28 de novembro de 2010

Aqui jaz um homem velho, pequeno e teimosinho. Naquele caixão, só com o rostinho para fora, estava ele. Que nunca quis nada além do que podia. Não dava passo maior que a perna. Engraçado isso - ele foi extraordinário. No velório: centenas de pessoas. Amor demais esse homem tinha. A esposa, linda e chorosa. Mas serena. Tem muita fé. Saudade, saudade, saudade. É tudo o que a família sente. Ele foi duro, mas com razão. Viveu quieto e hoje tem paz. Eu sei. Numa capelinha tão abafada, poucos ventiladores e gente demais respirando... chorando. Os mais idosos sentados. Os netos perplexos, negando muito. Uma menina, uma neta, a do meio. Chorou como sempre chorava. Faz cara feia, torce a boca e soluça muito. Aparecia e ia embora. Não se lamentava pela perda. Ela não havia perdido nada. O avó estava ali. No caixão e em uma foto 3x4. Cemitério morro acima: pessoas demais ainda. Sol forte. A esposa agradece, pede reza. Pai nosso e Ave Maria. O homem foi sepultado. A neta fica. Chorando manso, olhando do túmulo vizinho. Rapaz do lado, abraçado, chamando. Ela vai embora. Mão dada com a mãe. Ela de cinza -Mistura de luto e paz. Do lado da bochecha esverdeada do cadáver do avô, percebi que era ela. Colocou uma foto. Eternizou-se com ele. "A gente se vê. Eu te amo demais!" Não era só neta - mas amiga. Por isso que o corpo foi. Ela entendia pouco: seu primeiro enterro. Ela sabe que a foto não vale nada. Representação pura. Não sabe se o paraíso é verdade. Mas fez metáfora e se enlaçou com ele. Foi amiga: deixou ir. A paz tomou conta. Ficou a saudade. Mas só do toque. Avô e neta não se largam nunca. Ainda mais dois tão amigos.

Caro amigo,

Não sei o motivo mas quando decidimos o tema dessa semana a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma música que eu adorava cantar quando era pequena. Na época eu nem sabia direito o que exatamente eu estava cantando, só achava o ritmo legal, agora já vejo seu significado. Vejo na música em forma de carta uma melancolia, a esperança de que algo melhor está por vir e como as lembranças se tornam nossas grandes amigas ao longo de nossas vidas. Talvez essas sejam minhas abstrações ao ouvir a música que fala de um ano que está por vir... talvez não... mas é sobre nossas lembranças que vou escrever.

São nossas lembranças que nos trazem de volta aqueles momentos de alegria, que trazem a tona as tristezas e conflitos que nos tornaram quem somos hoje. São as lembranças que nos acompanham por toda a vida sem nunca nos abandonar, elas sempre estão logo alí, sempre prontas para nos fazer companhia. As lembranças são nossa forma de marcar o tempo, os anos que passam não são esquecidos, os momentos que nos marcam estarão ao nosso alcance nos anos que estão por vir... basta... não esquece-los.

Essas amizades são para a vida toda e todos temos elas sem nem mesmo nos darmos conta!

Mas chega de filosofar certo!? Todos devem estar se perguntando que música é essa? E aqui vai ela...

L'Anno Che Verrà
Caro amico ti scrivo così mi distraggo un po'
e siccome sei molto lontano più forte ti scriverò.
Da quando sei partito c'è una grossa novità,
l'anno vecchio è finito ormai
ma qualcosa ancora qui non va.

Si esce poco la sera compreso quando è festa
e c'è chi ha messo dei sacchi di sabbia vicino alla finestra,
e si sta senza parlare per intere settimane,
e a quelli che hanno niente da dire
del tempo ne rimane.

Ma la televisione ha detto che il nuovo anno
porterà una trasformazione
e tutti quanti stiamo già aspettando
sarà tre volte Natale e festa tutto il giorno,
ogni Cristo scenderà dalla croce
anche gli uccelli faranno ritorno.

Ci sarà da mangiare e luce tutto l'anno,
anche i muti potranno parlare
mentre i sordi già lo fanno.

E si farà l'amore ognuno come gli va,
anche i preti potranno sposarsi
ma soltanto a una certa età,
e senza grandi disturbi qualcuno sparirà,
saranno forse i troppo furbi
e i cretini di ogni età.

