Pintópolis, -975km

Pensei em fazer um post sobre minhas viagens inesquecíveis, mas foi aí que me dei conta que NUNCA tive uma viagem inesquecível. Tive casos bons, no entanto.

Para quem ainda não sabe e este é o momento da rir de mim, minha vó mora numa cidade minúscula e a muito pobre aqui mesmo em Minas Gerais: Pintópolis. Sim, Pintópolis. O fundador da cidade se chamava Germano Pinto e logo Pintópolis. É, eu sei, eu também pensei em Germanópolis, mas parece que eles não. Viajar pra lá é pagar promessa das fortes! São incríveis 12 horas de viagem e quando você acha que está chegando... surpresa: a estrada acabou. É nesta hora que você pega uma balsa que te levará a uma improvisação de terra (que aqui me recuso a chamar de estrada) e passará por um pequeno conjuntos de casa, aí... não, não tem aí. Você chegou.

A primeira vez que fui lá, saindo da balsa demos carona ao ex-prefeito da cidade: Zé Cagão. Eis que este estava muito falador aquele dia pois tinha aparecido no Programa do Ratinho semanas antes porque, imaginem vocês, ele havia colocado fogo na prefeitura. É, meus amigos, ele estava sendo acusado de corrupção e tacou fogo na prefeitura pra ninguém investigar. Olha, adotei. Desde então todo mundo que sabe algo de mim que não deveria saber, é fogo nelas!

Antes de chegar na cidade, eu sabia que aquela viagem ia me marcar. Chegando lá com o nosso carro, a cidade parou e todos saíram de suas casas: era como se o Lula tivesse chegado no seu carro oficial. Foi aí que eu percebi que naquele lugar a última tecnologia era a televisão. Não tirei meu celular do bolso: daria o que falar.

Foi ainda nesta viagem que meu pai, com aquele espírito de "quero que meu filho saia do meio urbano e entre em contato com a mata virgem" me meteu numa canoa com mais 7 pessoas por um lago de filme de terror. Estava tudo bem até que um morador da cidade solta: "só não vamos mexer muito porque este rio tem mais piranha do que água". Eu parecia um celular vibrando de tanto que eu tremia. Tive que ser auxiliado para sair da canoa: minhas pernas não funcionavam. 356 carrapatos depois, chegamos em casa.

No meio da madrugada daquele dia, após enfrentar um sapo no porta do banheiro ("MÃÃÃÃÃE, SOCORRO! Só saio daqui se alguém tirar este sapo daqui agooooooooooraaaa!!!"), o portão da entrada que estava devidamente trancado, se abriu levemente e fechou com um baque de acordar os mortos. Minha vó, logo em seguida, começa a gritar. Mais tarde fui saber da minha mãe que era apenas o espírito de segundo marido da minha vó e dono da casa que vinha, mais uma vez, assombrar. Ai, que alívio, tinha achado que era defeito do portão.

Há seis anos não volto em Pintópolis. É triste não ver minha vó há tanto tempo. Tenho medo que se a visse na rua, talvez não a reconhecesse. O fato é que a viagem para lá é sempre um desgaste fisíco e emocional. Enfim, uma cidade chamada "terra do Pinto" não haveria mesmo de ser normal, né?

A jornada do heroi

Tem uma ideia nos estudos de literatura que é a jornada do heroi. Ela vem lá de um livro de Campbell, mas, se formos parar para pensar, ela encaixa na maioria das histórias que nos conhecemos. São três sessões (Partida, Iniciação e Retorno), divididas em 12 estágios:

1) Mundo Comum: O mundo normal do herói antes da história começar.
2) O Chamado da Aventura: Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
3) Reticência do Herói ou Recusa do Chamado: O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
4) Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural: O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
5) Cruzamento do Primeiro Portal: O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.
6) Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia: O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
7) Aproximação: O herói tem êxitos durante as provações
8) Provação difícil ou traumática: A maior crise da aventura, de vida ou morte.
9) Recompensa: O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).
10) O Caminho de Volta: O herói deve voltar para o mundo comum.
11) Ressurreição do Herói: Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
12) Regresso com o Elixir: O herói volta para casa com o "elixir", e o usa para ajudar todos no mundo comum.

