Tudo que eu quero é dormir



Ah, férias. Sentirei falta dos dias ociosos, das infinitas possibilidades, de acabar escolhendo não fazer nada e passar o dia inteiro de pijamas. De acordar uma hora da tarde sem peso nenhum na consciência. De poder sair no meio da semana e não se preocupar com o dia seguinte. De levar 7 livros na mala e baixar incontáveis filmes achando que conseguirei terminar todos a tempo. Da falta de obrigações. Férias, essa linda que vem e vai embora acabando com toda sua produtividade. E te deixa com sono, muito sono.

Agora é tentar acordar cedo de novo fingindo que é maduro o suficiente para não precisar de um cochilo da tarde. De esperar sexta-feira como se no fim-de-semana você fosse descobrir todos os segredos do universo. E passar todos os dias com um pensamento repetitivo e irritante na cabeça: tudo que eu quero é dormir.

Sopro



Os pés se arrastam pela areia com a delicadeza áspera do deslizar das baquetas...

...os passos das crianças, patas ansiosas de filhotes, correm como os baques surdos dos dedos do contrabaixista...

...o vento aquecido pelo sol começa leve, na levada etérea, aérea, entorpecida do clarinete... ganha notas febris, caos, delírio, ferocidade insana de um saxofone nos momentos ocupados... e termina no sopro melancólico de um fim de tarde que flui como o som do trompete.

O mar se tinge de negro perante o céu noturno, e as estrelas neles refletidas se transformam nas teclas do piano de um maestro que rege as sombras do litoral.

Só mais um dia de férias... e a banda continua a tocar.

Começo do fim

Depois de breves semanas de repouso, é hora de voltar à velha e amada rotina. Todos sabem do que estou falando - aqueles dias passados maravilhosamente em ócio, esperando a precisa hora de fazer nada. Agora, volvemos à vida, aos posts, à normalidade. E, nesse momento de retorno, vamos falar sobre a pausa?

CARES


Dezenove, zero, zero
Uma carta escrevi
Fui falar do meu amor
Pra quem vivia logo ali
Dez, dois pontos, zero, zero
A resposta então já lia
Meu amor correspondido
Tudo em menos de um dia
Logo então, pra mais de zero
O seu cheiro ainda estava
Impregnado em cada curva
Do amor que me amava

Dezenove, nove, zero
A nova carta fui tentar
Fui falar do meu carinho
Pra quem morava bem pra lá
Entre pontos, quatro zeros
Da reposta nem sinal
Respondência de carinho?
Nesse mundo capital?
Só que, sim, saí do zero
A conversa se estendeu
Mais alguns e-mails trocados
E mostrarei quem é ser eu

Dois e zero, um e zero
Carta longa encurtada
Cobri minhas borboletas
Porque não conheço a estrada
Zero, xis e zero-zero
Pra três linhas escrever
Me perdi dentro de mim
Fui sem tempo pra você
Já nem sem mais quantos zeros
Necessários para o vibrador
Só me resta amargar a lembrança
Do sempre inventado ardor

We used to wait for letters to arrive...



O fim das férias está se aproximando rapidamente, como a saudação final de uma boa carta. Mas ainda há tempo para ler um bom livro, ouvir música e correr para os cinemas. Em uma semana na qual o tema escolhido para nortear o conteúdo do Sem Pauta é um meio de comunicação quase esquecido pela geração .com, a carta, escolhi revelar todas as facetas desse termo através de um pequeno guia cultural para o fim de semana.

Para os que preferem a forma pura da carta, seja como um post-it reduzido até como enormes pergaminhos mandados por fanáticas de 12 anos aos seus ídolos, o que não faltam são filmes sobre cartas de amor, carteiros, e músicas que funcionam como odes à pena e ao papel (como We used to wait, do terceiro álbum do Arcade Fire, ou Handwritten, faixa-título do disco mais recente do The Gaslight Anthem). Mas aí estão três variações sobre um tema, e três dicas para guardar na prateleira.

Livro: Rainer Maria Rilke - Cartas a um jovem poeta

Está sofrendo crises existências ou bloqueios criativos intensos? Aproveite então os conselhos do autor alemão Rainer M. Rilke para o jovem poeta do título, Franz Kappus, de 19 anos, que poderia muito bem ser qualquer um de nós com aspirações literárias. Quer um empurrão extra da cultura pop para começar a leitura dessa obra-prima? Lady Gaga é uma fã declarada do livro, e possui uma de suas frases tatuadas.




Música: Badly Drawn Boy - A Minor Incident

O Badly Drawn Boy transformou, para a adaptação cinematográfica do livro do extremamente musical Nick Hornby, Um Grande Garoto, a forma mais infame de carta em uma música de melancolia ímpar. A carta de suicídio da mãe do protagonista ganha uma roupagem folk nessa faixa, que embala a cena de maior impacto do filme de Chris Weitz com sutileza.



Filme: Trilogia O Cavaleiro das Trevas

Já tem seu ingresso para O Cavaleiro das Trevas Ressurge, novo filme do Batman e peça final da trilogia do personagem da DC Comics reimaginada por Christopher Nolan? Às vésperas desse grande lançamento, uma boa pedida é rever os dois primeiros capítulos da saga de Bruce Wayne e sua jornada "Michael Mann"iana contra o crime em Gotham. Como isso se relaciona com o nosso tema? Nolan precisou apenas de uma carta, o Coringa, ou Joker, do Baralho, para introduzir um novo vilão que marcaria época na vida da audiência e dos tapetes vermelhos e fazer a ponte entre Batman Begins, que inaugurou a saga, e sua sequência brilhante O Cavaleiro das Trevas.