Vedi caro amico cosa ti scrivo e ti dico
e come sono contento
di essere qui in questo momento,
vedi, vedi, vedi, vedi,
vedi caro amico cosa si deve inventare
per poterci ridere sopra,
per continuare a sperare.

E se quest'anno poi passasse in un istante,
vedi amico mio
come diventa importante
che in questo istante ci sia anch'io.

L'anno che sta arrivando tra un anno passerà
io mi sto preparando è questa la novità

O Ano Que Chegará
Caro amigo te escrevo assim me distraio um pouco
E como você esta muito distante mais forte te
escreverei De quando você partiu ha uma grande
novidade O ano velho acabou afinal
Mas alguma coisa ainda não vai

Se sai pouco a noite inclusive quando é feriado
E tem quem colocou sacos de areia bem perto da janela
E estamos sem falar por semanas
E para aqueles que não tem nada a dizer
resta muito tempo

Mas a televisão disse que o novo ano
Trará uma transformação
E todos estamos já esperando
Será trés vezes natal, e feriado todos os dias
Cada Cristo descera da sua cruz
Também os pássaros retornarão

Se terá o que comer, e luz o ano todo
também os mudos poderão falar
enquanto os surdos já o fazem

E se fará o amor, qualquer um como quiser
Até os padres poderão se casar
mas somente depois de uma certa idade
E sem grandes problemas, alguem vai desaparecer
Serão talvez os muito espertos
E os cretinos de qualquer idade

Veja caro amigo que coisa te escrevo e digo
e como sou contente
de estar aqui nesse momento
veja, veja, veja, veja
veja caro amigo que coisa se deve inventar
para poder se rir encima
e continuar a esperar

E se esse ano passasse em um instante
veja meu amigo
como se torna importante
que eu esteja presente nesse momento

O ano que está chegando daqui um ano passará
Eu estou me preparando, é esta a novidade

Meu amigo

Essa semana o Sem Pauta vai falar de um daqueles temas que ninguém de fato sabe o que é exatamente: Meu Amigo. A única coisa que sabemos é que o assunto dá pano pra manga! Vamos ver o que vai sair essa semana dos nossos queridos blogueiros!

Uma vida em quadros

Encontrou-a cruzando uma avenida movimentada;

Ela pareceu não notar quando ele passou ao seu lado;

Deu meia volta e passou a segui-la de longe, observando o seu andar sensual;

Ela olhou o relógio e viu que estava atrasada;

Apressou o passo. Precisava chegar em casa antes do marido;

Começou a andar mais rápido quando viu que ela se afastava;

Cortou caminho para segui-la mais de perto;

Ela chegou ao portão de casa e começou a procurar sua chave;

Ele surpreendeu-a, chegando de mansinho;

Entrou em pânico e começou a dar acertar a bolsa na cabeça dele;

Finalmente se reconheceram;

Aos beijos, entraram em casa;

Se amaram no sofá;

Dormiram, sem se preocupar com o marido que chegaria em casa em menos de meia hora...

Continua no próximo volume

Um gibi e um café

Fechou os olhos em contentamento e abriu a porta daquela grande revistaria. Era o lugar que mais lhe dava a sensação de paz e de novo. Todo o resto conseguia cair na mesmice tão rápido, mas ali sempre havia um sentimento muito grande de possibilidades, como que só coisas boas pudessem ocorrer. E como precisava de coisas boas... Não! Não era hora de pensar naquilo. Próximo parágrafo!

Andou vagarosamente pelo lugar, passando os pés levemente pela tábua corrida, sentido o chão corresponder com um barulho tão familiar à sua presença e ao seu peso. Sentou em uma das mesas e se pôs a olhar e sentir que estava ali, e que tudo estava bem, mesmo que aparentemente. Opa! Nada disso. Levantou as mãos e sorrindo, chamou a atenção da garçonete. Óh, que estranho era sorrir: se sentiu desconcertado, besta. A verdade é que carregava uma feição séria há muito tempo consigo. A típica feição que não tem a intenção de revelar o que há por dentro, apenas nos proteger e aos demais do que há escondido. Ah, que venha o café!

