Ronaldo FC

Melhor jogador do mundo três vezes: 1996, 1997 e 2002. Bicampeão mundial (1994 e 2002), maior artilheiro da história da Copa do Mundo, segundo maior artilheiro da Seleção Brasileira e dono de gols e atuações fantásticas.

Melhor jogador do mundo duas vezes: 2004 e 2005. Campeão mundial (2002), dono de grande habilidade e precisão.

A primeira descrição é de Ronaldinho Fenômeno e a segunda de Ronaldinho Gaúcho. Ambos foram os melhores do mundo, comparados a Pelé, idolotrados...hoje os dois vivem a incômoda situação de alvos da imprensa "ok, ok". Barrigudos, baladeiros e desacreditados.

Fenômeno (apelido que ganhou por sua atuações na Internazionale) já passou por vários dramas na carreira e na vida pessoal. O franzino garoto que despontou no Cruzeiro ganhou corpo, fama, títulos, dinheiro, mulheres, dores e escândalos. Com pouca idade já havia ganho tudo na carreira, inclusive uma séria lesão no joelho que o deixou longe dos gramados por mais de 1 ano. Quando muitos já não acreditavam na sua volta, Felipão (técnico da Seleção de 2002) deu-lhe uma chance. Felipão ainda enfrentou a opinião de muitos torcedores e jornalistas não convocando o baixinho Romário que já no auge da idade ainda era o melhor atacante brasileiro disparado. Chegou a Copa e com ela as atuações decisivas do artilheiro Ronaldo. Deu a volta por cima da melhor forma possível. Após isso, uma passagem cheia de altos e baixos no Real Madrid e uma posterior transferência para o Milan, onde voltava a ter boas atuações, mesmo que de longe sem o brilho do garoto de arrancadas sensacionais. Contundiu-se novamente.

Resultado: notícias e mais notícias sobre suas namoradas, noitadas, envolvimento com travestis (ok, ele pisou na bola por ser um ídolo e uma referência), fotos indiscretas nos seus momentos de lazer...isso tudo recentemente. Durante a carreira teve que lhe dar com o descrédito de contusões, especulações sobre a ainda mal explicada convulsão na final da Copa de 98...

Já Ronaldinho Gaúcho - nome recebido exatamente para o diferenciar do Ronaldo anterior - despontou no Grêmio com dribles sensacionais (inclusive "encerrou" a carreira de jogador e do atual técnico da seleção Dunga com direito a chapéu). Chegou no PSG onde ganhou grande visibilidade mundial e um contrato com o Barcelona. Lá, o clube se encontrava por baixo, não ganhava o Espanhol há vários anos. Ronaldinho ergueu o clube, comandou a equipe, ganhou vários títulos e ajudou a impulsionar a carreira de alguns jogadores como Eto´o. Em uma das suas exibições inesquecíveis se encontra o jogo contra o rival Real Madrid onde deu show e foi aplaudido de pé no estádio do adversário por todos os torcedores.

Resultado: notícias e mais notícias sobre suas namoradas, noitadas e falta de comprometimento com a vida de um atleta. Não havia mais clima para continuar no clube onde se consagrou.

É evidente que os dois Ronaldos não são santos e curtam suas noites. Mas isso é muito, muito pouco pela história que construíram e que nunca será apagada do futebol. A falta de reconhecimento por tudo que fizeram é absurda. Fenômeno sempre ganhou títulos, artilharias e lutou contra as adversidades. Em mais um momento de dor para o atacante que tem sua carreira posta em cheque, há um bombardeio de notícias sobre sua vida pessoal. Detalhe: o jogador não tem vínculo com mais nenhum clube de futebol, o que lhe permite fazer da sua vida o que bem quiser. Entretanto, é preciso dedicação. O jogador já revelou o desejo de disputar a Copa de 2010. E não duvide que ele chegará... Lógico que ele não é o fenômeno do início de carreira, mas sem dois joelhos, barrigudo e lento, é melhor que 99% dos atacantes. Ronaldinho Gaúcho ainda que não tenha sofrido nenhuma lesão, talvez sinta falta de motivação, de alegria que sempre mostrou no seu futebol. Renegado no clube que ajudou a levantar segue agora para o Milan. Não tenho dúvida, voltará a ser o melhor do mundo.

Obs.: incrível como os sites esportivos brasileiros mais parecem colunas sociais do que um local de informações realmente esportivas.

Golaço do Fenômeno:


Ronaldinho Gaúcho no Real Madrid 0 x 3 Barcelona:

A (In)Justiça Brasileira

Qual não foi minha surpresa ao ficar sabendo que, em um recente caso julgado pela Justiça brasileira, a amante foi condenada a pagar uma multa bem exorbitante (R$31 mil) a ex-mulher do homem com quem tinha um caso. O fato, ocorrido no estado de Goiás, fez-me pensar sobre o alcance e o desempenho das instâncias jurídicas do país.

Que o Brasil é um país legalmente monogâmico, creio eu que quase todos sabem. Agora, e quanto ao adultério? É um caso previsto pela lei? Tem punições?Bom, meu pouco conhecimento sobre legislação me diz que não. Até porque se as traições fossem uma contravenção prevista em lei, a Justiça estaria pelo menos dez vezes mais abarrotada de casos por julgar, e o país estaria cheio de cornos felizes. Somente aqueles com poder de influência para agilizar e influenciar no processo, evitando a burocracia normal, é claro. Mas, caso a resposta seja positiva, quem deveria ser o réu em um caso desses? A(o) amante ou o(a) infiel? E como julgar os danos que isso causou?

