V de Viagem: 6 livros imperdíveis


“A vida é um livro e quem não viaja lê apenas a primeira página”
. A frase de Santo Agostinho nunca fez tanto sentido. É quase um consenso: visitar novos lugares e conhecer diferentes culturas e pessoas são algumas das melhores coisas do mundo. 

Viajar é experimentar o desconhecido, levando na mala vários desejos e incertezas. Nessas aventuras, muitas vezes os livros são nossos grandes companheiros, servindo de guia, inspiração ou até mesmo a própria viagem. 


Grandes autores escreveram relatos de viagens fascinantes que mais tarde se tornariam verdadeiros clássicos da literatura. Quer ler algumas dessas histórias? O Sem Pauta preparou uma lista com 6 livros para você que não vê a hora de por a mochila nas costas. 


1) Pé na Estrada – Jack Kerouac: Um marco da geração beatnik, o livro conta a história de dois amigos que resolvem se aventurar cruzando os Estados Unidos de carro rumo à liberdade plena.

2) A vida nos bosques – Henry David Thoreau: Além de ser uma autobiografia do autor, que viveu por dois anos na floresta, a obra é um manifesto contra a crescente sociedade de consumo.

3) Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer: O livro narra a viagem de Christopher McCandless rumo ao Alasca, relatando a jornada nômade do jovem que larga tudo e parte  em busca de liberdade. 

4) A volta ao mundo em 80 dias – Júlio Verne: A história do inglês Phileas Fogg e as conseqüências de sua aposta é contada nesta obra clássica, que relata uma viagem cheia de aventuras pelo mundo.

5) O Grande Bazar Ferroviário – Paul Theroux: Entre trilhos de ferro e malas amontoadas, cercado por paisagens e pessoas fascinantes, o autor descreve suas experiências pelo continente asiático. 

6) A viagem dos Inocentes – Mark Twain: Resultado da viagem do autor à Europa e a alguns países do continente, quando passou cinco meses navegando no navio Quaker City registrando os lugares por onde passava.

Barulho


Eu gosto de imaginar meus sentimentos como pessoas. Cada um tem uma personalidade diferente, um gosto, uma mania. Mas uma coisa todos tem em comum - eles amam atenção. 

E quando digo atenção, não digo atenção alheia, não. Eles querem que eu os veja. Eles querem ser sentidos, profundamente, do jeito que eles são, do jeito que eles merecem ser sentidos. Eles estão sempre lá, botando a cabecinha pra fora do meu coração e gritando "oi! tá me vendo aqui? cheguei! cheguei! me dá atenção!". Não basta só ficar no coração, aonde foram designados a ficar. Eles querem tudo. Eles invadem todo o meu corpo, deslizam pela minha pele, se entranham nos meus órgãos.  Eles são assim: como pequenas crianças ingênuas e barulhentas, fazendo todo o meu corpo se dar conta de sua presença. E chegam em grande estilo! A raiva faz o estômago embrulhar, a tristeza causa febre, o ciúmes dói nos rins... 

Mas o pior deles é o amor.

Eu tento ignorar. Ele vem e grita "tô aqui!" e eu fecho os olhos. Viro a cara. Finjo que não estou vendo. Já disse que não vou te dar atenção aqui! 

Mas ele implora. Esperneia. Grita, machuca, faz um escândalo. Ele é egoísta, injusto. Não quer dividir a atenção com mais ninguém. Vai conquistando seu espaço, empurrando, abrindo caminho e, quando vejo, já era. Estou transbordando. Quando percebo, já é tarde demais - eu sou só amor.  

Sobre voar...



Voar não envolve somente um avião, envolve o delicioso “imaginar”. Voar é se permitir conhecer algo novo, experimentar uma comida diferente, vivenciar momentos inusitados, sorrir ao lado de um desconhecido. Voar é simples, às vezes nem precisa de mala, de passaporte ou de asas, basta você enxergar com os olhos fechados. 

A gente faz as coisas de maneira tão igual, seguimos rotinas e, no meio de tanta informação, esquecemos de respirar. Voar é encontrar ar em si mesmo, é inspirar vento e expirar elogios, daqueles bonitos e que alegram o dia.

Qualquer um pode voar, o mundo é tão grande e tá cheio de lugares esperando por pessoas especiais e por encontros inesperados. Ah, e sabia que é possível voar com alguém? É claro, compartilhar sentimentos é uma das paradas no itinerário dos nossos voos e, confesso, é uma das mais divertidas. 