Aposto que você já conseguiu encaixar aí a maioria das histórias que você conhece. Vamos pegar só uma das mais recentes e mais famosas: Harry Potter (e, para fins didáticos, vamos pegar A Pedra Filosofal). Vou fazer a sinopse do livro, já indicando a jornada do heroi:

Harry é um menino comum que vive com os tios (1) após a morte de seus pais. No seu aniversário de 11 anos ele descobre que é um bruxo (2) graças à visita de Hagrid (4). Harry a princípio não acredita (3), mas ao visitar o Beco Diagonal, tudo se modifica em sua vida (5). Chegando em Hogwarts ele conhece Rony e Hermione, seus melhores amigos e aliados, além de seu maior inimigo, Draco Malfoy (6). Ele é desafiado a todo momento graças a seu nome famoso (7), mas sempre consegue se safar. Durante o ano letivo ele descobre a trama envolvendo a Pedra Filosofal e tenta salvá-la (8), derrotando Voldemort pela segunda vez (9). Ele retorna para Hogwarts como heroi (10) e ajuda a Grifinória a ganhar o campeonato das casas (12).

Tá aí, a jornada do heroi em um dos maiores clássicos atuais. Topa fazer isso com outros livros?

João Capeta foi pro céu.

E hoje mais um parente fez aquela viagem. Um tio, mais ou menos. Era menino de roça. Problema demais: mãe-solteira, família pobre, cigarro, frio: cachaça. Quatro anos e é abandonado. Um voluntário, um homem pequenino e bom, cria laço. Depois de doença, mal de verme, barriga d'água, bicho de pé na mão... "Eu quero ir pra casa sua." - dizia como um cachorrinho, vira-latinha simpático com fome e carinho de sobra. A esposa, o maior coração do mundo, diz sim. O menino vai. Mulatinho, espoleto, esperto que nem gato. A meninada chama de João Capeta. Se fosse bem treinado podia ser um qualquer coisa. Foi o quinto filho da família, diferente, oposto. Os filhos estudiosos, ele nada. Nem de bola queria saber. A verdade: não se libertou de seus vícios. O menino teve muita luz, mas não seguiu. Admirava demais, sonhava alto, sonambulava. Era super-herói em sonho. Mas não se deu o direito, não. Viveu sua maldição. Mesmo com toda a benção da Esposa e do Homem.
Morou em muito lugar, não se fixou. Não teve ofício também não. Fez de tudo um pouco: bicos. Foi pra cidade maravilhosa - viveu por baixo. Visitava o irmão, conversavam, piadas. Dois mundos separados unidos por família: afeto. Em sua última viagem, pra uma cidade de poucos mineiros, conheceu seu fim. Encontrou o irmão mais novo, trocaram cartões, ofereceram favores. Esperando a visita, o irmão recebe uma ligação. É o destino que ligou aquela vida mais uma vez àquela família. Vida que só aconteceu pela família. "O senhor pode vir aqui reconhecer o corpo?". O irmão se apavora, mas vai. Aceita o destino daquele menino. Parecia esperado. Mas a morte nunca é. João Capeta foi mais uma vez seguir aquele homem. Pediu pra morar na casa dele. Aceitou o chamado - desencarnou. Poucos conviveram com seu sorriso. Dispensou afetos, não teve muito lugar. E da mesma forma que veio para a vida, foi embora: de repente. Não foi esperado. Mas a morte nunca é.

viagens e VIAGENS

Eu não sei se isso sou só eu, mas na minha opinião existem viagens e VIAGENS. E infelizmente pouquíssimas viagens que fazemos se encaixam na segunda categoria, eu já tive a sorte de fazer quatro dessas viagens.

A primeira quando eu tinha meus sete anos - fui para Itália ver minha família, a segunda com 14 anos - pelo mesmo motivo da segunda e aproveitei para dar uma passadinha na Inglaterra - BEST PLACE EVER, outra com 16 anos - aquela famosa viagem para a Disney que também conta com Nova York, onde você se dá conta que lá é realmente onde seus sonhos acontecem. E a última, mas não menos importante para São Paulo, para o show do Bon Jovi - once in a life time experience.

