Revolta! Mesmo?

Quem acompanhou o caso do sequestro da "menina Eloá" com certeza ficou revoltado com a situação. Quem não acompanhou, provavelmente também ficou.

Confesso que mal acompanhei. Assisti flashes, li notícias esporadicamente, mas escutei muitos comentários. A maior parte, de revolta - ou contra o sequestrador, ou contra a polícia.

Vamos por partes, então:

Concordo plenamente com quem diz que um cara como o tal do Lindemberg é um imbecil. Me desculpem o termo, mas é verdade: fazer o que ele fez por causa de uma pessoa é algo imcompreensível. Tudo bem que o amor é isso ou aquilo, é importante e tudo mais, mas alguém que baseia toda a sua vida na presença de outra pessoa não é nada racional. O namoro acaba, e aí? Não adianta querer acreditar que os relacionamentos são eternos. Temos que viver não só pelos outros, mas por nós mesmos: ter os nossos próprios sonhos, corrermos atrás das nossas próprias conquistas. Viver plenamente pelo outro e não ter outros motivos para viver dá nisso.

Além disso, a polícia paulista já está cansada de comprovar a sua incopetência. Primeiro, por permitir que um sequestro como este se arraste por mais de 100 horas. Depois, por ter tentado resgatar as reféns e não ter conseguido. Se não tem capacidade de cuidar de um sequestro simples como este, então o povo paulista - e brasileiro, pois os problemas não são só em SP - está muito lascados.

A mídia, também, não colabora. Sempre buscando um caso polêmica. Já não bastou o João Hélio e a Nardoni? Ainda me aparecem ao vivo com o sequestrador no ar em um certo canal de TV. É o fim.

Mas o pior de tudo é a hipocrisia das pessoas. Quantas morrem por aí e ninguém dá a mínima? Quantos meninos e meninas são sequestrados e desaparecem todo ano, e ninguém quase nunca fala algo? Aí, por quê uma "menina bonitinha" morreu, depois de ter sido sequestrada pelo namorado (ou ex? não dou a mínima) que era SETE anos mais velho (começaram a namorar quando ela tinha 11 anos, e ele 18. Legal, né?), até nome de comunidade no Orkut mudaram em sua homenagem. Não bastou criar uma em homenagem a ela. Sim, tem gente que gosta de aparecer com a desgraça alheia.

Me desculpem a minha pseudo-revolta com a incopetência e hipocrisia geral, mas tem horas que é difícil de aguentar. Agora, com licença que vou ali pingar meu colírio alucinógeno - só assim pra aguentar coisas como essa...

Cada vez mais virtuais

O orkut já era?Que nada! Agora há uma nova moda que está movimentando o maior site de relacionamentos do país: o Buddy Poke! Os bonequinhos personalizados são os responsáveis pelas atualizações mais frequentes nos perfis das pessoas. Para mim, o sucesso do Buddy Poke pode ser visto sob duas óticas: as pessoas precisam cada vez mais se autoafirmar perante os outros e, ao mesmo tempo, sentem-se cada vez mais propensas aos relacionamentos virtuais.

Isso mesmo!Quem cria seu Buddy Poke é você mesmo e, portanto, é você quem define o que vai ser, como se enxerga e como gostaria que os outros o enxergassem. Quer maior prova de necessidade de autoafirmação do que isto? Em um mundo virtual, o que importa é a aparência que denotamos nele, como nos mostramos através de seus dispositivos e, o mais importante, que estejamos presentes virtualmente!Paradoxo? Nada disso! A presença via msn muitas vezes é mais real e rende conversações muito mais profundas do que aquelas que temos quando estamos face-a-face com alguém. Sim, isso porque vivemos em um mundo que não pode esperar para que as pessoas se sentem para conversar. Qualquer conversa pode acontecer enquanto fazemos milhões de outras coisas: ouvimos música, lemos um email, fazemos um trabalho ou pesquisa pela internet...Tudo bem que a tecnologia possibilita manter contato e matar a saudade daquela pessoa que está láaa longe, mas até que ponto estamos realmente mantendo "contato"? Nada presencial, é claro. E é aí que entra o Buddy Poke. Através dele é possível manifestar aquela sua vontade de dar um abraço, de beijar ou mesmo de irritar alguém. Contato físico. Relacionamento de pele. Claro que tudo isso sem pele ou sem físico de verdade, a não ser aqueles que você escolheu personalizar para você mesmo.

