Luiza Drubscky - o mundo do Marketing de Conteúdo


Luiza Drubscky é pós-cria e não tem medo de assumir grandes responsabilidades. Ainda está na faculdade, mas já é Gerente de Comunidade em uma das maiores empresas de Marketing de Conteúdo do Brasil, a Rock Content. Responsável por toda a comunicação da empresa com seus mais de 7500 freelancers, ela ainda escreve para os blogs Marketing de Conteúdo e Escreva Para Web. Olha só o que ela contou pra equipe do Sem Pauta (spoiler: várias dicas legais.)

Sem Pauta - O que te levou a trabalhar com comunicação?


Luiza Drubscky - Nossa, a minha jornada na comunicação é bem tortuosa, pra ser bem sincera. Eu odiava no colégio... eu nunca fui muito de humanas. Eu gostava de História, mas odiava Geografia com todas as minhas forças. Então quando eu fui fazer vestibular eu pensei: vou eliminar  todas as de humanas porque eu nunca mais quero ver Geografia na minha vida. Aí, o meu primeiro  vestibular eu fiz pra Engenharia Metalúrgica, sei lá de onde tirei isso, mas, enfim, fiz. Fiz a primeira etapa, achei que tinha ido mal. Meu pai é técnico de futebol e eu já cresci nesse meio, aprendendo com ele, sempre gostei e tal, e quando tava pra sair o resultado do ENEM eu pensei - quer saber, vou trabalhar com Jornalismo Esportivo - porque eu queria trabalhar na área, achava legal, fazer entrevista na beira do campo. Já não queria mais Engenharia, era muito diferente de mim. Aí saiu o resultado e eu tinha passado pra segunda fase, fui lá e fiz porque eu não ia abandonar um vestibular da UFMG, mas graças a Deus não passei. Aí falei: beleza, vou fazer realmente Jornalismo. Fui pro cursinho, fiz vestibular, e passei na última vaga de livre concorrência, nunca vou esquecer.
Entrei pro Jornalismo, na UFMG, e acabei me decepcionando um pouco, porque era muito teórico, nada de prática, e não era o que eu esperava. Aí, veio o momento em que eu decidi entrar na Cria. Ainda tava no Jornalismo, aí entrei e comecei a ter um contato maior com a Publicidade. Eu  era atendimento, tinha contato com o cliente (não que eu gostasse muito disso), mas, experiências à parte, comecei a gostar mais de publicidade. E uma grande amiga minha, que também foi da Cria, a Gabi Contaldo, era minha coordenadora na época. Quando acabou a gestão nós falamos: ou, vamos mudar pra Publicidade? Nós duas não temos nada a ver com Jornalismo. Foi exatamente isso, fomos juntas e mudamos.
Agora estou na Publicidade, e a partir do momento em que eu saí da Cria, eu tive essa oportunidade na Rock, que era um estágio que não tinha nada a ver com o que eu faço agora. Mas eu senti, é uma oportunidade, alguma coiSA vai dar certo. Minha vaga foi o número 42, hoje já estamos com mais de 140 pessoas, eu apostei total no potencial. Lá dentro eu fui me desenrolando, aprendendo, e  hoje eu já sou Gerente de Comunidade. Nunca foi meu sonho de criança, e com essa oportunidade, tipo, a Rock é uma escola, todo dia você tem que aprender e ensinar, e isso me motiva muito. Era algo que eu não imaginava, mas agora eu tô muito feliz.


SP - Quais cargos você teve na Cria, e como você acha que a experiência te ajudou?
Luiza - Eu fui assessora de Atendimento (que hoje é Gestão de Contas), Marketing e Audiovisual.  A experiência me ajudou muito, muito mesmo. Primeiro porque a Cria foi o primeiro contato que eu tive com um emprego, mesmo não sendo remunerado, é a primeira noção que a gente tem de ter um chefe, de ser chefe, de ter responsabilidade por uma demanda. O cliente paga, a gente se propõe a fazer e a gente tem que fazer certo. É uma responsabilidade que cai no ombro da gente que a gente não sabe lidar até então. A Cria é a porta de entrada total pro mercado de trabalho. E eu tive a sorte também de um dos sócios da Rock ter sido da Cria, então quanto ele me viu lá, viu que eu tinha passado pela Cria e gostou do meu perfil, sei lá, ele disse: o pessoal da Cria eu sei que corre atrás, que faz, então vamos lá, vamos embarcar.


SP - Você falou que é Gerente de Comunidade, como é pra você lidar com essa responsabilidade ainda estando na faculdade?
Luiza - Quando eu paro pra pensar é bizarro. Agora recentemente eu abri duas vagas pra estagiários, então, tipo assim: eu sou chefe de duas pessoas. Quem sou eu pra ser chefe de alguém? Só que ao mesmo tempo, quando eu tô lá dentro, eu não sinto isso. A minha chefe direta acabou virando uma das minhas melhores amigas, e ela me ajuda muito, ela me dá responsabilidade. Eu preciso dela, mas eu acho que muito do que me ajudou a ter chegado onde eu cheguei hoje, é pegar a responsabilidade pra mim, assumir e fazer. Na hora em que eu penso - sou gerente - dá aquele medo. Mas aí eu penso no que eu faço pra ser gerente e o medo passa. Lá na Rock a gente trabalha com metas, então se eu consigo alcançar ou ultrapassar minhas metas, eu sou reconhecida, sabe. Todas as conquistas são reconhecidas, todas mesmo, mesmo que sejam mínimas. E isso faz você se sentir foda. E quanto mais você se sente foda, mais foda você quer ser.


SP - O que te realiza hoje?
Luiza - Nossa, tantas coisas. Eu acho que conseguir me encontrar, e conseguir ver o meu diferencial. Porque era uma coisa que eu fui pra tentar a sorte, e hoje eu acho que é a minha vocação, sabe. Eu não toco nenhum instrumento, não sei nenhum esporte, nunca tirei nota alta, não sabia o que queria da minha vida. E aí quando você entra em um lugar assim, onde você é aceito do jeito que é, e é valorizado, é uma sensação muito boa.