Seria até interessante a criação das categorias de penalização. Se o traído tivesse filhos, a sentença seria grave. Se a traição durasse mais de 5 anos, sentença gravíssima. Agora, se a traição ocorresse mais de uma vez, durante todo o período de relacionamento, seria difícil explicar que a pena de morte não é autorizada no Brasil.

Brincadeiras a parte, fico me perguntando como os juízes brasileiros encontram tempo para julgar casos tão sem importância assim, enquanto tantos outros processos, muito mais urgentes e sérios, são engavetados e passam anos (se não décadas) sem solução. E depois disso tudo, ainda querem que o povo acredite que o encargo da terceira instância de poder do país, o Judiciário, é a justiça. Só podemos concluir que a estátua representativa desse poder faz juz à sua atuação. É cega às mudanças necessárias que estão diante de seus olhos, é surda aos apelos e necessidades populares e é muda o suficiente para não se pronunciar sobre seus erros.

Eu, Sardinha

É um drama particular diário de cada indivíduo o deslocamento do ponto X (sua casa) até o ponto Y (seu trabalho, escola, faculdade, e derivados), principalmente daqueles que não possuem veículos automotores próprios. Ou seja, enquanto não inventarem um meio de transporte melhor e mais eficiente, estamos sujeitos à boa vontade das companhias de transporte.

Levantar cedo já é um problema para muitos, como eu. Levantar mais cedo ainda, para pegar ônibus, é um problema maior ainda. E olha que eu moro relativamente perto, mas não perto o suficiente para ir à pé. Pelo contrário, moro longe o bastante para depender de ônibus e perto o bastante para sempre pega-lo cheio, após ter passado por várias e várias regiões amontoando pessoas em seu interior, que provavelmente tiveram que levantar mais cedo que eu.

Certo dia, em um ônibus lotado, levando pisão no pé e cotovelada no olho enquanto tentava passar para a parte de trás (nem discuto a mania das pessoas de se amontoarem na parte da frente), refleti sobre a situação do transporte público brasileiro. É um paradoxo cíclico complexo tal como uma montanha-russa gigante.

Pois imagine você, dono de uma companhia de ônibus. Deve pensar: “esta linha leva muitos estudantes para a escola e muitos trabalhadores para o trabalho, no horário de pico. Se eu reduzir o número de veículos, posso ganhar mais a cada viagem.” Daí, você, pobre e mero usuário do transporte público, pensa: “Por quê diabos eles não colocam mais alguns ônibus nesse horário?” É, meu amigo, é só o começo.

Depois de sofrer algum tempo com os ônibus, algumas pessoas pensam: “beleza, agora vou de carro!” E colocam mais um, mais dois, três, vários carros nas ruas da cidade. Juntam-se os carros, mais os ônibus, mais a pressa e impaciência geral, bate-se no liquidificador e coloca-se um pouco de atraso e aquela prova que você está perdendo, e obtem-se um belo bolo.

E isso, quando o ônibus, de tão cheio, resolve não parar no ponto. Uma hora depois, o ônibus seguinte faz a mesma coisa. No final das contas, você, atrasado, conseguiu se amontoar em um.

E fica lá, igual a sardinha na lata, já prevendo como será o seu retorno pra casa...

O bendito Habermas e sua esfera pública

Não é de hoje que todo e qualquer aluno de comunicação escuta sobre a importância de saber aplicar, na prática, alguma teoria. Então vamos para a aplicação. Há alguns dias, na aula de comunicação e política, estudávamos Habermas. Um texto tanto ao quanto cabeludo, aparentemente desconexo, mas diria profundo. Bem profundo. Ele falava da bendita esfera pública, tenho a impressão que ele sempre está falando disso, mas tudo bem. Bom, ele dizia que era a discussão na sociedade que trazia a legitimidade para alguma reinvindicaçao. Resolvi então aplicar essa teoria em alguma prática.

Pouco se falou da discussão sobre fetos sem cérebro, que teve ápice na semana passada. Essa discussão é um ótimo exemplo de como a bela teoria de Habermas pode ser visualizada. O grande questionamento girava em torno da permissão do aborto de mulheres grávidas de anencéfalos. Se permitia mesmo, ou não. Se era contra os princípios da moral e do bom costume ou não. Se era um direito da mulher ou não. E por mais que parecesse cansativo ouvir argumentos tão diversos e de naturezas mais diversas ainda, foi democraticamente maravilhoso de se acompanhar. Conseguiram reunir em mesmo espaço de discussão: kardecistas, políticos conservadores, médicos, especialistas em hipófise, católicos fervorosos, etc, etc, etc. Cada um com seu argumento, cada um sendo ouvido, independente de um consenso, o lado humano da coisa foi considerado, o lado biológico foi analisado e até os interesses políticos foram discutidos.

Não quero aqui analisar se o que aconteceu no final das contas foi justo ou não. Até porque, mesmo depois de uma decisão tomada, ainda vai haver muita discussão. O que é interessante é que a democracia do Habermas, venceu! Lindo! E depois de tanto odiar esse querido autor da comunicação, depois de tanto picaretar nos fichamentos porque não entendia nada, eu entendi! Eu entendi a esfera pública! E se esse texto foi ruim para você, querido leitor, pelo menos pense, ajudou um aluno da comunicação a entender Habermas. E a esfera pública. Brincadeiras a parte, para toda teoria existe uma prática. E esse é um exemplo de uma bela boa prática.

Resposta do deputado Leonardo Quintão

Como prometido a resposta do deputado Leonardo Quintão (ou da sua Assessoria) quanto as minhas indagações que podem ser vistas nesse post aqui

Meu email:


Senhor deputado,

estive no debate dos candidatos a prefeitura no campus da UFMG e ouvi as várias propostas dos vários candidatos.