A cena a seguir lhe pareceu quase cinematográfica: a câmera acompanharia a garçonete de guarda-pó xadrez, que chegaria à mesa, depositando o café em frente a ele. Num close, ele sorriria, e os telespectadores saberiam que algo estava por vir. A verdade é que o tempo passou e nada demais aconteceu, a não ser uma mosca pousar em seu braço e voar para longe. Mais nada. Que ilusão imaginar que daria um filme sua vida. Aquela enorme Antártida fria e desabitada que havia transformado sua única chance de ser e estar. Ah, quanta bobagem sua mente era capaz de pensar!

O café havia esfriado. Impossível de beber. Olhou para ele e se interessou pensando que era o mesmo café, mas a temperatura fazia tudo mudar. Haveria ele mesmo se transformado num café frio? Ah! Estava mais do que na hora de pegar um gibi. Correu à prateleira e passando os dedos por aquela vastidão, deixou o destino lhe escolher o ideal quando seu dedo resolvesse parar. Feito isso, pegou-o e voltou-se à mesa.

Sentado, com o gibi em mãos, recordou como que as histórias em quadrinhos e gibis lhe lembravam muito seu pai, que todo aniversário lhe presenteava com os gibis mais marcantes de sua infância. Ai, seu pai lhe irritava agora! Sempre perguntando quando sairia com os seus amigos, quando arrumaria uma namorada, quando pararia de estudar como se pudesse deter todo o conhecimento do mundo, quando seria um adolescente normal... Ele não lhe entendia. Ele estava errado.

Ele estava errado.

Balançou a cabeça afastando tudo da mente e pôs-se a ler o gibi. A garçonete veio para recolher a xícara. Depositou o olhar sob o gibi e depois sob o garoto:

-Isso é um mangá, você está lendo errado.
-Por que?
-Está começando pelo fim.

Mas que puxa!

Fiquei feliz quando definimos o tema do Sem Pauta essa semana. Afinal, estamos falando sobre sobre algo que eu tanto gosto: histórias em quadrinhos. Por isso, estando eu em uma zona de conforto, vou (arriscar) falar sobre muitas histórias em quadrinhos, passando por diversos autores, costurando diversos tipos, títulos, gêneros, etc.

Começando com um parabéns para Alan Moore (o aniversário dele foi semana passada, no dia 18), um dos melhores quadrinistas de todos os tempos. Gosto de duas obras de sua autoria: Watchmen e V de Vingança.

Watchmen eu só tive oportunidade de conhecer assistindo ao filme (que é fantástico, diga-se de passagem). Já V de Vingança é uma paixão. Desde os meus quinze anos, quando vi o filme pela primeira vez no SBT ("pela primeira vez na televisão..."), legendado e com direito a todos os cortes possíveis. Depois disso, resolvi ler todos os quadrinhos - o que não levou mais do que dois dias - e comprar aquele DVD para mim.


Mas toda a minha admiração por quadrinhos não se restringe a Alan Moore. Saindo de roteiros sérios para dramas adolescentes e histórias mais leves (mas não fugindo muito do clássico traço americano), cito Spider-Man Loves Mary Jane. Nunca li, mas adoro os traços e artworks - e porque sou fã do Homem-Aranha e da personagem Mary Jane também.

Outro autor, talvez meu favorito de todos, seja Charles Schulz. Quando o assunto é Peanuts, estou eu lá, defendendo, pagando de fã número um – tanto que tenho as duas edições de Peanuts Completo traduzidas para o Brasil.

E eu não poderia deixar de falar sobre as graphic novels que eu li. Tem Retalhos, que não me agradou tanto, mas não deixa de ser uma leitura para uma noite sem sono, e Persépolis, uma das poucas – se não a única - história adaptada para o cinema que eu gostei.



E é assim. Sigo nessa vida de leituras de quadrinhos e pensando que tudo que faço poderia ser resumido em tirinhas:


Meus heróis não tem poderes

Eu nunca li comics.


E não está entre minhas prioridades fazê-lo. Quanto a este tipo de ficção, sempre fui o espectador de filmes que não lê os livros: a tv me educou sobre super-heróis de maneira eficaz e satisfatória. Mas, por motivo incógnito, dois de meus personagens preferidos tiveram uma ligação tão intrínseca com os quadrinhos que, indiretamente, acabei criando uma paixão pálida, porém sadia, pelos mascarados de bom-caráter.


