Santa semana!

Queridos e fiéis leitores: Como a quinta e a sexta dessa semana não trabalharemos, isso roubaria você da metade dos posts aqui no Sem Pauta. Por isso, decidimos deixar a postagem da semana (a) livre - posta quem quer e (b) sem pauta mesmo... O que sair da cabeça do escritor é o que você receberá (bem, não é tão assim, mas enfim, você entendeu).

O que provávelmente vai acontecer é que você não vai ler, né, seu infiel preguiçoso? Então nos ofendemos com antecedência. Quem conseguir superar sua raiva por você postará.

Os problemas ficam em BH

Nada mais apropriado para o tema "viagem" do que estar postando diretamente de outra cidade. Eis que estou em Juiz de Fora, vistando outra empresa júnior de comunicação, a Acesso. Eu tô aqui a trabalho, lógico, mas ainda fica aquela sensação de férias, de liberdade. Estão acontecendo muitas reuniões, muitos momentos bons, mas a sensação de férias não muda.

Aliás, nada melhor para aliviar um grande momento de tensão do que sair para uma viagem sem previsão de volta. É simplesmente ótimo. Como eu não estou entrando muito na internet, meu aceso a e-mails está limitado (graças a deus). Com isso, metade dos meus problemas vão pro saco...

Sério, não tem nada melhor do que deitar na cama sem a pressão de um dead line, sem os problemas batendo à sua porta todo segundo. Tá, eles continuam por lá, mas você está meio que impotente com relação a eles. Então voc?ê liga o foda-se e aproveita tudo que você tem para aproveitar no local que você está. Hoje é provavelmente o último dia por aqui, então é hora de um happy hour. CRIA, Acesso e Masci... integração entre empresas juniores.

Aliás, quando tiver outro INTEJ me avisem. Eu quero ir de novo...

Anh?

"Somos pobres de experiência". Li isso recentemente em um texto de Walter Benjamin. Acho que o cara tem razão; afinal de contas, a maioria do que a gente conta são coisas que aconteceram com outros aos quais muitas vezes nem sequer conhecemos (estilo falar do BBB). Mas ele se esqueceu de outro tipo de experiência, outro tipo de viagem: A mental.

Sabe quando tudo ao seu redor vai ficando em segundo plano, e uma visão surge na sua frente? Pode ser a novela, pode ser o seu novo video game, pode ser a vizinha que gosta de trocar de roupa na janela, mas sempre vai ter alguma coisa que é, para seu cérebro, mais importante do que o que você está fazendo no momento.

Começa então sua viagem pelos confins da imaginação, e todas as experiências que você vive nela invadirão seu corpo, deixando-o tonto e viciado. O dever vai chamar a gritos, mas é tarde demais: Você já pisou na estrada, e não tem como voltar atrás.

Mas, lamentávelmente, uma hora ou outra uma mão firme nos pega e nos tira da maionese. O mundo real volta tão rápido que nos deixa tontos, e percebemos com tristeza que nossa viagem acabou.

Só para ilustrar, hoje em meu emprego meu e-mail travou, e comecei uma viagem para não lembro onde, até que a voz da minha chefe me perguntou o que estava acontecendo. Quis responder "meu e-mail deu pau", mas como estava voltando da viagem, meu cérebro não estava pronto, e eu só falei "meu pau". Imagina.

Viajante

_ O que você quer ser quando crescer?
_ Viajante.


Porque essa é a melhor profissão. Imagine-se em plena segunda-feira indo para Miami. Pra que? Viajar. Na terça, Paris. Quarta, Milão. Quinta, Tóquio. Sexta? Qualquer lugar do planeta...
Imagine lojas e mais lojas de conveniência, com bonés, camisetas, bichinhos de pelúcia temáticos e a preços exorbitantes... mas que você e seus amigos turistas compram de bom grado.
Imagine óculos escuros e um chapéu de abas largas. Uma bermuda bem fresquinha e blusa mais fresca ainda. Tênis confortáveis. Isse é um viajante.
Um viajante não se importa aonde está, eles se importa em conhecer e absorver o máximo daquele lugar. Perguntar, andar, olhar e comprar.
Imagine viajar o mundo, todos os dias. Cada dia em um lugar diferente, cada dia em um clima diferente, vendo pessoas que nunca viu e que nunca mais vai ver.
Comendo comidas gostosas, cada uma de um jeito.