Buscando informações sobre os candidatos, entrei na página da Câmara dos Deputados, na qual pude ver sua biografia, discursos e proposições.

Me chamou atenção o fato da maioria das proposições de sua autoria terem um grande foco em Ipatinga (cidade onde seu pai é prefeito) e um pouco em Governador Valadares. Teve alguma para Belo Horizonte durante o seu mandato de Deputado Federal?Porque para um candidato a prefeitura de Belo Horizonte que diz que há uma "falta de vontade política" - palavra usada pelo senhor durante o debate - isso soa contraditório.

Li suas várias propostas e leis de sua autoria e, outro fato que me chamou a atenção é de que o senhor não completou o mandato de vereador em BH, sendo no meio do mandato eleito Deputado Estadual. Agora, se eleito prefeito, também deixará seu mandato de Deputado Federal. O senhor não acha que isso é um desrespeito ao eleitor? As pessoas que te elegeram Deputado Federal com certeza não são de Belo Horizonte somente, o que elas acharão dessa sua troca de cargo?

Grato pela atenção e espero uma resposta que ajude na definição do meu candidato nesta eleição municipal.

Abraço,

Rodrigo Pitta

Resposta:

Olá Rodrigo,

Primeiramente, quero agradecer o seu contato e participação em nossa campanha.

Uma das maneiras mais expressivas que um parlamentar tem para contribuir para com o desenvolvimento de sua cidade é a emenda orçamentária. Cada deputado pode destinar cerca de 7 milhões de reais para obras e projetos nos municípios em que tem eleitores. Mais de 50% de minhas emendas (3,8 milhões) foram destinadas para Belo Horizonte, isso também pode ser conferido no site da Câmara.

Eu acredito que a carreira política de pessoas públicas deve ser construída de maneira progressiva e coesa. Quando vereador, fui um dos mais atuantes em meus dois anos de legislatura. Isso me fez crer que estava preparado para assumir uma responsabilidade ainda maior; uma responsabilidade não só para com o povo de Belo Horizonte, mas de toda Minas Gerais. Conclui meu mandato de deputado estadual certo de que meu papel foi desempenhado com eficiência e responsabilidade. As urnas confirmaram isso: fui eleito deputado federal com mais de 130 mil votos; e a maior parte desses veio de Belo Horizonte.

Isso só confirma o cuidado e atenção que tenho com nossa cidade. Se hoje sou candidato, é por acreditar que o tempo que cultivei como parlamentar me tornou uma pessoa preparada para gerir Belo Horizonte.

Quanto aos demais eleitores mineiros que contam com o meu trabalho, também não deixei de me preocupar. Antes mesmo de lançar minha candidatura, estabeleci um acordo com o suplente que virá a me substituir caso eu seja eleito, o deputado Marcos Lima. Ele continuará atendendo e designando verbas para o interior do estado, garantindo o sucesso do trabalho que comecei.

Espero ter esclarecido suas dúvidas e estou a sua disposição para quaisquer outras perguntas que deseje fazer. Continue entrando em contato e colaborando com a nossa campanha, sua participação é muito importante para nós.

Um abraço e obrigado, mais uma vez,

Leonardo Quintão

Considerações:

"Mais de 50% de minhas emendas (3,8 milhões) foram destinadas para Belo Horizonte, isso também pode ser conferido no site da Câmara."

Procurei na maior boa vontade em vários links aonde poderia estar, não achei. E fui bem específico falando das proposições de sua autoria, nessa página especificamente só há pedidos de verbas para Ipatinga, Governador Valadares e Caratinga. No máximo achei uma solicitação de informações quanto ao montante de recursos federais aplicados em obras de construção e ampliação do Metrô de Belo Horizonte/MG. Não que eu duvide, mas ele poderia ter dito o que foi feito, ou mandar o link. Até agora a única coisa que vi foi que o site da câmara está com má vontade com o senhor deputado.

"Eu acredito que a carreira política de pessoas públicas deve ser construída de maneira progressiva e coesa."

Já falei sobre isso também...penso que exatamente a palavra usada reflete o pensamento: carreira política. Não há a preocupação em concluir o mandato para qual foi eleito. Afinal, quando votamos buscamos profissionais da política ou algum representante que preste serviços da melhor maneira possível para a população?

Da-lhe “Globoalização”

Só para não perder o costume de falar de Globo e TV, vim aqui de novo tratar do(s) tema(s). Na semana passada, o Rio de Janeiro foi palco da abertura do Academy Day, fórum mundial de debates sobre a televisão. É a partir desse evento que é definido o Prêmio Emmy, espécie de Oscar do meio audiovisual. E, como o evento esse ano teve abertura na capital carioca, a emissora escolhida para dar início à solenidade foi...Adivinhem? A Rede Globo!

O discurso de abertura foi feito pelo diretor da rede brasileira, Roberto Irineu Marinho, que afirmou categoricamente que a emissora busca sempre a isenção das informações que passa aos telespectadores. Creio eu que ele está a anos-luz do que é discutido nas faculdades de comunicação sobre objetividade e neutralidade jornalísticas, e até mesmo sobre o que se fala nesse meio sobre o jornalismo contra-Lula e nada parcial da Globo. E por falar em Lula, ele também esteve lá! Com direito a discurso sobre liberdade de imprensa, segundo ele um dos fatores responsáveis por faze-lo chegar ao poder. E também um dos principais meios de divulgações de suas gafes, bom lembrar. Ainda teve espaço para elogios (leia-se puxação de saco) do governador do estado, Sérgio Cabral de Melo para a Globo.