SP - O que você diria pra convencer um cliente sobre a importância do Marketing de Conteúdo?
Luiza - O Marketing de Conteúdo é uma estratégia que cresce cada vez mais, é palpável e real. A Rock cresceu com o Marketing de Conteúdo, hoje o nosso blog é um dos maiores do Brasil. E assim, é um aprendizado constante, é preciso estar sempre se atualizando e aprendendo, mas é uma coisa que se você fizer direito vai dar certo. O principal argumento que eu usaria é esse: olha a Rock, olha como a gente cresceu em 3 anos, foi graças ao Marketing de Conteúdo.


SP - Você pode dar algumas dicas pra quem quer trabalhar com Marketing de Conteúdo ou pra quem quer conhecer mais?
Luiza - Estudar. Eu estudo muito pelo blog da Rock. Tem muito conteúdo, muita coisa boa pra ler, e assim, estudar é fundamental, é o principal. É uma coisa que não se vê na faculdade e que faz muita falta. Eu fico tentando fazer trabalhos sobre Marketing de Conteúdo pra levar isso pelo menos pra minha turma (risos). Então, é isso, pesquisa, estuda, busca. Tem muita gente foda que sabe fazer isso e tá por aí ensinando.


SP - Obrigada, Luiza!

Lucas Veríssimo - muitas tarefas e muito movimento


Lucas Veríssimo é professor de dança, DJ, cantor, produtor de eventos, bailarino e, em meio a tudo isso, um grande empreendedor. Apaixonado pelo movimento e pela dança, ele quer levar a musica a todo lugar, e não tem medo de fazer diferente. Ou melhor, como ele mesmo disse “não é que o medo não exista, ele precisa existir, mas a coragem tem que ser sempre maior”.  


Sem Pauta: Você é professor de dança, DJ, produtor. Como é se dedicar a tantas tarefas?
Lucas Veríssimo: Tem uma coisa que eu descobri que gosto muito e que eu não abriria mão na minha vida, que é dançar.  Mas também tem um lado de inquietação, de curiosidade. A forma como eu fui criado também, teve muito capital cultural e pouco capital financeiro, e aí isso tem dois desdobramentos: um negativo, porque eu sempre tive que correr muito atras das coisas. Por outro lado, isso me deu muita autonomia desde cedo. Então, eu sempre tive duas ou três atividades paralelas, porque eu tinha que sustentar a ‘logística’ da vida e tudo mais, e alimentar o que eu gostava de fazer, que é dançar. Eu tenho um drive muito certo, que é a dança, o movimento, eu acabo podendo expressar ele em vários meios, e daí vem a multitarefa. Pra mim, é tudo uma coisa só, que é “como fazer as pessoas se moverem através da música? Como fazê-las entender as ferramentes que têm dentro do próprio corpo?”


SP: O Lab Dance é uma ideia inovadora, de levar a dança pro ambiente de trabalho. Como foi que ele surgiu? E como surgiu a sua vontade de empreender?
Lucas: Foi quando eu comecei a querer levar a dança pra lugares aonde ela não chega. Aí nasceu o Lab Dance, que acabou se expandindo: hoje a gente também usa conteúdos do Yôga, das lutas, da meditação. E eu continuo buscando outras formas de levar a dança pra todo lugar. Empreendedorismo é uma cultura, é uma forma de estar no mundo. E ela te dá uma coisa que é: você enxergar oportunidade aonde todo mundo vê problema. E aí eu comecei a empreender porque eu tinha um problema - como é que eu faço pra nunca parar de dançar? Eu via os efeitos da dança na minha vida e pensava  - por que não compartilhar isso com as outras pessoas, em outros contextos e tal? Eu só pensei em fazer as coisas de um jeito diferente, isso é ter uma coragem maior do que o medo.


SP: O que você prefere: dançar ou cantar?
Lucas: Quanto mais eu estudo o canto mais eu vejo que o canto é corpo. É uma dança interna das cordas vocais. De novo, pra mim é dança. Acho que eu gosto mesmo é de mexer o corpo.


SP: Como você acha que as técnicas da dança podem ajudar na comunicação?
Lucas: A expressão corporal sem dúvidas é muito importante na comunicação. O modo como você se movimenta diz muito da sua empatia e do quanto você está à vontade com o outro. É muito mais fácil ser notado e ser lembrado quando a sua expressão corporal é boa. Se a gente pensar que estamos nos comunicando o tempo todo, estamos vendendo algo o tempo todo, mesmo que seja a nossa imagem, é fundamental saber falar não só verbalmente mas expressivamente.


SP: Como você se prepara antes de ficar diante da plateia?
Lucas: Bom, eu já ouvi falar de uma pesquisa que é a música como agonista dopaminérgico. Já ouviu falar de drogas auditivas? São ondas sonoras que geram efeitos muito parecidos com drogas tipo cocaína, só que sem os efeitos colaterais. Não é a toa que eu sou viciado em música, porque ela mexe comigo de uma forma muito forte, e com a maioria das pessoas também, se se deixarem entrar pela música. Um elemento que eu uso pra me preparar é a música. Boto o meu fone de ouvido e começo a pular igual um maluco. Quando você se coloca em movimento de forma lúdica, feliz e alegre, você dispara vários hormônios no seu cérebro que são hormônios estimulantes, que te dão felicidade. Não preciso tomar Red Bull, não preciso tomar tarja preta, não preciso usar qualquer outra droga exógena. O que eu faço é tentar aplicar o que eu mesmo estou oferecendo pras pessoas. Aqueço a minha voz, pulo como um maluco ouvindo uma música que eu gosto e tento sorrir, fazer coisas que sobem minha energia. Depois, quando chego num pico de energia, pra voltar, eu me acalmo, porque não posso chegar muito eufórico no palco. Você tem que estar apto inclusive pra fazer isso na frente das pessoas. É muito difícil você conseguir um lugar isolado, hermético, pra se aquecer sozinho, então tem que ter coragem de fazer isso na frente das pessoas.


