Falando dos dias...


Percebeu que estamos bem atrasadinhos? Pois o tema é justamente esse! Na verdade é quase... Em homagem a esse ilustre artigo que tanto nos desespera e é o mascote do capitalismo. Estou falando, como irei falar, do Calendário. Mais dia menos dia ele ia aparecer aqui, pois então, a semana é essa.

Sonrisal

Toca - tépido - o tilintar trôpego.

(É hora do almoço)

Coma!, calma, Câncer?, Cama...

(Na mesa, o café esfria)

Tente. Tranquilo: há um novo tropeço.


- Na sala de jantar, o tédio lhe espera.

Status: Ocupado


É domingo atarde e a ressaca ainda bate. Você liga a TV com a esperança de que ela poça recuperar o mínimo de ânimo que há, e logo é invadido pelo jargão estridente do apresentador "Ô, Loco, meu!". Imediatamente faz o caminho inverso, desliga a TV e vai buscar algo para fazer no mundo virtual. Carregando, aparece na tela, quatro quadrados deformados, um amarelo, um azul, um vermelho e outro verde. Uma luz brilha a traz deles. Aquilo é tão comum! Quantas vezes não ligara o computador. Mas no estado que esta tudo é motivo para análises mais minuciosas. Contudo, essas análises intensificam o ânimo negativo que lhe corrói. Às vezes uma segunda-feira cai bem num domingo... Não! Lógico que não! Aquele tanto de coisa para fazer: texto para ler, matérias inacabadas, aulas cansativas, demandas, ações, reuniões, logos, cartazes, briefing... Não! Terminantemente segunda-feira será pior. Até porque várias das coisas de segundas deveriam ter sido feitas antes mesmo do domingo, mas sexta, aquela cervejinha não podia ser dispensada, no final de semana eu faço... Final de semana é momento para você relaxar, descansar, namorar... Namorar! A quanto tempo estava  sozinho? Tomara que esteja online! Mas esse computador que não sai dessa tela! Vírus! Fica vendo esses vídeos de sacanagem... Pronto carregou! Senha, entrar... arre, como eu odeio essa bolinha girando! Ainda mais quando estou de ressaca. Lembra o vômito de ontem... Finalmente a bolinha azul giratória se torna uma seta branca com stroke preto e shadow transparente. Deve ser stroke 1pt. É bem fininho. Aaaaah! Esse falatório me lembra segunda-feira. Clic. A página branca com uma coluna azul escuro aparece na tela. No feed de notícia as mesmas novidades de meia hora atras. Nada para curtir. Nada para comentar. E realmente nada para compartilhar. Incrível como esses idiotas acham lindo se mostrarem idiotas. Essa piada eu fazia quando tinha três anos de idade! Devem estar na mesma que eu. Sem nada para fazer acham graça das coisas que os assemelham a amebas. Chat. A salvação! Deve esta lá, tomara... Não. Não esta lá. E como se fosse castigo não tem ninguém também. Uma barrinha azul com uma caixa vermelha aparece no canto inferior da tela. "Oi" diz o chato. Devo responder? Estou muito entediado para conversar com ele! Mas não tem nada para fazer! Texto para ler, matérias inacabadas, demandas, ações, logos, cartazes... Tá! Mas é domingo, não é dia disso! Domingo é dia de relaxar, descansar, namorar... e por falar em namorar, começa a ter uma pulsação mais forte. Não estou fazendo nada mesmo! O órgão sexual começa a ter mais sensibilidade. Em outra aba abre os sites responsáveis por deixar o computador cheio de vírus. Depois passa o anti-vírus, agora não tenho nada para fazer. A mão agora é a companheira. Acaricia o que esta entre as pernas. Se inspira nos videos. Se imagina na situação do musculoso frenético... O prazer vem...
A ocupação é muito efêmera.
Vai ver que agora está online.
A barrinha azul de outrora apresenta uma caixa com um 2 dentro. O que que esse chato deve esta falando? "Oi, como vai?" Péssimo é a vontade de responder! Tranks e vc?
A necessidade de escrever alguma coisa em seu mural cresce. Mas o que? Não quero ser igual a esses idiotas que postam piadinhas que dão mais raiva do que alegria. Fala da sua opinião sobre o Faustão. Clichê de mais! E ainda, nunca é bom falar do Faustão, parece que você assiste a ele. Então fala que você esta entediado... Nunca! Vou dar meu braço a torcer? Sabe por que que não está online, né? Esta fazendo outra coisa... Saindo com os amigos, ou até namorando outro cara... E eu falar que estou entediado sozinho no meu quarto! Não! Então não fala nada! Pois bem, se não há nada para falar mesmo...
A barrinha azul esta com outro balão, o 3 branco esta dentro dele. Será que esse chato não vê que não quero falar com ele! Em quantos vácuos que já não deixei ele?! "E como foi o fds?" Sai ontem, bebi de mais e agora to de ressaca. Vou sair to num porre danado! Tchau.

A velocidade do relógio

Das aulas de matemática ao fim das férias. O tempo passa em uma velocidade absurdamente lenta. Segundo apos segundo. O bocejo vem. A agonia. O tempo não passa! Essa semana o Sem Pauta irá tratar de um tema muito chato! O tédio, senhoras e senhores. Calma, sei que vai ser bem entediante esperar até amanhã para ler o primeiro post, mas a apuração das notas das escolas de samba do Rio de Janeiro esta aí. E se seguir o caso de São Paulo prometerá um certa adrenalina. Bem diferente do tédio que era antes. Até logo...