Apesar de ser uma oportunidade para o país desenvolver e discutir melhoras no seu sistema de comunicação, o evento tem o problema de passar mais uma vez uma idéia errada sobre a questão da TV Digital. O muito que se fala sobre a inclusividade desse meio e de suas maravilhas tecnológicas ainda não pode ser sentida no Brasil, em que pouquíssimas pessoas têm acesso ao aparelho conversor das imagens de alta resolução. E falar da interatividade e das infinitas outras possibilidades que a TV Digital poderia proporcionar então...ih!Deixa para lá.

Mas alguns dados sobre a televisão na América Latina são bem legais. Eles podem ser vistos nessa matéria do site do Jornal Nacional (sim! Eu, além de assistir e criticar a Globo, ainda acesso seu portal online de informações).
Ah!E claro que não poderiam faltar as novelas. Agora elas serão uma categoria a parte no Emmy. Que isso seja um incentivo para a Rede Globo melhorar a qualidade das suas. A chance pode ser agora, com duas estréias. A nova novela das sete, Três Irmãs, começou na última segunda feira (dia 15 desetembro), e dia 6 de outubro começa a nova novela das seis: Negócio da China. Os nomes não convencem muito, mas vamos (literalmente) ver no que vai dar...

Sempauta.com de volta!

Pedimos desculpas aos nossos milhares de visitantes por esse tempo fora do ar. O motivo é mais do que justo, agora o nosso endereço está mais fácil de decorar: www.sempauta.com

Mas para evitar esse trabalhão de digitar isso tudo sugerimos que adicione o blog aos seus favoritos!

Enlatados

Dizem que algumas bandas nasceram para serem “profetas da sociedade”. Descartada a óbvia pieguice da expressão, há tempos a banda Legião Urbana falou dos enlatados importados para o Brasil, seja em forma de produto, seja em forma de iniciativa. Heresia das heresias, são os enlatado (nem sempre americanos) os produtos que mais fazem sucesso na programação da televisão brasileira, diga-se de passagem.

O primeiro grande sucesso importado foi a série infantil El Chavo Del Ocho, que foi traduzido para o português como Chaves. Exibido ainda hoje, Chaves foi o precursor de parceria feita pelo SBT com a emissora mexicana Televisa. Outro grande sucesso foi a telenovela infantil Carrosel, que apesar da aparente simplicidade na produção, conseguia preocupar a direção do Jornal Nacional graças ao crescimento de sua audiência.



Depois disso veio a infinidade de exibições compradas da emissora mexicana Televisa, como Maria do Bairro, Marimar, Maria Mercedes, A Usurpadora, Esmeralda e tantas outras. A não ser a dublagem, as obras não tinham qualquer adaptação visando o público brasileiro: eram exibidas tal e qual lá no México.

Hoje, a técnica de importação televisiva é outra: entramos na era das versões. E não é só no SBT, o rei dos enlatados, não... As quatro maiores emissoras do país já tem alguma versão de produtos exibidos inicialmente no exterior. No SBT, temos o Supernanny. Na Record, a versão do patético Simple Life. Na Globo, a explosão de audiência Big Brother (que chegou a concentrar 62% da audiência brasileira). E agora é a vez da Bandeirantes, com o fenômeno do momento: o Custe o Que Custar (CQC).

Veja a semelhança:



A versão brasileira do CQC é uma co-produção da Band com a Eyeworks-Cuatro Cabezas. Com mais de dez anos de sucesso no resto do mundo (as versões estrangeiras do programa no Chile, Argentina, Espanha e Itália já receberam ao todo sete indicações ao Internnational Emmy Awards), no Brasil não poderia ser diferente. O programa garantiu à Band o terceiro lugar de audiência no horário, com picos de 8 pontos no Ibope, atrás apenas da Globo, com 28, e da Record, com 16 pontos.

Dirigido pelo jornalista Marcelo Tas, que ficou famoso no papel do repórter Ernesto Varela (http://www.youtube.com/watch?v=ouD3VwhOZIw), o CQC é quase uma dispersão da Varelicidade em vários novos jornalistas. Misturando humor e competência, eles conseguem envolver o público em assuntos antes relegados a meios de caderno nos jornais, veículos que não são exatamente o preferido dos brasileiros.

O sempauta.com assume o apreço que tem pelo CQC, sobretudo pela expectativa destes pobres jornalistas que aqui escrevem um dia chegarem a fazer um jornalismo tão instigante quanto o do CQC. Todavia, lamenta a degenerada cópia proposta pela parceria da Band com a Eyeworks (aparentemente até da platéia!), já que somos capazes de não só produzir um formato bom o suficiente, como já fizemos isso.

O candidato da "vontade política"

Sim, eu gosto de politica e ainda tenho a desculpa de estarmos na época de eleições. Então, vou falar de mais um candidato: o agora segundo colocado nas pesquisas, Leonardo Quintão.

Quintão foi vereador de Belo Horizonte de 2001 a 2003, Deputado Estadual de 2003 a 2007 e Deputado Federal a partir de 2007. Seus projetos, realizações e etc podem ser conferidos no seu site.

Buscando mais informações sobre o candidato que vem crescendo nas pesquisas (ainda que longe de ameaçar o mudinho) entrei na página da câmara dos deputados. No site, cada deputado tem uma página que mostra seu perfil, biografia, proposições de sua autoria, proposições relatadas, discursos proferidos e etc. Se tiver a curiosidade divirta-se digitando o nome do seu deputado predileto aqui!