Sem dúvidas, você pode pegar um avião e voar, você pode pular de asa delta, paraquedas, parapente, você pode pular de uma árvore e sentir por cerca de 3 segundos que está voando. E você também pode agarrar o barbante de um balão e se deixar levar... Ah, mas não encha ele de gás, encha de pensamentos, eles te levarão ainda mais longe!

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O elenco de (quase) uma pessoa só



Neste domingo (18) aconteceu mais uma edição do anual Emmy Awards, premiação que contempla os profissionais da TV americana, e Tatiana Maslany foi (finalmente) uma das premiadas. 


Com estreia em 2013, Orphan Black segue a história de Sarah Manning que, junto com o público, vai descobrindo estar envolvida em um projeto secreto que tem como finalidade nada mais nada menos que testes com clones humanos. A trama vai se compondo de forma a revelar personagens incrivelmente reais, falhos, relacionáveis, e, talvez por isso, espantosamente diferentes entre si. E é aí que entra a genialidade da atuação de Tatiana: ela interpreta com maestria basicamente todas as personagens principais da trama. Soccer Mom, cientista, policial, maluca, britânica, russa... Tatiana dá vida às mais distintas personalidades! 

Exatamente por estas serem tão fantasticamente diferentes e complementares e a série tão incrivelmente envolvente, é quase impossível assistir ao programa sem se pegar no pensamento de que ali estão diferentes atrizes representando diferentes papeis. Um elenco que parece tão extenso, quando em entrevistas ou premiações se reduz a pouco mais de oito pessoas. 

Tatiana Maslany como Sarah, Cosima, Alisson e Helena, algumas das personagens que interpreta na série.

Isso por si só já torna a série singular, mas a genialidade ali presente não fica só por aí. O modo como a história é montada, tanto em matéria de conteúdo quanto de técnica de filmagem é impressionante - afinal, existem cenas em que a mesma atriz aparece 4 vezes ao mesmo tempo no mesmo shot! As estratégias e truques usados nos planos e a coreografia necessária para que seja possível incluir em um mesmo quadro uma mesma atriz chegam a ser bonitos de se ver. 

Eu poderia gastar parágrafos e mais parágrafos comentando também como, na própra série, vemos as personagens tendo que se passar por outras - ou seja, vemos Tatiana interpretando uma personagem que está interpretando outra personagem - mas vou apenas concluir dizendo o quanto foi mais do que merecido a premiação de uma atriz tão incrívelmente talentosa! 

Mudança




Da janela vejo as luzes da cidade grande iluminarem a longa noite que se aproxima. Apoio minha cabeça sobre meu travesseiro, e no teto branco de meu quarto, imagens vão tomando forma e cor. Como um grande retroprojetor, vejo todas as memórias daquele novo mundo, que ainda frescas em minha mente, perturbam-me durante a noite. 

À medida que a selva urbana da capital vai sendo iluminada, janela por janela, família por família e amor por amor, viajo por um mundo repleto de lugares desconhecidos e perdidos, que é minha mente.  Nele encontro as lembranças do abraço de minha mãe, que deixei na pequena cidade onde costumava morar. Encontro as broncas de meu pai, toda vez que deixava algum brinquedo espalhado pela casa. Encontro também o sorriso de minha irmã, sempre que dançávamos juntos. Nesse mundo perdido e inexplorado, encontro a saudade que me consome. Saudade de dias iluminados, que agora são preenchidos pela correria insana da vida adulta.

Sou ainda uma criança. Uma criança perdida nessa nova realidade a qual preciso me acostumar. Ainda choro, esperneio, faço pirraça. Sou um ser ainda novo, em meio a tantos outros acostumados a essa realidade bruta e banal. As ruas acinzentadas, os prédios padronizados, a poluição sonora, provocada pelas buzinas dos inúmeros automóveis que percorrem a avenida, seja em direção ao seu trabalho ou a escola de seus filhos. O céu em seus mais de cinquenta tons de cinza. O girar das hélices de um helicóptero. A harmonia urbana, selvagem e corriqueira.

A mudança nunca é fácil, tampouco imaginada. Vim de longe, viajei horas preso ao banco de um carro. Durante a viagem olhava nos olhos de meu pai, que com suas mãos trêmulas, preocupava-se com o filho que deixava o lar em busca de sua própria vida. Oh meu pai, mal sabes que seu filho agora clama por seu verdadeiro lar. A saudade fica, o automóvel parte. É uma nova vida, uma nova realidade. O que será que me aguarda nessa selva cinzenta?

