Vivendo uma Quarta-feira.


Caminhava tranquilamente no caminho para casa, voltando do estágio. Ouvia músicas – de 87 e de 2013 -, trocava mensagens entre uma e outra faixa de pedestres. Estava decidida a cortar o cabelo. Ou não. Talvez não estivesse tão decidida assim, mas queria mudar. Estava se sentindo velha com seus semi-vinte anos de idade. Estava se sentindo nova pros seus já semi-vinte anos. Queria parecer madura como imaginava que seria quando tivesse 20. Talvez um chanel resolvesse a cara de menina. Talvez engordar um pouco, mas isso já era um passo muito grande pra sua vaidade fútil. Olhou no relógio: quase meio dia – talvez desse pra chegar a tempo de ver o Bob Esponja. Ou talvez conseguisse um horário pra cortar o cabelo. Ah não, deixa a maturidade pra depois desse episódio. Ou esse episódio pra depois de amadurecer? Ô coisa confusa que é envelhecer – e nem vinte anos tem ainda.

Chegou em casa, mas não a tempo de ver Bob Esponja. Tudo bem, estava passando "Say yes to the dress". E ela gostava de ver vestidos de noiva e imaginar se, um dia, iria usar um. Não sabia se realmente gostaria de se casar, mas tinha certeza de que queria de se sentir tão bonita num vestido daqueles quanto algumas mulheres ficavam.  Mas ainda soava tão estranho quando lhe tratavam por “mulher”. “Menina” era pouco, mas, mulher? Ainda não se sentia mulher. Não mesmo. Ou já? Talvez o cabelo resolvesse esse problema também.

Parou pra pensar no que iria usar na Sexta à noite. Lamentou por ainda ser Quarta. E por ser também Quarta-feira em sua vida. Estava se sentindo assim, na metade, com aquele desespero de quem vê a vida com olhos de duas décadas. Achava que já havia passado muito tempo, mas via que não havia vivido tudo o que duas décadas podem oferecer. E tinha medo que os anos seguintes fossem assim também, por isso, queria ver se conseguia acompanhar o que mostrava o calendário. O cabelo ajudaria, tinha certeza que sim. Um ar mais maduro lhe daria mais confiança, e, quem sabe, até acharia natural ser chamado de “mulher”. Pensando assim, já se sentia com quase 30.

Caramba, quase 30. Tinha que se formar logo, ser efetivada ou encontrar um emprego melhor. Precisava ganhar mais pra comprar um apartamento e morar fora. Fazer uma pós, um MBA e viajar a trabalho pro exterior. Isso já devia ser quase 40. Meu Deus, e filhos? Esqueceu da hora e não se casou, quando será mãe? E a plástica queria ter feito aos 25? Não deve ter dado tempo.

Espera, acho que ainda são quase 20. Ufa. O caso é que aumentou nela a pressa de ser tudo o que queria ser, e tinha medo de o tempo fazer o mesmo que fez com seus quase 20. Já é quase Quinta e falta tanto ainda pra ser Sexta. Olhou no relógio: 12:30. Ainda bem, segundo episódio. Deixa o cabelo pra depois. 

O diário de um belo-horizontino

Vinte minutos que eu tô esperando já e nada. Finalmente chegou. Quanta gente dando o sinal! Vou ficar esperto pra subir logo. Nossa, tá muito cheio. Vish, esqueci de pegar o dinheiro. Pronto, peguei. Pelo menos eu entrei antes de começar a chover.

Desafio #2 - Contorno

por Lilian Oliveira e Marcela de Melo


O tema da semana é "Contorno". E aí, em que você pensa quando te aparece essa palavra? A Criação também mostrou sua interpretação dos textos de hoje. Olha só o resultado:

Até quem não gostava quando viu não resistiu



Seja um “Até você vai ficar babando” ou um “Late mais alto que daqui eu não te escuto”, pode confessar que você já se pegou cantando uma música ou dizendo algum bordão do tão controverso e tão brasileiro funk. O ritmo é capaz de gerar diversas discussões e trabalhos acadêmicos, mas o fato é que há muito tempo ele desceu o morro, invadiu o asfalto e por fim, agregou aspectos que o tornaram pop e comercial.

Quando o asfalto virou colchão


Toda manhã, saía de casa, descia as escadas, passava o portão, olhava o asfalto da rua, virava a esquina e ia embora. Ele era feliz. Sonhou uma esposa bonita, duas filhas e uma viagem pra Cancún. Conseguiu isso tudo. Mas tinha um outro sonho. Pequeno sonho, desses que a gente volta e meia diz que um dia vai fazer: ele queria ficar deitado no meio da rua de casa. Simples assim.

Desafio #1 - Medo.

Por Ariane Harbekon e Bárbara Kapitizki.


Hoje a Seção Abajur ganha um adendo: desafio. Nele, será dado um tema surpresa para que os escolhidos desenvolvam em dois textos. Pra deixar ainda mais bacana, a criação nos presenteia com ilustrações sobre suas sensações a respeito dos textos. O resultado de hoje? O medo posto em cena sob dois diferentes olhares e palavras. Confira: 

Entre amigos

Sete anos após ter escrito o último livro da saga Harry Potter, J. K. Rowling ainda não sabe se deixou Hermione com o companheiro certo.


A autora da série Harry Potter, J. K. Rowling, recentemente concedeu uma entrevista a revista Wonderland que está dando muito o que falar. Segundo o jornal The Sunday Times, nessa ocasião, J. K. teria afirmado para Emma Watson, que a estava entrevistando e faz o papel de Hermione na saga, que se arrepende de ter feito sua personagem ser par romântico de Rony, interpretado por Rupert Grint. Ainda segundo o jornal, a autora disse também que Harry seria um companheiro mais adequado para Hermione.

Mostra de Tiradentes


Pensar em Tiradentes geralmente significa se lembrar das igrejas da época do Ciclo do Ouro e calçadas irregulares feitas de pedra. Acontece que, todos os anos, Tiradentes deixa de ser só uma típica cidade histórica para, durante uma semana, tornar-se a capital do Cinema Brasileiro Contemporâneo, numa mostra gratuita que vem desde 1998 contemplando um pouco do cinema que a gente não costuma ver numa sala do Cinemark ou Cineart da vida.