Chuva de papel


Chove chuva, chove sem parar, molhe esse povo de alegria, para nunca mais chorar, para nunca mais chorar.
Os papeis picados molhavam aquele povo com um estranho sentimento... No tempo da maldade era como se nem tivessem nascido. Não. Não há guarda chuva contra o amor. Bêbados de liberdade, saiam às ruas como se saíssem de si. Saiam como pássaros que aprendem a voar. Era como se não houvesse amanhã. Não. Não me diga que todo carnaval tem seu fim. Deixe eu brincar de ser feliz. Deixe eu pintar o meu nariz. Já me veem tantas vezes como um ser ridículo. Assumo agora o ser ridículo que sou. O ser livre. A liberdade é um pássaro que vive na gaiola, ou um adolescente que tem horário para voltar para casa. A liberdade é o futuro. E eu digo não. Eu digo não ao não. Solto o pássaro da gaiola. Ignoro as horas dos relógios. Tanto faz qual é a cor da sua blusa. Tanto faz a roupa que você usa. Faça calor ou faça frio. É sempre carnaval no Brasil.

Menina, já é hoje de manhã

"Menina, a felicidade
é cheia de ano
é cheia de Eno
é cheia de hino
é cheia de ONU."

É quarta-feira de cinzas.

Ariana tenta abrir os olhos, enquanto suas sobrancelhas jazem derrotadas sobre o efeito da aguardente gasificada. Em vão: a cegueira acaba por tornar-se um novo acessório - não útil, não bonito, apenas novo. E mal lhe deixa enxergar a maquiagem amarela borrada da noite anterior. "Quiçá, essa visão poderia acalentar meu coração tão cheio de vazios dos duradouros amores instantâneos", pensa enquanto passa os dedos nas pálpebras sujas.

Ainda sem luz, ela se levanta cambaleando. Desajeitada, pisa em um disco de vinil, jogado no piso arranhado de tábua corrida. Após quase escorregar, percebe: foi a poeira no velho disco de Tom Zé a responsável pelo desequilíbrio. Finalmente, ela acorda e, ao abrir os olhos, vê o pé sujo de lama sobre o título "Se o caso é chorar". Ao se lembrar dos diversos versos presentes no compacto, ela ri:quanta ironia poderia haver em um simples tombo. Reflete;

"É, felicidade, se você é construída desde o uso de sal de frutas a ações de líder internacionais, quem sou eu para querer aprendê-la somente com cachaça com refrigerante e em um curto feriado. Até a Semana Santa eu te desvendo, danada!"

Se você pensa que confete é de graça...


Você pensa que confete é de graça?
Confete não é de graça não.
Confete vem do pacotinho
E custa caro para o folião.

A paródia é nova, mas é em homenagem a um velho companheiro dos foliões. Nesta semana, o Sem Pauta antecipa a agitação dos trios elétricos e traz "Confete" como tema. E, seja como doce, seja na avenida, os textos prometem prender a atenção de nossos leitores mais que serpentina enrolada na sandália! Não percam!


Brônquios

"A sorte de um cobertor, aspirinas e amor"...

Soando sem sotaque, a voz da banda mineira ecoa no rádio de pilha coberto de pó. Coberto de pó...Ana Paula sorri: quanta ironia pode estar presente nesse quartinho de vassouras..Enquanto tenta olhar para a fresta da porta de seu novo e inusitado esconderijo, ela quase acredita em coincidências e milagres...

Quase. Na ponta dos pés, ela se abraça ao radinho de pilha comprado na loja da esquina. "Por um centésimo de sua mesada!", pensa alto e percebe que, pela primeira vez, não se sente bem na imensa cobertura e em seus infinitos metros quadrados. Ao contrário: todas as paredes que um dia foram lar tornam-se apenas instrumentos para ecoar o vazio de um coração insuficiente de pulmões.

Com os olhos baixos, ela olha ao redor mais uma vez:

"É, esse lugar é asqueroso. Porém, em seu pequeno cubículo, é o único realmente aconchegante nesse sombrio horizonte."

O que há por debaixo...


Massa sobre massa. Corpo sobre corpo. Pele sobre pele... Minha pele. Na boca palavras rasas que nada condizem às atitudes. No peito a máquina ainda pulsa; transmite um calor que logo é dissipado pelo sistema.

Cobria-me... Cobria-me de beijos. Cobria-me de palavras. Cobria-me de corpo.  Mas no fundo essa cobertura escondia um imenso vazio, uma completa inexistência...

É... No fundo ninguém cobre ninguém... O tato é só a repulsa de cargas não opostas... No fundo não há calor, não há o outro, não há cobertura.

O que mais tem na matéria é o vácuo. A cobertura só serve para esconder o gosto amargo das coisas.

Cubra-me, baby...

Bolos, sorvetes, tortas...
Iremos cobrir essa semana com um tema que pode estar nos apartamentos, estacionamentos, alimentos, relacionamentos... ok, não conseguirei rimar tudo. Nosso tema também pode estar nos jornais, nas camas, no corpo, na Terra e inclusive nessa postagem. Então não perca seu tempo lendo esse texto absolutamente mal escrito, reserve-o para os textos de amanhã em diante. Sem mais rodeiros e mistérios nosso tema da semana é... (rufam os tambores) COBERTURA! Para deixar esse verão ainda mais quente! Vai um sorvete?