The King's Speech



Quem sou eu para falar sobre cinema? Uma mera espectadora, essa seria a resposta ideal, a resposta na qual eu me encaixo perfeitamente. Nunca fui uma cinéfila, mas sempre apreciei um bom filme. Gosto dos tão criticados blockbusters, e nunca fui grande fã do que se chama cinema cult.

Quando se trata da maior premiação de cinema - o Oscar - sempre assisti, nem sempre concordei com os resultados, assim como grande parte dos espectadores do evento, mas assistia pelo simples fato de poder ver meus atores favoritos "desfilando" pelo tapete vermelho, ou fúcsia - de acordo com o cantor e ator Justin Timberlake em entrevista ao vivo para a TNT diretamente do evento. Assisti e assisto para ver aqueles vestidos estonteantes, e quem sabe ver que o filme pelo qual estava torcendo levou a estatueta. Mas a verdade é que nos últimos anos não tive um favorito, muito pelo contrário achava que pouquíssimos filmes eram merecedores da nomeação e consequentemente da premiação. Mas esse ano, na 83ª edição do Oscar, foi diferente, eu tinha um favorito, um favorito que tinha concorrência a altura. O Discurso do Rei e Cisne Negro disputavam acirradamente pela estatueta dourada, e o meu favorito foi o vencedor.

Sei que ao dizer que O Discurso do Rei era meu favorito estou indo contra muitos. É inegável que Cisne Negro conta com um elenco fenomenal, diga-se de passagem a brilhante atuação de Natalie Portman - para quem eu estava torcendo, uma narrativa que prende o espectador e um roteiro de dar inveja a muita gente. Mas a razão do meu favoritismo pelo O Discurso do Rei se resume em duas palavras Colin Firth, nesse filme sua atuação por si só já é o suficiente para que esse longa tenha levado a estatueta.


Firth ganhou sua fama na série de televisão Orgulho e Preconceito, baseada no romance de Jane Austen - Pride and Prejudice, que foi ao ar em 1995, nela ele representava Mr. Darcy.


Foi só no ano de 2001que alcançou a fama nos cinemas, contracenando com Reneé Zellweger e Hugh Grant na versão cinematográfica do livro O Diário de Bridget Jones. No ano de 2008 participou da adptação para o cinema do musical Mamma Mia!, grande sucesso de bilheteria tendo no elenco a consagrada Meryl Streep. Em 2010, teve sua primeira indicação ao OSCAR, concorrendo na categoria de melhor ator pelo filme A Single Man. E logo no ano seguinte teve sua nomeação pelo filme O Discurso do Rei.

O filme dirigido por Tom Hooper - vencedor da categoria de melhor diretor, escrito por David Seidler e que além de contar com a atuação merecedora do OSCAR de melhor ator ainda contou com o talento de Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter - ambos indicados a categoria de melhor ator coadjuvante. O filme retrata as dificuldades que o Rei George IV enfrenta para superar sua disfemia - gagueira. Para tanto sua mulher contrata contrata Lionel Logue, um fonoaldiólogo. O Rei confia em Logue para ajudá-lo a fazer um importante discurso no rádio no começo da II Guerra Mundial.

O roteiro do filme inclui citações reais extraídas dos diários de Logue, que foram descobertos nove semanas antes do início das filmagens.


Colin interpreta com a maior verossimilhança o ex Duque de York e futuro Rei da Inglaterra, de forma que torna esse o melhor filme, com a melhor atuação do ano de 2011, e portanto o merecedor dos prêmios que levou na noite do dia 27 de fevereiro do mesmo ano.



O melhor dos pecados

Os sete pecados capitais estão aí e temos certeza que eles foram feitos para serem desobedecidos. Quem nunca sentiu acordou com aquela preguiça, sentiu inveja do coleguinha, ficou muito puto com alguma coisa, andou até em casa para economizar o dinheiro da passagem/gasolina ou ficou horas na frente de um espelho tentando escolher a roupa certa ou arrumando o cabelo?