E aí vamos nós. Cada vez buscando mais mecanismos para solucionar a necessidade de aproveitar o tempo fazendo as coisas cada vez mais rapidamente. Daqui a pouco, não será mais preciso sair com os amigos. Aposto que o orkut vai disponibilizar, em breve, a opção "Fulano foi tomar uma no barzinho com ciclano" de pokear seus amigos. Sim, para que sairmos de casa e perdermos tempo social presencial se podemos beber uma cerveja virtual enquanto fazemos aqueles milhões de coisas que eu citei antes? Ei, peraí!Será que cerveja virtual mata a sede em um calorão como esse?Aposto que a internet vai trazer soluções para isso também...

A voz da verdade?

Temos a tendência de sermos a voz da verdade. Buscam-se evidências, montam-se quebra-cabeças, desvendam-se cenários maiores, grandiosos! Tudo ali, na sua mão, o poder. Quarto Poder...nada disso. Dono da verdade? Falamos que não, mas agimos pensando que sim.

Apontamos os defeitos dos outros, pedimos justiça...aquele ladrão ali não pode ficar impune!Afinal, ele lesou muitas pessoas!As criancinhas tão ali ó, passando fome porque aquele político corrupto desviou as verbas da merenda escolar!Não, mata esse homem aí por favor!

Ué...a justiça tem que ser feita não?!Tem...mas, vamos pensar por um outro lado.

Quantas pessoas já não foram lesadas por "investigações" jornalísticas mal feitas?Exemplos não faltam, pense aí. E o político que traiu a esposa?Absurdo! E toda a vida privada daquele político, que antes de tudo, também é um cidadão como você é escancarada. Isso é interesse público? Acrescenta algo? Ou é mais uma fofoca para se comentar alguns dias e depois cair no esquecimento? Mas, e como fica aquela vida ali que foi afetada? (Não que eu esteja defendendo tal ato obviamente) E o que o jornalista omite, também não pode causar prejuízo a várias e várias pessoas?

Justiça!Justiça?
- Não...ehhh...eu errei nesse caso, mas perdão! Olhe pra trás, olhe a minha história, tanta coisa boa que eu fiz! Prestei bons serviços à sociedade!Errei, mas mereço uma chance hein?
- Tudo bem, vai lá.
- Obrigado, isso não acontecerá mais!

Opa...o que é aquilo ali? Um jogador conversando com um traficante...será que eles tem negócios juntos? Isso dá um furo!Vai ser a notícia da semana!
(aliás que tendência que os jornalistas têm de fazer o trabalho da polícia não?)

Abra o olho!

Reflexões sobre a futura profissão

Ao entrar na faculdade, diversas vezes fui surpreendida pela pergunta fatídica: "Afinal de contas, por que você decidiu fazer jornalismo?". No começo, a reposta óbvia que me ocorria era: porque, além de gostar de escrever, queria estar por dentro de tudo que estava acontecendo, podendo falar sobre um assunto diferente a cada dia e ter o importante papel social de informar as pessoas, mostrar a elas o mundo.

Hoje, depois de quatro semestres de vivência dentro do curso de Comunicação Social, as desilusões por vezes vencem o entusiasmo. A ideologia que carregava parece não fazer mais muito sentido. Afinal, quem quer procurar o trabalho de um profissional de jornalismo para saber sobre o mundo se a cada segundo milhares de não-jormalistas conseguem transmitir informações imediatas sobre qualquer assunto que se queira saber através da internet? O papel de intermediar a opinião muito específica dos especialistas e traduzir esta para as pessoas comuns também parece não fazer sentido diante de sites em que as pessoas podem falar diretamente com estes especialistas e ter acesso aos "conselhos" e dicas deles.

Pensar o jornalismo como forma de expressão da liberdade e oportunidade para conhecer-se sobre o assunto que quiser? Esquece. A lógica da profissão hoje está totalmente engessada pelos valores (inclusive os de venda de notícias) das grandes empresas de comunicação. Não se pode pensar diferente do que a organização impõem. E sua pauta só será interessante se ela puder ser vendida como tal para o maior número de leitores/espectadores. Essa é a pretensa objetividade pregada por eles. Além disso, ainda que a liberdade de expressão seja um direito de todos, só vai ter voz aquele que conseguir atender aos requisitos da "censura interna" das grandes corporações. E é justamente aí que a discussão sobre a exigência do diploma de jornalismo para profissionais da área encontra o maior problema. Como definir que se deve exigir um curso superior para se poder atuar na área se, depois que saem das universidades, os jovens profissionais terão que reaprender tudo segundo a visão dos veículos em que irão trabalhar?Como citado por um professor meu: que o digam os cursos da Abril e da Folha, ministrados às pessoas que vão começar a trabalhar nas empresas!