Michael Novotny - ok, Queer as Folk é um seriado do arco-da-velha que não fede nem cheira pra mais ninguém, mas o modo como os quadrinhos deram uma guinada ao pobre rapaz vazio de perspectivas me é crucial para o desenvolvimento do texto - só soube o que queria quando comprou a loja de comics do bairro: somente seu entendimento inumano acerca dos super-heróis garantiu-lhe aquela sensação de abraço na vida construída, ainda que de maneira excêntrica.


"Porque, talvez de forma não intencional, aqueles super-heróis eram como eu. No trabalho eles são humildes, pouco apreciados... E quando estão com outras pessoas, além de nunca transarem, mantêm distância para não revelarem seu verdadeiro eu. Eles sobrevivem aos vilões, monstros e forças que querem destruí-los. No caso do Superman, por exemplo, temos a kriptonita a qual ele não é imune, mas, no final, sabemos que sobreviverá e será capaz de salvar o mundo. Eu acredito que o mesmo vale para nós. Foi o que aprendi com os quadrinhos."


Sim, ele tem a fé cândida de um infante de cinco anos - e isso é o que mais me encanta. Não é divertido, penso, se aventurar com Clark Kent se você acredita que, no fim, Lex Lutor vencerá.


Já Seth Cohen - isso mesmo, hoje é o dia dos seriados cancelados -, além de ser minha garantia de risada e movimentação das borboletas estomacais, me mostrou que nosso cotidiano, nossas amizades e peripécias ocasionais são tão divertidas quanto uma edição de qualquer comics. Me ensinou que a ficção está aqui mesmo, nessa cadeira que uso pra escrever. Está no começo de manhãzinha falando mal do tempo, no fim de tarde assistindo a reprise de Clube dos Cinco, na madrugada do campeonato de diálogos improdutivos. Seth, além de me imputar o desejo pelo banal de cada dia, praticamente me educou a suportar as coisas com bom-humor e boas referências dos quadrinhos. Cada um dá seu jeito com o que tem - Batman não precisa do anel do Lanterna Verde, que não dá a mínima pra velocidade do Flash, que não carece da força do Superman. Mas, juntos, funcionam melhor.









































O fato é que os quadrinhos acabaram tendo um significado imponente e maior pra mim também. Os quadrinhos, quando observo meus pensamentos, são determinado sonho a ser trabalhado e certa dose de alegria diária. São um insumo imaterial, uma representação. Do que já é, e do que vai vir.

Tudo bem in the rain?

Amados,

desculpem-me a demora, mas não é sem motivo. Estive muitíssimo ocupada durante o fim de semana para montar essa postagem e já deixá-la preparada, mas a recompensa é boa. Vou fazer um relato (breve) de como foi o show de Sir Paul McCartney.

CAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRAAAAAAAAAAAAMMMMBBBBBBAAAAAAAAAAAAA!
- me desculpem, mas está muito difícil de me conter!

Tudo que esse show podia ter sido, ele foi. Paul é maravilhoso, simpático e muito bom de português. Durante as incríveis TRÊS horas de show, esse memorável senhor de 68 anos soltou várias frases que ficarão pra história. Da minha vida pelo menos.

No início do show, com mais ou menos dez minutos de atraso, o homem entra no palco. Calça preta e camisa branca social de lei. Por cima, um blazer roxo. Depois dos vinte minutos de sua retrospectiva nos telões, ele chega pra plateia uniformizada (estavam todos de capa de chuva) e fala:

- Ói! Tudo bem? Tudo bem na chuva? Chove chuva.


Só no típico "oi" gringo, o Morumbi foi abaixo. A gritaria foi intensa e eu não tenho vergonha em dizer que eu também me esguelei. Parecia que o tempo tinha voltado e estavamos no Shea Stadium, na década de 60 no auge da beatlemania.

Depois de cantar Jet, Paul declarou logo que não sabia falar português e que por isso ele falaria inglês. Mas isso tudo ele disse no nosso idioma. Ele foi muito bem treinado. Tinha colinhas nos instrumentos. Tanto que as falas foram basicamente as mesmas que as de domingo, mas valeu. Ele conseguiu se expressar tão bem e se sentiu tão a vontade que começou a fazer trocadilhos com palavras em português e inglês. Daí, o título do post. Quando Paul estava no piano, começava a balançar o corpo e a dizer: "Tudo bem in the rain?" como se estivesse cantando. Depois quando o Morumbi gritava e esperneava a resposta, ele resspondia: "Ótimo!"

