Ahh as férias...


Os blogueiros estão de férias! Isso mesmo! Então não sabemos ao certo como serão as postagens..ou até mesmo se teremos postagens até fevereiro. O tema será livre! Escreve quem quiser, sobre o que quiser!

Boas Férias!!!

O Bilhete

Ele simplesmente não conseguia tirar os olhos daquele bilhete na sua frente. A Tia estava lá no quadro mostrando aquelas contas difíceis de multiplicação e ele não conseguia concentrar. Era a primeira vez que alguém mandava um bilhete para ele no meio da aula e ele não sabia muito bem o que fazer.

"Ei Biel"

Na verdade, ele achava que era a primeira vez que alguém se aventurava a fazer aquilo naquela sala. A Tia era brava e xingava todo mundo que não prestava atenção. E ele achava que bilhetes eram um forma legal de distrair no meio da aula.

"Eu sento no fundo só para olhar para você"

Aliás, pra que mandar bilhete? Todo mundo era coleguinha e podia conversar quando quisesse. Pra que tinham que mandar esse bilhete justo pra ele? Na frente só estava escrito "Para o Biel". A letra era de menina, tinha certeza. Era muito mais bonita que a dele.

"Você é muito bonito e eu gosto muito de você"

Deu uma olhada em volta para tentar descobrir quem tinha mandado. Quem tinha te passado o bilhete era o Dieguinho. Mas ele só passou. Continuou procurando de onde ele podia ter vindo... Saulo? Mari? Ana Clara? Pedro? Gu? Não conseguia descobrir de jeito nenhum.

"Eu queria ser sua namorada, mas não tenho coragem de falar com você"

Resolveu abrir e descobrir quem tinha mandado aquilo. Começou a ler e não conseguiu continuar. O coração batia acelerado. Escutava ao fundo a voz da professora falando alguma coisa sobre quanto era sete vezes três, mas nada importava agora. Precisava terminar de ler e descobrir quem ia ser sua primeira namoradinha.

"Beijos da sua admiradora secreta"

Não conseguiu esconder o sorriso.

Lições do tempo

— O clima compreende um padrão dos diversos elementos atmosféricos que ocorrem no planeta. As semelhanças em várias regiões da Terra de tipos específicos caracterizam os diversos tipos de clima...
— Mas então, professora... por que disseram que estava "rolando um clima" entre mim e o João?
— Isso é outra coisa, Camila — disse a mulher rindo.

Ainda pequena, Camila não sabia bem do que se tratava aquilo. Era tão pequena, tão criança, que não sabia que clima atmosférico era aquele. Ela só se importava com suas canetas coloridas, suas meias com bordados (impecáveis) e com o recreio. Era um clima de alegria.

Mas não continuamos sendo crianças para sempre. E com Camila não foi diferente. Então ela deixou de se importar com seus objetos coloridos e com as rodas de conversa nos intervalos e passou a dar atenção aos batons, náilons e convites*.

E em alguns anos, saberia que o "clima" entre duas pessoas não durava muito. Não se tratava de um período de não menos de 30 anos, como disse a professora na parte em que parara de prestar atenção para divagar ou se preocupar com uma agenda colorida. Descobriria que aquele "clima" podia ser só um encanto no começo. E que parecia não adiantar se sacrificar para mantê-lo.

João (ou qualquer outro) a veria cinza, como um dia de chuva. Sem graça. E saberia também que existiriam outros jardins floridos para ele prestar atenção. Mas ela ainda esperava por aqueles dias de sol novamente.


* obrigado, C. S. Lewis

Natal debaixo da terra

- E a neve, o que é?

- Nada não. Neve a gente tem em copo d'água mesmo. Essa idéia romantizada de neve vem dos filmes que você vê.

- A primeira vez que vi neve foi num livro.

- Esses filmes não te ensinam nada que preste. Não te ensinam que neve é água, ensinam? Se neve fosse água nos filmes ninguém ia parar pra ver. Você, por acaso, pararia pra ver um filme em que um bando de idiotas ficam atirando água uns nos outros?

- Também existem filmes com chuva.

- Brasileiro é que acha tudo estrangeiro um charme. Neve não tem na-da-de-mais.

- Você já viu neve?

- Quando fazem filme no Brasil, sem neve, ninguém pára pra ver. Isso é que é um absurdo. Aquele filme daquele drogadinho loirinho, como chama? Que esquecem ele em casa, aquela bobagem toda. Tem neve, num tem?

- Eu gosto da senhora dos pombos. Me lembra a vovó (sorri).

- E não tem mais nada. Se esquecessem ele em Pernambuco nin-guém ia dar a mí-ni-ma. Não iam ligar. Simplesmente não iam ligar. "Ah, meu Deus! Nosso drogadinho caucasiano ficou em Pernambuco!". "Ah, quem se importa? Lá não tem neve."

- Que gosto tem neve?

- Neve tem gosto de capitalismo.

- O que que é capitalismo?

- Capitalismo é quando pegam o que não é seu, nem deles, nem de ninguém e não devolvem nem dão satisfação.

- Por que que neve tem gosto disso? Acho que você não sabe nada de neve.

- E você sabe? O que é que aquele quadrado luminoso barulhento te ensinou sobre neve?

- Neve tem gosto de Natal.

- O Natal é um caso à parte. Papai Noel não vem ao Brasil porque não tem neve. Se viesse, voltaria safenado pra casa. Passaria mal com o calor. Ia ter que usar cachorro vira-lata no lugar de renas.

- Rena é aquele bicho com chifre?

