Luz, luz, luz

No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Faça-se a luz!” E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, mas tão boa, que resolveu privar o meu bairro dela por dois dias seguidos.

Sério, só pode ser chacota divina eu ter ficado no escuro. Uma noite sem enxergar eu admito, mas duas? Eu joguei chicletes na cruz, por acaso? Eu chamei sua mãe de puta e gorda? Não. Então pra que tanto ódio no coração? Eu só precisava de luz... Eu admito que achei um pouco de graça no início.

Desci do ônibus na mais completa escuridão e tinha a missão de cruzar o bairro inteiro nesse estado pra conseguir chegar em casa. Entre uns tropeções e viradas de pés nos buracos, foi tudo muito tranquilo. Quando eu cheguei em casa e fui informado que a luz tinha acabado há três horas e não tinha previsão de retorno, eu comecei a desesperar. Sério. O que a gente pode fazer enquanto está tudo escuro?

1) Dormir: A opção mais óbvia de todas. Dormir e esperar que quando você acorde a luz esteja de volta a sua vida. Pena que isso simplesmente não funciona pra mim, que simplesmente não consigo dormir na escuridão total.

2) Jantar a luz de velas: essa ideia é uma das que funciona só quando você tem luz em casa. Sabe por quê? Servir o jantar para sua ficante/lanchinho/namorada/esposa é super romântico. Agora imagina FAZER esse jantar a luz de velas. Não tem nada romântico nisso, principalmente se a pessoa tiver a mesma habilidade culinária que eu. Ou seja, nenhuma...

3) Usufruir da tecnologia: com coisas que funcionam a bateria, suas noites sem luz podem ser muito mais agradáveis. Notebooks, vídeo-game portátil, aparelhos que tocam músicas. Enfim, uma infinidade de coisas para se fazer e ainda conseguir uma tão sonhada luzinha. Mas não suicide se a bateria acabar e você ficar na mão.

4) Colocar o assunto em dia com os vizinhos: no caminho do ponto de ônibus para minha casa eu “vi” tanta gente na rua que eu nem acreditei. Caramba, tava escuro, ninguém enxergava ninguém, mas mesmo assim as vizinhas estavam todas na rua fofocando da vida alheia, reclamando da falta de luz. Juro que tinha uma casa que tinha até cadeiras na frente, com várias pessoas sentadas em roda e colocando o papo em dia...

5) Brincar com sombras: [criança mode: on] Tem coisa mais divertida que pegar uma lanterna ou uma vela e ficar fazendo bichinhos na parede num dia sem luz? Com certeza não tem. Tudo bem que minha habilidade manual não me permite fazer coisas muito sofisticadas, mas mesmo assim é ótimo. Outra possibilidade é pegar a lanterna, colocar na cara de baixo pra cima e contar histórias de terror. De preferência faça isso para um monte de criancinhas... é ótimo. Essa mesma experiência pode ser traumática se você usar uma vela. Queima a barba, vai por mim...

P.S: Um amigo meu falou que quando fica sem luz em casa, ele brinca de fingir que é um policial invadindo uma casa abandonada. Tudo isso com direito a arma de brinquedo e pés sendo batidos nas portas. Pena que a mãe dela não aprova muito a ideia... e você? O que faz quando fica no escurinho? (sugestões sexuais foram cogitadas, mas como esse é um blog de família, não coloquei aqui).

Efeitos nem sempre especiais

O novo filme de James Cameron, Avatar, está aí nos cinemas formando filas imensas de pessoas felizes para colocarem os óculos 3D na cara e aproveitarem o visual impressionante do longa. Avatar inova na tecnologia, mas peca com uma história clichê e previsível.

Esse talvez não seja um problema restrito a este filme. Com uma facilidade cada maior para emular cenas e situações impossíveis de serem atuadas, os grandes filmes se converteram numa sequência de cenas de ações que mostram todo o poder dos efeitos especiais. Precisa disso?