Entrei então em "proposições de sua autoria" do deputado Leonardo Quintão. Tirando os projetos de lei como emendas constitucionais, criação de prêmios entre outros, me chamou a atenção os pedidos de verbas e de obras. Pelo que pude perceber, os pedidos foram estes (lembrando que isto foi durante o seu mandato de deputado federal):

Ipatinga
- Sugere ao Ministério da Saúde a instalação de um hemocentro na cidade de Ipatinga, no estado Minas Gerais.
- Sugere a implantação de Delegacia da Polícia Rodoviária Federal no Município de Ipatinga, no Estado de Minas Gerais.
- Sugere auxílio financeiro da União para a construção de um Centro Regional de Convenções no Município de Ipatinga
- Sugere ao Ministério da Educação a criação de um Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET)
- Sugere ao Ministério da Justiça a instalação de uma delegacia da Polícia Federal no Município de Ipatinga-MG.
- Sugere ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a implantação de CEASA no Município de Ipatinga - MG.

Gov.Valadares
- Sugere ao Ministério do Esporte a liberação de recursos da ordem de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para custear projeto executivo de Estádio Municipal Universitário a ser construído em Governador Valadares-MG.
- Sugere ao Ministério da Defesa a reforma e ampliação do Aeroporto de Governador Valadares, no Estado de Minas Gerais.

Bom, quem esteve presente no debate no campus da UFMG com os candidatos a prefeitura, presenciou a ênfase de Leonardo Quintão que disse em vários momentos: "Dinheiro para Belo Horizonte não falta!Falta é vontade política!". Certo. E que vontade política é esta do senhor deputado que durante o seu mandato de deputado federal privilegiou obras principalmente em Ipatinga?Cidade que por sinal tem seu pai Sebastião Quintão como prefeito. Onde Belo Horizonte parou no meio de tantos pedidos?

Outro questionamento é quanto aos seus mandatos. Como vereador, deixou o mandato pela metade para se eleger deputado estadual. Agora, se eleito prefeito, deixará o seu mandato como deputado federal. Visto que nem todos que elegeram o deputado federal são residentes em Belo Horizonte, não seria isto um desrespeito aos seus eleitores? Será que eles concordam com o abandono de cargo para mais um passo na carreira política?

Todos esses questionamentos foram enviados por mim através do contato presente no site do candidato. Se obtiver resposta coloco aqui posteriormente.

Que vire argentino, então!

Lá vou eu falar mais uma vez de um assunto que não deve agradar nem gregos e nem troianos, ou talvez agrade ambos: futebol. Na verdade, futebol e política. Dizem que são dois assuntos que não se discute, mas vá lá: misturar de vez em quando é bom.

A nossa querida seleção brasileira não têm agradado, não tem apresentado o futebol que a transformou na maior potência do futebol mundial e a maior detentora de títulos internacionais. Afinal, cinco copas do mundo não são qualquer coisa. Atualmente, além de amargar um péssimo quinto lugar nas eliminatórias para a Copa 2010, teve um desempenho vergonhoso nas últimas olimpíadas, perdendo de forma humilhante para a rival Argentina.

Nisso, nosso querido presidente, Luiz Inácio, soltou algumas de suas pérolas. Sem pensar nas consequências, como na maior parte das vezes, o mandante nacional criticou os jogadores e teceu elogios ao hermano Messi.

Não vou ser hipócrita e dizer que ele está errado: concordo que a seleção está decepcionando, e que o argentino do Barcelona joga muito futebol, provando ser um dos melhores do mundo na atualidade.

Porém, as declarações do Luiz Inácio à imprensa provocaram revoltas nos jogadores da seleção. Lendo notícias de esportes na internet, me deparei com alguns comentários do goleiro Julio César. Admito, foram hilários - não pelos comentários, apesar de eles por si só serem divertidos, mas por toda a situação que o nosso querido presidente conseguiu criar - mais uma vez.

Tomo a liberdade de reproduzir alguns trechos da entrevista do camisa 1 brasileiro. Os créditos e a matéria completa você encontra aqui.

Então, vamos lá. Com a palavra, Julio César:

"Eu, que votei nele, fiquei muito chateado, principalmente porque ele citou o caso do Messi. Então vai morar na Argentina, vira cidadão argentino, renuncia à Presidência e talvez o Brasil vai melhorar alguma coisa."

"Se ele chega e dá uma simples frase de apoio, seria uma força e uma motivação a mais para a gente chegar dentro de campo, e não isso que ele fez. Acho que o presidente foi muito infeliz. O presidente não pensou duas vezes antes de falar."

Eu poderia dissertar sobre as mancadas de Lula, ou então discutir política. Mas este é um texto apolítico, sem a proposta de apoiar ou criticar nosso presidente e seu mandato. Isto fica para outro momento. Estou apenas me divertindo com o que ele diz. Hoje é sexta-feira, uai!

Quando é pra valer, a gente dá valor!

O que se espera de um blog são notícias próprias, mas sinto desapontar-lhes. A Rede Globo de Televisão através da equipe do Bom Dia Brasil fez uma matéria interessantíssima, a qual me dei a licença de transcrever.
Apesar de já sabermos de tudo isso por auto, é chocante ver a vergonha transformada em números.

Golpe contra a imagem do Congresso

Um estudo da organização Transparência Brasil concluiu que os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545,00!

Por ano, cada senador não sai por menos de 33 milhões de reais. O custo anual de um deputado é de 6,6 milhões de reais. Os valores gastos com o Congresso causam ainda mais espanto quando comparados a países mais ricos que o Brasil: se fizermos a média dos custos de deputados e senadores, cada parlamentar no Brasil sai por 10,2 milhões de reais por ano. Na Itália, [esse custo é de] 3,9 milhões de reais. Na França, pouco mais de 2,8 milhões de reais. Na Espanha, cada parlamentar sai por ano a 850 mil. E na vizinha Argentina, 1,3 milhão de reais.