SP: Como as pessoas chegam no Lab Dance e como elas saem? Conta pra gente um pouco sobre!
Lucas: Um dos trunfos do Lab Dance é usar ferramentas lúdicas: todo mundo se diverte sempre. A nossa mente é especialista em produzir objeções pras coisas. “Isso é feio, isso é ruim, ele não sabe do que tá falando, é esquisito, não vou conseguir”. O que a gente faz é quebrar essas objeções através das falas, dos estudos que temos acesso, e aí entramos com elementos lúdicos, a música e tudo o mais. Você pode ver nas fotos que a gente tira no Lab Dance. Você vê sorrisos de uma autenticidade maravilhosa, você vê as pessoas realmente se divertindo, e isso por si só é muito potente. O maior retorno que a gente tem é esse: você faz o trabalho do Lab Dance e as pessoas começam a te convidar pra fazer coisas, palestras, nos chamar de novo. É o melhor depoimento das pessoas. E é um traço de inovação também, porque a gente percebe que não tem muita gente fazendo isso no Brasil. Vejo algumas pessoas do teatro fazendo isso, mas com um viés diferente do que a gente tá buscando. Espero que tenha mais pessoas fazendo algo como Lab Dance, porque é muito legal você ver a pessoa entendendo que ela pode usar ferramentas que estão dentro dela para qualquer situação. As pessoas ficam muito felizes, agradecidas, é muito legal.


SP: O que te inspira?
Lucas: Essa pergunta é muito interessante, viu… (risos) Eu gosto muito de ver história de gente que pega um negócio e faz funcionar, independente das adversidades. Daniela Mercury, Seu Jorge… A gente vê as pessoas funcionando já, né? Mas eu gosto de ler biografia, de saber o que aconteceu com ela. A maioria dos vencedores são pessoas que agem, independente do contexto, elas vão. O que me inspira muito é ver a história dessas pessoas e pensar: se essa pessoa conseguiu, eu também consigo.O que me inspira é essa habilidade nossa de realizar coisas. Você se torna a média das 5 pessoas que mais convive com você, e não necessariamente pessoas. Pode ser um livro, uma pessoa, um TED, sua namorada… Eu to tentando me cercar de gente que me faz bem, que me põem pra cima, que me inspiram. Você tem que saber se identificar do que que tá te fazendo mal e se proteger. Me inspira é ver o que as pessoas estão fazendo da vida delas, pra tentar mostrar pra outras pessoas que elas também podem.


SP: Você estuda Engenharia de Produção, né? Você já fez outro curso? Por que escolheu esse?
Lucas: Eu tranquei Engenharia de Produção no momento. Já fiz 1 semestre de Engenharia Mecânica, em 2007, 5 períodos de Educação Física, aí fui pra uma companhia de dança na UFMG. Não concluí também, mas me dediquei muito, estudei muito. Aí retornei pra Engenharia de Produção, tô no quarto período. Ed Física e Dança estava na minha ideia de “como dançar o resto da vida”. Na Dança eu queria evoluir meu aprendizado pedagogo, o nome do curso é “Pedagogia do movimento para o ensino da Dança”, foi muito legal. A Engenharia de Produção veio num momento em que eu vi que a arte é mais fácil de você se desenvolver fora do meio acadêmico. No meio acadêmico ainda tem muitas travas, sabe? Jamais deixaria de ser artista. Minha decisão por Engenharia de Produção foi: vou fazer um curso que vai me valer e vai me fazer entrar em diversos ambientes, e vou estudar arte não academicamente. É legal formar, é o objetivo principal geralmente, mas talvez não. O networking que você consegue com seus professores e colegas é absurdo. O acesso à base de dados é otimo, você aprende a estudar de forma produtiva. A universidade te dá networking, te ajuda a pesquisar, se bobear você ainda forma! (risos) Eu sei que não preciso de universidade para arrumar emprego, mas reconheço o valor dela e eu acho que sempre vou estar na universidade. Eu acho que as pessoas são empurradas a formar rápido. Se você tem um objetivo muito claro com a sua faculdade, aí eu acho legal. Mas pra quem ainda não tem, eu acho legal aproveitar a universidade. Você tem um tempo lá! Não corre pra formar, senão você vai pegar um tanto de matéria e nem vai aproveitar elas. Degusta a universidade, aproveita as relações...Aí na hora que você formar, coisas de muita qualidade surgirão.se eu fosse fazer faculdade daqui 30 anos, acho que eu ia pegar mesmo pra fazer, porque os processos educacionais estão mudando. Não sabemos quando, mas vai mudar, não tem jeito.

SP: Obrigada, Lucas!

Itamara Ferreira - o design está em todo lugar


Mineiríssima de Governador Valadares, Itamara Ferreira é apaixonada por Design! Ela já trabalhou em agências, mas, hoje, é dona de uma empresa especializada em álbuns fotográficos e desenvolvimento de identidades visuais, a Itamara Álbuns. No TIPCOM, o Sem Pauta teve a oportunidade de puxar uma cadeira e bater um papo inspirador com ela. Vem descobrir um pouco mais sobre design (e entender porque a gente queria ficar a tarde toda nessa conversa)!


Sem Pauta: Você é claramente apaixonada pelo Design. Qual foi o primeiro passo pra entrar na área? O que te interessou nesse campo?