Todo mundo. E não adianta mentir porque tudo isso é super normal. Ira, gula, avareza, preguiça, luxúria, vaidade e inveja fazem parte da vida de todo mundo. E todo mundo tem seu pecado favorito, não adianta negar. Como eu sei que vou pro inferno direto, é lógico que eu tenho o meu. A Gula.

De acordo com a sempre confiável Wikipédia, a "Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida ou intoxicantes. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, uma forma de cobiça. Ela seria controlada pelo uso da virtude da temperança."

Ou seja, muito de tudo. Comida e bebida sem limites... quer pecado melhor que esse? luxúria, preguiça

E ser guloso não quer dizer que você é gordo. Significa que seu pensamento é gordo, isso sim. É não se sentir saciado e continuar comendo até explodir. Beber até cair. Agora imagine misturar os pecados...

Gula + luxúria = bacanal; gula + ira = guerra de comida; gula + vaidade = cozinheiro; gula + inveja = Quico, do Chaves; gula + avareza = fome/assalto a geladeiras alheias; gula + preguiça = obesidade mórbida. #viagemtotal

Por isso que as imagens da Gula são as mais legais de todas...




O almoço dos horrores

Uma olhada de canto de olho para as opções. Uma cara de "ah, ok" e então é pegar o prato e bandeja e começar a se servir. Alface repicado e velho, arroz empaçocado, feijão com gosto de "meu knor", lasanha com o presunto duro e o macarrão frio e uma beterraba que seria obrigatória caso estivesse com sua mãe. Isso tudo pelo preço de 7, 95. É, amigo, você está num restaurante.

Toda a comida tem um gosto de unicidade. Pra completar, um suco sabor colorido para descer todo o sal, knor e molho. À sua volta pessoas desconhecidas, de olhar perdido, mastigado tudo e engolindo pensamentos e preocupações. Daqui há pouco tem aula, reunião da CRIA e você ainda tem correr para o compromisso da tarde, seja ele inglês, estágio ou estudo. Perdido nos pensamentos, você olha para o prato e há tanto pra comer ainda. É melhor correr! O almoço, que antes seria um momento de prazer, passa a ser um tenebroso intervalo entre a correria de antes e a correria por vir. Você corta o bife, mas não corta a preocupação. Você tritura a comida, mas não tritura seus problemas. Você engola o que está na boca, mas talvez não engula o choro.

Em resumo, você está numa ópera do horror! Olha para a mesa de plástico e começa a pensar nos seus tempos de almoço em família. Sua mãe vindo em câmera lenta segurando uma panela de frango xadrez. Sua família em volta de você sorrindo e bem à sua frente uma jarra de limonada suíça NATURAL. Todos muito educados, passam talheres uns para os outros enquanto perguntam sobre sua semana. Todo isto harmonicamente decorado com as fumaças aromáticas saindo da panela, dando ao ambiente calor, ansiedade e alegria. Mas a garçonete lá dentro deixa cair um prato e te acorda do seu sonho sem o menor respeito. E, novamente, você está em um restaurante.

Seu celular toca. Seus compromissos te gritam. Seu corpo diz "não". Sua mente diz "sim". Talvez você exploda, mesmo não tendo comido tanto assim...


Eu ♥ torta holandesa

Quando penso em comida, penso na melhor coisa que existe no mundo: torta holandesa. E quando penso em torta holandesa, penso naquela torta holandesa da padaria/doceria/cafeteria ou seja lá onde for que comemos.
Por isso estou postando uma receita que se aproxima tanto da perfeição na Terra:


INGREDIENTES
Massa
03 pacotes de bolacha maria ou waffer triturado
200g de manteiga derretida (sem sal)

Recheio
200g de cream cheese
200g de chocolate branco
1 lata de creme de leite
1 colher (chá) de baunilha
2 colheres (sopa) de açúcar refinado
2 colheres (chá) de gelatina incolor
2 claras em neve

Cobertura
300g de chocolate meio amargo picado
1 lata de creme de leite sem o soro
4 claras batidas em neve (firme)
1 colher (sopa) de gelatina incolor sem sabor
3 colheres (sopa) de açúcar refinado

Montagem
1 pacote de bolachas calipso

PREPARO
Massa
Triture os biscoitos no liqüidificador ou processador e misture a manteiga meio derretida (no microondas basta 1 minuto). Forre o fundo de uma forma de aro removível com filme plástico. Hoje encontramos em casa de produtos para festas descartáveis rodelas descartáveis de isopor, isto facilita para transporte ou comercialização. Para as laterais da torta distribua as bolachas calipso na fôrma, em pé e com a parte de chocolate virada para o aro. A torta fica muito mais bonita se colocar as bolachas calipso na forma antes de se preparar o fundo. Cuidado ao apertar a farofa de bolachas no fundo para não quebrar as bolachas calipso.
Leve à geladeira para firmar.