Não vou ficar falando de cada música, cada momento. Vou catar algumas frases que o ídolo disse, só pra quem não pode ver. É claro que a emoção não é mesma. Nem vendo pela televisão é possível sentir a mesmo coisa, muito menos pela minha reles escrita aqui no SemPauta. Sentir a arquibancada do Morumbi tremer não é algo que possa ser emitido em palavras ou em qualquer tipo de reprodução.Mas o que vale é a intenção.

Aqui vão algumas pérolas que o cavaleiro da Rainha da Inglaterra proferiu:

"Eu escrevi essa música pra minha gatinha Linda. Mas esta noite, ela é para todos os namorados."
"Essa música eu escrevi para o meu amigo John."
"Essa música é emmm homenagemmm ao meu amigo George."
"Ô, ô Sao Paulo. Obrigado, paulistas! Obrigados paulistinhas."
"É ótimo estar de volta ao Brasil, terra da música linda."
"Vocês são maravilhosos!"

Juro que só de escrever isso aqui me dá vontade de chorar. Paul McCartney é meu ídolo e é uma obsessão compartilhada em família. Meus pais estiveram no show dele no Maracanã, há vinte anos atrás. Os projetos de Paul eram diferentes, mas o que ele significa hoje não é muito diferente do que significava na época.

Agora, o que que isso tudo tem a ver com história em quadrinhos? Quase nada. Eu só queria demais falar nisso e arrumei um jeito. Pra não ficar completamente fora do tema, achei uma matéria falando sobre história em quadrinhos e - adivinhem!- Beatles. Não, não estou metonimizando Paul. Sei que ele é UM beatle e não a banda inteira, mas eu só achei mesmo HQ do grupo. Então fica assim.

A HQ vem em formato de livro e recebe o título de "O pequeno livro dos Beatles". Acho que de pequena ele não tem nada, pois a proposta do autor, Hervé Bourhis, é contar em quadrinhos a história da banda desde 1940 até 2009. O lançamento no Brasil será dia 27 de novembro - ou seja, sábado- em homenagem ao aniversário de 70 anos de Lennon e à volta de McCartney ao Brasil. A previsão de chegada dos livros às livrarias é na segunda quinzena de dezembro e ainda não tem preço fixo. Fikdik pra presente de Natal.

Check it out.


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A história por trás das histórias



Não se sabe ao certo quando surgiram as histórias em quadrinhos, alguns dizem que elas vem dos primeiros registros pictóricos feitos pelos homens pré-históricos, outros dos hieróglifos egípcios, e até mesmo de tapeçarias medievais. Mas foi só com o avanço da imprensa que elas puderam ser disseminadas pela sociedade.

Os quadrinhos surgiram como peças humorísticas - os comics e foi só com o crack da Bolsa de Nova Iorque em 1929 que eles passaram a se aventurar pelo gênero da aventura, foi nessa época que surgiram os super-heróis como o Super Homem, o Tocha Humana. Na década de 40 foi a vez do Batman, Capitão América e a lista só foi crescendo.

Hoje, os quadrinhos são publicados em média impressa e eletrónica e agregam ao seu redor um universo de criações que são adaptadas aos jogos, ao cinema, entre outros.

Entre os elementos de linguagem usados estão balões, sinais gráficos - como por exemplo as onomatopéias usadas para tradução dos sons, estrelas sobre a cabeça de personagens indicando dor ou tontura, e até mesmo o próprio formato do balão pode indicar o volume ou tom da fala e atémesmo informar que se trata de um pensamento.

Os quadradinhos são lidos pelas mais diversas faixas etárias, desde crianças em idade de alfabetização até colecionadores. Sua origem não importa o que importa mesmo é que os quadrinhos vieram para ficar e fazem parte da história de muita gente!

Histórias em Quadrinhos

Você sabe quando surgiram as histórias em quadrinho?! Não! O Sem Pauta dessa semana vai falar sobre esses livrinhos cheios de ilustrações e balõesinhos com falas que já conquistou e ainda conquista milhares de leitores. O que hoje conhecemos como gibis foram responsáveis pelos heróis de uma geração: Super-Homem, Homem Aranha, Mulher Maravilha; pelos amigos de outra: Mafalda, Calvin, Tio Patinhas, Mônica e muitos outros. Se é sobre a história dos gibis, ou sobre as personagens que ganham vida em suas páginas, não sabemos... Mas são as histórias em quadrinhos o tema do Sem Pauta!