Itamara: Na verdade, acho que, como qualquer pessoa que entra no Design, foi tipo “sei mexer no photoshop” (risos). Mas depois que eu fui entrando na área mesmo, eu vi o quanto o Design tá presente no nosso dia a dia, né. Então eu fui cada vez mais vendo o quanto a gente pode comunicar através de várias coisas diferentes, e isso foi fazendo parte de mim. Eu hoje brinco que eu respiro Design. Tudo que eu consumo eu consigo trazer pro meu trabalho. [...] Design é realmente apaixonante, e ele realmente tá em tudo!


Sem Pauta: A gente deu uma olhada lá nos trabalhos que você publica no blog e a gente viu que você faz de tudo um pouco. Tem desde cardiologista até alimentação… Como é seu processo de escolha?


Itamara: Eu trabalhei numa agência de Design e foi lá que eu descobri como eu gosto de fazer identidade visual [...] porque eu confesso que, quando eu formei, eu não gostava por achar muito complexo - e é realmente -, mas na agência eu tive a oportunidade de fazer tudo isso, então você tem que aprender a fazer de tudo um pouco e eu gostei muito da experiência. Eu fazia muita marca, e eu gostei da experiência de atender públicos diferentes, porque a gente pode até achar que isso é negativo de alguma forma, mas [...] você absorve um pouquinho daquilo tudo e daí você vai criando uma experiência bem maior, assim, e se torna um profissional mais completo. Aí hoje, como autônoma, [...] eu fui consolidando meu estilo e as pessoas passaram a me procurar por causa dele.


Sem Pauta: Teve algum muito difícil de fazer?


Itamara: Eu peguei um de um Petshop só focado em gatos - já te limita né. Aí de início eu pensei “ai meu Deus do céu” (risos) mas só que depois eu pensei “cara, um desafio massa!”. Antes eu ficava um pouco com medo de desafios, achava que não ia dar conta - e eu acho que isso é natural, acho que todo mundo sente isso -, mas aos poucos eu fui meio que extrapolando cada vez mais os meus limites. E hoje eu criei essa coragem de tentar, mesmo que eu não saiba como ou o que eu vou fazer. Sempre que eu acho que é impossível de fazer, aí que eu pego e faço mesmo! (risos)


Sem Pauta: E é muito bacana ver que o pessoal sempre fala que nessa parte mais voltada pra criação você vai fazer coisas para clientes/públicos diferentes, mas você não pode perder a sua alma dentro do projeto. E dá pra perceber que suas peças tê isso, elas têm a sua marca…


Itamara: Eu tava falando disso com o pessoal hoje. Eu acho que esse é um dos maiores desafios do Design, que é você conseguir comunicar; conseguir atender o seu público com sucesso e ainda assim colocar um pouquinho de você ali [...], mas à medida que você vai tendo experiência isso acaba sendo natural. Minha linha de raciocínio acaba sendo aquela, quando eu vejo foi (risos)


Sem Pauta: Isso é bem interessante porque as pessoas vão te procurar por causa desse seu estilo único né…


Itamara: Sim! Tem muita gente que tá começando e me pergunta isso. Tem muita gente que não consegue sair da linha clássica e padronizada porque os clientes não aceitam e tal. Então eles me perguntam como que e comecei. E, cara, eu comecei assim “vou fazer”, sabe? Porque não? (risos) Porque eu acho que quando você pergunta “porque?” meio que você pede um motivo pra fazer. Quando você pergunta “porque não?” você já tem um motivo, você tem todos os motivos pra fazer aquela peça. Então, eu começava a fazer diferente e se o cliente não aprovasse eu mostrava no meu portfólio mesmo assim. Isso é interessante: a gente colocar no portfólio aquilo que quer vender [...] O que que eu vou mostrar no meu portfólio? Aquilo que eu quero fazer de novo… mas eu acho que isso é muito vagaroso, não é de um dia pro outro, você vai construindo seu estilo.


Sem Pauta: E agora falando dos seus álbuns. A gente viu você falando na página do Facebook sobre a capa de um álbum de 15 anos, da Ana, que sempre esteve na sua cabeça e você tinha finalmente tido a chance de fazer. Então a gente ficou imaginando: como é seu processo criativo? vai mais de feeling, você senta com  o cliente e resolve junto…


Itamara: Eu consumo muita referência no dia a dia. Eu já assinei um ano da revista Elle só pra referências, sério, eu nem lia o conteúdo. [...] E eu já falei pro pessoal: criatividade não é uma pílula que você toma e fica criativo, ela é uma construção na sua mente. Seu cérebro vai absorvendo aquilo e quando você estiver no local certo, na hora certa igual aconteceu com  Ana, ali seu cérebro resgata o que precisa. Então, eu nem sabia que eu tava há tempos querendo isso, mas aí, quando eu vi a foto da Ana, eu percebi que eu sempre quis aquela capa. E quando eu consegui fazer eu falei, “olha pra você ver” , eu não procurei uma referência ali na hora e fiz. Não, foi toda uma construção inconsciente. É claro que quando você tá olhando a referência você precisa de olhar com consciência - senão você vai olhar como um leigo aquilo - e aí, quando você precisar, aquilo vai voltar. Então eu acho que é um treino diário a criatividade.


Sem Pauta: Como você construiu sua filosofia de álbum? Porque pra você um álbum não é só uma sequência de imagens, como normalmente é.


Itamara: Eu já trabalhei em um estúdio de fotografia [...] e depois, quando eu voltei pra faculdade, eu comecei a ver que diagramação de álbum é design, sabe? E eu pensei “cara, eu preciso aplicar, aqui, o que eu conheço”. Então eu comecei a estudar isso e comecei a trazer o design pra dentro disso. E aí, eu fui pegando muita referência de revista de moda, principalmente, e fui trabalhando isso. Porque [o álbum] já deixou de ser um local só pra você guardar foto [...] ele se tornou um projeto completo, ele tem um conceito.


Sem Pauta: Tem algum tipo de álbum que você gosta mais de fazer?