Muitos diretores parecem estar se esquecendo do principal do cinema: a história. Usar os efeitos apenas pelos efeitos não sustenta o filme. Para mim, os bons efeitos são aqueles imperceptíveis. Que façam você entrar na história e acreditar no que está vendo. O vídeo abaixo ilustra bem isso. Aposto que você nem repararia que essas cenas foram filmadas com o auxílio de um chroma key.


Outra Terra Média?

“Graças ao senhor Tolkien, o século XX teve todos os duendes e magos de que precisava”. Foi com essa frase que Stephen King mostrou que ainda não estava preparado, aos 19 anos, para escrever a série da Torre Negra.

Christopher Paolini é um escritor muito novo. Eragon, seu primeiro livro, foi lançado oficialmente quando ele tinha apenas 20 anos e já foi aclamado como um Best Seller. Mas um ponto negativo pesou muito sobre a história criada por ele: a falta de originalidade.



Eu vou contar a sinopse e, enquanto você lê, vá pensando em alguns personagens famosos que se encaixariam nos papéis que eu vou falar. Pronto? Então vamos lá... O livro conta a história de Eragon, um rapaz que vive na terra de Alagaësia e que foi abandonado pelo pai e mãe, sendo criado pelo tio. Aos 15 anos ele encontra um ovo de dragão e se descobre como um dos lendários Cavaleiros de dragões. A partir daí sua vida se torna um inferno. Sua família é ameaçada e ele se vê numa jornada com Brom, um contador de histórias que passará todos os ensinamentos que possui para Eragon, e Saphira, sua dragoa. A missão é destruir o Império e seu chefe, o Cavaleiro Galbatorix. No meio da história nos vemos em um mundo mágico, cercado por elfos, anões e os malignos espectros e urgals.

Frodo, Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Terra média, Sauron, Saruman, orcs. Só pra citar alguns. Esse elementos estão todos presentes no primeiro livro de Paolini. A história não é tão original e o personagens seguem uma linha que a gente já conhece. Depois de tudo que foi dito, a frase do King no início do texto faz muito mais sentido. Se ele achava que aos 19 anos escreveria uma cópia barata de O Senhor dos Anéis, imagina alguém com 15 anos tentando fazer o mesmo...

Mas levando tudo isso em consideração, ele ainda valeu o dinheiro gasto na promoção do Submarino. A história dos Cavaleiros de Dragão criada por Paolini torna tudo mais interessante. A relação de cumplicidade entre Saphira e Eragon mostra o quanto os personagens conseguiram crescer ao longo de toda a jornada e de como cada treinamento e cada perda teve um significado para o seu desenvolvimento.

A leitura é simples, mas às vezes o autor se prende demais a descrições sem sentido. Tá, o Tolkien é um dos meus autores preferidos e ele faz isso também. Mas ele é o Tolkien, né? Não sei como o Christopher Paolini vai se comportar nos próximos livros, principalmente porque eles são maiores que o Eragon. Mas vamos lá... Eldest me espera.

Tédio. E agora?

Férias. Aquele curto período de tempo é tão esperado mas, para você que não está viajando ou não encontra nada melhor para fazer, pode se tornar um grande tédio. As dicas a seguir devem ser usadas apenas em casos de extrema urgência. Na dúvida prefira sair e fazer algo mais útil (ou pelo menos mais divertido). Mas se a sua única companhia é o computador (ou se você está sofrendo trabalhando enquanto todos descansam) aproveite algumas dicas para matar o seu tempo na internet.

1. Ouça música!
Hoje quase todo mundo tem um MP3 player ou coisa que o valha. Mas descobrir bandas novas online é sempre uma diversão. Para isso, os bons e velhos MySpace ou YouTube sempre funcionam. Um modo mais prático para ouvir de quase tudo é o Grooveshark, dica do também blogueiro do Sem Pauta, Bruno Assis. Digite sua banda favorita ou aquela música que você adora e o site te retorna uma lista de resultados. Aí é só montar sua playlist e começar a ouvir.
Agora, se você não quer (ou não sabe) montar uma playlist decente, tente o PlaylistNow. Digite o que você está fazendo ou sentindo e ele tocará músicas que tenham a ver com tal situação. Na maioria das vezes não faz o menor sentido, mas não deixa de ser divertido.