Confissões de uma velha senhora






Dizem que as palavras voam. Elas voam e pairam aqui. Nessa velha senhora. E, por favor, frisem o "velha". Em mim, semeiam fatos, encharcam o papel, brincam, zombam e rabiscam. Em consequência, me enchem de anseios, segredos, protestos e pretextos. Às vezes, despejam positivismos, para no futuro incerto devolverem todo o resto. E ao resto inclui-se os antagonismos de tudo aquilo que é bom. Não fazem isso de forma singela é claro, fazem de forma rude, bruta e que dói. Eu apenas as vejo passar. As comunico. É o meu propósito. O que posso fazer? Não tenho sentimentos próprios. Tenho vergonhosos orgulhos emprestados. É por isso que sei que dói. As manchas, as lágrimas, os destroços, o fogo. Viro cinzas. Mesmo assim não pertenço a ninguém. Pertenço ao mundo. Pelo simples fato de existir. Pertenço ao vento que em mim deposita as palavras, para num segundo posterior coloca-las de novo em movimento. Sem endereço. Quem sabe talvez elas retornem por meio de uma outra velha senhora. Uma amiga, uma irmã, uma gêmea, uma carta.

Why do you come here?

Eu sei que você sempre dizia adorar as minhas cartas, mas tenho certeza que neste momento todas elas se encontram amassadas e jogadas no fundo de uma gaveta que você nunca usa. Me lembro de gastar horas pensando no que escrever.  De esperar ansiosamente sua resposta. 

Nossas cartas foram a metáfora de tudo que aconteceu entre nós. No começo elas vinham aos montes, recheadas de presentinhos, gigantescas. Tínhamos muita coisa para escrever. Sempre falávamos do quanto adorávamos o momento em que uma carta nova chegava, sem aviso, da emoção, da nostalgia, do cheiro de tinta e do toque imaginado que um e-mail nunca poderia proporcionar. 

Aos poucos elas foram diminuindo. Passaram a se tornar um bilhete, um simples feliz aniversário mascarado que escondia o que perdemos ao longo do tempo. Hoje, lendo a sua primeira carta, vejo a inocência de quem achava que podíamos conquistar tudo.

E sua última carta nunca chegou. 


Memorial de palavras

Aquele pedaço de papel amassado, cheio de rabiscos, memórias e marcas de batom. Ou aquele envelope amarelado, no fundo da gaveta... Papel cheio de selos, caligrafia conhecida, o anseio de ver que chegou pra você notícias, pensamentos, um pedaço de pessoa que alguém te mandou e é só seu. Não há e-mail que compare. A carta que mediava a comunicação de nossos pais, nossos avós e nossa infância. De amor, de ódio, bilhetinhos transmitidos por colegas-correio. Nessa semana, o tema são as cartas. Tire as suas do fundo da gaveta!

Um bocado de muita coisa

Se Machado de Assis quis um dia atar as duas pontas da vida (adolescência e velhice) em seu Dom Casmurro, eu apenas quero atar os dois últimos temas de posts do Sem Pauta ( Infância e Rodoviária). O motivo é bem simples: por um acaso do destino não consegui postar sobre o tema infância e para a minha alegria tal tema está intimamente ligado em minha vida com o tema dessa semana. Quando eu era criança, a Rodoviária era o local de partida de muitas aventuras nos dias de domingo, tudo graças ao meu pai que levava eu e minha irmã para visitarmos as pequenas cidades e distritos vizinhos, nada como um bom pão de queijo e um copo de suco de laranja em uma cidade pacata do interior mineiro para aliviar os possíveis estresses vividos na semana. São coisas simples como essas que trazem saudade de outrora. O jeito é desfrutar dessas velhas e boas lembranças de vez em quando num simples intuito de abrir um sorriso no rosto. Para não decepcionar deixo um breve texto sobre os amores de infância e uma foto (essa sim talvez um pouco decepcionante) de quando eu imaginava histórias e criava poesias dentro de uma caixa, digamos mágica...

