprender por terceiros nunca vai ensinar que o amor também machuca. 
Deveria? 
Não é só uma pessoa que tem o direito de estar confusa quanto aos seus sentimentos. 
"Eu não sei se é amor". 
Palavras que juntas deveriam ser impronunciáveis. 
Início. 
Meio. 
Fim?


Texto por: Gustavo Lopes 

Não esqueça de respirar


Inspira, expira, inspira, expira. Passo as vinte e quatro horas de um dia, as cento e sessenta e oito horas de uma semana, e as setecentas e vinte horas de um mês, realizando esse exercício contínuo. Tento não respirar apenas com o corpo, mas com a mente e com a alma. Tento respirar para suportar a correia que é a vida cotidiana. Tento respirar com a mente para não me perder em meio ao turbilhão de pensamentos que em mim existe. Tento respirar com a alma, e com calma, para me encontrar nessa vida tão rápida, tão passageira, tão singular.

São tantos os timbres de voz que ouço diariamente. São tanto os rostos que me olham sem me olhar. São tantos os pés que dividem o mesmo território que os meus. Em meio a esse universo de tantas possibilidades, de tanto existir e coexistir, a ansiedade se faz presente. Ela é como um grande vácuo que suga meu ar, deixa-me indefeso e sem capacidade de agir. O exercício se torna mais rápido.

Inspira
Expira
Inspi
Expi
Insp
Exp...

Logo quando a ansiedade bate, quando o respirar pesa, pego-me olhando para o céu. Céu este que limpo, é o local de encontro de tantos olhares. São tantos os que olham para ele naquele exato momento. São tantos que se creem sozinhos, e que na imensidão azul encontram seu amigo. Seu amigo do outro lado do globo, que olha também para a cor que, sobre sua cabeça, colore seu mundo. 

A ansiedade vem, vai. Inspira, expira, inspira, expira. Este é um exercício constante que jamais deverá ser esquecido. Lembro-me das palavras de minha mãe: “você pode ficar sozinho, mas jamais estará sozinho”. Lembre-se de olhar para o céu, mas também de olhar para a terra que pisa. Lembre-se daqueles olhares, que se você pedir ajuda, irão te enxergar. Lembre-se dos tantos pés que dividem o mesmo território que você, e neles encontre um amigo. Encontre um abraço, um carinho, um conforto. Lembre-se de lutar para que a ansiedade não seja maior que você. Lembre-se de não ter medo de pedir ajuda, pois a fragilidade não é um defeito, e sim uma prova de sua humanidade.

Sobre momentos em que eu não me escuto



“Ei, é hora de abrir a janela. Um passo, dois passos, três passos. Mão direita na maçaneta da porta e gira sem fazer muito esforço. Atravessa essa porta com toda a vontade de quem quer sair de si mesma. Um mundo de desafios, medos, inseguranças e grandes oportunidades te espera lá fora”.

Tento acreditar no que eu mesma me digo, mas não acredito tanto assim em mim mesma pra ter certeza de que vai dar tudo certo. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. As surpresas fazem parte do dia de quem se atreve a sair do quarto, e a minha reação a elas é, e pelo visto sempre vai ser a pior possível. Já estou até bem adaptada a esse fato, aprendi a guardar o desespero da surpresa só pra mim. Isso talvez explique os minutos que eu demoro pra reagir, as horas que eu demoro pra conseguir dar uma opinião, os meses que eu levo pra  que isso aconteça de forma natural.

Meu mapa astral fica aí, dificultando minha vida. Uma vez me disseram: “nossa, sol em Áries com ascendente em Touro, você deve passar o tempo todo brigando com você mesma”. Pois é pessoa, passo sim. “Ter o sol em Áries com ascendente em Touro significa manter enclausurada toda a energia, vigor, ímpeto, ódio, toda a pressão do sol em Áries, para que a imagem seja placidamente taurina. Enquanto Áries é a brusquidão, a simplicidade ligada às coisas que ainda estão em estágio inicial, a ausência de segurança, certeza, apenas o desbravar de uma nova situação e o pontapé inicial; touro já é a certeza, a solidificação, as bases, o conforto de já se saber pra onde se vai e o seguir de forma estável”. Esse parágrafo do site de astrologia faz todo sentido na minha vida.

Talvez Freud dissesse que é só o meu Id sendo controlado pelo Superego. Seja Psicanálise ou Astrologia, o fato é que alguma coisa acontece. E acontece o tempo todo. É rara uma situação em que eu acredite com certeza que estou fazendo a coisa certa, porque eu mesma sempre me contrario. Aliás, certeza é uma palavra quase inutilizável no meu vocabulário. Às vezes, inclusive, fica a dúvida: quando é que estou fazendo o que eu realmente quero fazer?



Texto por: Camila Fernandes 



Sobre poetizar



E a poesia, o que é? É uma das sete artes, tão ou até mais antiga que a escrita. É a manifestação da beleza por meio da palavra, mais usualmente em poemas e composições em verso. 

"Poesia, segundo o modo de falar comum, quer dizer duas coisas. A arte, que a ensina, e a obra feita com a arte; a arte é a poesia, a obra poema, o poeta o artíficie." ALMEIDA apud MUHANA, 2006

Mas a poesia vai muito além de definições práticas, dá pra poetizar somente na tentativa de explicar o que é o fazer poético.

A poesia é a arma que não precisa de pólvora, e não precisa ser engatilhada. Basta ser pensada, sentida, exposta. Por esse sentir intenso, ela incomoda. Como podem as palavras tocar tanto? Por que a combinação de signos arbitrários, aleatórios e avulsos tem tanto significado?

É porque as palavras desafiam. Incomodam. Pretendem ser não apenas interpretadas, mas digeridas e, então, regurgitadas. Afinal, poesia é também o ato de proclamar a inspiração e divulgar a revolta.

A poesia está em todo lugar: é o barulhar da chuva, o sussurrar das estrelas, o cantar de um pássaro, o questionar inocente de uma criança; um sorriso. A poesia é, pura e simplesmente, o ato de perceber a vida em toda sua sensibilidade. Sem medo, sem pudor. Apenas com a vontade imensurável de encontrar no caos do mundo um belo refúgio.