Recheio
Derreta o chocolate em banho maria ou no microondas. Bata o cream cheese na batedeira com o açúcar até ficar bem cremoso. Junte o chocolate derretido, o creme de leite e a essência. Hidrate a gelatina com um pouco de água e leve ao microondas por 20 segundos apenas para dissolver. Misture a gelatina à mistura da torta. Bata as claras em neve e misture delicadamente com o outro creme. Coloque o recheio na forma com a massa e laterais preparadas. Leve à geladeira por 6 horas para firmar o creme do recheio.

Cobertura
Aqueça o creme de leite , misture o chocolate picado e reserve. Bata as claras em neve, coloque o açúcar refinado e bata mais um pouco até formar um suspiro. Derreta a gelatina no soro do creme de leite aquecido e misture ao suspiro. Junte a mistura do chocolate e creme de leite.

(Receita via Bem Feitinho)

Caldo Rochoso

Cozinhar é frustração. Já tentei de tudo (até práticas vegetarianas) e, após a espontaneidade adolescente - em que miojo era assunto recorrente nos meus almoços - nem mesmo o macarrão instantâneo tá saindo como antes. Se não agarra na panela, afoga na quantidade excessiva de água. As batatas fritas redondinhas, minhas preferidas, grudam umas nas outras e saem engorduradas e cruas. Receita é aquela coisa. Algumas, de tanto fazerem-se fácil, irritam mais quando saem pelas avessas. Minha mãe, vinda da roça, arrebenta no fogão. Triste saber que não herdei seus dotes rurais, mas me animo quando, faminto em minhas entranhas, invento algum exótico exemplar culinário. Tipo farofa de ovo com hambúrguer. Ou sanduíche de beterraba. Pipoca com sazon é clássico, mas um pouquinho de chocolate em pó misturado na gordura resulta num protótipo de milho estourado pouco comum. Meus experimentos não são, necessariamente, uma delícia - mas saciam quando na seca. Sempre levei em conta o lema de minha mãe, "quem tem fome come até sopa de pedra". Foi esse mesmo argumento que ela utilizou quando, enquanto a mídia reciclava as notícias do Haiti, resolveu instaurar uma ditadura na cozinha: durante alguns meses, reaproveitou alimentos por quase sete dias, ressaltando que alguém em determinada localidade desprovida de recursos comeria... bem, comeria aquilo sem pestanejar. Nos fins de semana tem sempre almoção, é claro, e eu quase me esqueço de que cozinhar é frustração - mas basta chegar aquela quinta-feira tenebrosa em que o frango frito tem que ser requentado sem microondas (só pra detalhar a missão, na frigideira, por exemplo, a coxa queima mas permanece fria por dentro) pra que eu me lembre de minha situação. Recordo: chamo-me Chris e moro com Rochelle. No Brooklyn.


    

"Comer,comer,come,comer,é o melhor para poder crescer!"

Quem não lembra dessa música?! Bom o pessoal dos anos 90 lembram com certeza!