Todos os dias naquele mesmo horário ele corria até a janela para vê-la passar. No auge dos seus seis anos de idade, ela era mais do que uma simples vizinha e companheira de turma. Ela era sua musa inspiradora, objeto constante do seu olhar, a ela direcionava todos os pensamentos que flutuavam em sua mente inocente.
Um dia não aguentou mais, correu para a mãe e disse veementemente: “Quero conquistar uma garota!”. Ela sorriu, achou engraçado a sua pose de adulto, machão e galanteador, dono da própria vida. Ela não entendia, via aquilo como mais uma fofura do seu estágio infantil, mas pra ele aquilo era tão sério quanto o desencadeamento de uma terceira guerra mundial. Ele não podia mais continuar amando apenas por um olhar. Ele precisava estar com ela, falar com ela, sorrir para ela.
A mãe percebeu as feições do tipo “isso não é uma brincadeira” e lhe respondeu sugestivamente: “ Garotas adoram flores e o nosso jardim está cheio delas...”. Ele nem a esperou completar o raciocínio, correu até o jardim e colheu a mais bela. Estava tudo acertado, naquele dia, ele se declararia.
Fez tudo como manda o figurino, tomou seu banho mais cedo, sem esperar que a mãe lhe ralhasse pela enrolação de costume, passou perfume e penteou o cabelo de lado no estilo sedutor de novela mexicana. Se o uniforme não fosse obrigatório, provavelmente teria pedido a mãe para colocar o terno e a gravata borboleta que usara no casamento da tia. Quando chegou a escola sentia uma mistura de nervosismo e ansiedade. Não sabia exatamente o que iria dizer, esperava que na hora as palavras viessem.
Subiu as escadas que levavam a sala correndo. Chegou um pouco sem fôlego, mas quando a avistou se recuperou rapidamente. Caminhou até ela com as flores escondidas atrás das costas. “Você, quer dizer, eu de gosto...” ele despejou as palavras embaralhadas, sem jeito, em cima dela. “O que você disse? Não entendi.” Ela retrucou. Ele tentou dizer novamente, mas as palavras já não mais saíam. Ela ficou o encarando esperando uma resposta, o que o deixou ainda mais nervoso.  Para o seu alívio, a professora entrou e pediu para que todos se sentassem.
Ele passou o resto da aula tentando ganhar coragem e confiança. Já tinha decidido, não havia volta, de hoje não passava, tudo iria ser resolvido depois da aula. O sinal tocou, ela rapidamente saiu da sala. Ele guardou os pertences, respirou fundo e foi atrás dela.  Já do lado de fora não conseguia avista-la, havia apenas um grupo de crianças em uma rodinha gritando em coro algo que ele não conseguia entender. Decidiu chegar mais perto, aos poucos o som ficava mais audível, algo como “tão namorando, tão namorando...”. Ele abriu espaço na roda e viu algo que partiu seu coração. A garota da sua vida beijava o rosto de outro menino.
 Ele empalideceu e começou a correr em direção ao portão da escola onde a sua professora despedia de cada um dos alunos. Em uma atitude brusca, porém sincera, tirou a flor de seu esconderijo e a dirigiu à professora. Ela abriu um sorriso enorme, apanhou a flor e deu-lhe um beijo no rosto que jamais esqueceria. Um sorriso se abriu e ele correu até o carro onde a mãe já lhe esperava. “Ué filho, a flor não era para a garota que você estava apaixonado?”, ele deu de ombros e respondeu sem dar muita atenção para ela: “cansei dessas meninas de seis anos que não querem nada sério, mamãe. De hoje em diante eu vou querer apenas relacionamentos sólidos e maduros.”.

Miles



Seu olhar pulava ansiosamente, trocando a atenção do relógio para o portão, do portão para o relógio. Aqueles déspotas, pensava, usando a palavra que acabava de ler em seu livro de história jogado em cima da cama desarrumada, acabavam de sair. Com um clique de mouse, a passagem estava em mãos. A internet era sua área de experiência - e no meio de todas as partidas de Fifa, ele abriu a janela da companhia rodoviária e comprou um ingresso com o número do cartão da Sra. Déspota, técnica da modernidade que ela nunca poderia dominar.

Deu uma última olhada para o suéter de padrão geométrico e o pesado casaco em cima da cama, fazendo companhia patética pro livro de história. Guarda-chuva também estava lá. Sim, ela com certeza iria avisar: "não se esqueça de levar o casaco e a sombrinha! já pegou o lanche?". Uma última declaração de rebeldia, deixou tudo lá. Assim ela fica sabendo que não adianta mais proibir as escapadas para o shopping com os amigos, as horas no videogame. A mesma altura que dificultou a missão de catar um dinheiro na caixa em cima do armário do quarto de Sr. e Sra. Déspota - eles gostariam desse apelido, pensou, pelo menos gostariam de usar esse apelido nas homéricas brigas que se misturavam diariamente com o som da novela na TV da sala - o fez escolher não o ônibus, mas seus pés, para chegar à rodoviária. Chegou então àquele prédio, seus ruídos altos demais para seus ouvidos de 13 anos de idade, seu pé direito tão grande que poderia pertencer ao Yeti.

Chegou adiantado tamanha a impaciência. Jovem viajante, viu uma cadeira azul toda rabiscada, livre, ao lado de um homem esfarrapado que tocava trompete com um chapéu aos seus pés. Lá se sentou e desligou o MP3 que tocava o cd do Dylan que encontrou no computador da irmã, enquanto tamborilava os dedos sobre o exemplar de On the road, livro que roubara da prateleira dos garotos mais velhos na biblioteca do colégio. Se lembrou do velho piano da sala de estar, pensou nos seus dedos voando livres por cima das teclas... ei, nada de nostalgia. Seu coração frenético se misturava ao ruído dos sistemas de amortecimento dos ônibus que chegavam e partiam em uma melodia ímpar.

- Minino, tá indo pra onde? - perguntou o homem, de colete e camisa apertada nas mangas, ao final da primeira música. O garoto era sua única plateia.

- Tenho passagem para o sul. De lá, não sei para onde vou, só sei que não volto. Só quero a estrada.

- Ah, a estrada. Tô nessa faz tempo. Linha passa, linha vai, conheço cada planície planalto e planeta desse país.

- Mas onde é sua casa?

- Casa? Viajante tem casa não, minino. Ficou tudo no retrovisor daquele trem doido que me levou quando era quase nada mais velho que ocê, quando meu padrasto me mandou embora, com um casaco e esse chapéu aí. Tá fugindo de quê?

- Cansei do meu mundinho sabe?

- Ha, claro, claro. Já tive nos seus sapatos, garoto... ou algo do tipo - pausa e olha ironicamente para os sapatos em questão, impecáveis Nikes brancos - Mas saiba que é nas estradas desse mundinho que ocê vai andar por aí. Seus amigos vão ser qualquer um que sentar nessas cadeirinhas azuis que mudam de C.E.P. toda noite a cada parada. Primeiro ôns que você pegar é o primeiro pedaço da sua corrente... dessas de asfalto, difíceis de quebrar.