Para viajar não é preciso muito. Basta uma mala e um bom sapato. Carona, você arruma. Estadia, você arruma. Comida, você arruma.
Tá esperando o que? Vamos viajar?

Our only nation lives in Lucid Dreams

Pegar as malas, escolher um destino aleatoriamente e chegar lá sem saber o que encontrar. É esse o meu sonho. Uma mochila nas costas, muitas ideias na cabeça, vontade de conhecer o novo, dinheiro no bolso (tá, aí eu já começo a sonhar demais) e sair desvendando uma cidade diferente, um país exótico.
O mais perto que eu já fiz disso (e que ainda assim foi bem longe) foi nesse fim de semana. Viajei para o Rio de Janeiro para o show do Franz Ferdinand. Meu planejamento foi o mínimo possível.
Comprei o ingresso impulsivamente, e só uns três dias antes do show comprei passagem e encontrei um albergue para ficar lá.
Fui com mais duas amigas, que se hospedaram na casa da prima de uma delas. Como elas passaram a maior parte do tempo dormindo, a viagem foi praticamente sozinha.
Meu passeio no Rio acabou se resumindo a flanar pela cidade, bem à moda de João do Rio: andar sem rumo, descobrindo coisas interessantes no caminho. Não fui a quase nenhum ponto turístico e nem cheguei perto da praia. Mas andei muito. Meus pés que o digam. Minha falta de senso de direção fazia com que qualquer caminhada de meros metros se estendesse por quarteirões e quarteirões. O metrô que eu deveria pegar a uns três quarteirões do albergue, só fui achar a uma estação de distância, depois de andar muito.
Mas deu pra ter um gostinho da experiência de viajar sozinho e sem planejamento. Fora que eu tive a oportunidade de ver um (desculpem a palavra) puta show.

Faça suas malas...

Ah, quem não adora deixar o trabalho, o estresse, as contas a pagar, a família (opa! essa não) para trás e relaxar? Quem não adora... viagens? Mesmo que você seja do tipo que prefere viajar pela internet ou pelo cabo da TV desde o conforto de sua poltrona, não vai querer perder os posts desta semana sobre deslocamentos geográficos!


De vez em quando...

A primeira coisa que eu fiz quando liguei esse computador foi entrar no gmail. Ele já está lá, é a página mais acessada do meu computador. Logo depois eu abri o e-mail da CRIA. Depois o Twitter. Todo dia é sempre a mesma coisa.

Acordar ao som de Butterfly, do Jason Mraz. Levantar da cama, ir para o banheiro e tomar um banho para despertar. Sair, preparar um copo de leite com Toddy, pegar alguns biscoitos e comer. Vestir roupa, escovar os dentes, passar perfume, colocar o fone de ouvido. Droga, cadê as minhas chaves? Procurar por meia hora e sair de casa. Todo dia é sempre a mesma coisa.

"Alô"; "Oi mãe, tudo jóia?"; "Tudo. Aqui, você já está vindo para casa?"; "Não mãe, eu não te avisei que hoje ia ter aquela reunião que demora séculos pra acabar?"; "Ah, é mesmo. Volta tarde não."; "Pode deixar, mãe, vou tentar. Beijos"; "Beijos pra você também". Todo dia é sempre a mesma coisa.

"Bom dia gente, vamos começar com uma chamada". Nomes, nomes, nomes. Aula, aula, aula. Slides, slides, slides. Sono, sono, sono. Sair da sala. Café, café, muito café. Voltar para a sala. Aula, aula, aula. Todo dia é sempre a mesma coisa.

Sair de casa e ir até a casa da namorada. Não sabe porque ainda faz isso, já que sabe que ela vai brigar com ele. Sempre ela faz isso. Ele sai de casa, vai buscá-la para ir fazer alguma coisa e ela arruma algum jeito de irritar. Todo dia é sempre a mesma coisa.

Chego em casa e sinto um cheiro de lasanha. A família está toda lá e sem nenhum motivo. Só saudade mesmo. Queriam juntar para matar a saudade, relembrar os velhos tempos. De vez em quando é diferente.

