Emprestado

Hoje o céu amanheceu aos gritos.
.
Agora, a janela do quarto emoldura uma noite azul escura, lisa. O acústico do bar é melancólico e entra pela minha janela. É o mesmo repertório de sempre, mas as músicas estão mais lentas e o volume mais baixo. O burburinho quase não se nota.



O vento frio que há pouco carregou risadas de velhos amigos, amigos emprestados, agora acaricia meu rosto e arranca dos meus lábios um sorriso fácil que condiz com a lembrança desse empréstimo.

Esses, os emprestados, tornaram-se meus.
O barulho do dia se afasta ao encontrar seus olhos: um, sempre espremido pelo sorriso digno de criança; outro, sempre irônico e debochado;  o menor deles, sempre aconchegante e cheio de sono.
Meu corpo descansou enquanto me emprestavam sua alegria, sua sinceridade e sua inocência.
Enquanto as três silhuetas conhecidas me faziam rir, meu corpo fez silêncio.
Finalmente silencio.

Mas agora o cantor do bar se despede e promete mais para o fim de semana seguinte.
A última música rima com o vento macio que ainda entra pela janela.
A alegria, a sinceridade e a inocência começam a se afastar.
E a leveza que veio com os três amigos emprestados começa a pesar.

Penso em quem me emprestou.

Além dos amigos, peguei tanto emprestado.
Me recuso devolver. Tudo se tornou meu, por não imaginar que seria preciso devolver.
Por não querer devolver.

Queria que não fosse emprestado. Queria que tudo me fosse dado.

O silêncio começa a ir embora junto com o cantor do bar. Meus lábios se contraem ao prever o barulho, o peso e o cansaço que parecem perto.

A memória trabalha e mais um sorriso se faz no meu rosto: “Eu estou no silêncio”.
Começa a fazer frio e meus músculos se tencionam.
Então eu me lembro de que este silêncio não é emprestado. Nada que vem junto com este silêncio é emprestado. Tudo me foi dado. E eu não preciso devolver. É graça.

É,

Hoje o céu anoiteceu em silêncio.

Palavras, apenas

Foto: http://instagram.com/cassiaelleromusical
Uma voz, uma mulher, um estilo, única. Quando, na última quinta-feira, entrei no Teatro Cine Brasil para assistir a Cássia Eller – o musical, não sabia o quão alucinante seria a experiência de voltar a um tempo que não vivi.

O humor absurdo de "Wet Hot American Summer"



Depois de anos de especulação sobre uma continuação do clássico cult “Wet Hot American Summer”, o Netflix produziu e lançou esse ano, para a alegria dos fãs, a série “Wet Hot American Summer – First Day of Camp”, uma “prequel” do filme.

Escala Pantone


A gente aprende desde cedo a diferenciar as muitas cores do universo. Primeiro as primárias, depois secundárias e assim por diante. Quando menor, eu sempre me perguntava a quantidade de verdes, azuis ou vermelhos que existiam no mundo. Como poderiam ser tantos e continuarem sendo a mesma coisa? Nos últimos dias deixei minha mania de analisar pessoas vagar pelas lembranças da infância e notei o quanto todos somos coloridos. 

Desafio #25

Ilustração feita por Flávio Andrade
O Sem Pauta recebe de braços abertos duas pessoas muito sensíveis. Uma ocupou o cargo de Diretora de RH na gestão passada e a outra continua esse legado lindo que é cuidar dos membros da nossa empresa. Para honrar a premissa de que "uma imagem vale mais que mil palavras", o tema do nosso desafio dessa vez partiu de uma ilustração. O engraçado é que no final ambos os textos acabaram por contemplar as delicadezas das relações. 

Na lua de mel com Lana Del Rey


Elizabeth (Lizzy) Grant era uma garota que sempre gostou das artes, da música e tentava ter sucesso por si só. Porém, acharam que ela, sendo ela mesma, não seria tão impactante como deveria. Foi aí que criaram a Lana Del Rey, uma persona da Lizzy, sendo mais sexy, mais louca e mais atrativa ao público alvo, os jovens, com os quais ela mantém um relacionamento sério ultimamente. Então, Lana Del Rey chegou ao mundo em 2012 com a intenção de “pegar geral”. E conseguiu!

Nossos passageiros



Engana-se quem acredita que o que vem passa. All things must pass, sim. Mas há sempre restos, cicatrizes aqui e ali; gente e tempos que nos vieram e estão partindo, mas deixam marquinhas na saída.

Domingo Gastrô



Tinha acabado de chegar de viagem mas não estava cansada. Dormi durante as 4 horas do trajeto Viçosa – BH, porque na noite passada estava elétrica demais arrumando as últimas coisas na mala. Meus pais me trouxeram, me deixaram com tudo organizado pra recomeçar a vida depois das férias e voltaram pra casa. Depois que eles vão, sempre bate aquela tristeza de domingo a tarde, sabe? Mas esse domingo foi diferente.

Respiro


Apresentações musicais, para quem gosta, podem ser uma verdadeira comunhão. Um momento quase sagrado. Casas de shows, teatros ou praças muitas vezes são tomados por várias pessoas com um único objetivo: presenciar aquele acontecimento. Centenas ou milhares de olhos, ouvidos e corações dividindo o mesmo espaço, compartilhando experiências e estabelecendo vínculos, mesmo que temporariamente.