Sobre não escrever, flores e timing



Tem bastante tempo que eu não escrevo, talvez porque há muito tempo não me permitia pensar e transparecer em palavras e na concretude presente nas letras de uma escrita o que eu tenho passado. Desde o meu último rascunho salvo já se fazem 8 meses. Durante esse intervalo meu mundo já virou de cabeça para baixo e voltou algumas vezes, às vezes por raiva e outras por dúvidas. Nada fora do normal para meu cotidiano desregrado, e por muitas vezes desgastante, que eu me proponho e acredito ainda me acrescentar como profissional e como pessoa a cada dia que passa.

Mas de repente eu me vi em uma situação teoricamente já repetitiva, mas dessa vez de uma forma como eu nunca havia presenciado ou mesmo esperava. Como em um sonho bom, que não tem o compromisso de permanecer ao alvorecer, nem mesmo se tornar presente no dia a dia, apareceu pra mim uma flor angelical. Com a pureza de quem consegue sonhar à luz do sol e encontrar o melhor em cada pessoa o encantamento foi natural. Me sentia refugiado da realidade tensa e nebulosa que sobrevoava meus dias de feira. Estava bem, estava encantado. Era uma pausa no mundo que me fazia bem, e não demorou para que minutos fossem contados para o toque suave em seu rosto, para ver um sorriso florido, sentir doces lábios rubros e seu abraço acolhedor. Toda essa ternura se apresentava em meio à inseguranças e remorsos de seu passado, me sentia incomodado como era negligenciada tanta coisa boa que eu enxergava por situações e detalhes tão pequenos perante a beleza de viver uma vida para o bem, principalmente dos outros. Eu era um farol em meio a uma tempestade, que sempre aparecia como um suporte para quem passa por esse turbulento mar de inseguranças. Sabendo que sou, nunca me propus ser um porto.

Como um especialista em quem sou, nunca taxei como um sentimento além de carinho e admiração. Com o passar do tempo o encantamento passa, e apesar de todo o respeito, carinho e bem querer permanecerem, dia após dia a novidade se tornava mais do mesmo. Em um certo tempo o que era um refúgio do meu cotidiano se tornou uma das correntes. Nada por conta dela, mas o que eu via como encantador e mágico era só mais um componente da minha rotina, que nem presente fisicamente estava. Pra mim soa como cuidar de um jardim a distância, no começo todo seu encantamento e entusiasmo pela flor te faz contar os minutos para vê-la florir, para poder regar. Mas é preciso muita determinação e disposição para mante-la saudável e eu nunca prometi nada nem vislumbrei futuros. O que mais me doía no momento era não ser capaz de retribuir todo o carinho e atenção recebidos, nada do que eu respondesse com um “eu também” chegaria perto da sinceridade por ela apresentada. Frente a uma situação desconfortável e sem nenhuma experiência relevante para isso eu cometi, sem perceber, o maior erro de toda a história: tentei me enganar. O quão capaz seu cérebro é capaz de se boicotar? Palavras se tornaram rasas e eu me negava a admitir isso. Não prendia, mas não permitia a ela se soltar. Inconsequências de quem não sente o que se diz sentir. Então não foi necessário muito tempo para a ruína.

Como separar o que foi acordado de nunca estar junto? Quem sai machucado não é só quem não corresponde, mas a angústia de machucar quem te fez/faz bem é uma dor semelhante a pessoas aparentemente frias. Como uma rosa, a flor ferida tinha espinhos afiados que destilavam o puro veneno de quem foi ferido e precisa sangrar suas dores. Sem conseguir acreditar nas conclusões da flor, que mais pareciam socos na boca do estômago, eu me permiti ser o atacado, esperava cada cruzado em forma de palavras acertar meu rosto para, enfim, oferecer-lhe o outro lado da face. Sem mais forças para bater, enquanto ela recuperava o fôlego eu me aliviei de angústias, coloquei pra fora de maneira desordenada e desconexa, embora verdadeira, toda a situação vista pelo meu lado. Não, não sou ingênuo para pensar que estamos bem, ou que posso chamá-la para conversar e passar o tempo. Mas espero que em algum dia, numa quarta-feira preguiçosa qualquer, ela acorde e não sinta o pesar pela minha figura, e que em um cenário extremamente bom ela tenha carinho por mim como eu vou ter por ela por todo e resto da minha passagem por aqui.