Ficou em silêncio então, o prisioneiro da estrada, e voltou pra sua melodia triste no trompete.

Jogou o dinheiro que havia astutamente roubado do armário - já se sentindo mais alto por ter conseguido esse feito - no chapéu de Miles. Naquele dia, dormiu sobre o sofá, sem tirar os olhos do velho piano. Sonhou com a estrada. Acordou em casa.

Ouça, minha criança, ousa



Não é preciso ousadia para deixar a infância para trás. Isso é o que todos querem, é o que todos esperam que façamos. Ousado é deixar a infância dentro de você. Ousado é ser criança todo dia.
Ter infância é carregar um sorriso no rosto em meio a tombos e mais tombos e mais tombos. Chorar nos momentos certos e então continuar engatinhando. Engatinhar até aprender a andar e saber que o chão já foi um lugar ainda mais comum.
Ter infância é não se acomodar com o que está pré-estabelecido. É conhecer o que nos foi posto, tocar, pinçar, depois colocar na boca e sempre redescobrir. Ser ingênuo a ponto de encobrir e sofrer as consequências. Aprender todo dia.
Ter infância é ser sincero consigo mesmo sempre. Sinceridade que é facilmente perdida. Sinceridade que não se encontra na criança parnasiana. Ser a criança que sabe sua hora, que observa os mais velhos e encontra seu lugar e seu momento.
Ter infância é ousar, é sair de dentro da caixa. Se forçar a criar asas. É se despir. Se despir para poder encontrar a felicidade.

As aventuras de Home Pente


Também fui uma criança que adorava criar histórias e contá-las. Seguindo a vibe da minha colega Ana Clara, aqui do “Sem Pauta”, resolvi abrir aqueles envelopes antigos para mostrar um dos meus trabalhos: Home Pente, o meu super-herói.


Criado em 2001, por volta dos meus oito anos de idade, a história em quadrinhos mostra a saga de Home Pente e seus amigos (Anja, Thu Thu e mais tarde um dragão de estimação) contra os vilões que pretendem dominar o mundo. Home recebia o chamado para as missões através de um televisor super avançado (que posso notar pelos meus desenhos rs) de uma mulher chamada de “Chefa”, que fornecia as mensagens de forma incompleta, sempre seguindo com uma ordem: “descubra!” Pois é, Home, vida de super-herói não é fácil!


Durante as suas aventuras, Home, Anja, Thu Thu e Dragão eram obrigados a lutar contra a maldosa Serpente e os seus subordinados (Caspa, Piolho, Robot e os Sites).
Serpente arquitetando os planos malignos.
Uma luta recheada de onomatopeias e poderes dos personagens.
Além disso, muito suspense estava envolvido na história, obrigando o leitor a adquirir a edição seguinte.

Mas não era apenas de tensão que a história era formada! Bastava resolverem uma missão que era hora de festa. (E quanta festa eles faziam!)

Foram produzidas em torno de onze edições, mas Home Pente não teve o seu final escrito. Isso significa que ele ainda pode estar entre nós, fazendo de tudo para deixar o mundo um lugar melhor.

O autor era alguém parecido com essa foto aqui:

 (não traí o movimento de postar fotos de criança haha)


Eu, a solidão e "Onde Vivem os Monstros"

Hoje, com quase duas décadas de vida, quando o tema “infância” surge em conversas é impossível não se lembrar dos desenhos que assistíamos, dos brinquedos que possuíamos e de como tudo parecia tão mais simples.

É engraçada a maneira como nos tornamos adultos. Parece que de uma hora para outra uma pequena lâmpada se apaga dentro de nós e, assim, de repente, temos responsabilidades e não mais podemos passar o dia inteiro assistindo “Padrinhos Mágicos” na televisão.  Uma parte de nós se perde no meio do caminho – e é muito difícil recuperá-la depois.

Talvez essa parte (seria a liberdade, a despreocupação, a criatividade?) represente  aquilo de mais puro que teremos durante nossa existência. Por causa disso, a infância é sempre revista com nostalgia e quando se fala do assunto ignora-se um aspecto muito importante de ser criança: a solidão.

E finalmente o título desse texto passa a fazer sentido. Tive uma infância normal e relativamente saudável. Mas sempre me senti sozinha. Não me adequava, era nerd demais, certinha demais, meu cabelo era cacheado demais. Ás vezes me sentia solitária sem nenhum motivo em particular. Viver em um mundo criado por adultos e para eles não é tarefa fácil. Fugia disso criando universos particulares e lendo. Lendo muito.



Só fui conhecer a obra de Maurice Sendak, “Onde Vivem os Monstros”, depois de oficialmente entrar na vida adulta. Me apaixonei pelo filme de mesmo nome dirigido por Spike Jonze e, depois disso, rapidamente caí de amores pelo livro também.  Em resumo: Max, um garotinho, é posto de castigo e mandado para seu quarto em uma noite. Com raiva, sozinho, sentindo-se incompreendido, cria em sua imaginação um mundo totalmente novo, composto de criaturas selvagens e uma terra estranha, onde é proclamado rei.

Assistir ao filme foi uma experiência extremamente sensível para mim. Saí do cinema aos prantos. Me vi em Max. E acredito que qualquer pessoa que assistisse ao filme se sentiria da mesma maneira. Lembrei de como me sentia e dos mundos que criava. De, como na minha imaginação, eu era uma princesa e ninguém poderia me dizer o contrário. 