Estante, livros e mitos

Eu sempre quis montar minha própria biblioteca. E quando eu falo “minha biblioteca” é porque a biblioteca tem que ser montada com o meu esforço, com as minhas conquistas. Minha casa sempre foi cheia de livros, porque meu pai, em algum momento do tempo e do espaço, era um leitor exemplar. E eu, na minha ânsia de montar minha própria coleção, sempre rejeitei os livros que tinham aqui em casa.

Hoje eu já cheguei a mais de 70 livros, todos cuidadosamente ajeitados na minha estante. Olhando para ela, eu vejo que são poucos livros, mas eu consigo olhar para cada um deles e falar exatamente onde eu comprei e em que situação eu os li.

“Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood” foi o livro que me acompanhou no mês que eu mais fiquei doente sem motivo aparente. “A Coisa” foi lido quando eu tinha 14 anos, às escondidas e morrendo de medo, mas só foi comprado ano passado, quando eu fui assistir Up. “Percy Jackson – O ladrão de raios” foi o livro de fantasia que eu usei pra substituir a trilogia de “Eragon”. A série do Guia do Mochileiro das Galáxias foi toda consumida durante o meu ensino médio/técnico em química.

Mas, sem dúvidas, quando eu olho para a minha coleção, o que me dá mais orgulho é a minha coleção do Harry Potter. “Harry Potter e a Pedra Filosofal” foi o primeiro livro a integrar a minha estante. Eu não posso dizer aquele discurso romântico de que Harry Potter me fez gostar de ler porque eu era meio rato de biblioteca antes dele, mas sem dúvida ele foi a série de livros que mais me marcou. Eu li o primeiro livro quando tinha 11 anos. Li o último com 18. Era eu naquela história. Eu e uma geração de pessoas juntas, acompanhando o final de sua vida adolescente e tendo que, enfim, crescer.

Se eu tenho uma certeza na vida é que quando eu tiver um filho, com certeza eu vou entregar o Harry Potter na mão dele e falar: “Aproveita”! Eu não sei o que Harry Potter vai ser daqui a 20 ou 30 anos. Aliás, esse é o questionamento de muita gente. Mas pensando o que representou Star Wars para a geração de 70, eu imagino que Harry Potter será eternamente um marco. E é assim que começam a surgir os mitos...

Quarteto fantástico

Ontem finalmente assisti a "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" e confesso que uma poção de sentimentos me contaminou: enquanto na fila, acompanhado por tresloucados fãs, que sentados desde as 15h da tarde comiam, colavam fotos nos seus albuns e conversavam freneticamente sobre a série, me dei conta da grandeza do fenômeno Harry Potter.

Ainda na fila, um primeiro sentimento me tomou conta: uma extrema empolgação e ansiedade pelo filme, e uma tristeza por notar que era o início do grande fim. Não haveria mais aquela empolgação, tão diferente das demais, que era a de esperar por algo novo de Harry, fosse um livro ou um filme. Aquela ansiedade tão forte e gostosa de sentir ocorreria só mais uma vez : a de ver as luzes do cinema se apagando, a tela ganhando luz e os sussurros sumindo, uma vez que não mais fariam sentindo: o que é o sussurro sobre algo quando em frente a este algo? Depois, era só não piscar.

Depois, senti ciúmes. Ah, eles são os meus amigos, poxa. De mais ninguém. Se quando na minha infância e adolescência achava a vida tortuosa, ou me sentia solitário, sem ter a quem recorrer por compreensão, eu teria sempre eles. Não havia um trio, havia um quarteto e nossa amizade nunca fora unidirecional. Chorei, fiquei nervoso, apreensivo por eles e eles me faziam e fazem um bem como poucas pessoas reais chegaram a fazer.