- Neve é coisa de rico capitalista.

- Dá pra comprar neve?

- Claro que dá. Neve é de plástico nos filmes. Você compra e pronto.

- Quero ganhar neve de Natal.

- Não tem Natal no Brasil.

- Quero ganhar neve de aniversário.

- Quê que você vai fazer com neve no verão? Picolé? Sósefor.

- Picolé de Natal (ri).

- Picolé com meu pau, isso sim. Quer parar de sonhar? Sonhar é coisa de rico.

- Vou fazer um picolé de Natal e levar pra vovó.

- Vai colocar comida no túmulo? Vai encher de formiga.

- Aí o picolé vai derreter, vai invadir a terra e vai chegar nela. Vou dar Natal pra ela. Você me ajuda?

- Metade da tua mesada.

- Fechado.

- Já te falei que gosto tem neve?

- Uhum.

Why so hot?

Aqui vai o post menos criativo da semana. Vamos falar desse calor insuportável que está fazendo.

Você acha que está ruim? Não se preocupe, tudo que está ruim pode piorar. Já me disseram que este verão está previsto para ser o mais quente dos últimos anos em Belo Horizonte. Prova disso, é a previsão no Climatempo para os próximos dias. Os graus só crescem. Assim como a minha aflição. #odeiocalor.

Confiram aí se preparem para realizar o primeiro flashmob de nudismo de BH. Ou então uma peladatona. (Brincadeira, Bruno! Não quero desmoralizar este site!)


Pois é, o calor ainda vai nos matar. No mundo, na vida e na Cria. Nosso modesto ventilador não está mais dando conta. Inicio aqui então, uma campanha para a instalação de um ar condicionado. Pode ser que não saia nessa gestão, mas para resultados futuros, temos que começar o nosso apelo agora. Colegas criativos de todo o mundo, uni-vos! Se não rolar mesmo, podemos fazer o dia da raspadinha de gelo. Ou guerra de balão d'água - uma boa ação para o RH.

Enfim, o calor nos tira do sério e temos que elaborar alguma forma de contorná-lo. Nem que seja em um post (quase) inútil do Sem Pauta.

Beijos geladinhos : )

Ai que delícia!

Clima de fim de ano

Não sei se sou eu, ou se o clima realmente anda meio tenso. Não sei, provavelmente deve ser eu mesmo. Na verdade nem é meio tenso, mas sim meio pra baixo sabe... Na verdade agora que parei pra pensar essa sensação sempre aparece a medida que as festas de fim de ano vão chegando - nem meu aniversário, que é em dezembro, salvam o fim de ano.

É nessa época, nesse clima de Feliz Natal e Próspero Ano Novo, que as diferenças parecem vir ainda mais à tona. Vemos tanta gente com muito, e vários com tão pouco. Parece que de um lado só vemos famílias felizes indo as compras e do outro pessoas morando nas ruas, e tudo isso vai se tornando cada vez mais visível.

Quando eu era criança, eu simplesmente AMAVA Natal, amava como tudo se resolvia nesse dia, como todas as brigas eram postas de lado, como todos ficavam felizes, como parecia que todo mundo ajudava à todos. O que minha inocência me impedia de ver era como tudo isso durava só por algumas horas, e que no dia 26 tudo voltava a ser o que era. O clima de fraternidade se esvaía com a mesma rapidez com que surgia. Foi só com meus 17 anos que finalmente percebi, que o clima natalino tinha data de expiração, e que ela era bem curta.

Agora com meus 19 para 20 anos, o que era minha época favorita do ano, deixou de ser, e deu lugar a ótimas lembranças da minha infância.

O clima do Natal não me atinge mais. O mundo não fica mais cor-de-rosa, muito pelo contrário, fica bem cinza, com esse espírito natalino com hora marcada para acabar.

Que clima, hein?!

"O clima tá realmente louco; primeiro chove, depois faz calor, depois chove de novo! Vai entender..."
"O clima aqui tá tenso!"
"Eu acho que tá rolando um clima, você não acha?"

Seja qual for o clima, é sobre ele que o Sem Pauta vai falar essa semana. Qual será o clima dessa semana?

Distância de segurança

O pai, a filha mais velha e o filho. Andavam, porém, em quatro. Havia sempre com eles um enorme vazio, uma falta. Era como se caminhassem sem o chão e este chão era a matriarca, falecida há seis meses.

Eram a concretização do esquisito. Encontravam-se agora dentro de um carro, parado em uma fila de outros carros, que representava, por sua vez, uma fila de pessoas, presas entre o antes e o depois.

O pai depositava rigidamente a mão sob o volante, enquanto seu olhar admirava o vidro, deixando suas impressões registradas sob a forma de duas rugas na testa. O vidro possuía um pequeno trinco que funcionava como uma linha divisória entre cinco borrões de sujeira: de um lado três, sendo que dois destes se posicionavam em simetria com os dois do outro lado da linha. Mas como lhe irritava a falta do terceiro borrão do outro lado! Seria a simetria perfeita! Abaixou o olhar em lembranças: em cima da pia ainda havia o café derramado, a pano não dobrado e os dois copos de leite com o chocolate endurecido no fundo. Era preciso ter colocado água dentro! Apertou o volante com indignação e, devido ao seu tique, começou a bater um dente no outro: "toc, toc".