"Quero acordar bem cedinho,fazer um
lanchinho,laranja,café,leite e pão.
Quero também
chocolate,iogurte,abacate,biscoito,presunto e melão.
Quero comer toda hora,uma torta de amora,bolinha de
anis ou caju.
Eu gosto mais de torrada,uma baita fritada de carne de
cobra e tatu.Eu gosto mais de torrada uma baita fritada
de carne de cobra e tatu.
Até de tatu?
De cobra faz mal?
Mas que comilão!
Não,não,não!
Comer,comer,comer,comer,é o melhor para poder
crescer!
Comer,comer,comer,comer,é o melhor para poder
crescer!
Quero comer no almoço,um bife bem
grosso,polenta,batata e arroz.
Prefiro carne assada,banana amassada com
leite,sucrilhos depois!
Quero ensopado de frango,suspiro,morango,pudim e
manjar.
Eu vou ficar numa boa,comendo a leitoa com broa depois
do jantar!
Eu vou ficar numa boa,comendo a leitoa com broa depois
do jantar!
Depois do jantar?
Sera que vai dar?
Não vai agüentar!
Não,não,não!
Comer,comer,comer,comer,é o melhor para poder
crescer!
Comer,comer,comer,comer,é o melhor para poder
crescer!
Se eu não como,me da nó nas tripas,me ataca a
gripe,não posso dormir!
Tira meu sono e fico tão fraco que até um mosquito me
vai destruir!
Se eu não como não posso brincar,não consigo falar e
começo a tremer!
Eu como de uma só vez a comida de um mês até minha
barriga crescer!
Eu como de uma só vez a comida de um mês até minha
barriga crescer!
Comida de um mês?
Comendo outra vez?
De uma só vez!
Comer,comer,come,comer,é o melhor para poder crescer!
Comer,comer,comer,comer,é o melhor para poder crescer!"


O motivo não importa, se é para crescer, ou por estarmos com fome, a verdade é que é muiiito bom! Alguém aceita uma fatia de torta?

Stop!

CEP
Abriu a caixa e derramou a primeira lágrima. Lá dentro estavam todas as suas melhores lembranças da infância. Fotos, brinquedos quebrados, cartas, recordações. Todos juntos e trazendo uma onda de boas memórias.

Pegou uma foto meio desbotada e viu toda a turma da rua reunida. Todos bons amigos na época, mas nem todos resistiram ao tempo. Enquanto alguns se foram, outros permanecem juntos e se falam praticamente todos os dias. Era assim mesmo e ela sabia disso.

Chorou lembrando das brincadeiras juntos. Pega-pega, escolinha, esconde-esconde, pique-cola, amarelinha, pular corda, paulistinha. Tardes inteiras de conversas jogadas fora depois da escola, sentados na rua e aproveitando cada momento que tinham juntos sem nem pensar que um dia eles acabariam.

Olhando mais fundo na caixa, achou a sua primeira carta de amor, que não teve coragem de enviar. Tinha o quê? Oito, nove anos? Algo assim... tinha usado um papel de carta muito bonitinho para escrever que gostava do Dudu e nunca entregou para ele. Uma criança ainda.

No meio dos papéis, a prova da única vez que ganhara na adedanha. Lembra como se fosse ontem que foi a única pessoa que colocou Djibuti como CEP quando saiu a letra D. Ninguém queria acreditar que esse país existia, mas se tinha uma coisa que ela era boa era no CEP. Sabia todos os países de cor, com suas bandeiras e capitais.

Agora não lembrava mais nada disso, mas se lembrava dos momentos. E como eles foram importantes...

--- .. -·-·--

Quando decidimos falar sobre códigos, comecei a imaginar sobre o que exatamente eu falaria e logo me encontrei perdido. Então aviso de antemão: essa postagem falará pouco... sobre muito.

Crescemos em uma sociedade baseada em códigos que definem nossas condutas, o que dizemos (e como dizemos), etc. Segundo um dicionário que eu usei para consulta, código é uma "coleção de leis, regras e preceitos; vocabulário convencional ou secreto para correspondência comercial, diplomática".

Na minha cabeça, eles estão aí para moderar nossas relações com os outros (e aqui me lembro das aulas sobre Linguagem e todas as suas relações com a Comunicação), de tal forma que é só imaginar o código binário por trás dessa tela e o código HTML que acabei de usar para deixar essa frase em itálico.

A questão é: não imagino vida sem códigos. Para você estar lendo esse texto aqui, agora, um inimaginável processo de codificação foi feito. Na verdade, o computador é um grande empilhamento de códigos: alguém encontrou um meio de codificar a corrente elétrica em padrões de bits (os famosos zeros e uns), então codificou-se os bits em comandos, os comandos em sistemas mais complexos e assim por diante... seguindo por um enorme corredor de codificações até chegar aí nos pixels da sua telinha.