Quem sabe a amizade seja enfrentar criaturas e seres do mal simplesmente porque amamos e queremos ajudar alguém, mandar cartas nas férias de verão quanto tudo parece perder o sentido, seja chorar porque uma pessoa abandonou a jornada, consertar o óculos de alguém, sentir ciúmes, dizer “não” aos pais? Quem sabe amizade seja enfrentar filas para comprar um livro ou ver um filme, pular na carteira do cinema quando começa “Edwiges’s Theme”, chorar por personagens que morreram?


É, sim. De tudo isso foi feita nossa amizade. Mas o mais bonito dela foi um fator egoísta: os ensinamentos que eles me deram e que infelizmente, não pude retribuir. Com eles, aprendi a petrificar lembranças, estuporar sentimentos ruins e explorar minha essência com um bom lumus máxima. Obrigado, Harry Potter

Uma postagem filosofal

Eu me lembro da minha época de colegial, quando todos falavam de “hagá pê”. O que era aquilo? Um novo vírus? Uma nova maneira de medir acidez das coisas?

Nada disso. Era um livro super famoso entre meus colegas — e no restante do mundo (tão famoso que hoje existe até banda em homenagem à “heptalogia”). Mas voltando às minhas memórias que envolvem Harry Potter, me lembro que peguei os dois primeiros volumes emprestados com uma amiga. E foi aí o começo de boas aventuras, boas leituras.

Desde então passei a imaginar como seria bom usar Pack na véspera de uma viagem ou Quenterralopus durante as aulas geladas aqui na faculdade (a famosa Sala 02 à noite é praticamente um freezer). E, ah..., se eu não fosse um trouxa, eu viveria de Aparecium para meus textos aqui no blog.

Mas como não posso ter nada disso, me contento com os filmes. Nunca fui numa estreia deles e às vezes nem chego a assisti-los no cinema (eu sei que não sou um exemplo de fã), mas gosto mesmo assim.

Pena que dessa vez não poderei ir. E nem é por capricho, descaso ou preguiça. É falta de tempo mesmo. Mas como pela internet tudo é mais fácil, me dei o trabalho de procurar um vídeo muito bom sobre o tema para compensar minhas faltas:



Óinc Kedavra!

No meio em que cresci, aprendemos a ver certos fatos, personagens e histórias de maneira um pouco... torta. Quando adolescente, foi um terrível trabalho desvincular minhas percepções de associações como "do capeta" ou "de Deus". Harry Potter (que minha tia, muito antes de Homer Simpson arranjar um cerdo de estimação, carinhosamente alcunhou de Harry Porco), obviamente, sempre fez parte do clube passagem-só-de-ida-pro-inferno. Embora eu acompanhe a série desde o começo, o acesso às aventuras do bruxo, até certo ponto, efetivou-se de forma clandestina.































O primeiro filme, por exemplo, eu só pude assistir no SBT - dublado e com as quebras de narrativa da emissora que não sabe introduzir comerciais - tipo, rs, uns dois anos após a estréia no cinema. E ainda tinha que vigiar e mudar de canal toda vez que meus pais se erguiam da cama com sede ou para ir ao banheiro no meio da noite (levantando a suspeita de estar acompanhando secretamente as peripécias de Emanuelle, na Band). A Câmara Secreta foi mais tranquilo: VHS alugado e assistido em casa de terceiros. A partir do Prisioneiro de Askaban, as coisas começaram a se amenizar; no entanto, O Cálice de Fogo se pautou em algumas polêmicas discussões e eu me lembro, vagamente, de uma certa oração para repreender possíveis demônios oriundos de determinado longa-metragem. Juro. A Ordem da Fênix foi um linha divisória: depois dele, a censura familiar cessou. Eu até consegui - ahmeudeusahmeudeusahmeudeus - *ler os livros* e ir à pré-estréia de Enigma do Príncipe sem que fosse necessário conferir a sinopse de outro filme que estivesse em cartaz para usá-lo como álibi.


É por isso que minha ansiedade para a estréia de sexta é maior do que o normal. Porque, pra chegar até aqui, muito sangue foi derramado - não só pro lado de Hogwarts. E, hoje, feliz, eu posso adquirir, além dos livros, fascículos ridículos de banca de jornal.





































Alguém topa uma partida de xadrez bruxo?

E agora, Potterianos?

Como todo mundo já sabe, a história do bruxo de JK Rowling já teve seu fim nos livros e desfruta de seus últimos suspiros nas salas de cinema. A questão agora é, como ficam os atores?