Ao seu lado, a irmã mais velha olhava para o lado aposto do pai, claramente irritada com o barulho que o este fazia, mas disposta a não demonstrar sua impaciência. Já podia contar os minutos para o momento em que seu pai gritaria com ela para abaixar o som do rádio. Passou minutos ensaiando os gritos de resposta e ficou irritada com a possível irritação futura. Não tinha vergonha de se dizer(sim, só conversava com ela mesma, por vezes até em voz alta) que odiava seu pai e seu irmão, aquelas estátuas irritantemente feias e mórbidas. Estranhamente raivosa, passou a agir de acordo com sua velha mania inconsciente: a de imitar barulhos à sua volta. O carro foi, então, contaminado por uma maquete auditiva do inferno exterior ao carro "bi, bi", "iiiiiih", "ah", "toc, toc".

No banco de trás, o irmão fitava furiosamente a irmã que imitava buzinas, gritos, freios e até barulho de troca de marcha. Ele vivia em constante desânimo, de forma que sua mente parecia um verdadeiro trânsito: sem progressão, com atitudes freiadas e um envelhecimento acelerado.. Não falava e nem agia por preguiça. O único fardo que tinha condições de carregar agora era o da raiva por seus familiares: os dois da frente pareciam estar numa disputa, uma vez que o tique de um irritava extremamente o outro e, em resposta, intensificavam o barulho que causavam. O irmão, se segurando para não ter que abrir a boca, raspava as unhas no estofado do carro: "risp, risp".

Toc, toc ; bi, bi; risp, risp; toc, toc; iiiiiiih; risp risp; toc, toc; aaaaah; risp, risp

Silêncio. A quietude se fez lá fora. O dedo machucou. Voltaram a parecer apenas uma família cansada num domingo, apesar de os três sabiam que a esperança por segundas-feiras havia sido enterrada com a mãe.

Uma pequena progressão se fez no trânsito. Todos os carros avançaram um metro. O pai levantou seu pé trêmulo e o depositou desajeitadamente no acelerador. A filha, ao lado, voltou a abrir a boca: "PÁ!"

Mundo de paz (?)

Todo mundo que me conhece sabe o tanto que eu adoro atazanar pessoas, principalmente quando elas estão concentradas fazendo alguma coisa. Mas tem uma coisa que eu aprendi na marra: nunca incomodar pessoas que estão estressadas...

Pessoas estressadas são como as bombinhas do Super Mario. Se você já jogou Mario Bros, sabe que a comparação não é infundada. Caso você não more nesse planeta, eu explico: as bombinhas ficam lá, quietinhas no canto delas. Quando o Mario chega perto para encher o saco, as bombinhas começam a piscar e explodem quase na mesma hora. O Mario sou eu e as bombinhas as pessoas estressadas.

Isso tudo acontece porque eu sou hiperativo e preciso sempre fazer alguma coisa ou conversar o tempo todo. E quem sobra são as pessoas que estão do meu lado, independente do estado de espírito delas.

Vale lembrar que quando eu estou estrassado, eu fico mais hiperativo ainda. Eu não desconto em ninguém, não costumo ficar com raiva nem nada... o problema é só a hiperatividade em excesso. E como eu fico de boa, eu penso que todas as pessoas têm que ficar também. Aí incomodo todo mundo sem nem me preocupar!

E sabe o que foi esse texto? Só um desabafo de uma cabeça cansada e estressada e que está precisando de férias desde 2006.

Vê se me esquece, eu cansei...

Se eu fosse falar como minha vida anda stressante, gastaria uma postagem inteira. Poderia começar reclamando de como esse semestre que acabou de passar foi torturante, como eu não sei escrever um artigo de opinião (socorro, madrinha!) e como a reforma que estão fazendo na minha casa anda me desgastando.

Eu também poderia abrir um parágrafo para desabafos (quase uma terapia em grupo), como reclamar sobre quantas vezes aquela professora tinhosa (isso para não dizer outras coisas) me deixou na mão quando eu passei uma noite inteira fazendo um trabalho gigante, sobre como ela (sim, a mesma pessoa!) pôde pregar uma pegadinha e me fazer montar uma pauta (quase) inútil, sobre como as aulas de Democracia sugavam meu cérebro e quase me matavam, sobre a falta de noção das pessoas que convivem comigo e não conhecem a política de e-mail de grupo/não sabem o que é chegar no horário... E sem falar na vida familiar/pessoal/etc.

Mas não, não vou falar de nada disso. Vou desatar a escrever qualquer coisa sobre o tema que me venha à cabeça, sem me stressar, digo, preocupar com o que vai sair.


Me lembrei que muitas pessoas vão para o YouTube durante o horário de trabalho para relaxar. É só o chefe sair da sala que dois ou três funcionários se amontoam em frente a uma tela e começam a ver o vídeo que bombou na semana. E aí que eu também me lembrei de "30 Rock", de como eu me identifico com a Liz Lemon e como ela ilustra muito bem o que nós (não só do jornalismo) andamos passando.



Mas querem saber de uma coisa?
Estou (quase) de férias e toda essa tortura está com o tempo contado :D

Cozinhe um pouco de francês em fogo baixo e acrescente uma tarde chuvosa

Todo mundo conhece uma receitinha pra "curar estresse". E, no fundo, cada um com seu cada um de agarra-fé termina por segurar, com mãos tremidas, uma solução singular pro mal cotidiano. Mas eu não sei, não. Estresse é um bicho de estimação que late só às vezes. Mas que está lá. E, sem ração nem água, continua a crescer e a comer sapatos e meias e a sujar a casa toda de lama. É inevitável. Um dia a vizinha resolve ouvir aquela música alto demais; um dia alguém vai, sim, cuspir aquele chiclete que, certeiro, grudará no tênis; um dia aquela senhora entrará com vinte sacolas de supermercado e se postará, em pé, perto de você, sentado, no ônibus. É aquela coisa chata de como você lida com seus problemas. Eu, honestamente, não sei. Não sei como, de nervos instáveis, lidei com meus problemas esse tempo todo. Mas tenho, é claro, minhas receitinhas. Que não deixam de ser guloseimas:
















Irritação pra desestressar

Todo mundo gosta de reclamar o quanto está estressado.