São viagens que nem sempre são cheias de planos e prospeções, são bem simples na verdade até mesmo os itinerários... mas que por algum motivo marcam nossas vidas, e a gente NUNCA esquece.

The Greatest Hits

Sentado naquele banco com seu fiel Ipod ligado no máximo, lembrava-se da primeira vez que estivera ali {O último romântico – Lulu Santos}. Era 2001 e ele estava recém contratado como VJ da MTV. Foi para os Estados Unidos para ter a sua prova de fogo: realizar a cobertura de um dos shows mais aguardados do ano, daquela que seria a maior banda de 2001, o Linkin Park.

Foi no camarote para a imprensa que ele conheceu Alice, a repórter mais bonita que já vira {Beautiful Girl – INXS}. Conversando com ela, descobriu seu cargo na revista Billboard, o que ela estava fazendo por ali e o principal, que ela estava indo para o Brasil em dois meses para fazer a cobertura do submundo do rock paulista.

Era tudo que ele precisava para se apaixonar {Kiss me – Six Pence None The Richer}. Conquistou o primeiro beijo ao som de In the end, enquanto todos ao seu redor pulavam alucinados. Mal sabia ele que só escutar aquela música, tempos depois, o faria chorar.

Se despediram com a promessa de se encontrarem no Brasil, de continuarem sempre mantendo contato. Foi o que aconteceu e, em julho, Alice veio {Ela vai voltar – Charlie Brown Jr.}. Trocou o apartamento de luxo pago pela revista e foi morar no apartamento do VJ. Ele levou-a para conhecer os principais points do rock paulistano {Envelheço na cidade – Ira!}, fez um entrevista exclusiva para o Disk MTV com ela, passearam e se amaram de um modo que nunca haviam feito antes.

Chegando perto da despedida de Alice, o VJ estava disposto a jogar toda a sua vida para o alto e partir com ela para Nova Iorque {Vermilion part. 2 – Slipknot}. Sabia que precisava apenas terminar seu contrato com a MTV para poder partir para a nova vida.

A repórter foi embora no início de setembro com uma reportagem fantástica e grandes sonhos nas mãos. Enquanto eles não podiam se encontrar, trocavam e-mails todos os dias. Ele se lembra muito bem do último que recebera.

“Vou fazer uma entrevista com um puta empresário musical amanhã. Me deseje sorte, eu volto à noite”.

Nunca mais voltou. Era dia 11 de setembro de 2001 e a entrevista era no World Trade Center. Quando o VJ recebeu a confirmação da morte dela, mal podia acreditar no que ouvia {Boulevard of broken dreams – Green Day}. Seus ouvidos sempre acostumados com boas músicas não estavam preparados para notícias tão ruins. Voou para Nova Iorque só para ver os destroços que consumiram a mulher que ele amava tanto.

Desde esse dia ele vai a Nova Iorque pelo menos uma vez por ano e fica sentado no mesmo banco, em frente às obras no local da tragédia {Goodnight, goodnight – Maroon 5}. Fones no ouvido e lágrimas nos olhos, ele nunca conseguiu superar a perda. Sabia que teria que continuar vivendo, mas sabia que in the end, it doesn’t even matter. {Scar Tissue – Red Hot Chili Peppers}

Go Barbra!


Pra quem é fã de música, e anda curtindo a música Barbra Streisand, da dupla de DJ's americano e canadense Duck Sauce. Vale a pena conferir o site GoBarbra .

No site a dupla Armand Van Helden and A-Trak dá a oportunidade ao internauta de colocar qualquer nome - ou palavra, logicamente, e após alguns instantes a muúsica é carregada e no lugar de Barbra Streisand a palavra escolhida é cantada. Além disso é possível compartilhar a nova versão criada nas redes sociais.

É bem divertido, né não CRIA?! uuuu uuu uuu uuuu uuu

Tentações e divagações de um homem casado

Texto escrito em 2006, mas que ainda é válido
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Sofá da minha casa, não sei que dia é hoje, 2006

Sinceramente eu não sei porque fui me casar. Minha vida mudou muito. E mudou para pior, isso você pode ter certeza. Eu vivia tão bem quando ainda não tinha sido preso na gaiola. Era só farra, diversão, mulherada, mas agora eu não posso. A Aninha fica de olho, nunca vi mulher mais ciumenta do que ela. Toda vez que eu chego em casa é um problema e, para completar, ela não me satisfaz mais na cama.