E esse custo se repete nas Assembléias Legislativas e o pior exemplo está em Brasília: cada um dos 24 deputados distritais custa, por ano, quase 10 milhões de reais.

Os vereadores no Rio e em São Paulo saem, cada um, por pelo menos 5 milhões de reais.

E os contribuintes brasileiros são, claro, os mais pacientes."

Depois desse choque, fica a pergunta: porque nenhuma reforma política toca na questão do salário???
No mais, parabéns, Globo. Essa foi MUITO boa.
Mas é isso... “estamos de olho!” (BIAL, Pedro. In: BBB)

A volta de Camelo

Desculpe-me quem não gosta deles, mas escreverei assim mesmo, talvez não agradando nem a gregos nem a troianos.

Enquanto os Los Hermanos não voltam à ativa, seus integrantes continuam seguindo suas carreiras solo. Depois de Amarante e sua Orquestra Imperial, agora é a hora de Marcelo Camelo voltar à ativa.

O cantor lança no próximo dia 8 seu primeiro cd solo, intitulado "Sou". Para alegria geral da nação, ele disponibilizou 10 das 14 canções para download na sua página no MySpace.

O álbum (ou pelo menos as 10 canções já lançadas e disponíveis na internet) são bastante interessantes, bem ao estilo de Camelo. Para quem gostava das canções que ele escrevia nos tempos de Los Hermanos, vai com certeza gostar das suas novas músicas.

Entre alguns dos destaques, estão a presença de nomes como o de Mallu Magalhães, na bela canção "Janta", e Dominguinhos, na fantástica faixa "Liberdade".

E é "Liberdade" que ele canta no vídeo abaixo, durante o programa "Sem Censura", da ótima Leda Nagle.

A Google vai dominar o mundo...

... mas isto todo mundo já sabe, não é nenhuma novidade.

A novidade é que agora a Google dá mais um passo para alcançar seu objetivo, lançando um novo navegador.

Sim, um navegador da Google. O Google Chrome.

Tão grande foi minha surpresa ao entrar no site de busca para realizar algumas pesquisas e me deparei com a notícia de "primeira página", que resolvi até escrever algumas palavras sobre o assunto. Confesso que estou um pouco decepcionado, pois não consegui utilizar o navegador para escrever este post, pois parece que ele teve algumas incompatilidades com o meu computador - que é muito temperamental - e não está funcionando direito, mas pesquisei no Google (rá!) sobre ele e descobri algumas promessas e etc, mas não me aprofundarei no assunto - deixo isto para quando testar de verdade o aplicativo.

Mas é interessante analisarmos a questão como um todo. E ao fazer isso, pelo menos eu chego à uma conclusão um tanto quanto óbvia: o pessoal da Google é muito esperto, para não falar genial. Basta olharmos ao nosso "redor virtual": utilizamos o e-mail da Google (se você usa Yahoo, ou Hotmail, o que é pior, o problema é seu!), o Google Docs, Google Maps (me ajuda bastante na hora de chegar nos lugares), Google Earth, Google News, o Orkut, o YouTube (tá, eu sei que a idéia não foi deles, mas eles compraram e agora é deles), e etc. Ele (o Oráculo), faz até pesquisa. Ela (a empresa, Google) está se apoderando de todos os setores das nossas vidas virtuais. E nossas vidas reais dependem cada vez mais das nossas vidas virtuais.

Reza a lenda que vem aí também o Google Phone, ou coisa do tipo. E já ouvi dizer certa vez até no Google Car, mas deve ter sido boato ou brincadeira. Ou não.

Já dizia Peter Pan

Talvez eu esteja ficando muito velha. O que passa na televisão direcionado aos jovens já não me interessa mais. Procuro por programas antigos e desenhos guardados na geladeira para me sentir a vontade com alguma coisa, mas ainda assim as imagens de hoje não soam como soavam antes. E me vejo, como muitos dos meus, repetindo a frase dos meus pais: antigamente não era assim.

As crianças eram mais felizes, mais satisfeitas. Havia razão para se ganhar presentes. A escola era motivo de preocupação de pais e filhos, e não de babás e assistentes sociais. A rua era um espaço de todos, e não terra-de-ninguém. Podíamos comprar coisas na padaria do bairro e pagar depois. As coleções eram feitas a partir de amizades, com base na troca, e não na competição, na luta. Ter cachorro era bom porque era bom, e não porque se trata de um ótimo mecanismo anti-stress infantil. E música de criança era música de criança, com tema e melodia de criança. Música era feita ou para ser apreciada ou para educar (isso mesmo, educar). Educação antes não se restringia a um local ou a um horário.

Mas e hoje: música serve para quê mesmo? Para que um "Crééééu" serve? Ah, deixa pra lá. Hoje, presente tem caráter de bem compensatório, carinho é recomendação médica e escola, depósito de crianças enquanto os pais trabalham. Não se conhecem os vizinhos, os comerciantes próximos, não se confia em ninguém. Entra-se e deixa-se lugares o mais rápido possível, cumprindo uma lista inacabável de coisas a fazer obviamente importantíssimas, como se o futuro do mundo dependesse da sua capacidade. Cada vez acordamos mais cedo, deitamos mais tarde e deixamos mais coisas atrasadas pro próximo dia.