Itamara: Os de quinze anos, cara! Porque até mesmo os ensaios [de foto] dos Quinze Anos têm conceito [...] e aí eu pego meu conceito de design e caso com esse do ensaio. E é legal porque tem hora que o pessoal chega e fala “Ita, eu quero esse conceito aqui” e eu tenho que me virar. E é o que eu falo pra galera: design não é assim “ah, não deu pra fazer” - se vira! (risos) Se o cliente chega e te dá um limite, você tem que chegar e fazer algo criativo e bem feito dentro desse limite. Então, os de Quinze Anos são os que eu mais gosto de trabalhar porque são onde tem a maior possibilidade de ter algo diferente.


Sem Pauta: Você acredita que alguns limites que o cliente impõe pode acabar sendo produtivo pra você?

Itamara: Acredito muito nisso! Porque eu já fui fazer uma marca uma vez e o cliente falou “ah fica livre” e eu fui consumindo tanta referência, que eu fui me perdendo e me confundindo no meio de campo. E aí, quando um cliente te coloca um limite, parece que você sabe até onde ir - você tem um espaço pra trabalhar. Eu acho que liberdade demais a gente acaba se perdendo no conceito.



Você pode acompanhar um pouquinho desse trabalho (maravilhoso) pela pagina do facebook da Itamara Álbuns!

Maurício Cid - viral e polêmico


Maurício Cid é polêmico. Já teve problemas com a Polícia Federal, o Fantástico e a Igreja Evangélica - e claro, com o Felipe Neto -, além de ser alvo constante de processos. Ele sentou com a gente para contar um pouco sobre essa vida turbulenta e seu blog de conteúdo, o Não Salvo. Dá uma olhadinha no que ele tem a falar sobre tudo isso!

Sem Pauta: De onde surgiu a ideia do Não Salvo?

Antes de ter o blog eu tinha um monte de comunidade no Orkut, e aí eu consegui ser expulso do Orkut pela Polícia Federal. [...] Eu tinha mais de mil comunidades em que eu escrevia textos de humor, e em uma dessas comunidades eu fiz uma piada boba com o Michael Jackson. Na época o Fantástico fez uma reportagem sobre comunidades nazistas/facistas, e uma das minhas comunidades apareceu nesse programa. Eu recebi um email do Orkut, avisando que eu estava sendo investigado. Perguntei: “Como assim? A comunidade só fez uma piada idiota com o Michael Jackson.” Mas enfim, eu fui banido do Orkut pela PF, perdi todos os textos e comunidades e não tinha backup das coisas. Por isso eu criei o Não Salvo, era um espaço para eu publicar o que eu quisesse, no tom que eu quisesse e de uma maneira mais livre. E acabou dando certo, não tive um pico de visitas, foi uma coisa bem gradual; hoje a gente bate meio milhão de visualizações por dia.

Sem Pauta: Por que você decidiu associar a imagem de Jesus Cristo ao site?

Quando eu pensei em fazer o site, já existiam muitos blogs de sucesso. Kibe Louco hoje tem 12 anos, assim como Jacaré Banguelo. O Não Salvo tem seis, parece muito porque é muito intenso, tem muita confusão. Eu tinha que chamar a atenção de alguma maneira, e eu fiz isso usando de um mascote. Assim, quando a pessoa entra no blog e vê um post, toda vez que ela voltar ela vai lembrar da imagem de Jesus Cristo, gostando ou não gostando do conteúdo. Foi pra chamar atenção e tentar prender a audiência. Não tem nada a ver com religião - as pessoas pensam que eu sou ateu e não sou, recebo um monte de email de evangélico dizendo que minha família vai morrer, quando vou a um evento sempre recebo mensagens falando que meu avião vai cair. É pesado, não caiu ainda mas eu espero que caia, porque vai ser uma história legal pra caramba.

Sem Pauta: Utilizar a imagem de Jesus sempre gerou problema ou isso cresceu com a popularidade do site?

No início dava muito mais problema, conforme foi ficando popular as pessoas conheciam mais o site e sabiam que ele não zoava a religião - no início pensavam que eu zoava religião só por causa do mascote. No Facebook, como tem muito retardado, ainda tem cara que comenta besteira na página, mas não da pra levar a galera do Facebook a sério.

Sem Pauta: O site surgiu no auge dos blogs, e ocorreu uma transição muito forte desses sites para as redes sociais nos últimos anos. Como foi essa transição?

Eu vejo as redes sociais como aliadas. Muito blog morreu com o tempo ou perdeu totalmente a relevância, e o Não Salvo é um dos poucos que continuam forte tanto em visita (não teve um ano que as visitas decaíram) quanto em importância, justamente porque a gente conseguiu se adequar às redes. Eu gosto de estudar internet, assisto tudo, vejo tudo, procuro entender porque alguém está fazendo sucesso...

Sem Pauta: Até Felipe Neto?

Aí não. Mas eu tento ficar atualizado, e por isso a gente sabia que ia ter o boom do Facebook e a Corrida de Curtida, então estudamos algoritmo de Facebook para entregar conteúdo ao maior número de pessoas. A galera se perdeu bastante com rede social achando que era concorrente e na verdade é mais um canal para se comunicar e receber visita.

Sem Pauta: O blog muitas vezes produz conteúdo baseado no que está em alta - aconteceu, está lá. Como é esse processo criativo?

O Não Salvo é uma loucura, mas é o melhor lugar pra se trabalhar porque eu ganho dinheiro zoando as pessoas. Tem um processo criativo do Não Salvo, em que a gente faz muito post autoral, mas também recebemos um engajamento muito forte de leitor. A gente recebe muita sugestão, dica, e alguns vídeo que a gente publica tinham inicialmente menos de 10 visualizações, como o caso do Para Nossa Alegria que hoje ultrapassa 46 milhões - foi o vizinho do cara que mandou. A gente é referência de bombar coisa, então costumamos receber muita coisa crua. Atualmente temos 11 pessoas trabalhando comigo, a galera não sabe mas a gente tem 17 sites e são em média 60 publicações por dia - publicamos mais que muito portal de notícias. Além dos sites tem as redes sociais e você precisa atualizar tudo, é meio complexo a gestão, mas no final das contas eu só tô dando risada então é bom.