Assim fica difícil de suportar. Pensei que quando eu casasse minha vida ia se tornar mais tranquila, com uma esposa ao meu lado, mas não! Virou um inferno. E não estou brincando. A mulher só pode ter feito um pacto com o tinhoso. Não tem condições. Mas dizem que cavalo dado não se olha os dentes, e como ela foi a única que quis casar comigo...

Hoje ela só sabe reclamar, reclamar e reclamar. Não faz mais outra coisa. Aliás, faz sim, nunca vi mulher gostar tanto de mexer na cozinha como ela. E cada vez que eu olho para ela de avental me dá um tesão, mas não posso fazer nada. Acha que eu consigo tirar ela de lá? É a coisa mais improvável do mundo. Parece que ela ama mais aquele pano de prato que os meus braços quentes e confortáveis. Aquele fogão deve ser o máximo. Um dia eu vou tentar fazer alguma coisa com o fogão, quem sabe ele me dá mais atenção.

O pior de tudo é passar nas ruas e pensar: “Nossa, que gatinha!” e não poder ir atrás dela para exercer o meu papel de reprodutor nato. Já disse e volto a repetir, não sei porque casei. O casamento é a pior coisa que o ser humano podia ter inventado. Se eu pudesse voltar no tempo, eu descobriria quem foi o infeliz que inventou essa baboseira e o colocaria em uma forca sob a acusação de perigo público.

E olha que nem escritor eu sou. Nem gostar de escrever eu gosto, mas a infeliz resolveu ir para a cama (dormir, às sete e meia da noite) e eu fiquei aqui sozinho. Tenho que me divertir com alguma coisa e achei esse pedaço de papel e uma caneta. Quem sabe isso não vai parar em alguma revista famosa? É, seria muito legal! Eu faria questão de colocar o meu nome em letras bem grandes no final do texto, só para ela saber o quanto eu a amo e a quero bem...

Maldito momento que meu pai falou para eu casar. Disse que eu já estava ficando velho e mulherengo demais, que nenhuma mulher ia me querer, que eu iria acabar ficando para titio. E o drama continuou por meses e meses até que eu conheci a Ana.

Ela era uma menina linda, no auge dos seus trinta anos. Cabelos maravilhosamente escovados e sedosos, belos olhos claros, dentes brilhantes e uma carinha de anjo.
Para que eu fui confiar na minha intuição...

A gente se casou depois de quatro meses de namoro. Foi tudo muito rápido, eu admito, mas não deu para evitar. A mulher estava fazendo jogo duro, disse que sexo era só depois do casamento e ela queria casar logo. Eu, um pobre garoto (de trinta e seis anos), completamente apaixonado, resolvi entrar no jogo dela. E esse foi o meu maior erro.

Logo na nossa tão esperada noite de núpcias, ela teve a capacidade de virar para o lado e dormir, bem na hora que nós entramos no quarto. Isso é coisa que se faça com um homem no cio? Ela me deixou na vontade e eu tive que me contentar sozinho. Foi triste ver ela dormindo no nosso leito de amor enquanto eu esperava ansioso que ela acordasse e pudéssemos, enfim, consumar nosso casamento.

Mas o primeiro susto foi quando ela finalmente despertou de seu sono profundo. Era melhor que tivesse permanecido dormindo. Meu deus, aquela foi a cena mais deprimente de toda a minha história com as mulheres. Quando ela virou para o meu lado, eu descobri porque ela queria casar tão desesperadamente.

Lembra-se de que eu disse que ela tinha cabelos maravilhosos? Esquece, era tudo obra de um belo cabeleireiro. O cabelo dela se parecia com as cerdas de uma vassoura piaçava. Os olhos eram lentes de contato, ela tinha um dente meio podre e aquela carinha de anjo era pura enganação. As primeiras palavras que ela me disse foram: “Cadê meu café?”.