Depois de toda essa explicação (que talvez demore um pouco para ser decodificada por sua mente), deixo minha despedida em código morse:

-... . .. .--- --- ... -- . .-.. .. --. .-

God Bless Shannon

Do contrário do que muita gente pensa, o código binário - a famosa linguagem de computador - não é um recurso matemático muito jovem, não. No século III (TRÊS, eu repito!), um indiano o apresentou pela primeira vez. E não foi só esse caboclo que tirou proveito dessa ferramenta. Os chineses utilizaram um sistema semelhante para escrever o I Ching (O Livro das Mutações), enquanto os africanos para a adivinhação, como o Ifá (oráculo nigeriano).

Mesmo com tanta gente utilizando o código binário pra tanta coisa, e mais curiosamente, pra tanta coisa esotérica e mística, o sistema numérico binário tal como é conhecido hoje - 010001001010110010 - só foi documentado propriamente no século XVIII, por Gottfried Leibniz. No século seguinte, George Boole publicou um artigo que detalhava um sistema de lógica fundamental para a criação do código binário dos computadores - a Álgebra Booleana.

Em 1937, num reino muito muito muito distante dos confins da Escola de Engenharia da UFMG, no ninho de toda a tecnologia e buginganguice do século, no maravilhoso e mitológico MIT, um rapazinho sem vida social, mulher, filhos ou qualquer vício (sem mencionar que nessa época não tinha TV a cabo e nem Internet) publicou uma tese que combinava as duas teorias com um circuito elétrico, inaugurando o que chamamos hoje de circuitos digitais. Para não tirar-lhe o mérito vou contar o nome: Claude Shannon. Apesar de toda a minha atitude de bully ao descrever este gênio eu o reverencio e agradeço. Imagine a nossa vida agora se esse cara tivesse tido o que nós chamamos de vida?


Por trás de um olhar, temos uma história para contar


De todos os códigos os que mais passam despercebidos - pelo menos, na minha humilde opinião - são os que expressamos através de nossas expressões faciais ou até mesmo por nossa linguagem corporal. Dentre eles os mais fascinantes são os olhares, é impressionante como um olhar pode transmitir tanta coisa!

Existem diversas especulações sobre o que um olhar pode significar olhar para baixo, por exemplo, pode ser interpretado como um é sinal de timidez ou até mesmo de inferioridade. Enquanto olhar pra cima pode indicar uma dúvida no que se vai dizer. Olhar para os lados é o mais fácil de ser diagnosticado já que ele representa a falta de atenção no que está sendo dito e muito provavelmente será acompanhado de uma resposta como " é mesmo, han ram, foi..." ou simplesmente um balanço de indicando sempre um sim!

Já quando a pessoa olha diretamente em nossos olhos é sinal de sinceridade. Mas ainda existem outras interpretações que, na minha opinião, são extremamente exageradas, por exemplo existem pessoas que acreditam que olhar para baixo é sinal de falsidade, enquanto olhar para o lado direito significa que a pessoa é sua amiga, se para o lado esquerdo sua inimiga... Mas vai saber?!

Os olhares prolongados sem pestanejar são usados para intimidar ou influir sobre os outros, também são utilizados pelas pessoas que gostam muito umas das outras. Um contacto ocular que seja muito longo é sinónimo de manifestação de superioridade, falta de respeito, atitude ameaçante ou vontade de insultar. A experiência de ser olhado quando dura pouco é agradável e recompensadora, contudo, se essa experiência dura mais, vai criar uma sensação de incômodo e de ansiedade.

Mas apesar de todos os significados que podemos encontrar para os olhares é fato consumado que existem diferenças individuais em relação ao uso do olhar, isso vai de acordo com a personalidade de cada pessoa. As pessoas que são extrovertidas utilizam olhares mais prolongados do que as pessoas introvertidas. As mulheres, utilizam mais vezes o olhar do que os homens, especialmente quando estão falando com outras mulheres. Elas usam esse olhar de uma forma bem diferente dos homens, por exemplo, se sentem simpatia por determinada pessoa, olham-na enquanto falam, já os homens olham enquanto ouvem.