E eu sei que sempre que quiser me lembrar da minha infância, Maurice Sendak e suas Wild Things estarão lá, me esperando, sempre prontos pare me confortar.


Primeiras letras




Leia escutando:
I’m from Barcelona - Treehouse

Infância. Um tema que me atrai profundamente. Já passei dos 20 anos, mas ainda sou a primeira da fila do cinema em novos desenhos da Pixar ou no novo filme dos Muppets, assisto qualquer reprise de Conta Comigo e Os Batutinhas, retomo itens nostálgicos como fotos, músicas, jogos de tabuleiro ou fitas de Mario no meu Super Nintendo em qualquer ocasião.

Poderia listar aqui qualquer um desses itens revisitados em minhas crises nostálgicas. Mas resolvi fazer um exercício mais ousado. Fui uma criança excêntrica e bem imaginativa, e o papel era o lugar no qual muita dessa energia livre era liberada. Dessa maneira, consegui um pequeno estoque de textos escritos em diferentes períodos do meu crescimento. O exercício de revirar pilhas de papéis em busca desses arquivos perdidos foi fascinante. Desde aqueles momentos em que você fica completamente perplexa com descobertas (por exemplo, um relato em um diário de quando tinha apenas 9 anos e afirmava que havia descoberto uma vocação - roteirista de cinema – com direito até mesmo a algumas ideias de filmes – que prefiro não aproveitar no futuro) ou aquelas que causam mais risos que qualquer outra coisa.

Aí vai um “livro” escrito por mim quando era uma aluna do terceiro período, aproximadamente 6 anos de idade, extremamente ilustrado com personagens que pareciam espirais com antenas ou caramujos com pernas e outros espécimes, e - pasmem – interativo. Entre parênteses? As notas da redatora sobre essa narrativa.

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Quem sou eu? Descubra na outra página.

Ei, eu sou o New Generation. (nome culto, não? Inspirado em uma música das Spice Girls)
Tenho 7 anos e você?
Você já sabe o meu nome e o seu qual é?
Faça um desenho sobre a sua escola e a sua família.

Você quer saber de onde eu venho? Então vamos lá!
Embarque comigo na minha nave e segure firme!
Porque nós vamos voar nesse céu azul cheio de estrelas em direção ao meu planeta.

O nome do meu planeta é Iupiter (ah, a originalidade de mudar apenas uma letra de um planeta existente e criar um planeta novinho), acabamos de chegar. Vamos desembarcar e conhecer a cidade.
Ela é quase igual a sua. Tem prédios, mas só que os carros são naves.

Agora quero te apresentar. Meu pai se chama Roberto, minha mãe se chama Maria e minha irmãzinha se chama Verinha. Todos somos da família Generation (pobre New, ficou com o único nome exótico da família).

Vou abrir a porta e deixar você conhecer o meu quarto, e meu amigo, o Jujo (mas bom sinal para nosso herói, ele arrumou um amigo com um nome mais estranho ainda... queria perguntar para meu eu de 6 anos o motivo desse nome).
Eu estou achando que ele está lá porque a música está muito alta.
Vamos ver?
Não falei?...

Acabei de chegar na escola. O nome dela é Blasfoforo (um chute: isso era alguma espécie de referência a fósforo) , lá eu aprendo sobre os outros planetas como a terra e sobre você, amiguinho.

Tenho uma professora que também é minha amiga, ela se chama Jija (mãe do Jujo, será?), e escreve tudo num grande quadro verde (nossa, taí uma raridade hein?).
E eu peguei minha lupa e olhei e ela ficou muito brava (esse trecho me fascinará para todo o sempre).
TRIIIM... A sirene está tocando e é hora de ir para o recreio. Lá eu e meus colegas corremos para o campinho jogar futebol.

As meninas que não gostam ficam na torcida.
Eu estou num gol e meu amigo Pato Dako (será que é a marca do fogão?) está no outro. No meio está o Jujo.
Lá traz olhando e torcendo está a Lívia, a Verinha e a Tita. Está é minha turma, estes são meus amigos.
E a partir de agora espero que você também faça parte da minha turma.
Na contra-capa você vai ver o retrato de todos nós, e no meio ao meu lado tem um espaço para você colar uma foto sua.
Um abraço e até outra aventura.
New Generation.
(Como um bônus, um auto-retrato desenhado aos 4 anos)


Voltando

Essa semana caminharemos por doces veredas para dentro de nós mesmos. Trazemos a vocês reflexões e lembranças das mais profundas, rasas, espontâneas e mapeadas sobre aqueles dias da tenra idade... Sim, a tão adorada, saudosa e nem sempre tão dourada infância vem lembrar-nos, ao longo desses dias, o que era ser criança.

Onda de realities musicais.


Está chegando a hora para acompanharmos uma nova leva de realities shows no Brasil, mas desta vez na área musical. Ídolos e The Voice Brasil prometem uma disputa acirrada entre candidatos e entre a audiência das duas emissoras em que serão exibidos. Embora muito parecidos no tema, os programas apresentam muitas diferenças. Não sabe quais são?  Confere aí:

Na primeira fase do programa, Ídolos apresenta para os telespectadores as audições realizadas ao redor do Brasil e se engana quem imagina que verá apenas aqueles que foram aprovados. Estes, na verdade, ganham espaço na edição do programa em meio a tanta bizarrice de cantores de chuveiro e comentários ácidos dos jurados, com duras críticas aos participantes, buscando um lado humorístico. Já o The Voice, as audições ocorrem pelo Brasil, mas são acompanhadas por produtores e não pelos principais jurados. Além disso, este processo de seleção não é exibido na TV. Na nossa telinha, o programa já começa com em torno de 150 participantes “bons”.