Sem Pauta: Uma das temáticas do nosso evento é Arrique-se, e dá pra perceber que você tomou muitos riscos na vida. Transformar o blog em sua fonte de trabalho principal foi uma decisão muito difícil?

Não foi muito difícil. Eu já trabalhei em necrotério, em revista pornô, em agência publicitária, e no caminho do meu trabalho pra casa eu atualizava o blog no ônibus, pelo 3G mesmo. Foi assim que o Não Salvo começou: era um caminho de 5 horas para casa e ao invés de dormir eu queria fazer alguma coisa produtiva, daí surgiu o blog. Em um ponto, o que eu ganhava com ele empatou com o que eu ganhava com meu emprego, onde eu ficava o dia inteiro atrás de uma mesa, simplesmente odiava, [...] e por isso eu arrisquei. Em 2010 trabalhar com internet era diferente de hoje, em que já existe a profissão de YouTuber, tem moleque de 8 anos como mais de um milhão de escritos e livro biográfico.

Sem Pauta: Um tempo atrás, você foi o único brasileiro convidado a entrevistar o Ryan Reynolds, o Deadpool. Como foi essa experiência?

Foi legal, foi a segunda vez que eu fiz entrevista internacional, a primeira foi com o Tom Cruise. Eu fui pra Viena e eu tinha 30 segundos para fazer uma pergunta - eu fui para Áustria para fazer uma pergunta de 30 segundos, se eu trabalhasse em necrotério provavelmente isso não ia acontecer. Quando eu cheguei lá tinha uma placa escrita Não Salvo, e do meu lado uma outra dizendo New York Times. Eu pensei “O que eu tô fazendo aqui”, e tapete vermelho é uma coisa meio maluca porque você faz uma pergunta toda trabalhada e o cara responde “Sim”, e é isso ele vai para próxima. Eu falei “Caralho, minha pergunta nem é tão boa assim”, então eu fiquei nervoso. Eu tinha uma barba muito grande, então o Tom Cruise ficou zoando minha barba e meu cabelo. Fiz a pergunta e ele ficou 3 minutos falando comigo, respondendo e me zoando mas incrivelmente simpático; acho que ele percebeu que eu não era jornalista, foi bem legal. Para o Deadpool, me chamaram para ir à Londres e eu era o único brasileiro, porque eles disseram que eu era o mais próximo da persona do Deadpool - não sei se isso é uma coisa boa. Eu entrevistei ele como se eu fosse o MC Brinquedo, foda-se ele não ia saber mesmo.

Sem Pauta: A gente só tem mais uma pergunta: seu nome realmente é Maurício Cid?

Maurício Cid. Se eu soubesse que ia saber tanto processo na vida eu não teria colocado meu nome real, faria um nome fictício. Tem gente que manda email tentado parecer amigo, e falam “Tudo bom, Sidney?”, porque pensam “é Cid, entao deve vir de Sidney”, as vezes falam “Tudo bom Alcides/Aparecido”; eles inventam nomes achando que Cid é derivado de alguma coisa.

Pra finalizar, a gente trouxe uma especiaria da Fafich chamado Pão da Alegria, acho que é necessário falar que Fafich é a Faculdade de Filosofias e Ciências Humanas da UFMG, mas ele não contém nenhum tipo de substância tóxica ou ilícita.

Será? Nossa, queria que tivesse.

Mariana Serra - making a difference



Mariana Serra é formada em Relações Internacionais, sócia e co-fundadora da Volunteer Vacations e está na Forbes 30, lista que reconhece as personalidades mais promissoras do ano. Mariana, antes de tudo, é apaixonada por ajudar: a VV oferece uma lista extensa de destinos para onde você também pode fazer a diferença. Eles vão desde Rio de Janeiro até o Quênia! O Sem Pauta conversou um pouquinho com a Mariana após sua palestra no TipCOM sobre empreendedorismo social e propósito. Vem conferir! 

Sem Pauta: A Volunteer Vacations é a única agência especializada em férias voluntárias no Brasil. Quais foram seus principais desafios pra fundar um negócio tão pouco conhecido por aqui?

Mariana Serra: Esse é o principal desafio! A gente criou o mercado, literalmente! (risos) O principal desafio é mostrar pra pessoa a necessidade de se voluntariar. Não sei como é em Belo Horizonte, mas no Rio, todo mundo quer fazer work experience. Ou seja, você vai, paga pra trabalhar no Mc Donald's, dá dinheiro pro cara que vai faturar mais com o teu trabalho, você tá pagando pra isso. Aí, pra trabalhar em uma volunteer experience ninguém quer! "Ué, vou ter que pagar?" Claro, você tá pagando pra ter uma experiência melhor, a capacitação que você vai ter... Os trabalhos que eu faço, de dar palestras e etc, são trabalhos de formiguinha, sabe? Pra plantar a semente do voluntariado nas pessoas. Faça voluntariamente, sem ter um por que! 

SP: Você falou muito na sua palestra do "porque", do propósito. De onde vem a sua vontade de empreender e de ajudar a transformar a realidade das pessoas?

Mariana: Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa. Quando você é uma pessoa curiosa, tudo você fica "por que? por que?" e eu sempre fui essa garota chata que queria saber o porque de tudo. Eu não sei se isso é genético, se isso vem da educação que você recebe, da personalidade mesmo... Mas eu tive exemplo dentro de casa. Eu nunca passei revéillon com a minha mãe porque ela estava dando plantão. Para o que? Para cuidar de pessoas. Então é um exemplo que eu recebi naturalmente, não por imposição. Meu pai nunca chegou pra mim e disse"você tem que cuidar do outro". Meus pais me ensinaram isso através do exemplo deles, das atitudes, de tratar todo mundo igual. É porteiro? Eu trato meu porteiro igual eu falava com meu chefe na Andrade Gutierrez! Pra mim, o olhar pro outro veio muito do exemplo de casa, e também das Relações Internacionais, que é o que eu sou formada. No curso a gente tá sempre pensando em outros países, outras culturas, é sempre "o outro". 