Posso sim, ser ingênua, mas ainda acredito em jornalismo crítico e voltado para o interesse dos leitores, articulando informações com um certo posicionamento crítico. E abaixo à objetividade (principalmente aquela de fachada, pregada pelas organizações)! Que venham o compromisso com a verdade e a liberdade de desenvolver uma percepção crítica do mundo! Para leitores e jornalistas.

Santa Panfletagem, Batman!

Os dias que antecedem as eleições e, principalmente, o dia das eleições modificam completamente o cenário urbano. Me refiro, obviamente, aos milhares de "santinhos" espalhados pelas ruas da cidade.

A questão deveria ser mais discutida. Além da intensa poluição sonora e visual que as eleições carregam, ainda é uma afronta ao tão pertinente meio-ambiente. Quantas árvores são cortadas para que as pessoas joguem centenas de milhares de panfletinhos no chão? Não que eu seja ambientalista, mas é fato.

Levanto estas questões pois acredito, também, que é uma mídia saturada. Não vejo ninguém escolhendo seu candidato pelo panfletinho que recebe no dia da eleição. Ou escolhe? Aí teremos um problema mais sério ainda de falta de consciência política, já que deveríamos escolher nossos candidatos com critérios bem definidos e observando sua vida pregressa. As informações do panfletinho só enaltecem as "qualidades" e provavemente nem citam os desvios de caráter que o candidato X ocasionalmente possua.

Estas questões me incomodam, mas o que mais me intriga é: de onde surgem tantos panfletos ao redor das zonas eleitorais no dia de votação, se não se pode fazer a chamada boca-de-urna e o policiamento nos arredores dos locais de votação é ostensivo? Alguém, por favor, me explique.

[Eleições 2008] Resultados em BH

Márcio Lacerda - 549.131 votos (43,59%)
Leonardo Quintão - 519.787 votos (41,26%)

Devagarzinho e com um sotaque pão de queijo Quintão chegou lá, agora está no 2° turno. Lacerda, ao contrário, na hora de votar (acompanhado de suas melhores propostas, os seus amigos Aécio e Pimentel) mostrava certo nervosismo ao reclamar de ataques pessoais "anônimos", que segundo ele teriam prejudicado sua campanha. Márcio já previa que seu sorriso cativante não foi o suficiente.

Quintão investiu em propaganda, debates, passeatas. Político experiente, utilizou-se do discurso de que governaria para o povo, lutando por ele e que é parte dele. Contou histórias de sua esposa (uma "menina" segundo o próprio), falou de seus valores, sua experiência e por fim pediu "Pelo amor de Deus para apertar 1 e 5 na urna eletrônica".

Particularmente não fico feliz com o nível dessas eleições, foram poucas propostas. No entanto, me alivia ver que haverá um segundo turno. Não era concebível a idéia de um candidato ser eleito na imagem de outros dois políticos, sem esboçar nem sequer um sorrisinho amarelo. O segundo turno trará debates e mais discussões pertinentes a cidade.

O cenário se inverteu. Agora Leonardo Quintão é o favorito. Atrás por menos de 30 mil votos, contará certamente com apoio de alguns candidatos do 1° turno. Lacerda agora terá que correr atrás de alguma forma, e abrindo a boca de preferência. Seu vice do PT, Roberto Carvalho, já apela convocando o apoio de Patrus Ananias...sim, pediu pra ele mesmo, pro ex-prefeito que sempre foi contra a aliança.

Por fim, ainda sou obrigado a ler uma coisas dessas: "Para Roberto Carvalho, o segundo turno agora se caracteriza por um embate clássico. 'O que vamos ter é a esquerda de um lado e a direita demagógica e populista do outro', afirmou." (Retirado do blog das eleições do Portal Uai aqui). Sim, agora temos uma luta de classes, com o empresário Márcio Lacerda representando a esquerda.

Rosa demais

Fofoquinhas, fotos compremetedoras, flagras nem-tão-flagrantes-assim, poses, sorrisinhos forçados e um bocado de pimenta nos olhos dos outros! Esse é, basicamente, o conteúdo da chamada imprensa rosa.Para os estudantes de Jornalismo, o perfeito exemplo deste tipo de cobertura jornalistica são revistas como Tititi, Contigo e Caras e o site Te Dou Um Dado.

Renegado por quase todos, inclusive por mim, esse tipo de notícia tem se dispersado pelo chamado “noticiário sério”.

Mas agora momento futilidade: fala sério, quer jornalismo mais fácil de fazer? Até eu acho que me divertiria horrores nesse emprego! Informações pouco apuradas, fotos extremamente mal-tiradas, opiniões absurdas para todo lado, repertório baixíssimo de clichês...