2. Leia mais!
Bote sua leitura em dia. Se você prefere aquele cheiro de livro novo ou mesmo se não se importar com as traças e a poeira, procure na Estante Virtual. Reunindo centenas de sebos de todo o Brasil, no site é possível comprar diversos livros novos e usados.
E se você não se importa de ler na tela do computador, entre no pdf-mags.com. Como o próprio nome diz, lá você vai encontrar diversas revistas em PDF. Moda, design, ilustrações, arquitetura e música são alguns das categorias de destaque do site.

3. Jogue!
Se você está realmente a toa e quer urgentemente passar o tempo, a internet está lotada de jogos inúteis em flash para você se divertir. O site Not Doppler, por exemplo, é atualizado semanalmente para que você perca (muitos) preciosos minutos e horas do seu tempo.

4. Aprenda!
As férias também podem ser o momento para você aprender aquilo que desejou toda a vida. Seja tocar um instrumento ou fazer origami o YouTube tem tutoriais para tudo. Outro boa pedida de tutoriais em vídeo é o site Videojug. Ele ensina de tudo. Tudo mesmo. Desde como comer sushi a como fertilizar o seu jardim, passando por como abraçar, como beijar e como se comportar após o sexo. Tudo aquilo que você sempre teve vergonha de perguntar, ensinado em vídeos didáticos.

Agora vá e aproveite suas férias!

Preguiça de férias

Então eis que ainda estamos de férias.

Eu posso reclamar a minha vida inteira que tô fazendo coisas demais, que eu não tô dormindo direito e que eu vou me matar, mas não tem jeito. Dá duas semanas que eu entro de férias e eu já fico completamente entediado. Vai ver porque férias nunca foi sinal de bombância pra mim, então eu sempre passo a maior parte do meu tempo em casa.

Isso tem alguns efeitos interessantes. Tem cerca de uma semana e meia que eu não faço a barba. Pra quem não me conhece, é bom deixar claro que eu custo a ter uma barbinha mixuruca e falhada que seja. Uma semana e meia faz com que ela finalmente fique aparente. E não, isso não é uma boa coisa.

Além do mais, tem duas semanas que eu estou sobrevivendo com R$0,25. Eu ainda não tive coragem de gastar a minha moedinha. Reza a lenda que eu recebo dinheiro essa semana. Então vamos ver, né?

Se eu fiquei em casa esse tempo todo, o que raios eu fiquei fazendo? Calma, eu posso explicar. Nesse tempo eu baixei e assisti toda as temporadas de Prison Break, finalmente terminei de ler os sete Harry Potter em sequência (e fiz a minha sonhada lista de citações), fiquei horas discutindo e colocando em prática dois novos projetos bloguísticos (Estamos em Obra e Sete Pecadores) e escrevi um bocado.

Fato é que eu tõ entediado. Hoje saíram as matérias que eu vou fazer semestre que vem e pela primeira vez na história desse país eu vou fazer mais matérias de jornalismo do que de comunicação. Aliás, eu não vou fazer nenhuma matéria de comunicação propriamente dita. Serão 3 de jornalismo, 1 de publicidade e 2 de literatura (essas últimas se Deus e a coordenadora de Letras forem muito generosos comigo).

Eu tô aqui escrevendo a toa porque como a gente tá de férias, o Sem Pauta tá desocupado. E eu fiquei com saudades daqui. Mas em apenas uma semana a gente volta com todo o gás. Ou melhor, eu e Diogo voltamos com todo o gás, porque os outros dois continuam de férias... eita vida boa.

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Quer uma dica de post pra saber se está aproveitando as férias de um jeito legal? Dá uma lida nO Crepúsculo e veja se você é um legítimo Hobbit