Nesse mundo o computador é, com certeza, o novo melhor amigo do homem. A não ser quando ele dá aquele tílti absurdo na hora mais conturbada do dia e vira o primeiro fator da quinta lei de Murphy aplicada à realidade. Não falamos mais baboseiras ao telefone, não mandamos mais carta de amigo, não nos visitamos mais. "Qualquer coisa, estou aqui", diz a mensagem no orkut, para pessoas que você nem lembra quando e como conheceu. Conversas on-line são um jogo de esconde-esconde da realidade, onde ora nos expomos demais, ora fingimos ser outrem. A tal sonhada democracia conquistada por 'heróis' do passado se transformou na ditadura do lucro, onde é o proveitoso o que mais chama atenção. Me recuso a acreditar que é democrática uma programação midiática que repete incessantemente o mesmo tipo de produtos, sejam eles músicas, clipes, informações, imagens ou valores.

Não sei como viemos parar aqui. Aos meus olhos antigos, tudo parece ter ganhado um tom psicoterapêutico-hedonista-mal-resolvido preocupante. E frente às perspectivas de mudança que temos à vista, penso que me encaixo perfeitamente na máscara do Peter Pan. Se é que alguém ainda lembra dele.

O candidato mudo



Reparou na eloquência do carismático candidato a prefeitura? Pois bem, após o 2° dia de campanha eleitoral, Márcio Lacerda e suas brilhantes propostas fizeram que seu eleitorado crescesse 15%!Ele lidera a corrida pela prefeitura de Belo Horizonte como pode ser conferido aqui.


Marcos Coimbra em sua coluna do dia 27 de agosto no jornal Estado de Minas revela alguns dados interessantes de uma pesquisa realizada pelo Vox Populi. A pesquisa teve como base as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e traça o perfil desses eleitores:
Os que se interessam "muito" por política - 15%
Os que se interessam "mais ou menos" por política - 30%
Os que se interessam "um pouco" por política - 20%
Os que "não tem qualquer interesse" por política - 35%

Nesse cenário não é difícil imaginar o por quê do crescimento de Lacerda. A maioria das pessoas tiveram o primeiro contato com os candidatos após o início da propaganda eleitoral nos meios de comunicação. Com Aécio e Pimentel, dois políticos que gozam de grandes índices de aprovação, pra que abrir a boca não é mesmo? Aliás, nas poucas vezes em que ele faz isso, haja café! O político fabricado as pressas deveria passar por algumas aulinhas de expressão e entonação.

Outro ponto a se destacar é que o candidato da corrente, digo, da aliança PSB, PT, PV, PTB, PTN, PP, PR, PSL, PMN, PRP, PSC, PTC e mais o apoio "informal" do PSDB e PPS, possui um tempo bem maior que os outros candidatos. Em entrevista a Record News (na série de entrevistas com os candidatos a prefeitura de São Paulo), o deputado federal Ivan Valente (PSOL) deu uma sugestão que no mínimo deveria ser pensada e discutida: o financiamento público das eleições. Todos os candidatos não poderiam mais receber doações e teriam a mesma quantia para fazer sua campanha, assim como, o mesmo tempo nos meios de comunicação. Indagado pelo jornalista se isso não geraria um descontentamento ainda maior por parte da população, Valente ponderou que as doações de empresas e particulares geram um prejuízo ainda maior. Motivo? Grandes empresas que financiam campanhas e ganham super contratos durante o mandato do político.

Até aqui, tudo caminha como o futuro governador Pimentel e o futuro presidenciável Aécio Neves planejaram. Mas preocupar para que mesmo né?Afinal eles conhecem e confiam nele e BH ficará em boas mãos. Pode acreditar nisso!

Post escrito em 26/08...agora Lacerda já lidera com 30% das intenções de votos e 57% dos votos válidos (EM DATA em 01/09)

E bota melodrama nisso...

Um dos principais motivos da alta audiência da Rede Globo de televisões sempre foi o sucesso de suas novelas. Em um país notadamente inserido em uma cultura que valoriza os folhetins, nada mais normal.

As novelas são um gênero tipicamente latino-americano, derivadas dos melodramas e das séries episódicas que surgiram como forma de valorização da cultura popular local. E é de consenso que as novelas brasileiras possuem uma grande riqueza. São bem produzidas, bem elaboradas e bem interpretadas (em sua maioria, mas sem generalizações). A maioria dos roteiros busca uma articulação de aspectos ficcionais com abordagens da realidade, compondo histórias capazes de prender o telespectador.

Como dizia uma professora minha, especialista em televisão, a novela brasileira deveria ser considerada como um gênero próprio, tamanha a sua peculiaridade em relação às similares dos outros países. Um grande indicador disso é a quantitadade de folhetins exportados pela Globo. Portugal, Espanha, Argentina, e por aí vai a lista de países que retransmitem as produções globais.

Pois é. Diante desse panorama, é triste ter que assistir às novelas atualmente transmitidas pela emissora em rede nacional. Para quem se acostumou a assistir a coisas do nível de Roque Santeiro, Pantanal, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, entre outras, dá muito desânimo ter que se contentar com produções do nível de A Favorita, Ciranda de Pedra e Beleza Pura. De enredos fracos, as novelas transmitidas nos três horários da Globo (Ciranda de Pedra às 18 horas, Beleza Pura às 19:30 e A Favorita às 21:00) nos fazem perguntar aonde foram parar os talentosos roteiristas que sempre encantaram o público da emissora.

Se algumas das tramas pecam por tenta forçar demais o humor, outras parecem até mesmo desafiar a inteligêcia do telespectador. Veja o exemplo do enredo principal de A Favorita. Tudo bem que foi uma inovação uma novela que revela o suspense do quem é o verdadeiro culpado pelo crime central logo no começo da história. Mas como explicar que as outras personagens, antes convictas da inocência da personagem Flora, interpretada por Patrícia Pilar, começassem a misteriosamente desconfiar dela exatamente quando ela revelou sua culpa para o público?