Após o período de audições, Ídolos segue para novas fases eliminatórias, com o poder de decisão ainda nas mãos do júri. Todos os aprovados na primeira fase participam da “fase do teatro”, em que ocorrem várias etapas envolvendo apresentações solo e em grupo. No The Voice, entram em cena os jurados principais, que na verdade serão mais conhecidos como técnicos dos participantes, pois cada um terá o seu time para treinar e então torná-lo o vencedor. Os candidatos selecionados nas audições se apresentam no palco principal do programa enquanto os técnicos escutam tudo de costas para ele. É aí a jogada do formato: o que importa é a voz. Isso pelo menos nesta fase, conhecida como “audições às cegas”, em uma tradução livre. Se um treinador gostar do candidato, ele aperta o botão e vira a cadeira. Caso apenas um treinador vire, o participante se torna automaticamente do time deste. Se mais de um virar a cadeira, cabe ao participante escolher o seu treinador. Cada treinador será responsável por 12 “pupilos”, enquanto no Ídolos os jurados são responsáveis por reduzir o número de participantes até um certo número pré-definido para que o público possa votar (em algumas temporadas são 32 participantes, em outras 24, ou até mesmo 15).

Passada a fase do teatro para os candidatos à ídolo do Brasil, os participantes escolhidos se apresentam e o público decide quem eles querem ver nas fases finais do programa. Na edição 2011, 15 participantes foram escolhidos para estas apresentações. Os cinco mais votados pelo público e os cinco escolhidos pelos jurados avançaram para as fases finais. Já no The Voice, é chegada a hora das batalhas. Participantes do próprio time, dois a dois, cantam a mesma canção e disputam a preferência de seu treinador. Os escolhidos avançam para as fases finais, em que o público começa a decidir o destino de cada um no jogo.
Nas fases finais, os jurados do Ídolos passam apenas a comentar as apresentações, porém não possuem mais o poder de decisão. A cada semana os participantes cantam músicas de um determinado tema e é o público quem escolhe quem eles querem que avancem na competição. Já os treinadores do The Voice dividem as decisões com o público. Eles escolhem um daqueles que desejam que continue na competição, assim como os telespectadores votam nos melhores de cada treinador. Reduzindo, mais uma vez, o time de cada um pela metade.

No Ídolos, geralmente dois participantes se tornam finalistas do programa, chegando lá apenas por influência de votações populares. Já no The Voice, um finalista de cada treinador chega a final, independentemente se um segundo candidato do mesmo treinador tiver mais votos que o primeiro de outro. Em ambas as fases o vencedor é aquele com mais votos do público e os prêmios são variados: contratos com gravadoras, prêmios em dinheiro ou até mesmo “lembrancinhas” dos patrocinadores (um carro, quem sabe).

O Ídolos estreia na Record dia 04 de setembro, sob o comando de Marcos Mion e dos jurados Supla, Fafá de Belém e Marco Camargo, e o The Voice faz a sua estreia na Rede Globo, no dia 23 do mesmo mês, sob o comando de Tiago Leifert e dos técnicos Daniel, Lulu Santos, Cláudia Leitte e Carlinhos Brown. A disputa vai ser quente!

Que regra?

O grafite não passa despercebido ao caminharmos por nossas cidades. Ainda é muito comum ouvirmos comentários maldosos em relação a esse tipo de arte, são críticas que variam entre negativas e positivas, mas que em sua maioria acabam no “eles só escrevem nas paredes para fazer baderna, para mostrarem que estão quebrando as regras do sistema”. Mas será que o Grafite é somente uma busca incessante para conseguir quebrar as regras? E se for, é somente para ir contra o patrimônio público?

Muitas pessoas não sabem, mas existe uma diferença entre o que é grafite e pichação. A pichação, muitas vezes é realmente associada ao vandalismo e tem como único objetivo sujar ou deixar algum tipo de marca em paredes lisas ou em monumentos públicos, por isso é uma expressão repudiada pela sociedade. Em contrapartida, o grafite é uma arte de rua e tem o objetivo de ilustrar os muros com imagens curiosas e transmitir mensagens positivas, incentivando a crítica social . Por esse motivo, o grafite é respeitado, visto que por trás dos desenhos existe respeito mútuo e boas intenções.

Um exemplo clássico de grafiteiro profissional, é o já conhecido “Banksy”, que por meio de sua arte, faz questionamentos e críticas sociais. Olhando por esse lado, pode-se dizer que o grafite também quebra regras, mas as regras do comodismo e do silêncio social atual.