A questão é que são nesses pequenos detalhes que temos a oportunidade de conhecer a verdadeira essência das pessoas. Na comunicação, entendida como interação social, a verdade se transmite através da expressão corporal, com os pequenos gestos, detalhes de postura, sinalizações de mãos e dedos, olhares ou tom de voz . São esses elementos que fazem a diferença.

Nossos olhos, nossa expressão nos tornam transparentes, os pequenos detalhes nos entregam. Conhecer o significado destes detalhes é descobrir um mundo novo.

Todo código tem uma tradução


Pea pelínpegua pedo pe peé peum peipedipeopema pefapelapedo pepapera peespeconpeder pede peupema peepevenpetupeal peterpeceipera pepepessopea peprepesenpete peno perepecinpeto pealpegupema pepenpessapegem.

Quem nunca ouviu falar na língua do P, ou no código Morse, ou qualquer tipo de código? Existem inúmeros, códigos de linguagem, de conduta, de etiqueta e é sobre os Códigos que o sem pauta fala essa semana!

Crise de final de curso

Diário mode: on

Falta pouco menos de um ano e pouquíssimas matérias para eu enfim formar. Levando em conta que desde os três anos eu estou em uma sala da aula e agora, aos 22, vou sair dela, estou surtando. Eu tenho absoluta certeza que eu quero dar um tempo nessa vida de estudante e tomar outros rumos. Não sei pra onde, mas eu quero...

Aí bate o medo e vem a crise. O que vai ser quando eu formar? O que eu vou fazer? Onde eu vou trabalhar? Vou conseguir um emprego bacana? Aí bate aquela sensação de que ainda é um bosta e tem muito pra aprender. E tudo começa a ficar cada vez pior.

Já vivi uma pequena crise escolar antes. Quase ninguém sabe, mas antes de fazer jornalismo eu fiz técnico em química. Nem precisa explicar a crise porque ela é bem óbvia. No meio de uma titulação eu percebi que aquela vida de laboratório e análises não ia dar certo para mim. Concluí o técnico e parti para fazer aquilo que eu realmente queria. Foi uma mini crise, com vontade de chutar tudo e largar o meu técnico pela metade. Mas fui em frente...

Agora, às vésperas do meu trabalho de conclusão de curso, me vejo em situação parecida. Na verdade nem é parecida, porque que não estou querendo chutar tudo. Aliás, eu sei que realmente quero brincar de ser jornalista quando eu crescer. O problema é que eu não me sinto preparado. Pra completar, tô com uma dificuldade para escrever que eu nunca tive antes... os textos simplesmente não saem. Os que eu escrevo por obrigação saem, mas não do jeito que eu queria. Os por lazer, que eu sempre curti escrever, simplesmente não saem.

E isso vai se agravar na época do TCC, tenho certeza absoluta disso. Eu sempre fico achando que a apuração não foi suficiente, que ainda falta alguma informação para terminar as matérias, que a minha imaginação não vai funcionar para levar a história para um final legal. Crise. E com C maiúsculo.

Mas eu tenho total certeza de que esse sentimento é bom. Eu nunca li tanto igual eu li nos últimos tempos. Como eu me sinto um bosta que não sabe nada, preciso me informar muito. E é isso que eu tenho feito, torcendo para um dia chegar ao patamar daqueles jornalistas que eu admiro.

Diário mode: off

Depois de você

Sebastião estava debaixo dos meus pés. Já havia me olhado diversas vezes com total reprovação aos meus trajes de perdedor(bermuda e chinelo) e a garrafa de vodka ao meu lado. Não me deixei levar pelo olhar do amigo e fingi que não o via. Sebastião, então, percorreu a sala em sinal de descaso à minha presença. Ambos, porém, sabíamos que agora só teríamos um ao outro e em cinco minutos, o cachorro se dirigiu aos meus pés e depositou a cabeça neles, confortando e pedindo conforto. E nós dois suspiramos alto.