No fim, o sonho se tornou pretensioso, o despertador chamou para a realidade, o corpo protelou e foi tudo tarde demais. O timing perfeito não existia. O fim veio antes do começo, mas nos perdemos no meio. Por ser bom, doeu. Hoje eu não consigo mensurar  até onde cada coisa aconteceu, e por mais que não sei o que vai ser entre eu e a flor, só queria conversar sobre voltar a escrever e das coisas que se passaram nos meus dias de feira, como apenas bons amigos


Por: Anônimo

O fardo do Eterno Retorno


Uma mesma cena repetida infinitas vezes na eternidade do universo: imagine um incessante replay. As pessoas, as histórias, as escolhas realizadas de boa ou má-fé. Cada momento da sua vida se repetindo, cada ato presumidamente insignificante retornando sem nunca parar. É o tal do Eterno Retorno de Nietzsche, o qual pressupõe a vida como uma peça que está sempre sendo encenada, sem mudar um detalhe sequer.
Aquele choro amargo, aquele tirano cruel. Aquela gargalhada estrondosa, aquele abraço apertado.
É uma reflexão sobre os acontecimentos da história e da vida de um ser humano, por meio de uma visão que procura significar os episódios do mundo. Nietzsche quer chocar para acordar, quer supor que cada ínfimo detalhe da existência permanecerá lá para sempre, preso em um momento do tempo sem quaisquer chances de escapar. É um pensamento que incomoda e remexe no âmago a todo instante.
Se tudo se repete num círculo vicioso, cada gesto tem uma carga enorme de responsabilidade. O Eterno Retorno torna-se, então, o mais pesado dos fardos. Ele não permite que a vida seja levada com banalidade, o pouco caso torna-se uma questão de estupidez e desperdício. Ninguém quer passar a eternidade com o não dito ou não feito, com a escolha mal aproveitada. Ninguém quer o peso do lamento sob as costas.
Mas, no final das contas, todos carregamos um pouco da leveza de se deixar viver sem ponderar demais o significado dos pontos e um pouco do peso de escolher com quais desses pontos nos preocuparemos.
E assim, a filosofia do eterno retorno deixa a reflexão: você viveria sua vida da mesma maneira infinitamente?    

Breves leituras


Em tempos de 140 caracteres, quem lê mais de cem páginas é, no mínimo, dedicado.  E não é? Muitas pessoas já não têm mais tempo para passar horas lendo capítulos e capítulos de livros. Outras estão tão habituadas às informações sintetizadas que procuram sempre entendimentos rápidos e palavras poucas.

Mas e todas aquelas obras clássicas que você tem quase a obrigação de conhecer? Bom, existem algumas opções. A primeira delas é: leia a história. Pegue o livro e deixe-se encantar pelos personagens, cenários e rumos da narrativa. Sinta a aflição que a trama gera, anseie por novas certezas ou incertezas.

Porém, caso a grandeza dos romances não couberem no tique-taque dos seus dias, ainda há uma saída. O site 
Course Hero transformou obras clássicas da literatura mundial em infográficos. Autores renomados – como George Orwell, Ernest Hemingway e Jane Austen –  e seus livros foram transformados em ilustrações que resumem rapidamente a história.

Bem, atualmente os mapas mentais e infográficos realmente chamam mais atenção, não podemos discordar. Nem podemos negar a praticidade do projeto, mas, para amantes das palavras, o formato nem se compara às boas e velhas páginas encadernadas. 

Você sabe quem eu sou?

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Você sabe quem eu sou?

Ele perguntou para o policial ao receber uma multa, ela fez a mesma pergunta ao segurança que a barrou na porta da balada por ser menor de idade. 

Eu sou filho do governador, eu ganho uma mesada 10 vezes mais alta do que o seu salário, o meu pai é seu chefe, eu sou prima do prefeito. Eu tenho dinheiro, a minha forma de pensar é a correta, as minhas ideias devem prevalecer. Eu possuo, eu tenho, eu domino. Eu sou superior. 

Ei, você aí, que diz ser isso tudo: já parou pra pensar na imensidão do mundo? Segundo dados científicos existem bilhões de galáxias no universo - uma delas é a Via Láctea. Esta possui de 200 a 400 bilhões de estrelas, uma delas é o sol, ao redor do qual gira o planeta Terra. Dentro desse planeta estima-se que haja 8,7 milhões de espécies, uma delas é a Homo Sapiens, composta por mais ou menos 7 milhões de indivíduos. Você é apenas um deles. 

A sua arrogância só potencializa sua pequenez e a torna ainda mais insignificante. Portanto, não pergunte se outros sabem quem você é, pergunte a si mesmo.

Quem é você para achar que sua opinião é a que importa, que o seu dinheiro te faz ser melhor que os outros? Quem é você para achar que pode mandar, dominar, controlar? O que te faz pensar que o mundo gira ao seu redor?

Quem é você?

Poeira.
No vento.

(Esse texto foi baseado no discurso “Você sabe com quem está falando?” do Mário Sérgio Cortella)