SP: Em Fevereiro de 2015 a VV formou mais de 300 empreendedores quenianos durante a Semana VV de Empreendedorismo com a Vem Gerir. Como foi isso? Conta pra gente a experiência. 

Mariana: Muito legal você ter perguntado isso. O Thiago, que estudou comigo, criou uma empresa chamada Vem Gerir. O que a Vem Gerir faz? Ela pega empreendedores de comunidades e dá uma consultoria a preços muito básicos pra ela, pra poderem melhorar o seu negócio. É um sucesso absoluto. E eles criaram isso, e eu falei "Thiago, você é a melhor pessoa pra criar um workshop de empreendedorismo lá no Quênia comigo!". Então primeiro tive que chamar o time, explicar que a gente queria levar um grupo, explicar o propósito e tal. Demorou quase 1 ano e meio pra sair do papel, por que eu comecei a pensar nisso em dezembro de 2013 e só fomos em fevereiro de 2015. Mas é natural, porque a gente tem que ver tudo, organizar tudo. O básico todo mundo faz, até a ONU. Vem aqui, escreve o the book is on the table no quadro, entrega uma apostila e pronto. A pessoa não vai ler a apostila! A linha de pensamento do queniano é outra... Eles precisam de imagem e tal, e a gente fez um workshop assim: prático. Foi bem intenso, foi transformador. 

Sem Pauta: Em 2016, você foi listada pela Forbes entre os 30 antes dos 30 - os jovens mais promissores do Brasil, o que isso representa pra você? 

Mariana: Eu não esperava, foi do nada, é muito grande isso! Quando a Forbes entrou em contato comigo eu não tinha nem 2 anos de empresa, tinha 1 ano e meio. E aí veio a pergunta "vem cá, quantos anos você tem?" e eu falei "ai, eu tenho 29 anos, mas eu vou fazer 30 dia 30 de setembro!!" (risos) E aí eles falaram "não tem problema, porque a lista inclui pessoas com até 30 anos. 30 anos entra, 31 não mais." E aí eu conversei com o CEO da Forbes, e pensei "nunca vou passar" (risos). Acontece um processo, é uma seleção, e não só pelo faturamento, mas principalmente pelo impacto causado e isso é muito legal. Me deu muita motivação porque o que eu faço não é fácil, e ter um reconhecimento disso é muito legal, em especial pra questão do empreendendorismo social. Eu fiquei muito feliz.

Sem Pauta: Você pode falar um pouquinho sobre empreendedorismo social? 

Mariana: Eu tô apostando num modelo de negócios que pra mim é o futuro, é um novo tipo de capitalismo, digamos assim. Eu acho que é como que a gente deveria fazer as coisas, criar negócios com propósitos, pra impactar socialmente, pensando no outro. E isso é o empreendedorismo social, né? Gerar impacto, criar soluções pro outro. A gente fechou um curso agora de empreendorismo social com 10 vagas só. Das 10 vagas, 10 são mulheres. 98% do público da VV (Volunteer Vacations) é feminino! Isso é muito impressionante, é motivo de orgulho pra nós, mulheres. Eu não sei se a gente tem essa coisa do materno , do cuidado, culturalmente.. A nossa comunicação é pautada nisso, mas agora estamos atraindo mais homens, ainda bem (risos). 

SP: Pode contar alguma história que você já viveu, e que te marcou, que te serviu de inspiração? 

Mariana: Definitivamente, o Quênia. Teve uma Mariana antes e depois do Quênia. Foi a primeira viagem que eu fiz com o voluntariado e lá eu conheci o Mark, um menininho que tinha tuberculose e quando eu voltei, um tempo depois descobri que ele tinha morrido. Isso me marcou muito, foi muito barra pesada. A tuberculose atinge muito crianças que tem aids, por que elas ficam com a imunidade baixa...Mas a Índia também me marcou demais, por que a Índia é muito intensa. Índia é uma experiência como ser humano, sabe? 

SP: A Alice quer cuidar de elefantes na África do Sul, você pode dar algum conselho pra ela? 

Mariana: Ai, você vai morrer!! (risos) Eu cuidei, mas foi na Tailândia. Dei banho nos elefantes, entrei no rio com eles, abraçava eles. Primeiro conselho: 100% das pessoas que vão fazer passeio turístico na Tailândia, de subir em cima de elefantes, são pessoas que amam animais e elefantes, principalmente. Eu vi um elefante sendo adestrado. Eles perdem vida, eles choram, pra pessoa poder subir no dorso deles. Esses elefantes são extremamente maltratados e eles tem literalmente uma memória de elefante: eles lembram de tudo da vida deles. Eles vivem à base de efedrina (composto químico com o propósito de estímulo enérgetico). Na Tailândia, a ONG com a qual trabalhamos recupera os elefantes maltratados e bota eles para serem criados ao ar livre. Você quer ter um contato com elefantes? Não precisa subir no dorso deles. Você vai alimentar ele, dormir com ele, na Tailândia. Esse projeto é lindo! E dentro desse projeto, também tem resgate de cachorros de rua. Então dá pra você ver cachorro, elefante, todo mundo junto! Cachorro brincando com elefante, uma delícia. E a comida da Tailândia é deliciosa (risos). A rotatividade é muito grande, você vai conhecer gente do mundo todo! A Tailândia é INCRÍVEL. Na África do Sul a gente não tem com elefantes, mas tem com leões. E dá pra ir gente do Brasil todo! 

SP: Obrigada, Mariana! 