A verdade é que Sebastião era a pior e a melhor companhia naquele momento. A melhor porque Sebastião era o meu relacionamento e da Luísa com pêlos. Como esquecer o dia em que Luísa, vestida com seu sorriso de bandeira da paz, bateu na porta e num misto de vontade de surpreender e ansiedade pelo resultado da surpresa, esticou os braços e colocou na minha frente uma minúscula bola de pelo? Eu, abestiado com o magnetismo da Luísa, ri como uma criança. Luísa parecia naquele momento uma eterna peça teatral da qual nunca saberia qual seria a próxima cena. A peça teatral que tanto surpreendeu no final. E a pior porque Sebastião era o relacionamento dele e Luísa com pêlos. Tão ingênuo e encantador no começo, o cachorro e o relacionamento se quedaram a ficar só comigo, formandos só por lembranças.

Todos os meus amigos ligavam sem parar durante a semana. Diziam conselhos rasos como "sai de casa um pouco", "isso vai passar", "quem sabe é o melhor?" e eu tinha que fingir concordar para não gritar e xingar a ingenuidade deles. Era como se pedissem para eu ficar cego enquanto enxerguei a vida toda, ficar mudo enquanto a vida inteira falei.

A verdade é que Luísa me parecia a mais encantadora, surpreendente e adorável garota possível de existir. Minha vida passou a ser, instantaneamente, um filme de romance, daqueles que todos assistem, se emocionam e desejam em silêncio que o mesmo os ocorra. Luísa, a que tirou do preto e branco a vida, que deixou mais verde as folhas, o mundo com poesia, a Dona Clotilde do andar de cima com mais graça, o emprego mais prazeroso e deu ao tédio um sorriso brando e com gosto de pra sempre. Não era simplesmente o término. Era pintar com as minhas próprias mãos a minha vida de preto e branco, descolorir as folhas, ver o mundo com olhos de cinismo, enxergar a Dona Clotilde como a mais odiosa dos seres, achar o emprego um atraso de vida e dar ao tédio o gosto do desprazer de tudo isso. Tudo o que eu queria era calar as bocas que diziam "vai ficar tudo bem", "isso vai passar...".

Que doloroso ir do 'melhor amigo' para o 'desconhecido', do 'tudo' para o 'nada'. Fechei os olhos e deixei viver de novo nós dois deitados na cama duas semanas antes. De mãos dadas, ninguém falava nada e ninguém pensava nada. Mas eu sentia e sabia que ela também. Sentia um algo difícil de entender e explicar, um algo puramente bom, uma grande satisfação, a alegria pura e nua e um sorriso bobo manifestando tudo isso. Um "tá tudo bem" 100% verdadeiro.

Sebastião remexeu a cabeça nos meus pés. Minhas lágrimas pareciam ela saindo de mim pouco a pouco e mais duas amostras dela dentro de mim foram embora. Agora era eu, Sebastião, a Luísa e tudo antes.

Quando se tem muito a dizer

Depois de alguns toques no controle remoto e de muitos ruídos de canais sem sinal, o jornal mais importante anunciava: "A crise financeira mundial chega ao país. As primeiras consequências são visíveis: em menos de uma semana, dois bancos nacionais estão fechados".

— E daí? — falou o garoto que encarava a tela.

O mundo inteiro desmoronando por causa do dinheiro e ele ali, sentado no sofá com um pote de sorvete no colo em uma bela noite de sexta-feira. Não que belas noites de sexta-feira tornassem aquilo pior (ele nunca foi de sair mesmo), mas o que realmente importava naquele instante era o seu mundo, o seu coração.


Estava em um desses conflitos adolescentes. Já estava começando a controlar melhor suas crises de ciúmes (passava a achar até engraçado. Afinal, qual a graça de ter alguém ao seu lado sem a sensação de poder perdê-lo?), a domar seus pensamentos.

Mas ainda havia um vilão: o passado.

Como se pode apagar tudo assim? Fingir que nada aconteceu?

Parecia cruel a ideia de não ser capaz de perdoar as atitudes dos outros, mesmo que tenham se tornado história, que não estejam vivas como ele agora. Porém, sentia que aquelas lembranças em sua mente estavam mais vivas do que ele. Parecia tudo tão recente, tão frio e cruel. Por que tinha aquilo na cabeça?