Grafite de Banksy no Muro da Cisjordânia

Devotos das regras


Adoramos reclamar das coisas que amamos (secretamente). E se tem uma coisa que mais amamos do que tudo no mundo, são as regras, e com elas estabelecemos uma relação de amor e ódio. Se nossos pais nos deixam “largados”, não pegam no nosso pé, achamos ruim, sentimos falta da coerção.  Se no trabalho/escola/faculdade, alguma coisa está “bagunçada”, corremos logo para criar regras para que possamos nos sentir seguros e aliviados.
Até em relacionamentos queremos ter regras para nos ancorar e tirar de nós a insegurança inevitável da vida. Andei olhando essas “regras” para relacionamentos e selecionei as “melhores” e mais comuns para pensarmos sobre elas:

  •          Utilizar as técnicas do jogo de xadrez no amor, sempre.
  •        No início, não conte tudo sobre sua vida. Deixe-o falar mais sobre ele; fale pouco sobre você. Mantenha o mistério.
  •        Tenha assuntos variados
  •        Valorize as boas coisas que ele faz; faça elogios,
  •        Seja tolerante com pequenos detalhes que possam te irritar. Não implique
  •        Tenha bom humor
  •        Não cobre-o, seja agradável
  •        Controle seu ciúmes
  •        Não guarde mágoas ou dúvidas sobre vocês dois
  •        Confiança: evite o desentendimento
  •        Sexo: o tempero da relação

Aham, muito legal na teoria. Mentira, até ler isso parece estúpido.  O amor como jogo? Como autocontrole e autovigília o tempo todo para agradar o outro? Forçar elogios e sentimentos? A experiência nos mostra que a realidade não se aproxima em nada a isso: não controlamos nosso ciúme, não somos tolerantes sempre, não estamos de bom humor todo dia, guardamos mágoas, mostramos nossas fraquezas... Nada mais normal e humano. Regras são uma delícia, mesmo quando as odiamos. Queremos hábitos, previsões, uma segurança que nos acomode nesse caos que a vida pode ser.  Mas não adianta forçar modelos, manuais da vida prática, porque ninguém é igual ao outro, e por mais que não concorde imediatamente, ninguém quer ser igual ao outro. Afinal, como diria nosso Brow Caetano, “Cada um sabe a delícia e a dor de ser o que é...”.

Eu regro, tu rebeldias, eles acomodam-se...


Regras. Seguir ou não seguir? Eis uma questão? Talvez não.  Quantas vezes regras são impostas no nosso dia-a-dia? Ou melhor, no nosso dia a dia como manda o nosso novo acordo ortográfico. É óbvio que nem sempre as seguimos, talvez nem se quiséssemos conseguiríamos. Alguns defendem a tese de que regras são para serem cumpridas. Outros, exatamente o contrário, valem-se de uma problemática, a tal da rebeldia. Ah essa rebeldia, já causou tantas dores de cabeça em discussões de outra hora. Mas e hoje? Onde ela está? Talvez tenha si perdido em um caminho longo e sinuoso. Talvez os seus praticantes tenham sucumbido a aquele pecado tão praticado que atende pelo nome de preguiça. A rebeldia dos jovens que lutaram por democracia, igualdade e liberdade dos séculos passados foi substituída pelos sinônimos representativos do mundo moderno em que vivemos. Que tal a birra de uma criança que por ventura possa se julgar mais madura do que seus próprios pais? Ou talvez aquela teimosia que os pais teimam em dizer que pertencem aos adolescentes de hoje? Ou ainda a tal da desobediência presente em todos aqueles que querem algo acima de qualquer custo, de qualquer preço. Mas há outras perspectivas, talvez tudo isso não passe de um pessimismo da minha parte. Falam de tantas revoluções ultimamente não? Num tal de mundo árabe, que por aqui parece tão distante... Eu disse por aqui? Ah meu Brasil. É, acho que as conclusões não são as melhores. Comecei esse texto indagando por regras, discuti a presença/ausência dessa tal de rebeldia e termino tendo que dizer fatidicamente que esse comodismo brasileiro definitivamente me irrita. Ou seria me inspira?

I'll be your mirror



"I'll be your mirror
Reflect what you are
In case you don't know"


Regras.
Escuridão. Tabu. Repressão. Ordem?

Em uma casa conservadora e extremamente repressiva, crescer com opiniões e sentimentos considerados errados foi uma batalha diária. As regras, em sua vida, sempre representaram ansiedade, o medo intenso do controle. Figuras de autoridade a assustam até hoje.  As pernas tremem e a menção de qualquer envolvimento ilegal gera nela ataques de pânico.

Tudo em sua vida seguiu o planejado: ela sempre foi certinha demais. Sua rebeldia, entretanto, se revela de maneiras não convencionais. Fez da rebeldia na arte sua religião. Em um caderninho escondido no fundo da gaveta guarda com uma devoção doentia tudo aquilo que sempre quis dizer e ser. Sonha durante o dia com lados seus que nunca serão revelados. As regras de um mundo estranho que ela mesma criou a perseguem. Não consegue se desfazer das limitações que criou para si mesma.

Enquanto isso, ela só fantasia com as possibilidades. Cenas onde é livre e possui uma confiança arrebatadora rondam constantemente a sua mente. Seu método auto-destrutivo de manter sua ordem mental a perseguirá sempre. Pare, pense, respire. E, no fim, tudo que ela pode fazer é sonhar.






Rules Don't Stop






Grande parte da história do cinema é feita seja do equilíbrio, seja do "jogo de gato e rato" entre aqueles que seguem as regras e aqueles que as quebram. Essa batalha de opostos é válida para os personagens mais célebres do cinema, que já retratou rebeldes e conservadores, mafiosos e policiais, políticos corruptos e advogados sedentos por justiça.

Mas a dinâmica entre as regras e sua subversão também divide os cineastas. De um lado, temos os corajosos inovadores, que mudam as regras do jogo, quebrando as existentes, e criam novos movimentos como a Nouvelle Vague, o Dogma 95 ou o Cinema Novo. Nadando no sentido da correnteza, temos alguns diretores sempre confiáveis e conservadores, que permanecem fiéis aos seus elementos.

