Tecnologia

E o Sem Pauta essa semana fala sobre chip, Iphone, celular, nano-tecnoliga... O tema é tecnologia

Belo Horizonte, 10 de junho de 2011

Sabe, Gustavo, as vezes eu queria sem bem gorda, cheia de espinhas, com aparelho e só preocupada em estudar. Talvez isso não me desse aquele pingo de esperança no amor que sempre me faz sofrer por decepção.

Ontem percebi que estar ao seu lado tem me feito mais mal do que bem. Não sei se você já chegou a se apaixonar, mas se sim, deve saber como tudo fica melhor, como a comida fica mais saborosa, como o céu fica mais azul, como tudo parece mais fácil e como sorrir é algo tão natural quanto piscar. Seu amor me deu um combustível de vida que nunca senti antes e eu, pela primeira vez, amei viver! A melhor coisa do seu amor me ocorreu ontem, antes de tudo aquilo acontecer. Estava eu andando pela avenida em plena segunda-feira indo pra minha aula de matemática e, acredite você, eu não me cabia de felicidade. Dar passos me alegrava e toda a cidade parecia preenchida por uma nuvem transparente de ansiedade boa.

Mas ontem eu percebi que você não me quer, não é? Te ver com a minha melhor amiga foi arrancar todo o meu futuro tolo de uma vez em mim e eu fiquei a encarar o presente frio e me culpando por ser tão idiota, por achar que a gente ia dar certo. Imagine você: eu tenho vergonha de mim mesma e fico convivendo comigo o tempo todo. É patético, ridículo. E agora eu não consigo mais olhar na cara da Fernanda, mesmo sabendo que a pobre não sabia de nada. Ela me irrita. Ela suspira e eu tenho vontade de chutá-la inteira. O jeito que ele mastiga me faz querer gritar. O bom dia feliz que ela me dá eu finjo que eu não escuto. Talvez eu odeia mais a felicidade dela do que ela. Porque, afinal, essa felicidade era minha.

Quero ficar bem feia e quero ganhar a competição de física do colégio e me mudar para São Paulo. Não quero nunca mais te ver, nem a ela e nem mais sair de casa. Ela é fútil, sem graça e pegajosa. Eu seria a melhor namorada desse mundo, tenho certeza! Seria intensa, carinhosa, engraçada, madura e você nunca conseguiria ficar longe de mim. Eu seria o Deus da nossa vida e escreveria o melhor destino para ambos.

Não precisa responder, não precisa me procurar e me deixe sozinha. Jamais conseguirei te odiar, infelizmente. Nunca fui tão feliz e nunca vivi algo tão forte antes e devo a você. Felicidade inventiva e louca, mas eu senti. Enquanto isso eu espero um dia conseguir felicidades baseadas em fatos reais e planos realizados. Viver assim deve ser enlouquecedoramente gostoso e vou sobreviver com esperança nisso.

p.s: não precisa devolver nossa pulseira da amizade. quero ainda pulsar em seus pulsos =/

por CARPINEJAR

Carpinejar é um gaúcho, poeta, jornalista, cronista, arruaceiro, louco, pai, escritor, professor e algo fora do comum. Em seu blog, ele se define, sem se definir. "Escritor, jornalista e professor universitário, autor de dezessete livros, pai de dois filhos, um ouvinte declarado da chuva, um leitor apaixonado do sol. Quando conseguir se definir, deixará de ser poeta."

Ele fala muito bem de sentimentos e admite que não há assunto a não ser relacionamentos. Em uma entrevista publicada por ele mesmo em seu blog feita pela Veja, ele fala sobre o ciúme. Sensível, humano e realista.