 

Então, prepare-se! Aí vai uma amostra de que eu até me daria bem nesse emprego...

 

No finalzinho do mês de setembro, a sra. Dado Dolabella, também conhecida como Luana Piovani, esteve visitando o campus da UFMG, em Belo Horizonte. Quando questionada sobre qual curso gostaria de fazer, a loira disparou que faria Design de Moda, novo curso da Universidade, ou Comunicação Social, se conseguisse suportar os alunos “chatos, arrogantes e egocêntricos”.

 

Gente, realmente ela ficou traumatizada com as investidas da mídia carioca!

Nós aqui do SemPauta, o blog mais legal de todos, construído pelos alunos mais maravilhosos de todo o mundo,  mandamos um saudoso abraço pra você, pra provar que nem somos tão egocêntricos e chatos  assim!

 

 Queridinha da MTV Brasil, a nova banda 9 Mil Anjos  (9MA) também poderia se chamar Os Excluídos Querem Ser Alguma Coisa. Que tal?

Composta por Júnior Lima – ex-Sandy&Júnior – na bateria, Champignon – ex-Charlie Brown Jr. – no baixo, Peu Sousa – ex-Pitty – na guitarra e Perí Carpigiani – até então desconhecido (ele pode até ser ex-alguma coisa, mas a gente respeita assim mesmo) – no vocal, 9MA já estreou com especial de 2 horas da MTV, que cobriu a gravação do álbum nos Estados Unidos, e show no VMB 2008.

 

É isso aí, Júnior! A gente dá mó apoio pra essas flexibilizações musicais! Só não pede pra gente gostar da música, beleza? (E não olha com essa cara de rockeirinho "odeio-quem-não-entende-a-minha-música", porque  teu passado te codena...)

 

 Xuxa, a rainha dos baixinhos, até que enfim vai passar por um teste psicológico. E não, não é pela sua extensa fase infantil. Segundo informações da Coluna Zapping, da Folha de S. Paulo, o pedido de exame psicológico foi requerido pela 48ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que atendeu solicitação do advogado da rede Bandeirantes de Televisão. Xuxa está processando a Band pela exibição de uma foto sua pelada, imagem que ela própria teria se empenhado para recolher da memória pública. Xuxa alega que a exibição teria lhe causado “dano psicológico”. E de quanto é a indenização? R$ 5 milhões. E isso porque ela nem é tão inteligente...

 

Dano psicológico é o que os candidatos da minha cidade estão me causando. Sujeira, barulho e boca-de-urna. E eu ainda vou ter de pagar os salários deles...

Em defesa do Mago

Começo a minha participação por aqui defendendo "lixo". Muita gente detesta Paulo Coelho e pode ter lá suas razões, mas eu decidi assumir minha afinidade com este senhor de sessenta e poucos que é, por alguns, aclamado como o escritor mais traduzido do mundo - 67 versões de O Alquimista, ok?

Em terras tupiniquins Coelho é tratado por diversas pessoas como a escória da Literatura Nacional. Permitam-me discordar de todos vocês. Ele pode não ser o maior literato brasileiro nem talvez ter escrito as obras mais relevantes que nasceram na língua portuguesa, mas não é cortês rejeitar o valor e a influência de sua obra, tanto para os leitores brasileiros quanto, principalmente, para o mercado internacional. No exterior, nos muitos países onde sua obra chegou, Paulo é tratado como celebridade. E essa é, talvez, uma das críticas direcionadas a ele: um escritor simplesmente vendido, que direciona suas obras para um objetivo puramente comercial.  Na minha humilde opinião - e humilde mesmo, por não ser nem crítico de literatura consagrado nem grande detentor do conhecimento em teoria literária - essa característica, real ou não, não tira o prazer de acompanhar as descobertas místicas de Brida, deleitar-se na coragem de Onze Minutos ou simplesmente viajar nas reflexões do Guerreiro da Luz.

Comecei a levar a leitura a sério com Paulo Coelho, no meio da adolescência, e talvez esse seja um grande valor deste autor: a Iniciação de jovens leitores. Ainda assim, encará-lo estritamente desta maneira é uma visão reducionista e hipócrita. Lá fora, seus fãs incluem grandes figuras dos governos, diplomatas, milionários, sheiks árabes, pessoas das altas camadas sociais e das baixas também. Levar Monsieur Coelô a qualquer grande cidade é ingrediente suficiente para semear uma multidão sedenta por autógrafos. Largamente comercial, sim. Mas isso não tira o valor de escritor nenhum.

A motivação deste post é o meu envolvimento com O Mago (não, não estou tendo um affair com ele =D), biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais. Promete muito. Depois conto tudo pra vocês.