É verdade que esse peso nas nossas costas não é fácil de carregar, mas não é possível viver sem ele. Isso não sou eu que digo - mesmo acreditando e sendo a prova viva. Psicólogos dizem que todos precisamos de stress na vida, como uma forma de motivação.

É claro que stress demais não ajuda ninguém. A única coisa que stress agudo me ajudou a ter foi hipoglicemia, mas um pouquinho de pressão nunca me fez mal. Pelo contrário. Quanto mais tarefas, prazos e objetivos, melhor. Engraçado isso, porque parece que funcionamos seguindo o processo inverso pelo qual devemos funcionar. É seguindo essa lógica (que não é nenhum pouco lógica) que busco me desestressar.

Vou confessar meu método. Assisto Irritando Fernanda Young. Tudo no programa é pensado para irritar. Até a apresentadora me irrita. Mas, por mais incrível que isso possa parecer, quando assisto no fim me vejo relaxada. Eu acabo rindo de todas aquelas coisas e situações irritantes.

Sabendo que estamos todos com os nervos à flor da pele com o abençoado e tão esperado fim de semestre, ofereço-lhes um gostinho de IFY. Nesse vídeo, ela está entrevistando o Matheus Nachteahdiujahdkuhgalkjajhgaile (NATCHERGAELE) que também está irritantissíssimo! Juntando com o cenário, a plateia, a pergunta nada a ver e a Fernanda Young (que não sei o porquê me irrita tanto, já que eu amo Os Normais e o Supersincero) isso me deixou tão incomodada e tão irritada que fiquei feliz. Acho que foi o alívio de ver que na realidade não estou tão mal assim.

Pra vocês não se sentirem tão bactéria do cocô do cavalo do bandido, aí vai um pouquinho e IFY.


Essa é a primeira parte. Foi a mais irritante, logo a mais relaxante. Ver que o Matheus (pra não perder de ficar olhando e digitando letra por letra do nome belga dele) é tão tipificado e tão enquadrado em um padrão que nós da FAFICH conhecemos tão bem me fez dar um sorriso. É claro que fiquei decepcionada. Eu amo o João Grilo como ninguém. Já fui menino, já fui homem, agora só me falta ser mulher. Valha-me Nossa Senhora de Nazaré! Mas, ao mesmo tempo me fez perceber que eu não preciso ser tão tudo o tempo todo. Se ele consegue parecer tão legal como ator e tão mala como pessoa, eu também consigo ser boa aluna, boa CRIAda e eu. Isso também se aplica à FY. Tão boba como apresentadora, tão engraçada como roteirista.

Enfim, pessoas chatas e irritantes me motivam. Não só pessoas, mas coisas e situações. Com os outros é claro! Comigo é cavalo de batalha e hipoglicemia all over again. Às vezes, brotam algumas perebas também, mas nada contagioso ou nojento. Sou feia, mas sou limpinha.

Entããaaao... para que vocês, que dividem comigo essa reação estranha à coisas estranhas, possam se desestressar, aqui vai o link pro resto dos vídeos e para o site da GNT. Que não tem o programa na sua lista de programas - o que é MUITO irritante.




Site da GNT - www.gnt.globo.com

Além disso, sugiro que vocês procurem no Google Images algumas palavrinhas mágicas, como raiva, irritante, stress etc. Vocês vão ver o quanto é bom olhar pra aquilo e ver que não é você.

Bom fim de semestre pra todos e que as férias nos irritem, mas nos irritem muiiiiiiiiiito.

Pausa pra... NADA

Aiii que Stress!


Acho que essas são as palavras que eu mais ando dizendo!

É impressão minha ou parece que esse final de semestre está mais tenso que o normal?! Parece que o mundo inteiro conspira contra nós, que não importa o quanto nos organizemos sempre, SEMPRE, SEMPRE mesmo, o resultado é o exatamente esse - noites viradas fazendo zilhões de trabalhos que parecem não acabar nunca! Sim! Virei adepta dos pontos de exclamação! Acostumem-se! Se este post estivesse sendo escrito daqui exatamente 19hrs talvez o resultado fosse outro, talvez eu estivesse falando que não há motivos de stress, que já estamos de férias, e que agora só nos restaria aproveitar todo esse tempo livre. Mas não. O ritmo está frenético, até mesmo parar para escrever esse post faz com que eu tenha um enorme sentimento de culpa, já que devia estar concluindo um dos 899.976.087 trabalhos que eu ainda tenho pra fazer! Sim, amanhã em alguma parte do dia estarei de férias da faculdade, mas a sensação de que nunca vou conseguir terminar o que tenho pra fazer perdura no ar! assim como a promessa de dias melhores!

Ufa! Respira. Não, não tenho tempo NEM pra ISSO!! Aiii que Stress!

SOCORRRO!!!

Aí, que STRESS! Aqui no Sem Pauta tá todo mundo arrancando os cabelos com tanta coisa pra fazer em tão pouco tempo! A única coisa que podemos fazer é gritar: SOCORRO!

pra quem não entendeu o tema da semana é o que nos deixa loucos: o stress!