O "efeito Mariana" foi muito claro: saímos da entrevista motivadas, querendo fazer a diferença. O Sem Pauta acredita que tudo que tem um propósito floresce, e ouvir mais sobre a história de uma pessoa tão inspiradora foi incrível! A gente espera que o empreendedorismo social tenha cada vez mais visibilidade e que as pessoas se atentem pro que é realmente importante: fazer a diferença. Acreditamos que não tem outra maneira de viver em sociedade (principalmente atualmente!) sem trabalhar para o bem do próximo. Quer saber mais sobre a Volunteer Vacations (e quem sabe, embarcar nas próximas férias?)? Clique aqui

TIPCOM - Cada vez maior





Sábado, 10 horas, Centro Cultural da UFMG. Maurício Cid, o criador do Não Salvo, já estava no palco. Foi assim que começou mais uma edição do TIPCOM - Tendências, Ideias e Práticas em Comunicação - evento produzido pela Cria desde 2011 com o objetivo de trazer novas perspectivas e levantar discussões sobre os universo da Comunicação. 

Esse ano, a pergunta central do evento foi “por que não?” - por que não arriscar, buscar ideias novas, empreender? E foi com esse mesmo pensamento que a Cria resolveu se aventurar num novo modelo do evento, levando o TIPCOM para fora da UFMG e fazendo a maior - e mais trabalhosa - de todas as edições até então. Resultado: sucesso total! Maria Carolina Netto, presidente da Cria, comenta a mudança no formato do evento: “Foi um desafio muito grande produzir um TIPCOM como nunca antes visto. Estou extremamente orgulhosa de todo mundo que participou, que contribuiu, colaborou. É um evento de todo mundo e se não tivessem colaborado, não teria dado tão certo quanto deu. “ 

Descobrimos que não é nada fácil produzir um evento desse tamanho, mas todos os membros da Cria trabalharam duro pra que ele acontecesse. Foram meses preparando tudo para que, no fim, pudéssemos nos orgulhar do produto final. 

Pareceu quase surreal que o dia 11 de junho tivesse chegado e, se você acha que o trabalho terminou por aí, pense duas vezes: divididos em equipes, os membros cumpriram múltiplas funções, desde o cadastro dos participantes e suporte para os palestrantes, até a cobertura completa do evento. Saímos da nossa zona de conforto e tivemos que fazer de tudo um pouco - e aprendemos de tudo um muito!

Para os 150 participantes do evento, foi um dia inteiro de muito conteúdo e aprendizado. Todos os palestrantes convidados tinham um ponto em comum: eles fizeram algo novo e não tiveram medo de se arriscar. Maurício Cid, Mariana Serra e Rafael Damasceno trouxeram palestras inspiradoras e que com certeza vão ajudar a despertar muitas ideias legais por aí. Quem participou do evento ainda pôde fazer a (difícil) escolha entre três workshops fantásticos, com a Itamara Ferreira, o Lucas Veríssimo, e a Luíza Drubscky, que foi membro Cria e hoje está por aí enchendo a gente de orgulho! E ainda tivemos um bate papo incrível com Vinícius Calijorne e Ivo Antonione, que debateram sobre Comunicação Integrada e o Digital com a ajuda da galera. 


Assim foi o TIPCOM: uma união de esforços em prol do objetivo comum de proporcionar uma experiência única na comunicação. Depois de tantos desafios, a sensação de dever cumprido permanece. Para compartilhar um pouco desse evento com vocês, a redação aproveitou para conversar com todos os nossos convidados e, nos próximos dias, o Sem Pauta vai trazer um pouquinho desses bastidores pra você. Fiquem atentos! E não se esqueçam: por que não?

De Almas (Quase) Expostas



Ian Grey é um cientista nato. Mais do que isso: ele encontra na ciência a religião que não tem.


Fascinado com o olho humano, testes e dados concretos, Ian (Michel Pitt) passa sua vida inteira tentando achar, no universo ocular que tanto o encanta, a resposta que precisa para refutar a existência de Deus. Completamente cético quando se trata de destino e espiritualidade, as coisas começam a mudar quando ele conhece Sofi (Astrid Berges-Frisbey), uma mulher com a personalidade tão singular e excêntrica quanto seus olhos azuis.


Sofi é seu oposto: ela acredita na existência de algo maior que nós e na beleza disso. Sofi acredita em vidas passadas que se cruzam no presente, na efemeridade do ser e no fato do Pavão Branco significar que almas estão sendo dispersas pelo mundo. Sofi é um complexo de magia e paixão que preenche o vazio que Ian não sabia existir dentro de si.


Os dois se apaixonam impreterivelmente e vivem um romance às pressas até a morte de Sofi, pouco tempo depois. E é nesse momento que tudo (tudo) muda.





Sete anos mais tarde e ainda deslumbrado pela magnitude do olhar, Ian se vê diante de um enigma que envolve seu próprio filho e que, surpreendentemente, traz de volta seu passado com Sofi. Entramos, então, em um mundo tão novo e irresistivelmente sedutor para nós quanto para os personagens, que, como bons cientistas, querem resolver o mistério à toda prova, mesmo que isso lhes custe tudo o que acreditam - ou deixam de acreditar.


I Origins (2014) é um daqueles filmes que te deixa desconcertado, sem lugar e com um gostinho gostoso de quero mais quando chega ao fim. A passagem da realidade para a ficção é feita de forma tão leve e sorrateira que nos vemos presos dentro de um mundo que juramos ser real e nos pegamos perguntando se aquilo seria realmente tão impossível de acontecer.


Somos comprados não só por mais uma história de amor trágica, mas, mais do que isso, pela magia ficcional que envolve os personagens, a ciência e a fé de um modo espetacularmente real.


Uma coisa é certa: se saímos com uma certeza dessa loucura toda é a de que realmente existe, sim, todo um universo a ser descoberto em nosso olhar - e ele pode ser maior do que jamais imaginamos!