Estava sentado no corredor quando recebo a ligação de um amigo que eu não via há muito tempo. Um convite para um almoço. Faz séculos que eu não me encontro com ele, vai ser uma ótima oportunidade de colocar o assunto em dia. De vez em quando é diferente.

Estava no trabalho quando recebi uma mensagem falando que ela estaria me esperando na minha casa. Era quarta-feira, dia de não nos encontrarmos. Mal esperava de ansiedade. Queria saber qual era a surpresa que ela estava preparando. De vez em quando é diferente.

Todo dia é sempre a mesma coisa, mas de vez em quando é diferente.

Denovodenovodenovo

"Há doi lados para cada história", dizem. E eles, quem seja que forem, têm razão. Há dois lados, sempre. Com a senhorita rotina também é assim.


"Rotina" muito provávelmente venha de "rota", no sentido de que é um caminho que percorremos constantemente. A rotina é aquela sequencia de coisas que se repete no nosso cotidiano, uma espécie de plano do nosso dia. Podemos confiar em que, graças a ela, nossos dias não são muito diferentes um do outro.

Por isso, para muitos ela é uma megera. A que te acorda todos os dias, te manda para o estudo/trabalho (ou os dois) e te traz pra casa cansado para fazer outro zilhão de coisas. Ela é a que faz com que, muitas vezes, você odeie sua vida, e sais nos fins de semana para encher a cara.

Para outros, ela é uma mãe carinhosa, que te acolhe com segurança e conforto, que coloca um teto sobre sua cabeça e um prato de comida quente na sua mesa. Graças a ela é que se formam suas noções de "lar", "ambiente" e "pátria".

A verdade é que a rotina não tem muita reposabilidade pelo que acontece em nossas vidas. Ela é só o resultado das escolhas que fizemos ao longo de nossa vida. Portanto, da próxima vez que falar "maldita rotina", olhe no espelho, meu caro.

Rotina diária




Just a sec more in my bed
Hope the machine's working right
When it's just precisely tuned
That's how it comes out so nice

Make sure my kid's got a dress
Keys and coat and shoes and hat
Strap a stroller to my back
Bouncing along every crack

What good is it to make it fast
Sing a song to pass the playground
What can I do as traffic pass
Guard my girl from muffler's black gas
What can I do to make it fast
Pop a jump but not too hard
Take a little look up at the ramp
Stop and look at the traffic signal

Up uneven steps and talking's hard

Just a sec more in my bed
Hope the machine's working right

(Daily Routine - Animal Collective)

Do barulho do despertador ao escovar do dentes antes de dormir, a vida nada mais é do que a sucessão de tarefas rotineiras. Independente do seu trabalho - por mais imprevisível que ele seja - todo dia você vai repetir uma série de coisas que você já nem sabe mais porque faz. Virou automático, rotineiro.
Fala que ao acordar não dá aquele desânimo de repetir tudo (ou quase tudo) aquilo do dia anterior? Vamos voltar pra cama?

Unhappy...

Você sabe porque você lê este blog? E por que ele é escrito? E por que sempre tem um post de introdução na segunda? É tudo uma... rotina. Nesta semana, preprare-se para ouvir o que há de pior, mais chato e estressante na vida!


Molha o vidro da janela

BH
A chuva, em si, não é um fenômeno ruim. Mesmo se você está estressado porque não pode ir pra casa e ficou preso em um lugar, olhar a potência do céu se descarregando sem se importar o quê nos pensamos ou queremos é uma coisa supreendente e admirável, que provoca uma sensação de paz: Não tudo à nossa volta pode ser controlado, so calm the fuck down.


No entanto, hoje em dia não sou muito fã de chuva. Note que eu digo "hoje em dia". Isso porque eu já fui sim, e bastante. Na minha terra natal, chuva não era uma coisa muito normal. Chovia, claro, e não era anormal cair granizo. Mas isso acontecia em alguns momentos do ano, normalmente no verão, e não por dias a fio. Ou eja, existiam os dias de chuva, e não as semanas ou meses que Belo Horizonte oferece. Em um dia de chuva você se aconcehga na cama quando está dormindo, usa uma roupa especial quando sai e comenta sobre o fato com os amigos. Em um mês de chuva você já não aguenta não ver o sol, quer luz e seca o quanto antes possível e sente que, se mais uma vez o vidro do seu carro ficar cheio de vapor, você é capaz de surtar no meio do trânsito.