O amigo do nada é o nada

Acordei. O primeiro pensamento que me ocorreu foi: "que injustiça é o sono!". Ele lhe dá horas de não-ser e não-estar e com o mais covarde dos atos, te larga sem qualquer aviso. Ele acabara de me abandonar. Abri os olhos e um choque de realidade me atingiu: buzinas, trânsito, luz, construções, vozes, meu quarto. Todos eles me puxando de volta à realidade. Oh, como era dolorido voltar a mim. Fechei novamente os olhos, cavando na escuridão aquele que acabara de me deixar. Nos entrelaçaríamos em um abraço até que nos tornássemos um só, caindo no nada, no mais fundo de mim, no esconderijo que havia construído para mim, onde nada vive e nada tem a consciência de não viver. Um íntimo tão limpo de qualquer coisa que o nome Lúcia, o ser Lúcia e o corpo Lúcia não faziam parte, sentido ou importância. Um esconderijo em mim para esconder de mim mesma.

Corria atrás do meu sono protetor e traidor, aquele que abraça e depois empurra. Mas como ele corria de mim! E eu, tola, me arrastava ao seu encontro com uma âncora presa à minha perna, me obrigando a ficar e escutar o mais pavorosos dos sons, que vinha e ia num ritmo cadenciado que eu conhecia tão bem e sabia que nunca iria se findar: minha respiração. O inimigo vinha dentro de mim e jogava na minha cara que eu vivia.

É, teria que levantar. Teria que me encarar no espelho, notar meu cabelo despenteado, sem cor, sem forma. Olhar minhas novas rugas. Me colocaria em frente ao espelho e daria a chance ao meu olhar de pedir súplica. Era no espelho que meu olhar se encarava, numa falsa esperança de que a partir deste encontro eu me veria com sinceridade, pararia de sorrir sem intenção, de vestir roupas que nada diziam sobre mim, de enganar todos a minha volta. Enfim, de obrigá-lo a demonstrar satisfação enquanto o que ele queria era banhar-se em águas. Só mais um que me abandonara: havia dado a ele um papel que não lhe condizia e este se recusou a cumpri-lo, solenemente se abaixando, se recusando a se humilhar encarando o mundo de um forma que não era sua, me forçando a caminhar com um olhar vago, distraído, envergonhado.

E assim, deitada, que notava a duplicidade do meu corpo, onde todos os meus elementos escolhiam em que lado da batalha estavam: o que eu era ou o que eu queria demonstrar ser. Mas me parecia que poucos ainda viam esperança em seguir minhas ordens. A batalha se tornava injusta: meu corpo se tornava pesado, relutante em ser levanto aonde queria, fechado, tímido, desengonçado.


Eu só tinha a mim, eu era a minha maior e única companheira. Me desesperava pensar que a minha melhor amiga era alguém que eu não gostava, não conhecia e não confiava. Nunca ficaria sozinha. Sempre haveria como companhia eu mesma. Infelizmente.

Um universo de fitas

Em uma vida passada, quem sabe, eram amigos. Desses bem próximos, que andavam de bicicleta juntos e amarravam fitas um no pulso do outro. Tão amigos que nem o tempo – nem a morte – foram capazes de desamarrar esses laços.

Não tinha certeza, mas vez ou outra tinha fé de que o universo era um emaranhado de teias que ligavam as pessoas.

— Você acredita em algo além dessa vida?
— Sabe, até te conhecer... não. Mas agora eu acredito.

Atualmente, os dois estavam naquele mundo (novamente, em outros corpos, em outras situações, mas com aquelas mesmas fitas – bem amarradas e firmes – que ainda os ligavam) e encontraram-se.

Não chegavam a estar deitados no gramado. O mais novo escorava-se no peito daquela outra pessoa, que por sua vez escorava-se em uma árvore. Olhava o céu e seu peito parecia explodir de alegria. Era o que sempre desejou.

— Qual é a nossa música?
— Não sei...
— É que todo casal tem uma música. E eu sempre quis ter uma, sabe?

...

— Nossa música pode ser essa. Os grilos cantando, esses trompetes ao fundo...

Foi então que percebeu: não era apenas um casal. Não eram apenas namorados.
Eram irmãos. Mais do que isso, amigos. Unidos por teias, laços e mistérios do universo.

Agora, no quarto, pensava como poderia definir isso. Lembrou-se de Aristóteles: a amizade é um bem supremo que conduz à plenitude humana. Buscou no dicionário: "Amigo, s. m. Homem ligado a outra pessoa por laços de amizade; defensor, aliado". Concluiu que era exatamente aquilo: a sua amizade era uma aliança, um bem supremo, um valor que o conduzia à plenitude.


E também soube que seus outros amigos carregariam os laços construídos, mesmo seguindo caminhos diferentes. Fitas indestrutíveis.