Segundo os sites oficiais de cada um, eles já estão engajados em outros projetos. Para satisfazer a ânsia masculina, vou falar primeiro da musa Emma Watson. Já nos intervalos entre um filme e outro de Harry Potter, ela já começou a se apresentar nas telonas: no divertido Ballet Shoes, como a protagonista Pauline Fossil e dublando a voz da Princesa Pea em The Tale of Desperaux.

Cena do filme "Ballet Shoes"

Princesa Pea da animação "The Tale of Desperaux"

Atualmente, a atriz já está filmando um novo longa: My Week with Marilyn, no qual ela interpreta Lucy. O drama retrata o relacionamento intenso de Marilyn Monroe e Sir Laurence Olivier durante a produção de O Príncipe Encantado. Emma também já está escalada para o papel de uma rapariga novinha que é conquistada por Napoleão - Betsy. O título do filme não é nada mais, nada menos do que Napoleon and Betsy e tem a estreia prevista para 2012.

Além disso, a querida "Hermione" se aventura em outras artes, fora a sétima. Como conselheira criativa, ela ajudou a produzir a coleção de primavera/verão da People Tree, buscando atingir um público mais jovem (que é especialidade da quase-ex-bruxinha). Emma diz que ajudou a People Tree por estar empolgada com a ideia de usar a moda como um meio de diminuir a pobreza e por saber que naquilo ela poderia fazer a diferença. Vai aí algumas fotos da coleção. Meninos, não se preocupem! Não estou transformando a parte que deveria ser dedicada a vocês em "coisa de menina". Para o delírio de vocês, ela mesma é a garota propaganda da coleção.




Acho que já deu de Emma para os meninos, né? Vamos para a parte mais feminina desse post.
Falaremos então de Daniel Radcliffe, por ordem de hierarquia no filme. O protagonista já andou fazendo apresentações bastante ousadas, como em seu papel de Alan Strang, na peça Equus (2008), na qual ele interpretou cenas completamente nu. Para manter a intregidade deste blog, não postarei ilustrações, mas que fique só um gostinho.


No ano anterior, em 2007, o ator se apresentou em dois filmes: Um verão para toda a vida, como Maps, e My Boy Jack, como Jack Kipling - filho do famoso escritor Rudyard Kipling. Eu assisti o primeiro e bem, não achei bom. Por favor, fãs, não me matem. A atuação de Daniel não foi ruim. O filme como um todo que deixou a desejar. Quanto ao segundo, as críticas foram boas. Segundo Gillian Flyn, da Entertainment Weekly, a atuação de Radcliffe foi assustadoramente bom e conseguiu manter-se, ao mesmo tempo, fresh e old-school.

O ator ainda tem alguns projetos em andamento. Um no cinema (sua zona de conforto) The Woman in Black e o outro na Broadway com o remake de How to succeed in business without really trying. Parece que ele quer mesmo se livrar do fantasma do bruxo.

The Woman in Black

How to succeed in business without really trying

Agora que já passamos pelos membros loiro e moreno do sagrado potteriano tripé, vamos ao ruivo: Rupert Grint.

Tudo o que Ron tem de medroso, Rupert tem de ousadia. Até agora, mesmo não tendo aperecido nu em nenhuma peça, é o que mais colecionada trabalhos fora de Harry Potter. São quatro nas telonas (Thunderpants, Driving Lessons, Cherrybomb, Wild Target) e três na telinha (Baggy trousers, Happy Birthday, Peter Pan e The Queen's handbag). Por experiência própria, já digo que em Driving Lessons ele esteve maravilhoso. Eu quase nem lembrei que ele era Ron! Quanto aos outros, vou me limitar a dizer que Rupert é muito bem visto por seus colegas de profissão. Não dá pra colocar a crítica de cada trabalhinho que ele fez. Vão aqui só as fotos mesmo.

Cherrybomb Wild Target


Thunderpants



Driving Lessons

Por fim, ficam nas nossas cabecinhas de meros espectadores e fãs algumas perguntas: depois de dez anos envolvidos na trama de Harry Potter, será que Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint vão saber se despedir de seus personagens? E o público? Será que nós vamos conseguir assistí-los em outros filmes sem secretamente chamá-los de Harry, Hermione e Ron?

E agora, Potterianos? A saga acabou.