E aí começou meu suplício. A mulher foi, e ainda é, insuportável. Ela consegue me atormentar pela manhã, pela tarde e principalmente à noite. Nunca pensei que iria ouvir tantas desculpa esfarrapadas diferentes para uma mulher não fazer sexo com o marido. Ouvi de tudo, desde o tradicional “ai amor, eu tô com dor de cabeça” até “o padre me proibiu de fazer qualquer coisa com você essa noite, eu vou entrar em quarentena pelas almas carente do Tibet”.

E que raios o Tibet tinha a ver com a historia? Eu moro é no Brasil, país tropical, as pessoas são mais afetivas, mais calientes. É tudo uma questão de gosto. Tem mulheres ara todos os estilos de homens. Tem altas e baixas, brancas, morenas e mulatas, loiras, morenas e ruivas, magrinhas, gordinhas e gordonas, tímidas, fogosas e dançarinas de funk, católicas, protestantes e adeptas do pecado. Tem para todo mundo e todos ficam satisfeitos.

Menos eu, que casei com a mulher errada. Eu consigo contar nos dedos das mãos quantas vezes nós fomos para a cama nesses seis meses de casamento. Ou melhor, eu posso contar nos dedos da minha mão esquerda. E eu acabo ficando louco, louco de desejo acumulado. Isso não se faz com ninguém, mesmo que a pessoa tenha pregado chiclete na cruz e depois jogado uma pedrinha.

E eu acabo tendo que me satisfazer em outros lugares, como o banheiro, por exemplo, já que nenhuma outra mulher quer saber de mim. Eu não sei o que acontece, mas acho que é por causa da aliança que resolver grudar no meu dedo. Pois é, tinha esquecido de comentar esse pequeno incidente. A aliança que nós compramos para o casamento ficou pequena demais para o meu dedo (claro que tinha que ficar, foi ela que comprou. Aposto que fez de propósito). Ela cismou que tinha que colocá-la de qualquer jeito, e acabou colocando. Só que agora ela não quer sair mais.

Esse anelzinho dourado vagabundo é um repelente de mulher. Parece que elas se afastam apenas com o brilho que ele emana. É incrível! Por mais que eu tente, eu não consegui arrumar nenhuma mulher nesses últimos meses. Estou começando a achar que o problema é comigo, que eu estou perdendo aquele jeito malandro que só o brasileiro tem para pegar mulher. Tudo bem que eu não sou mais um jovem de vinte anos (e como eu era bonitão, ainda sou, mas eu já fui melhor), mas ainda tenho fôlego para várias de uma só vez.

O pior de tudo é ter que conviver com o meu emprego. Sou enfermeiro. E você não sabe o quanto me deixa louco uma mulher vestida com aquele jaleco de médico, com aquela cruz colorida no chapéu. Mas ela tem que estar vestida só com o jaleco, mais nada por baixo. Nossa! Você não sabe como eu estou enquanto escrevo isso.

Olho para a minha esposa deitada na cama e fico esperando, na iminência de que ela acorde e venha satisfazer essa minha fantasia. Mas é melhor eu acordar. O dia que ela fizer isso, eu posso pular no meio de uma avenida movimentada. Tudo não passa de um sonho. Aliás, com ela tudo não passou de um sonho. A única coisa que eu posso fazer é sentar aqui na sala e imaginar. Imaginar aquelas coxas maravilhosas em contato com a minha pela. Aqueles dois corpos convertidos em um só por um momento de puro prazer.

É mais fácil isso ocorrer com a faxineira do hospital do que com a minha esposa. Pensando bem, até que a faxineira não é de se jogar fora. Desprezando aquela cara de cachorro pequinês, aquele jeito de andar que parece um pato e aquela barriga meio saliente, eu acho que eu até toparia ir para o armário de vassouras com ela. Seria melhor do que tudo que já rolou na minha cama até hoje.