Como deu para ver, BH tirou tudo o amor que eu tinha pela chuva, e tanto é que, quando ouço alguém falar "tomara que chova para essa calor acabar", sempre dou um esporro na pessoa e lembro ela de toda as coisas ruins que a chuva traz, e acabo brigando com o fulano. Enfim, como sempre, este post serviu para dessabafar, claro, dessa v***a safada que é a chuva e que não consegue se contentar com umas horas e quer quatro semanas só para ela.

Só molhe esse povo de alegria

Eu tenho que admitir que uma das minhas maiores frustrações é não saber dançar forró. É o ritmo mais gostoso de ouvir, o que faz minhas pernas mexerem mais facilmente, o que me faz cantar a plenos pulmões ou no ouvido de uma menina. Claro que tudo isso seria ótimo se eu soubesse dançar.

Sabe uma pessoa sem ritmo? Agora multiplica isso por 42. Prazer, esse sou eu. Agora me imagina dançando forró. Um desastre, eu sei. A menina da sapatilha 37 que me perdoe, mas com os aviões do forró eu toco até fogo no cabaré. E ao som de um xote da alegria, eu peço que anote meu número de telefone num pedacinho de papel de pão. Só não vem chupar porque aqui não é de uva, mas de menta. Então senta, vai...

E nada melhor do que fazer isso ao som da chuva, que eu peço qu caia devagar. Só molhe esse povo de alegrias para nunca mais chorar...







Enquanto a chuva cai


O despertador fez ressoar no quarto aquela música repetitiva que ele já não agüentava mais. Olhou pela janela e viu o dia cinzento que o esperava. Justo naquela segunda-feira em que ele certamente teria tanto trabalho e tantos problemas.
A chuva começava a cair. Sem prestar atenção no que fazia, tomou um banho rápido, vestiu a primeira roupa que suas mãos alcançaram no armário, pegou o surrado guarda-chuva e saiu de casa. Já na porta do seu prédio, o ar frio da manhã o recebeu. A chuva se intensificava.
Pegou o ônibus, lotado de pessoas como ele. Todas pareciam temer o que aquele dia lhes reservava. O conforto da cama provavelmente era preferido por todos. E aquela chuva insistente certamente não ajudava em nada.
Quando desceu do ônibus – ainda a três quarteirões do seu trabalho – a chuva já havia se transformado em uma tempestade. Seu guarda-chuva já velho não suportava o peso daquela água, acompanhado de uma forte rajada de vento. Era como se aquela proteção não existisse.
Todos os seus problemas e a sua tristeza o inundavam na forma daquelas gotas de água que acertavam a sua cabeça. O dia parecia sem cor e sem motivo.


Desde o início do dia, ela foi tomada por uma sensação alegre. A sua música preferida tocando no despertador anunciava o início daquela semana. Antes mesmo de abrir a janela já ouviu as minúsculas gotículas de água batendo na sua janela e sentiu uma brisa fria percorrer o seu corpo. Abriu o armário e deu mais um sorriso. Essa seria a oportunidade perfeita de tirar aquele cardigan do armário. Experimentou umas três combinações de roupa antes de se decidir por aquela. As várias sobreposições a faziam se sentir num daqueles blogs de street-style europeus. Olhou-se no espelho com um sorriso, pegou o guarda-chuva e saiu de casa.
No ônibus, foi cantarolando baixinho as músicas que vinham do seu fone de ouvido. O ponto era um pouco longe do seu trabalho, mas ela não se importou. Desceu do ônibus quando a chuva já era intensa e o seu pequeno guarda-chuva quase não protegia o seu cabelo elegantemente desarrumado.
Tentando cobrir-se como podia ela correu pela rua. Não para tentar não se molhar ou coisa parecida. Mas porque aquela chuva a lembrava da infância, em que a mínima garoa era o suficiente para ela sair com suas galochas e capa de chuva e rodopiar enquanto aquela água refrescante caía sobre ela. Uma sensação de liberdade a inundava.