Pequenino trecho sobre a amizade

É difícil falar de amizade. Não que seja algo doloroso ou que eu tenha memórias fatídicas a respeito - é difícil porque amizade não é definível, não é uma massa capturável que se aprisione entre vogais e consoantes. Sem uma linha limítrofe, sempre fora árdua a tarefa de selecionar e determinar quem eram, afinal, os meus amigos. Nem sei se, dentro da minha perspectiva, um dia eu tive algum. Linearmente, estou quase certo de que nunca tive mesmo. Antes que isto se torne um depósito de choramingos piegas, quero ressaltar que, sim, eu acredito na existência de um compartilhamento de momentos resultantes da chamada amizade. Só que, pra mim, ela é fragmentada. Acontece esporadicamente, vez por outra, quando a situação é propícia. O que me parece raro, mesmo, é um relacionamento de anos a fio sem interrupções necessárias. Acho que amigo é uma construção que se ergue e permanece por um tempo - quando a gente precisa, por exemplo. Mas pensar em uma temporalidade essencial para que uma amizade se efetive seria excluir aquelas uniões efêmeras que nos cercam a existência o tempo todo. E que nos preenchem do mesmo jeito. Negar que reencontros com aqueles velhos conhecidos são melhores do que o momento primário de encontro é mentir para si. Assim como recusar sensações maravilhosas por não ter por perto as antigas bases pessoais. Eu preciso das pessoas, sim. Não dá pra rir sozinho o tempo todo. Ou permanecer arremessando frases ocasionais contra a parede. Amigos, sem requisitos ou anacronicidade, são imprescindíveis a uma permanência terrena agradável. Só acho que o conceito de amizade nunca foi esse inseto empalhado num potinho de azeitona vazio. A idéia de amizade sempre veio pronta numa caixinha, mas não a vejo tão acessível assim. Não estou dizendo ter a verdade nas mãos. Esse é só o meu modo de pensar, exigido para a produção desse textinho. Que eu, prezando por meus amigos, terminarei aqui.

28 de novembro de 2010

Aqui jaz um homem velho, pequeno e teimosinho. Naquele caixão, só com o rostinho para fora, estava ele. Que nunca quis nada além do que podia. Não dava passo maior que a perna. Engraçado isso - ele foi extraordinário. No velório: centenas de pessoas. Amor demais esse homem tinha. A esposa, linda e chorosa. Mas serena. Tem muita fé. Saudade, saudade, saudade. É tudo o que a família sente. Ele foi duro, mas com razão. Viveu quieto e hoje tem paz. Eu sei. Numa capelinha tão abafada, poucos ventiladores e gente demais respirando... chorando. Os mais idosos sentados. Os netos perplexos, negando muito. Uma menina, uma neta, a do meio. Chorou como sempre chorava. Faz cara feia, torce a boca e soluça muito. Aparecia e ia embora. Não se lamentava pela perda. Ela não havia perdido nada. O avó estava ali. No caixão e em uma foto 3x4. Cemitério morro acima: pessoas demais ainda. Sol forte. A esposa agradece, pede reza. Pai nosso e Ave Maria. O homem foi sepultado. A neta fica. Chorando manso, olhando do túmulo vizinho. Rapaz do lado, abraçado, chamando. Ela vai embora. Mão dada com a mãe. Ela de cinza -Mistura de luto e paz. Do lado da bochecha esverdeada do cadáver do avô, percebi que era ela. Colocou uma foto. Eternizou-se com ele. "A gente se vê. Eu te amo demais!" Não era só neta - mas amiga. Por isso que o corpo foi. Ela entendia pouco: seu primeiro enterro. Ela sabe que a foto não vale nada. Representação pura. Não sabe se o paraíso é verdade. Mas fez metáfora e se enlaçou com ele. Foi amiga: deixou ir. A paz tomou conta. Ficou a saudade. Mas só do toque. Avô e neta não se largam nunca. Ainda mais dois tão amigos.

Caro amigo,

Não sei o motivo mas quando decidimos o tema dessa semana a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma música que eu adorava cantar quando era pequena. Na época eu nem sabia direito o que exatamente eu estava cantando, só achava o ritmo legal, agora já vejo seu significado. Vejo na música em forma de carta uma melancolia, a esperança de que algo melhor está por vir e como as lembranças se tornam nossas grandes amigas ao longo de nossas vidas. Talvez essas sejam minhas abstrações ao ouvir a música que fala de um ano que está por vir... talvez não... mas é sobre nossas lembranças que vou escrever.

São nossas lembranças que nos trazem de volta aqueles momentos de alegria, que trazem a tona as tristezas e conflitos que nos tornaram quem somos hoje. São as lembranças que nos acompanham por toda a vida sem nunca nos abandonar, elas sempre estão logo alí, sempre prontas para nos fazer companhia. As lembranças são nossa forma de marcar o tempo, os anos que passam não são esquecidos, os momentos que nos marcam estarão ao nosso alcance nos anos que estão por vir... basta... não esquece-los.

Essas amizades são para a vida toda e todos temos elas sem nem mesmo nos darmos conta!

Mas chega de filosofar certo!? Todos devem estar se perguntando que música é essa? E aqui vai ela...

L'Anno Che Verrà
Caro amico ti scrivo così mi distraggo un po'
e siccome sei molto lontano più forte ti scriverò.
Da quando sei partito c'è una grossa novità,
l'anno vecchio è finito ormai
ma qualcosa ancora qui non va.

Si esce poco la sera compreso quando è festa
e c'è chi ha messo dei sacchi di sabbia vicino alla finestra,
e si sta senza parlare per intere settimane,
e a quelli che hanno niente da dire
del tempo ne rimane.

Ma la televisione ha detto che il nuovo anno
porterà una trasformazione
e tutti quanti stiamo già aspettando
sarà tre volte Natale e festa tutto il giorno,
ogni Cristo scenderà dalla croce
anche gli uccelli faranno ritorno.

Ci sarà da mangiare e luce tutto l'anno,
anche i muti potranno parlare
mentre i sordi già lo fanno.