Não, pára com isso! A faxineira não, mas quem sabe com aquela paciente do 307? Ela é muito bonita e acho que dá bola para mim. Será que eu entro no quarto dela despistadamente para medir a pressão e fico lá para aproveitar um pouco da situação? Deixa eu pensar... qual o problema de saúde que ela tem? Nossa, nem isso me ajuda. Ela tem uma cirurgia marcada para amanhã, para mexer no coração. Será que nem para isso eu dou sorte? Nem para pegar uma inválida na cama eu sirvo? Se ela morrer a culpa vai cair em cima de mim. Vão me descobrir e eu estou perdido.

Pensando melhor, ela tem uma filha que tem cara de safadinha. Qual era mesmo o nome dela?
Sabrina. Isso! Era Sabrina o nome da infeliz! Ela sim daria um bom aperitivo antes da mãe. É novinha, deve estar aprendendo agora. É ela mesma! Amanhã eu vou falar com ela. Que a dona Flávia me espere para a consulta, mas eu vou ter que atrasar. Tenho coisas mais importantes para fazer.

Por falar nisso, já são quase dez horas da noite e a Ana até agora não mexeu no seu lado da cama. Será que ela morreu? Não, seria bom demais se isso acontecesse. Eu ia ficar viúvo e metade, ou melhor, todos os meus problemas iriam acabar. Minha vida ia melhorar, eu ia poder pegar a Sabrina sem peso na consciência.

Ia ser mais fácil. Só teria o trabalho de colocar a defunta no caixão e partiria para a gandaia. Eu ia voltar aos meus tempos áureos, onde eu ficava com seis na mesma noite e ainda levava duas para a cama. Eu era quase um animal. Acho que ainda sou, só está faltando um pouquinho de treino, mas isso se resolve facilmente. Preciso apenas de uma companhia.

Nossa, fiquei escrevendo por tanto tempo que acabei ficando com fome. Vou levar este papel para a cozinha. Depois essa louca acorda e vê o que eu escrevi. Se bem que ia ser uma coisa boa. Ela pediria o divórcio e me deixaria em paz. Pensando melhor, a cachorra é tão sacana que acabaria me deixando casado com ela só para ter o gostinho de me fazer sofrer.

Bem que ela podia levantar e fazer alguma coisa para eu comer. Para isso ela serve, e muito bem. Aquele ravióli maravilhoso, que só ela sabe fazer, me deixa com água na boca. E aquela lasanha então, meu Deus, é quase um banquete dos céus.

Será que ela deixou alguma coisa na geladeira?

Hum, torta de frango com bacon! Que delícia! Como ela cozinha bem. É uma mulher abençoada mesmo. Para ter mãos de fada para a cozinha só pode ser abençoada. É por isso que eu amo essa mulher. E ainda perguntam porque eu ainda estou casado depois de tanto tempo aturando aquela figura.
Eu nunca consigo responder, mas sempre me vem á cabeça um momento de surpresa. Ele ainda não veio, mas a esperança é a última que morre. Quem sabe um dia ela faça algo que me agrade. É só esperar e conferir o resultado, mas espero que eu não me arrependa depois.

Agora eu vou voltar para o quarto porque já estou alimentado (em partes) e é melhor dormir um pouco...

Mas, espere um pouco. Será que o que eu vejo é verdade? Minha mulher saiu da cama e... meu Deus!
Desculpa caderno, mas me dê licença pois eu acho que vi uma bela enfermeira só de jaleco e calcinha vermelha, pronta para ser consumida pelo desejo armazenado.