Ele mal via o que estava a sua frente. O guarda-chuva empunhado nas posições mais estranhas tentando proteger as ínfimas frações do seu corpo que ainda estavam secas. Ela recebia o dia de olhos bem abertos aproveitando cada gota.
Ele viu uma mulher sorrindo ao passar por ele. Imaginou que ela estivesse rindo da sua desesperada tentativa de manter-se seco.
Ela viu um homem passar com um semblante triste. Sorriu quase que instintivamente. Não podia deixar de reparar a beleza por trás daqueles cabelos molhados.


Ele não conseguia pensar em chuva sem se lembrar da tristeza
Ela não conseguia pensar em chuva sem se lembrar da liberdade.

Eu peço que caia devagar...

Este semana o Sem Pauta põe as mãos na massa... ou melhor, na chuva. De mais está dizer que nosso querido fenômeno da natureza está começando a passar dos limites no quesito "encher o caso", para uns mais do que para outros. Nos próximos quatro posts, cada um de nós vai relatar sua experiência pessoal com a danada. E ela não vai conseguir sair seca dessa.

Preguiça na madrugada

Tão exatamente 23:40. Sabe o que eu fiz nas últimas 4 horas? Absolutamente nada. Mentira, eu passei esse tempo todo lendo sobre cinema. Tudo isso é fruto de um livro que eu estou lendo, o “Como a geração sexo-drogas-e-rock-n-roll salvou Hollywood”. Ainda tô na página cento e alguma coisa, mas já posso falar que eu estou amando o livro.

Por que eu tô falando isso? Ah, é mesmo... quando eu fico com muita preguiça, eu começo a falar/escrever coisas que não fazem sentido nenhum. Outro dia eu estava escrevendo um texto para o jornalismo aqui da CRIA. Acabei cochilando em cima do texto, então eu salvei o arquivo e desligar o PC.Quando acordei para dar ua relida no texto, tinha um troço de: “E Borzan invadiu o castelo”.

Só não me pergunte como esse texto está saindo. Para você ter uma ideia, eu já cochilei (de fechar os olhos e começar a sonhar) umas três vezes. Tô quase capotando na minha cama. Ainda mais que tá fazendo um friozinho... se tem problemas com isso, arrume um edredon ou uma companhia para te agradar.

Enfim, preguiça e procrastinação é o que mais tá rolando aqui agora... deixa eu parar por aqui, já que eu ainda preciso tirar um coochilo. (Cochilei mais três vezes na frente do teclado enquanto terminava o texto)

Ah, precisa mesmo de fazer?

Preguiça. O que eu posso dizer dela? Só falar já me dá... preguiça.

Não é à toa que a danada é um dos sete pecados capitais. Ela é uma força tão poderosa que, se tudo for uma conspiração mesmo e o mundo está nas mãos de uma só entidade, eu não aposto nos Illuminati ou a familia Rothschild. Eu aposto na preguiça.

Por que você acha que Napoleão perdeu a guerra? Toda essa bobagem de que a Rússia teve uma ótima estratégia e conseguiu matar os soldados de fome ou exaustão é coisa pra livro de história. A verdade é, claro, que o nanico abriu o mapa, deu uma olhada num país tão grande e sentiu... preguiça. "Que se dane a dominação mundial", pensou, enfiando a mão na blusa, e tudo foi para o escambu (ou para a ilha de Elba, dependendo de como se olhe a coisa).

E Vietnã? Mesma coisa. O Nixon (se é que era o Nixon; tô com preguiça de olhar quem era mesmo) deve ter pensado: "Ô, um país merreca desse, o povo fica entrando no chão ao invés de lutar, a Rússia tá mais perto, ninguém merece. Deixa pros comus. Eu tô com... preguiça". Tanta preguiça, aliás, que ele deixou de ser presidente. Exigia demais. Não dava pra acordar tarde nos domingos.

Tá, você deve estar com preguiça de ficar lendo estas bobagens, então só mais um. Sabe aquela história de D. Jõao VI, que deixou o D. Pedro I, que deixou o D. Pedro II, os dois porque Portugal precisava de um rei? Mentira pura. Só olha no mapa. Portugal é um dedo mindinho e Brasil é a barriga do Ronaldo. Qual é mais fácil de governar? O menor, ora bolas. Os dois portugueses, até a coroa com o calor e a insubordinação brasileira, ficaram com preguiça demais e lançaram tudo pro ar (ou pro chão). E foram embor satisfazer sua... preguiça.