E si farà l'amore ognuno come gli va,
anche i preti potranno sposarsi
ma soltanto a una certa età,
e senza grandi disturbi qualcuno sparirà,
saranno forse i troppo furbi
e i cretini di ogni età.

Vedi caro amico cosa ti scrivo e ti dico
e come sono contento
di essere qui in questo momento,
vedi, vedi, vedi, vedi,
vedi caro amico cosa si deve inventare
per poterci ridere sopra,
per continuare a sperare.

E se quest'anno poi passasse in un istante,
vedi amico mio
come diventa importante
che in questo istante ci sia anch'io.

L'anno che sta arrivando tra un anno passerà
io mi sto preparando è questa la novità

O Ano Que Chegará
Caro amigo te escrevo assim me distraio um pouco
E como você esta muito distante mais forte te
escreverei De quando você partiu ha uma grande
novidade O ano velho acabou afinal
Mas alguma coisa ainda não vai

Se sai pouco a noite inclusive quando é feriado
E tem quem colocou sacos de areia bem perto da janela
E estamos sem falar por semanas
E para aqueles que não tem nada a dizer
resta muito tempo

Mas a televisão disse que o novo ano
Trará uma transformação
E todos estamos já esperando
Será trés vezes natal, e feriado todos os dias
Cada Cristo descera da sua cruz
Também os pássaros retornarão

Se terá o que comer, e luz o ano todo
também os mudos poderão falar
enquanto os surdos já o fazem

E se fará o amor, qualquer um como quiser
Até os padres poderão se casar
mas somente depois de uma certa idade
E sem grandes problemas, alguem vai desaparecer
Serão talvez os muito espertos
E os cretinos de qualquer idade

Veja caro amigo que coisa te escrevo e digo
e como sou contente
de estar aqui nesse momento
veja, veja, veja, veja
veja caro amigo que coisa se deve inventar
para poder se rir encima
e continuar a esperar

E se esse ano passasse em um instante
veja meu amigo
como se torna importante
que eu esteja presente nesse momento

O ano que está chegando daqui um ano passará
Eu estou me preparando, é esta a novidade

Meu amigo

Essa semana o Sem Pauta vai falar de um daqueles temas que ninguém de fato sabe o que é exatamente: Meu Amigo. A única coisa que sabemos é que o assunto dá pano pra manga! Vamos ver o que vai sair essa semana dos nossos queridos blogueiros!

Uma vida em quadros

Encontrou-a cruzando uma avenida movimentada;

Ela pareceu não notar quando ele passou ao seu lado;

Deu meia volta e passou a segui-la de longe, observando o seu andar sensual;

Ela olhou o relógio e viu que estava atrasada;

Apressou o passo. Precisava chegar em casa antes do marido;

Começou a andar mais rápido quando viu que ela se afastava;

Cortou caminho para segui-la mais de perto;

Ela chegou ao portão de casa e começou a procurar sua chave;

Ele surpreendeu-a, chegando de mansinho;

Entrou em pânico e começou a dar acertar a bolsa na cabeça dele;

Finalmente se reconheceram;

Aos beijos, entraram em casa;

Se amaram no sofá;

Dormiram, sem se preocupar com o marido que chegaria em casa em menos de meia hora...

Continua no próximo volume

Um gibi e um café

Fechou os olhos em contentamento e abriu a porta daquela grande revistaria. Era o lugar que mais lhe dava a sensação de paz e de novo. Todo o resto conseguia cair na mesmice tão rápido, mas ali sempre havia um sentimento muito grande de possibilidades, como que só coisas boas pudessem ocorrer. E como precisava de coisas boas... Não! Não era hora de pensar naquilo. Próximo parágrafo!

Andou vagarosamente pelo lugar, passando os pés levemente pela tábua corrida, sentido o chão corresponder com um barulho tão familiar à sua presença e ao seu peso. Sentou em uma das mesas e se pôs a olhar e sentir que estava ali, e que tudo estava bem, mesmo que aparentemente. Opa! Nada disso. Levantou as mãos e sorrindo, chamou a atenção da garçonete. Óh, que estranho era sorrir: se sentiu desconcertado, besta. A verdade é que carregava uma feição séria há muito tempo consigo. A típica feição que não tem a intenção de revelar o que há por dentro, apenas nos proteger e aos demais do que há escondido. Ah, que venha o café!

A cena a seguir lhe pareceu quase cinematográfica: a câmera acompanharia a garçonete de guarda-pó xadrez, que chegaria à mesa, depositando o café em frente a ele. Num close, ele sorriria, e os telespectadores saberiam que algo estava por vir. A verdade é que o tempo passou e nada demais aconteceu, a não ser uma mosca pousar em seu braço e voar para longe. Mais nada. Que ilusão imaginar que daria um filme sua vida. Aquela enorme Antártida fria e desabitada que havia transformado sua única chance de ser e estar. Ah, quanta bobagem sua mente era capaz de pensar!

O café havia esfriado. Impossível de beber. Olhou para ele e se interessou pensando que era o mesmo café, mas a temperatura fazia tudo mudar. Haveria ele mesmo se transformado num café frio? Ah! Estava mais do que na hora de pegar um gibi. Correu à prateleira e passando os dedos por aquela vastidão, deixou o destino lhe escolher o ideal quando seu dedo resolvesse parar. Feito isso, pegou-o e voltou-se à mesa.

Sentado, com o gibi em mãos, recordou como que as histórias em quadrinhos e gibis lhe lembravam muito seu pai, que todo aniversário lhe presenteava com os gibis mais marcantes de sua infância. Ai, seu pai lhe irritava agora! Sempre perguntando quando sairia com os seus amigos, quando arrumaria uma namorada, quando pararia de estudar como se pudesse deter todo o conhecimento do mundo, quando seria um adolescente normal... Ele não lhe entendia. Ele estava errado.