Sobre uma adulta, um jovem e traição

Era um dia de verão e ela era um pouco mais velha que ele. Ela com vida formada, apaziguada: tinha profissão. Ele também. Batia continência e fazia muitos cálculos. Só que bem, bem, bem longe dali. Solteiro-jovem, Solteira-adulta. Da mesma cidade, sempre se conheceram. Olhares, nem sempre. Não era aquela história de amor perfeita. O encontro foi por luxúria e um pouco mais. Ela, delicada, ele, brincalhão. Ele ri contando piada, ela ri dele e da situação. Mas embarca.
Viajam, vão para praia. O quarto do hotel é bem melhor que lá fora. Limites não existem. Voltam sem marcas. O sol de Minas Gerais os marcaria muito mais.
Solteiro-jovem, abre a casa pra quem quiser entrar. Cigarros, bebidas e algumas boas e velhas putas. Um sofá quebrado no canto da churrasqueira e um pouco de maconha pra relaxar as mais presas. Tudo ali, escancarado. Sem família, sem amarras, pouco sono e menos juízo.
Solteira-adulta, se exercita todo dia às seis da manhã. Vaidade. Mas da boa. Muitas tarefas, trabalho, pouco sono - também. Memória traz ansiedade. Mas isso não existe no século 21. Ligação curta, suspeita a leva para a casa dele.
Flagra. Traição. Algumas seis vezes traída - ela diz umas poucas palavras fortes e vai embora. Nem chora: é adulta. Conta aos amigos, separa nichos e se tranca em casa.
Uma dormida depois, fogo baixo, o namoro reata. São felizes: parecem. Os peitos até cresceram e o sorriso dele só aumenta quanto mais cigarros fuma.
Fui embora, voltei à rotina. Não ligo, traição é cotidiano. Pros outros. Na capital, informação demais, lembranças de menos. Há coisas que não fazem a mínima diferença.

Prince charming - NOT!

Once upon a time there was a fool!

Yes, that's entirely truth. That's what happens when you fall in love with someone and that's probably the reason why you can not notice when you're cheated on. Or at least that's what happened to every single girl I know, at least once in their lives. I'm not saying that men aren't cheated on, don't get me wrong, they are, in a much smaller scale.

Foolishly or not, women tend to believe in words instead of believing in what is right under their nose, which unfortunately involves tons of lies and cheating. I think that love may work on us in a different way than it works on men. While we are in a relationship is like we were blindfolded, we simply don't see and the worse thing is that we don't see because we don't want to. And that's why we end up thorned.

It is undeniable that I'm writing under the influence of a talk I just had with friends where we all ended up saying that men suck! Which, I have to admit is not entirely truth, men do not suck, they just...well I don't know. But not all of them are worthless. Just like there is share of men that suck, there is a share of women. But let's face it their rate is much bigger.

Paixão com penas

Não é segredo pra ninguém que eu sou atleticano e nunca vai ser. A Malu levantou a polêmica no post dela e eu nem vou entrar nesse mérito. Eu tenho muito interesse em jornalismo esportivo, mas não é por gostar muito do galo. É também, mas é algo maior. É uma paixão pelo futebol que vai além de torcida.

É aquele tesão que te faz acompanhar Funorte x Ituiutaba, na sexta-feira de tarde, pela terceira rodada da Taça Minas Gerais. É o que te faz acompanhar os resultados e os comentários do campeonato turco e ainda ter uma noção de como anda o futebol na Ucrânia. É a paixão mais pura e simples pelo futebol.

E quando essa paixão se estende para outros esportes e você começa a se interessar pelo campeonato mundial de curling, você pode desistir. Seu processo de enjornalistamento foi concluído...

Desculpem as marias, mas a nossa torcida é MUITO melhor

A favor da não-obrigatoriedade da Educação Física

Eu tenho trauma de futebol. Sério, é um pavor para mim. É o tipo de assunto que empata com os sermões da minha mãe sobre verduras no quesito "me causar mau-humor". Mas não achem que é só chatisse da minha parte não. É um passado doloroso: quando entrava eu e o futebol em campo não havia maiores rivais.

Eu, quando criança, era aquele tipo de aluno que toda mãe queria que seu filho fosse. Se eu perdesse décimos nas provas, meus pais já me esperariam com o rodo na mão para limpar as minhas lágrimas. No entanto, nas sextas-feiras depois de 12h meu taqui-cardia começava: na próxima sexta eu teria Educação Física de novo.

Confesso que na queimada eu era o rei. Mas os meninos da minha sala sempre gritavam para o professor como cachorros atrás da roda de um carro: "FUTEBOL, FUTEBOL, FUTEBOL". O professor, muito bondoso, cedia à vontade dos rapazes, mas se ele soubesse o que causava em mim, chegaria, decerto, a cancelar a educação física no colégio.