Você ainda está lendo isto? Incrível. Eu já teria parado há muito tempo. Só continuo escrevendo porque tenho que postar isso hoje. Mas eu não posso negar... tô com preguiça.

Depois eu coloco um título

Enquanto eu escrevo este texto, uma série de atividades passam pela minha cabeça. É a vontade de querer fazer e ser tudo ao mesmo tempo, não desperdiçar nenhum segundo. No momento do início da escrita desse texto (16h25) estou num consultório médico, esperando uma consulta. A vontade de tudo-ao-mesmo-tempo-agora fez com que eu ficasse entre escrever esse texto ou botar em dia as atividades acadêmicas. Não dá pra eu ficar aqui só esperando.

E quase sempre é assim. Se não fosse o maior obstáculo: A preguiça, ou a vontade de procrastinar (nem parece que estou fazendo uma coisa errada usando essa palavra bonita). Segundo o dicionário, procrastinar é adiar; demorar; espaçar. Pode até ser por outros motivos, mas no meu caso, o adiamento é pela preguiça mesmo.

Começa com aquele desânimo, a sensação de que o trabalho não está rendendo. Olho em volta e vejo o tanto de coisa que eu preferia estar fazendo. E aí minha mente começa a viajar, eu vou pensando em outras coisas, e quando eu menos percebo o trabalho ficou de lado. (Neste exato momento um paciente que chegou depois de mim foi chamado para a consulta antes).

(16h32. Darei uma pausa neste texto. Aquelas revistas antigas estão me parecendo mais interessantes. Opa, tem até revistas novas. Tem uma ali de fofoca falando sobre o Big Brother, com o Dicésar na capa. Quem tá no paredão aliás? Se eu descobrisse a senha do wi-fi aqui poderia pesquisar)

(16h40. Acabei lendo uma entrevista com um fotógrafo numa revista direcionada a médicos (?). Enfim)

(Há. Eu não sou o único que fica procrastinando. A secretária tá jogando Farmville. Mas ela parou para atender ao telefone, então ela tá fazendo o trabalho dela. Já eu... )

O meu maior problema com a procrastinação é quando chega o fim do dia, eu olho minha lista de afazeres e ou eles não foram feitos ou foram no último minuto do dia, sem a qualidade que poderiam ter. Isso para as tarefas urgentes, porque as outras... Posso enrolar mais um pouco.

(16h47 o médico me chamou. A consulta acabou às 16h57)

(17h55. Continuando o texto, agora no conforto do meu lar. Eu cheguei em casa por volta de 17h30, mas aí fui comer, dar uma olhada nos emails, feeds do Google Reader, Twitter, essas coisas. Prioridades, sabe?)

O que eu ia dizendo? Ah, sim. Procrastinar. Outro problema dessa enrolação toda é que eu acabo me perdendo e o trabalho não fica tão bom quanto ficaria se eu tivesse feito ele com seriedade – e sem interrupções – desde o início. Se estou lendo um texto, quase sempre tenho que voltar algumas linhas pra lembrar o que estava falando mesmo.

(18h04. A ferramenta de contagem de palavras do Word diz que já ultrapassei os 2.000 caracteres. Tá bom, né? Ai eu aproveito e vou terminar de ler um texto de Comunicação e Política. Mas são 18h, né? Tá passando Will and Grace. Eu bem que mereço uma folga. E o texto é pra quinta, mais tarde eu leio. Aliás, mais tarde não. Amanhã eu leio. Dá tempo. Mas amanhã tem aula o dia inteiro, né? Vou chegar cansado e tal... Vou ler então. Televisão fica pra depois. Ou mais tarde. Vou fazer assim então. Leio mais 10 páginas e depois vejo TV ou entro na internet, sei lá. Mas aí até eu pegar o texto pra ler...E hoje to com sono, vou dormir cedo. Ai, preguiça...)

Texto finalizado às 18h16. Nem enrolei tanto assim, vai.

Ai, que preguiça...

Como você deve ter reparado, o tema da semana passada foi feriados. E, como no feriado ninguém trabalha, nós não trabalhamos também. O tema dessa semana tem muito a ver com feriados também. Na volta à atividade, depois de muito tempo sem fazer nada, é inaevitável bater aquela... preguiça! Ou melhor, preguiça...