O que me parece é que a fórmula de tratar temas atuais, do cotidiano, esbarrou na vontade de inovar e de forçar os acasos que acontecem entre os personagens. Além disso, exagera-se muito nos dramas e encontros e desencontros dos protagonistas. Exagera-se também nas estereotipações. Só existem pessoas totalmente boas, ou totalmente malvadas, ou totalmente burras na realidade das novelas. Eu fico me perguntando: aonde foram parar os indivíduos normais, aqueles que erram e acertam, que são justos mas têm seus pequenos desvios de caráter? E essas esterotipações matam muitos personagens de potencial. É só ver o exemplo da personagem Rakelly (interpretada pela atriz Ísis Valverde), da novela Beleza Pura. Foi só começar a cair nas graças do público, com suas burrices engraçadas, que logo começaram a exagerar nos “foras” da personagem. Trocadilhos e chiliques forçados tiraram grande parte do brilho de Rakelly.

Claro que esse é só um ponto de vista de quem se acostumou a ver densidade nos folhetins da Globo, como a abordagem de temas como a leucemia, a homossexualidade. Isso sem falar nas produções de época, como A Padroeira ou Chocolate com Pimenta. Todas riquíssimas na caracterização do período retratado, seja pelo cenário, pelo figurino ou pela linguagem dos personagens. Todas capazes de empolgar ou emocionar o público com seus enredos leves e bem-humrados. Sem comparações com a “chocha” Ciranda de Pedra. Outra coisa, por que não investir nas novelas o mesmo empenho envolvido na produção de minisséries? Motivos para isso não faltam. O retorno da audiência é um deles.

Não é de se espantar que a Rede Globo venha perdendo pontos de audiência para a Record e Band. A primeira vem contratando ex-globais e conseguindo crescer no Ibope a custa de novelas que nem são tão bem produzidas, mas que atingem o gosto popular. Já a segunda deu um show na cobertura das Olimpíadas, bem mais extensa que a da adversária global. Não que isso signifique um grande abalo na hegemonia da Globo. A emissora ainda é a maior em rede aberta nacional, mas precisa se reciclar para não cair do topo. E agora dá licença, que eu vou ali assistir ao meu Jornal Nacional de todo dia.

Brazilian Way Of Vote

Ah!, os anos eleitorais... paixão para alguns, cansaço para a maioria. Não há período mais produtivo para percebermos a tão falada criatividade do povo brasileiro. Falada por quem? Bom... Eu não sei vocês, mas eu sempre ouvia que, ainda que atrasada e sofrida, a nossa nação era constituída de guerreiros alegres e criativos, que sabiam levar a vida como ninguém. Taí o Zé Carioca que não me deixa mentir: a tal da criatividade foi traduzida, pouco a pouco, no brazilian way of life, isto é, no “jeitinho brasileiro de resolver situações”, expressão nem sempre usada com a inicial positividade.

Mas eleições no Brasil não são, nem de longe, sinônimo de participação política. Infelizmente não contamos com uma população conscientizada sobre a importância do seu voto e, se perguntarmos a candidatos de quaisquer anos, poderemos constatar que quase todos já foram procurados por eleitores que queriam dar um preço ao seu voto (e, por tabela, aos de seus familiares). Isso mesmo: se você está acostumado a pensar que compra de votos é primordialmente uma iniciativa do candidato, saiba que o esquema de barganha é um dos poucos instrumentos políticos conhecidos pelos eleitores. E digo isso com conhecimento de causa: tenho dois parentes e uma vizinha que já foram candidatos a vereador, os dois em Sete Lagoas e a última em Contagem, cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, e todos confirmam a triste generalização.

Se quando você pensa em eleição, as primeiras imagens que vem à sua cabeça são sujeira anormal nas ruas, carros de som esgüelantes (se me permitem o possível neologismo), um tempo perdido na televisão bem na hora do seu jornal e uma série de slogans eleitoreiros engraçadíssimos, não sou eu que vou te convencer do contrário. Contra fatos não há argumentos.

A seguinte campanha foi desenvolvida pela administração federal, buscando despertar a nossa consciência eleitoral. Se conseguiu, eu não sei, mas que me diverte sempre, ah, isso diverte.
TOP 10 SLOGANS POLÍTICOS

10º lugar: ‘Não vote em branco, vote no Negão! Eduardo pra Presidente!’

9º lugar: Guilherme Bouças, com o slogan:
'Chega de malas, vote em Bouças.'

8º lugar - Grito de guerra do candidato Lingüiça, lá de Cotia (SP).
'Lingüiça Neles!'

7º lugar - Em Descalvado (AL), tem um candidata chamada Dinha cujo slogan é:
'Tudo Pela Dinha.'

6º lugar - Em Carmo do Rio Claro, tem um candidato chamado Gê.
'Não vote em A, nem em B, nem em C; na hora H, vote em Gê.'

5º lugar - Em Hidrolândia (GO), tem um candidato chamado Pé.
'Não vote sentado, vote em Pé.'

4º lugar - E em Piraí do Sul tem um gay chamado Lady Zu.
'Aquele que dá o que promete.'

3º lugar - A cearense chamada Debora Soft, stripper e estrela de show de sexo explícito. Slogan?
'Vote com prazer!'

2º lugar - Candidato a prefeito de Aracati (CE):
'Com a minha fé e as fezes de vocês, vou ganhar a eleição.'

1º lugar - Em Mogi das Cruzes (SP), tem um candidato chamado Defunto:
'Vote em Defunto, porque político bom é político morto!'


Se você achou esse post um tanto pessimista, desculpe-me o mau jeito, mas depende da forma que você encarou tudo isso. Eu voto pela criatividade brasileira.