Ele estava errado.

Balançou a cabeça afastando tudo da mente e pôs-se a ler o gibi. A garçonete veio para recolher a xícara. Depositou o olhar sob o gibi e depois sob o garoto:

-Isso é um mangá, você está lendo errado.
-Por que?
-Está começando pelo fim.

Mas que puxa!

Fiquei feliz quando definimos o tema do Sem Pauta essa semana. Afinal, estamos falando sobre sobre algo que eu tanto gosto: histórias em quadrinhos. Por isso, estando eu em uma zona de conforto, vou (arriscar) falar sobre muitas histórias em quadrinhos, passando por diversos autores, costurando diversos tipos, títulos, gêneros, etc.

Começando com um parabéns para Alan Moore (o aniversário dele foi semana passada, no dia 18), um dos melhores quadrinistas de todos os tempos. Gosto de duas obras de sua autoria: Watchmen e V de Vingança.

Watchmen eu só tive oportunidade de conhecer assistindo ao filme (que é fantástico, diga-se de passagem). Já V de Vingança é uma paixão. Desde os meus quinze anos, quando vi o filme pela primeira vez no SBT ("pela primeira vez na televisão..."), legendado e com direito a todos os cortes possíveis. Depois disso, resolvi ler todos os quadrinhos - o que não levou mais do que dois dias - e comprar aquele DVD para mim.


Mas toda a minha admiração por quadrinhos não se restringe a Alan Moore. Saindo de roteiros sérios para dramas adolescentes e histórias mais leves (mas não fugindo muito do clássico traço americano), cito Spider-Man Loves Mary Jane. Nunca li, mas adoro os traços e artworks - e porque sou fã do Homem-Aranha e da personagem Mary Jane também.

Outro autor, talvez meu favorito de todos, seja Charles Schulz. Quando o assunto é Peanuts, estou eu lá, defendendo, pagando de fã número um – tanto que tenho as duas edições de Peanuts Completo traduzidas para o Brasil.

E eu não poderia deixar de falar sobre as graphic novels que eu li. Tem Retalhos, que não me agradou tanto, mas não deixa de ser uma leitura para uma noite sem sono, e Persépolis, uma das poucas – se não a única - história adaptada para o cinema que eu gostei.



E é assim. Sigo nessa vida de leituras de quadrinhos e pensando que tudo que faço poderia ser resumido em tirinhas:


Meus heróis não tem poderes

Eu nunca li comics.


E não está entre minhas prioridades fazê-lo. Quanto a este tipo de ficção, sempre fui o espectador de filmes que não lê os livros: a tv me educou sobre super-heróis de maneira eficaz e satisfatória. Mas, por motivo incógnito, dois de meus personagens preferidos tiveram uma ligação tão intrínseca com os quadrinhos que, indiretamente, acabei criando uma paixão pálida, porém sadia, pelos mascarados de bom-caráter.


Michael Novotny - ok, Queer as Folk é um seriado do arco-da-velha que não fede nem cheira pra mais ninguém, mas o modo como os quadrinhos deram uma guinada ao pobre rapaz vazio de perspectivas me é crucial para o desenvolvimento do texto - só soube o que queria quando comprou a loja de comics do bairro: somente seu entendimento inumano acerca dos super-heróis garantiu-lhe aquela sensação de abraço na vida construída, ainda que de maneira excêntrica.


"Porque, talvez de forma não intencional, aqueles super-heróis eram como eu. No trabalho eles são humildes, pouco apreciados... E quando estão com outras pessoas, além de nunca transarem, mantêm distância para não revelarem seu verdadeiro eu. Eles sobrevivem aos vilões, monstros e forças que querem destruí-los. No caso do Superman, por exemplo, temos a kriptonita a qual ele não é imune, mas, no final, sabemos que sobreviverá e será capaz de salvar o mundo. Eu acredito que o mesmo vale para nós. Foi o que aprendi com os quadrinhos."


Sim, ele tem a fé cândida de um infante de cinco anos - e isso é o que mais me encanta. Não é divertido, penso, se aventurar com Clark Kent se você acredita que, no fim, Lex Lutor vencerá.


Já Seth Cohen - isso mesmo, hoje é o dia dos seriados cancelados -, além de ser minha garantia de risada e movimentação das borboletas estomacais, me mostrou que nosso cotidiano, nossas amizades e peripécias ocasionais são tão divertidas quanto uma edição de qualquer comics. Me ensinou que a ficção está aqui mesmo, nessa cadeira que uso pra escrever. Está no começo de manhãzinha falando mal do tempo, no fim de tarde assistindo a reprise de Clube dos Cinco, na madrugada do campeonato de diálogos improdutivos. Seth, além de me imputar o desejo pelo banal de cada dia, praticamente me educou a suportar as coisas com bom-humor e boas referências dos quadrinhos. Cada um dá seu jeito com o que tem - Batman não precisa do anel do Lanterna Verde, que não dá a mínima pra velocidade do Flash, que não carece da força do Superman. Mas, juntos, funcionam melhor.









































O fato é que os quadrinhos acabaram tendo um significado imponente e maior pra mim também. Os quadrinhos, quando observo meus pensamentos, são determinado sonho a ser trabalhado e certa dose de alegria diária. São um insumo imaterial, uma representação. Do que já é, e do que vai vir.