Você também desconstrói o ciúme, e parece admirá-lo.
CARPINEJAR
- Isso mesmo! Primeiro, porque ele vai explodir no momento certo. A pior coisa que existe hoje é as pessoas terem vergonha do ciúme. Ele é tratado como doença. Você não vai dizer para o namorado que está com ciúme. Vai tentar sonegá-lo, escondê-lo, e ele só vai crescer. Se a mulher confessa que tem ciúme, o homem diz “Você não confia em mim?”. Assim, ele coloca em risco o relacionamento e não permite que você sinta ciúme. E eu acho que o ciúme é indispensável. Porque é a pessoa ciumenta que vai se importar com você, vai ser leal, escutar o que você diz. A gente pensa nos efeitos colaterais do ciúme, no barraco, no escândalo, mas a gente esquece o lado positivo, a cumplicidade, a intimidade, a preocupação. Ele só se torna incontrolável quando sufocado.

Você parece admirar não só a mulher que tem ciúmes, mas a que demonstra o que sente.
CARPINEJAR -Isso. Uma mulher passional, intensa. Eu parto do princípio de que a doença é a indiferença. Hoje, a gente tem medo do terrorismo amoroso. Então, a gente faz de tudo para ser controlado, equilibrado. Os casais dificilmente confessam seus gostos, opiniões, preconceitos. Há uma impessoalidade atávica. Um deixa que o outro o imagine, porque assim será muito melhor do que realmente é. É uma mania de grandeza, a gente espera que o outro nos corrija, nos aperfeiçoe. E a gente não fala com medo de desagradar. Eu sou favorável a falar, a aceitar manias, a lidar com elas.

Sua namorada, Cínthya, fez o blog “Matando Carpinejar” e escreveu um texto dizendo que não era ciumenta e você exigia isso dela. É isso mesmo?
CARPINEJAR - Eu acredito que ela vai chegar à pós-graduação do ciúme (risos). Eu acredito que isso do relacionamento é tocante, isso do quanto ele pode ser jocoso. Todo mundo fala “Eu te mato” no relacionamento. Ela decidiu me matar na imaginação. Ela é ótima. Um Leonardo da Vinci: é médica, psicoterapeuta, blogueira, poeta, cronista, desenha, dá a melhor ré do mundo, é capaz de consertar chuveiro, torneira, pia. Eu já dei vexame trocando pneu na frente dela.

Semana passada, o gaúcho de Caxias do Sul também deu as caras no Jô Soares. Dá uma olhadinha aqui e aqui.

Ontem ele esteve no Sempre um papo, no Palácio das Artes, lançando "Borralheiro", seu novo livro, e num abraço muito demorado e gostoso, ele me soltou essa: "Um erro com convicção é um acerto." E não seria isso, em alguma medida, o ciúme?

Ciúmes

Por que não eu? O que falta em mim? Que tal falarmos um pouco de ciúmes?

Conversa de boca fechada

Eu preciso de calma. Hoje ouvi uma música que sempre me deixou alegre e sentir saudades da minha alegria me fez chorar. Como cheguei no nível de sentir falta de alegria? Eu me dei conta hoje que não estou bem, sabe? Procurei na agenda do meu celular alguém que eu pudesse ligar e que viria correndo ao meu encontro. Não consegui achar ninguém. Não quero ninguém que diga "eu também" ou "e eu que...". Eu quero alguém que realmente se importe, que sinta o peso do meu pesar.

Eu não consigo dormir. Cansando e esgotado, meu coração palpita forte como um motor cujo combustível é o desespero. Há tanto para ser feito e eu estou estacionando no desmaio de alma. Eu acho que não vou aguentar e queria falar pra alguém. Tenho agido tão errado, tenho tratado as pessoas mal, tenho sido uma companhia que sempre reclama e erro, erro e erro.

Sempre tive disso. Mas sempre algo na frente me animava a continuar. O que tem pela frente agora? Eu não sei e tudo o que eu consigo prever é futuro igual a este presente. Por agora, tenho ficado mais calado. Pareço uma boneca russa. Tem muitos outros dentro de mim e eles são cada vez menores, angustiados, pequenos diante do mundo. Eu preciso correr, gritar, sumir, algo assim. E queria falar tudo isso com alguém. Mesmo.

Por enquanto, digo a você: eu mesmo. Aquele que antes era calmo, tranquilo e feliz. Afinal, com certeza é você a pessoa que mais se lamenta pelo o que estou me tornando.