Para celebrar o tema dessa semana no Sem Pauta e sua presença marcante na sétima arte, assim como na TV e na música, uma lista que destaca 5 personagens com completa aversão a leis e regulamentos e 5 que prezam por essas regras. Em cada lista, um intruso da TV para completar o time. Confira as listas abaixo e nos responda: quem venceria essa disputa? O nosso time de rebeldes burlaria o sistema defendido por nossos defensores da ordem ou eles seriam domados pelos mesmos?

Quebram as regras

Ferris Bueller

Um verdadeiro rebelde já começa cedo, quebrando algumas das primeiras regras com as quais aprendemos a conviver: as do ambiente escolar. Ferris Bueller transformou a postura do péssimo aluno em arte nessa obra-prima adolescente de John Hughes (diretor que já ganhou um post aqui mesmo no Sem Pauta). Mas será que Ferris seria tão marcante sem Cameron, seu contraponto amante das regras?






Danny Ocean

Um dos ladrões mais famosos da história do cinema, Danny Ocean foi interpretado por dois ícones diferentes: Frank Sinatra e George Clooney, nas duas diferentes produções de Onze Homens e um Segredo. Com isso, ele absorveu todo o fator "cool" de Sinatra, que tinha seus momentos e lendas de contraventor, e Clooney, que apesar de interpretar o ladrão Danny, defende as leis com unhas e dentes e luta pelo que é certo em Darfur.






Alex DeLarge

Para cada amável Ferris ou Danny no cinema, existem também vilões nos quais o total desrespeito pelas regras é o combustível para o afloramento de partes sombrias de suas personalidades. Alex DeLarge, icônico protagonista de Laranja Mecânica de Kubrick, é um desses. Ultraviolento e anárquico, Alex é um dos exemplos mais extremos dessa lista.






Jack Sparrow

Um pirata (e como qualquer pirata, um homem que não segue regras ou leis) que trocaria todos os mantimentos vitais de seu barco por tonéis de rum, Sparrow, da franquia Piratas do Caribe, não é o capitão confiável que você gostaria de ter atrás do timão de seu barco.






Gregory House M.D.

House é um personagem fascinante, mas até mesmo seus fãs devem concordar que ficariam tensos se encontrassem o médico na lateral de sua maca de hospital. Afinal, o talentoso clínico e patologista não se importa com as convenções da medicina, e arrisca diagnósticos, experimenta tratamentos e não dispensa um Vicodin (para ele, não para o paciente), entre as sessões.






Seguem as regras

Hermione Granger

Para alguém que gasta tanto tempo lendo e memorizando as regras de sua escola e de todo o mundo bruxo, Hermione é curiosamente forçada por seus amigos e pelas circunstâncias, livro após livro e filme após filme da saga Harry Potter, a quebrar cada uma dessas regras, sempre com aquele terrível perigo de morrer, ou ainda pior, ser expulsa de Hogwarts.






Eliot Ness

Essa história de solidez moral escapa da tela, afinal, Eliot Ness é uma figura histórica, o policial incorruptível focado na missão de prender o maior contraventor da história dos EUA, Al Capone. O interpretando no filme Os Intocáveis, temos Kevin Costner, um especialista em personagens fiéis aos seus valores e às regras do mundo.






Os Vogons

Os Vogons, do famoso Guia do Mochileiro das Galáxias são criaturas mais conhecidas por suas poesias, que não seguem muitas regras de métrica, rima ou bom gosto. Mas como administradores do universo, eles são os reis da burocracia, e você não conseguiria salvar sua mãe da besta voraz de Traal se não passasse primeiro por diversas secretarias, enviasse diversos formulários e agradasse bastante ao rígido código de disciplina dos péssimos poetas Vogonianos.






Roz

O grande dilema de Monstros S.A., comédia em animação dos estúdios Pixar, é: seria Roz uma Vogon? Além da clara semelhança física, Roz divide com a raça de aliens de Douglas Adams uma paixão interminável pela organização, pelas regras de sua empresa e pela cor dos formulários que força o pobre Mike Wazowski a preencher.






Monica Geller (Friends)

Monica é uma excelente amiga. Isso se você não se importar com suas regras, que vão da simples proibição de pés na mesa de centro até o respeito completo aos regulamentos de qualquer jogo ou esporte recreativo (ou nem tão recreativo assim, se depender da competitiva Monica).




Para regulamentar.

Essa semana, vamos falar sobre aquelas coisas. É, aquelas mesmo. Aquelas que todo mundo sabe que existem, com as quais desempenham uma convivência pacífica até que se pense em contrariar. Guerras foram travadas por elas. Vidas foram perdidas por elas. Revoluções e rebeldias se baseiam em desafiá-las. Às vezes são bem claras, às vezes são tão confusas que não conseguimos saber ao certo qual é o caminho a seguir. Adivinharam do que se trata? Acertou quem disse: Regras.

Mundana Andança


No meio do caminho havia uma metáfora
Robusta grandiosidade ranhosa
Sobrescrita, subscrita, circunscrita
Era cripta

Fulgurava tão forte que tremia a Terra
E Júpiter e o planetoide tremiam também
Perto, feto, concreto
Cimento de afeto

E ela andou infinitamente até o lugar
Com a lucidez sempre adiante
Longínqua, ubíqua, ubíqua
Ubíqua

E ele andou infinitamente para trás
Loucura bem vinda de ares já novos
Raivosa, rosa, pretensiosa
Inconstância prazerosa