Leonardo e Pedro, os melhores da turma, tiravam no par ou ímpar para ver quem escolheria o time primeiro. João pra cá, Thiago pra lá, Pedro pra cá, Fernandinho pra lá e por aí ia. Eu encarava o chão pedindo muito forte para que eu pudesse sumir dali. Balançava vagarosamente de um lado para o outro o meu corpo, com as mãos no bolso e suando frio. Como era de se esperar, ficava entre eu e um colega meu que não tinha amigos por ter certo grau de autismo. Eu era o último a ser escolhido, meus caros. O ÚLTIMO. Minha posição? Obviamente a zaga. Meus colegas de time me avisavam: "Breno, não precisa fazer nada, sério. Pode só ficar parado perto do gol. Se ver a bola vindo perto de você, chuta ela pra longe.". Com as pernas tremendo, eu respondia que sim.

Quando eu tocava na bola, ao menos causava um tumulto no jogo. Ou eu caía, ou a bola ia pra fora da área e virara (como diz mesmo? escanteio?) escanteio, ou, acreditem se quiser, eu fazia um gol contra. Só de ver a bola vindo em minha direção, eu só pensava: "CHUTA, CHUTA!", não importando a intensidade e a direção. Bom, meus colegas tinham pavor de mim. Cheguei mesmo a treinar futebol com meu pai em casa, mas o que me divertia mesmo era cantar Spice Girls. Fica aí a dica.

Ter time ou não ter, eis a questão.

Nessa semana, o mundo jornalístico-esportivo andou se questionando. A pergunta é bem velha, mas, nos últimos dias o assunto recebeu atenção especial: Jornalista esportivo pode anunciar a sua preferência pelo seu time?

Como toda boa discussão, tem gente dos dois lados. Alguns defendem a objetividade da atividade jornalística, daí o jornalista estaria terminantemente proibido de dizer abertamente para qual time torce. Outros já enxergam isso como hipocrisia ou demagogia. Falar qual é o seu time é quase que parte fundamental da profissão do jornalista esportivo. E aí, qual é o veredicto?

Pessoalmente, acho que essa visão de jornalismo como uma atividade neutra e objetiva, desmunida de opiniões anteriores é BALELA! Todo mundo tem uma formação e uma vida antes de escrever algo. A objetividade é meramente um método, uma formulinha pra diferenciar o texto jornalístico de todos os outros que existem. Além disso, hoje a gente assiste a um "fenômeno" jornalístico muito interessante, que nos últimos anos tem ganhado muita força com a chegada da Internet: o jornalismo de opinião. E o que são os jornalistas esportivos além de jornalistas de opinião? Não faz sentido uma matéria contar objetivamente como ocorreu uma partida de futebol. Sempre há comentários sobre a campanha que aquele time vem fazendo, como seu jogo foi superior ao outro, como a torcido se comportou e de como o outro encarou a derrota. Isso tudo depende muito da subjetividade do jornalista. Sempre vai doer no coração de um cruzeirense relatar uma partida humilhante em que o time foi eliminado ou perdeu o título. Mas esse desgosto é bem mais comum para os atleticanos. (Ops! Acho que acabei de contar meu time para vocês)

Pra completar a discussão, a CRIA postou no Facebook um artigo do Comunique-se, que é um portal de comunicação que busca discutir questões que envolvam a atividade e o dia-a-dia do jornalista. Confira aqui!


Saudações cruzeirenses!

Ode à David Beckham

Momento confissão não sou fã de futebol. Confesso que alguns jogos são bem emocionantes de assistir, principalmente quando se trata da Copa do Mundo. Mas nem assim minha presença em frente a telinha é garantida, a não ser que esteja presente em campo um jogador específico: David Beckham. Quer me fazer assistir um jogo inteiro sem reclamar sobre tédio ou qualquer outra lamúria? É só falar que ele está em campo.

A verdade é que além doa motivos óbvios que me prendem na frente da televisão, a beleza mais próxima da perfeção. Beckham joga muito! Joga tanto que filmes foram feitos usando seu nome, como é o caso de Bend it like Beckham - traduzido como Driblando o Destino. Nele duas garotas compartilham o sonho de serem jogadoras de futebol, tão boas quanto Beckham.

Pra quem não acredita que ele é mais do que um rostinho bonito, deêm uma olhada nesse vídeo!