Estava vivendo para amadurecer, tornar-se homem, tornar-se mais forte. Mas ainda permanecia uma ânsia de querer expelir tudo aquilo de sua mente. Preferia deixar tudo o que sabia sobre a pessoa amada partir sem sequer dar adeus.

Fechou a porta e foi de encontro ao doutor. Tinha horário marcado e muito a dizer.

Desfile

Crise, hoje em dia, todo mundo tem das suas. Não quero afirmar o clichê, ressaltar que o estado crítico, assim como o amor e quantas outras particularidades, terminou em tanto uso que perdeu-se o sentido exato. Eu seria, sobretudo, hipócrita se assim fizesse. Não culpo aqueles que, mesmo sem saber com precisão o significado de colapso, dizem fazer parte de um. O fato é que estar em crise é fácil de explicar. Como um protocolo social, ninguém mexe e todo mundo respeito o estar em crise de cada um. Crise no casamento, no trabalho, na família, na escola. É como embrulhar aquela situação específica, de tão árduo trato nas palavras, em um recipiente que todos entendem. Assim, o divórcio se faz coerente, a demissão justificada, as brigas tão, tão plausíveis e as notas baixas até legítimas. Que ninguém reclame das crises: no já famigerado século em que vivemos, elas são um ótimo assessor, um muro a nos segmentar das visitas indevidas. Cada um vestindo a sua, ninguém se mete a falar mal da de ninguém. Nossas crises contemporâneas são, em verdade, a indumentária que Dom Casmurro deu à possível mentira da menina dos olhos de ressaca:


"Se, como penso, Capitu não disse a verdade, força é reconhecer que não podia dizê-la, e a mentira é dessas criadas que se dão pressa em responder às visitas que a 'senhora saiu', quando a senhora não quer falar a ninguém. Há nessa cumplicidade um gosto particular; o pecado em comum iguala por uns instantes a condição das pessoas, não contando o prazer que dá a cara das visitas enganadas, e as costas com que elas dessem... A verdade não saiu, ficou em casa, no coração de Capitu, cochilando o seu arrependimento. E eu não desci triste nem zangado; achei a criada galante, apetecível, melhor que a ama"


E por que não? ;)

Porque uma imagem vale mil palavras.

Já que o assunto é crise, vamos falar de uma que está tomando espaço e chamando a atenção de todo o mundo. Ao invés de falar aqui os "porquês" da crise, deixarei fotos. Todas fazem parte do blog de fotojornalismo do New York Times.



Tem uma crise que sempre reaparece

A palavra Crise vem do grego Krisis e seu conceito é usado na sociologia, na política, na economia, medicina entre outras áreas do conhecimento. Como podemos ver crise é algo presente em nossas vidas, no entanto existem alguns tipos de crise que são recorrentes na história da sociedade, são elas as crises econômicas e políticas.

No fim do século 18 e começo do século 19 economistas-políticos ingleses, como, Adam Smith e David Ricardo, não se preocupavam com o estudo das crises econômicas. Suas preocupações eram relacionadas a fixar as leis da economia. Além disso viviam num momento de grande otimismo, de ascensão econômica e social da burguesia européia resultado da expansão da Revolução Industrial do século 18.


Antes da instauração do sistema capitalista, as crises econômicas eram atribuídas a fatores externos como, por exemplo, a má influência da Lua. Foi só Karl Marx no Manifesto Comunista de 1848, que apontou a seriedade da importância das crises. Transformando seu significado, afirmando que elas eram inerentes ao capitalismo.

Foi a partir dos estudos de Marx que os economistas de hoje conseguem entender as crises econômicas e apontar como elas irão afetar a cada Estado.

Aí que CRISE!

O Sem Pauta está de volta, e já começa falando de um assunto que pode ser bem interessante.

Existem crises de todos os tipos. Crises políticas, religiosas, crise da meia idade, crises de adolescentes e até mesmo crises que não são crises propriamente ditas mas que mesmo assim nós conferimos a elas essa denominação. Nessa semana cada um dos autores do Sem Pauta irá abordar esse tema da sua maneira. Confiram!!!